CAPÍTULO XIII
Transportes

O AVESSO DE UM BALZAC CONTEMPORÂNEO
Arqueologia de um Pasticho



RAMOS FILHO, Osmar. O avesso de um Balzac contemporâneo: arqueologia de um pasticho. 1. ed. Niterói: Publicações Lachâtre, 1995. p. 509-530.

Transportes

O capítulo Transportes analisa a presença e o simbolismo dos meios de transporte e elementos correlatos, como carruagens, cavalos e vestimentas, dentro de uma narrativa literária ambientada no século XIX. O autor estabelece paralelos constantes com a obra de Balzac, demonstrando como detalhes técnicos de veículos como berlindas, landôs e cabriolês conferem precisão histórica e revelam o status social dos personagens. Além da descrição física, explora-se como a linguagem da época era impregnada por metáforas hípicas e termos de condução. A pesquisa também aborda a evolução dos transportes coletivos, a logística das longas viagens e as precárias condições das hospedagens de província, e destaca que o rigor na escolha dos acessórios e animais servia como um importante recurso para caracterizar a elegância ou o arrivismo dos indivíduos no enredo.

Literatura Comparada e Crítica Literária

O texto analisa como autores, especialmente Balzac, utilizam o transporte e a vestimenta para construir o realismo em suas obras. Ele demonstra como a precisão cronológica (ou a falta dela, como no caso do “landô“) serve para validar a verossimilhança da narrativa. Pesquisadores desta linha podem utilizar o texto para estudar o papel do “historiador de costumes” dentro da ficção.

História dos Transportes e da Tecnologia

O texto documenta a evolução dos meios de deslocamento, desde veículos privados como a caleche, o cabriolê e a berlinda, até o surgimento “milagroso” do transporte coletivo em 1825 com o ônibus. Fornece detalhes técnicos sobre a fabricação (como o uso de vime em cabriolés) e a distinção entre modelos ingleses e franceses.

Sociologia e História das Mentalidades

O texto destaca como os meios de transporte e os trajes de montaria eram indicadores de status social e poder econômico. A análise da figura do parvenu (arrivista), que tenta mimetizar a elegância mas se trai por detalhes de “mau gosto”, é uma contribuição relevante para estudos sobre estratificação social e consumo simbólico.

Linguística e Semiótica

A pesquisa pode se beneficiar da análise de como termos do mundo dos transportes impregnam a linguagem figurada, as gírias e as metáforas. O texto exemplifica como expressões como “falta gasolina” ou “puxar o carro” no século XX têm equivalentes psicografados ou literários relacionados a cavalos e carruagens no século XIX.

História da Cultura Material e Gastronomia

O capítulo detalha objetos da vida cotidiana que desapareceram ou se transformaram, como: (i) hospedagem: a descrição das condições precárias das estalagens, o uso de escadinhas para subir em pilhas de colchões e o funcionamento de aquecedores de pés (escalfetas ou chauffe-doux); (ii) utensílios e bebidas: a definição técnica de recipientes como o pichél para cidra e as dames-jeannes (garrafas bojudas protegidas por palha).

História da Moda (Indumentária)

Há uma contribuição específica sobre o traje de montaria feminino (a amazona) e masculino, detalhando tecidos como o cotim, o uso de luvas de pele de gamo e a influência da “girafamania” na moda parisiense após 1825.

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