CAPÍTULO XV
A Psicografia e a Mesa

O AVESSO DE UM BALZAC CONTEMPORÂNEO
Arqueologia de um Pasticho



RAMOS FILHO, Osmar. O avesso de um Balzac contemporâneo: arqueologia de um pasticho. 1. ed. Niterói: Publicações Lachâtre, 1995. p. 551-562.

A Psicografia e a Mesa

O capítulo A Psicografia e a Mesa analisa a importância da gastronomia e dos rituais de mesa na obra de Balzac, comparando as descrições detalhadas da Comédia Humana com passagens de Cristo Espera por Ti. O autor destaca como a posição social e o caráter moral das personagens são revelados através da fartura ou frugalidade de suas refeições, abrangendo desde banquetes aristocráticos até sopas de camponeses. São explorados elementos específicos como o uso medicinal e recreativo do vinho de cheiro, a simbologia do brinde e a sofisticação de bebidas como o conhaque. O capítulo também investiga a precisão histórica de Balzac ao descrever utensílios domésticos, como talheres de prata ou plaquê, que servem como indicadores de riqueza ou decadência financeira. O estudo conecta hábitos alimentares reais do romancista francês com as práticas de suas criações literárias, reforçando sua faceta de historiador de costumes, e detalha a presença de iguarias regionais e a relevância de pratos simples, como a sopa de repolho, na construção da atmosfera realista balzaquiana.

Evolução da “Grande Cozinha”

O texto situa o surgimento da grande cozinha no século XIX, comparando a sofisticação de Balzac com a exuberância de Rabelais, e serve como um guia para entender a intersecção entre a vida material e a produção literária, permitindo que pesquisadores utilizem a ficção como uma fonte suplementar de dados históricos e sociológicos precisos

Análise de Status Social através de Objetos

O capítulo detalha como o tipo de talher (ferro, estanho, prata dourada ou niquelados) era um “termômetro” da situação econômica e do status dos personagens.

Impacto de Eventos Históricos na Vida Privada

O texto documenta como o Bloqueio Continental de 1805 alterou o consumo de produtos coloniais, como açúcar e café, forçando a substituição por outros ingredientes.

Rituais de Comensalidade

A análise de rituais como o brinde e o serviço de chá revela as tensões entre o que era considerado elegante ou “vulgar” (provinciano) na sociedade da época.

Moralismo na Literatura

O texto pode auxiliar na investigação de como a mesa é usada para definir campos de ação moral, onde a frugalidade pode indicar tanto avareza quanto “motivos nobres” ou convicções religiosas.

Análise Estilística e Intertextualidade

O texto examina como a obra psicografada responde às “incitações” do estilo balzaquiano, mantendo a precisão descritiva, mas introduzindo uma dualidade moral entre a simplicidade doméstica e o fausto das cortesãs.

Recuperação de Vocabulário

Neste capítulo, a pesquisa literária beneficia-se do resgate de termos e conceitos em desuso, como a “alféloa” ou o uso medicinal do “vinho de cheiro”.

Tipicidade Regional

São descritos alimentos tradicionais como a “papa de trigo cozido no leite”, comum entre pastores do Languedoc, e a variedade de sopas (gras e maigre) fundamentais no período da Restauração.

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