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		<itunes:summary>por Ismael Benigno Neto</itunes:summary>
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		<title>A primeira vez de Dilma</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 18:23:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_496" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/08/debate.png"><img class="size-full wp-image-496" title="debate" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/08/debate.png" alt="" width="480" height="294" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Lalo de Almeida / Folhapress</p></div>
<p>O primeiro debate entre os candidatos à Presidência seguiu a temperatura da campanha até aqui. A despeito da guerra virtual entre os militantes dos dois principais candidatos, que já domina os espaços de discussão na internet há alguns meses, o clima foi de estudo do adversário. Nesse aspecto, o formato dos debates eleitorais acaba quase sempre engessando a discussão, que frequentemente é interrompida justamente quando engrena. O debate da Band, comparado ao aparato global, costuma ser mais solto, o que favorece o telespectador.</p>
<p>No fator &#8220;espetáculo&#8221; dificilmente seria diferente. Querer com Serra, Dilma e Marina as mesmas emoções que com Lula, Brizola ou Collor é o mesmo que procurar na Formula 1 de Button, Weber ou Massa o mesmo fascínio dos tempos de Senna, Prost, Mansell ou Piquet.</p>
<p><strong>Plínio de Arruda Sampaio</strong></p>
<p>Mas mesmo nas corridas de carro alguém precisa vencer. E nesse instantâneo fotográfico da corrida, Plínio de Arruda Sampaio, o melhor e mais envolvente dos radicais do PSOL, venceu. É claro, até o fim do campeonato ficará relegado à insignificância de sua sigla (ou equipe, no paralelo automobilístico que faço). Plínio, um dos intelectuais que fundaram o PT,  encarna o personagem do franco-atirador que não pode faltar aos debates, mas tem o estofo humanista e a eloquência mais apurados do que a maioria dos chamados &#8216;nanicos&#8217; de sempre. Não e político, e como tal, ficou à vontade para desmontar o discurso de todos os adversarios, sem medo de perder nada. Radical desiludido com o partido que fundou, mirou mais nos antigos companheiros do que no inimigo tradicional, o tucano Serra.</p>
<p><strong>Marina Silva</strong></p>
<p>Marina Silva (PV) é inatacável pela paixão com que defende suas causas, como o senador Cristóvam Buarque (PDT) quanto à Educação. Marina eleva o nível do debate. Uma pena que debate bom &#8212; porque o Brasil ainda precisa que seja assim &#8212; é exatamente o debate ruim. Há ainda muitas feridas brasileiras a serem expostas, e infelizmente debate de alto nível é algo que ainda não nos pertence. Foi exatamente nessa pretensão artificial de fazer um debate nobre que Arruda Sampaio saiu-se melhor, condenando o &#8220;bom mocismo&#8221; dos adversários. Marina foi o alvo do mais ferino ataque de Plínio, que a acusou de não saber pedir demissão &#8212; em alusão à saída da senadora do Ministério do Meio Ambiente.</p>
<p>É no lirismo e na paixão de Marina que moram suas maiores qualidades. Aqui retorno à comparação com Cristóvam, figura pública de quem é impossível falar mal. O problema, de um e de outro, é a dúvida sobre as qualidades administrativas &#8212; inclusive de conflitos entre tantas prioridades nacionais que não só as suas &#8212; de cada um. Nesse quesito, Marina e Buarque são indispensáveis por balancear o cenário, que ficaria ainda mais empobrecido apenas com Serra e Dilma, as equipes favoritas da temporada.</p>
<p><strong>Dilma Rousseff</strong></p>
<p>Dilma era o fenômeno a ser desmascarado. Na ótica tucana, foi. Visivelmente nervosa, ficou latente que, dos quatro presentes, era exatamente Dilma, a líder nas pesquisas e  a candidata de um dos presidentes mais populares do mundo, a mais  nervosa. A impressão que ficou foi a de uma aluna aplicada, mas que pecou pelo excesso de estudo. Dilma  parece ter estudado demais para o vestibular da discussão ao vivo &#8212; tomou aulas particulares de vários ministros governistas sobre suas respectivas pastas &#8211;, e em vários momentos pareceu sofrer do &#8216;branco&#8217; que acomete tantos estudiosos.</p>
<p>A esta altura, petistas podem sacar do bolso como desculpa exatamente o argumento que costumam usar para louvá-la: o ineditismo de ser uma mulher à frente das pesquisas, mesmo sem qualquer experiência em mandatos politicos, costuma ser discurso fácil da militância vermelha. O momento parece ser apropriado, talvez, para dizer que, nessa condição de caloura, Dilma até que foi muito bem.</p>
<p>Seu pecado, o mesmo de Serra, foi a dependência dos números. Pressionada por Serra e Arruda, a petista deu respostas evasivas a questões simples como sua posição sobre a propriedade rural (feita por Arruda), como quem dissesse &#8220;Professor, eu não sei essa resposta, mas me pergunte sobre empregos e programas sociais, foi pra isso que eu estudei!&#8221;. Somados os pontos positivos e negativos de sua apresentação, Dilma mostrou estar mais próxima do estereótipo cunhado pela oposição (de ser inanimado criado artificialmente por Lula, um genial Dr. Frankenstein político) do que da imagem de candidata de carne e osso.</p>
<p><strong>José Serra</strong></p>
<p>A incompetência de Dilma para se provar preparada só foi menor do que a incompetência de Serra para nocauteá-la. Aqui não avalio o que é realmente importante, como os dados e os prós e contras das eras Tucana e Lulista, mas essencialmente o debate, a fotografia da noite. Serra, como Dilma, é um piloto refém do excesso de informações da telemetria de seu carro. &#8216;Ajudado&#8217; pelos dados das sondagens internas, ficou indeciso entre derrubar de vez a petista ou assoprar-lhe as feridas, e limitou-se a atacar cirúrgica e timidamente as fraquezas do discurso da petista.</p>
<p>Seguindo o franco-atirador Arruda, Serra mostrou-se o mais desenvolto. Mesmo pecando na decisão de atacar Dilma mais ou menos ferozmente, mostrou-se seguro. O problema de Serra, como com Alckmin, e genético. O paulistismo dos dois parece ser feito para lhes arrancar qualquer traço de carisma pessoal. Uma disputa presidencial é &#8212; feliz ou infelizmente &#8212; o balanceamento de muito mais fatores do que o preparo técnico e administrativo.</p>
<p>Serra, como Alckmin, soa falso ao ser sentimental, mesmo que não seja falso. Domina números, escolhe temas e aprendeu, com a experiência, a trabalhar com a dinâmica dos debates, aproveitando as sequências de respostas, réplicas e tréplicas a seu favor.</p>
<p>O debate da Band, como a maioria dos debates, decide pouca coisa. Nessa lógica, pode ter servido para que o PSOL de Arruda ganhasse mais simpatizantes entre a enorme parcela da população que detesta política e quer apenas bons &#8216;candidatos de protesto&#8217;. Dilma prova que não é Lula, Serra prova que não é bobo e Marina prova que segue seus princípios até o fim.</p>
<p>Não é a temporada mais emocionante da historia, e por vezes dá pra confundir petismo com tucanato na origem. O debate, mais do que outra coisa, mostra as semelhanças entre o candidato tucano e a candidata petista. Trazido para este patamar de comparação, Lula, um verdadeiro mago político moderno, saiu perdendo.</p>
<p>É talvez um Senna, tentando empurrar um Barrichello goela abaixo do Brasil.</p>
<p>Lula pode estar certo. Carisma por carisma, já que ele próprio não pode entrar na pista, melhor fabricar alguém do zero.</p>
<p>A disputa não é entre Serra e Dilma. É entre o carisma de um Senna aposentado e um séquito de pilotos medíocres.</p>
<ul>
<li><a href="http://eleicoes.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/08/06/debate-baixa-audiencia-e-baixa-temperatura.jhtm">No UOL, a análise de Fernando Rodrigues</a>.</li>
<li><a href="http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/08/06/debate-da-band-plinio-faturou-314058.asp">&#8220;Plinio faturou&#8221;</a>, um comentario de Ricardo Noblat.</li>
<li><a href="http://g1.globo.com/especiais/eleicoes-2010/noticia/2010/08/quatro-presidenciaveis-se-confrontam-no-primeiro-debate-na-tv.html">No G1</a>, o retrato bloco a bloco do programa.</li>
</ul>
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		<title>O episódio do shopping</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 21:46:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manaus]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje faz uma semana que o médico Frederico Germano e sua esposa foram agredidos por seguranças do Amazonas Shopping. Na última quinta (15), às 18h30, o casal, acompanhado por duas amigas, esqueceu um telefone celular sobre a mesa de um restaurante.
Ao procurar a imagem de quem teria encontrado o aparelho &#8212; com a ajuda de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje faz uma semana que o médico Frederico Germano e sua esposa foram agredidos por seguranças do Amazonas Shopping. Na última quinta (15), às 18h30, o casal, acompanhado por duas amigas, esqueceu um telefone celular sobre a mesa de um restaurante.</p>
<p>Ao procurar a imagem de quem teria encontrado o aparelho &#8212; com a ajuda de funcionários do restaurante --, Frederico identificou uma mulher que ainda se encontrava na praça de alimentação do shopping. Ao abordá-la para pedir o telefone de volta, o médico foi agredido.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/2010/07/16/imagine-so-a-cena/">Contei essa história aqui</a>, naquela mesma quinta, e mais de 120 pessoas comentaram o fato, todas indignadas.</p>
<p>Procurei o médico, que me enviou uma cópia do Boletim de Ocorrência policial, registrado no 12º Distrito Policial de Manaus no último dia 20. Frederico me contou que fizera um BO no dia seguinte à agressão, mas que o primeiro documento tinha informações incorretas. A versão que você vê abaixo é a do BO correto.</p>
<p>A reportagem do portal D24AM procurou a administração do Amazonas Shopping, que disse que não se pronunciaria sobre o incidente, mas tivemos acesso ao vídeo interno do restaurante (o mesmo vídeo no qual Frederico identificou a mulher que levou o telefone), e a imagem mostra desde o momento em que a esposa e as amigas do médico deixam o local até o momento em que a mulher sai com o telefone. Frederico não aparece nas imagens, pois no momento do ocorrido estava no caixa do restaurante, pagando a conta. O grupo ocupa a mesa no primeiro plano do vídeo.</p>
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</span><p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=zc2Qj3zM-_E">www.youtube.com/watch?v=zc2Qj3zM-_E</a></p></p>
<p>Pelas imagens se percebe que a mulher entra e sai do restaurante várias vezes, aparentemente sem motivo. No áudio da gravação (retirado aqui para preservar o restaurante), os funcionários contam que, naquela tarde, a tal mulher procurara o restaurante procurando emprego, sem documentos, sem currículo e sem recomendações. No vídeo, os funcionários do restaurante também recomendam aos colegas maior cuidado com a movimentação estranha de pessoas.</p>
<p>Nas imagens do vídeo também não aparece o rapaz que acompanhava a senhora, e que agrediu Frederico. O Amazonas Shopping dispõe de câmeras de segurança na praça de alimentação, onde ocorreu a agressão ao médico e sua esposa, mas, com a negativa do shopping em prestar informações, não tivemos acesso às imagens.</p>
<p>Durante o registro do BO, Frederico apresentou fotos da camisa que usava na noite da agressão, manchada de refrigerante. Não havia ferimentos aparentes que pudessem ser utilizados como provas, tampouco imagens do sistema de segurança do shopping, que poderiam provar a agressão cometida tanto pelo casal quanto pela segurança.</p>
<p>Frederico diz que ainda se recupera do episódio, mas que vai tomar todas as providências sobre a agressão que sofreu pelos seguranças do shopping.</p>
<p>Abaixo, a imagem do Boletim de Ocorrência registrado pelo médico.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/BO-FREDERICO.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-417" title="BO-FREDERICO" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/BO-FREDERICO.jpg" alt="" width="480" height="1174" /></a></p>
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		<title>Imagine só a cena</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Jul 2010 05:58:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Nonsense]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Finja que você está lendo aquele livro policial ruim e faça uma força pra mentalizar a seguinte cena:
É final de tarde, e você vai a um shopping da cidade por volta das 18h. Você, sua esposa e duas amigas, uma senhora de 60 anos e sua filha, funcionária de uma loja do shopping, param para [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Finja que você está lendo aquele livro policial ruim e faça uma força pra mentalizar a seguinte cena:</em></strong></p>
<p>É final de tarde, e você vai a um shopping da cidade por volta das 18h. Você, sua esposa e duas amigas, uma senhora de 60 anos e sua filha, funcionária de uma loja do shopping, param para um lanche num restaurante de comida árabe, na primeira praça de alimentação do shopping. Ao sairem do restaurante, a senhora que o acompanhava percebe que esqueceu o telefone celular sobre a mesa. Então você volta ao local e, não encontrando o aparelho, pede que a gerente o ajude, mostrando a gravação do sistema de segurança da loja. Nas imagens, você e a gerente veem uma moça, loira, com cerca de 30 a 35 anos, portando uma bolsa preta e um guarda-chuva azul, pegando o telefone esquecido e indo embora.</p>
<p>Você olha em volta e percebe que a moça da gravação ainda está na praça.</p>
<p>Tomando cuidado para não causar constrangimentos, você aborda a moça, alegando que o telefone que ela guardou estava perdido, e o pede de volta, discretamente. Você não a acusa de nada, sequer cobra o aparelho. Na verdade, para evitar maiores transtornos, você pensa em agradecê-la por ter guardado o telefone, certamente para procurar o dono mais tarde.</p>
<p>Então você começa a ser agredido, tanto pela moça quanto por seu namorado, que a acompanha. Iniciando um escândalo, o casal acusa você de tê-los chamado de &#8216;vagabundos&#8217;.</p>
<p>Você insiste em não querer confusão, e só pergunta pelo telefone perdido. Então o rapaz, enfurecido pela pergunta, tira o celular do próprio bolso e o atira para o alto. Quando você se inclina para pegar o telefone, o rapaz se aproxima e lhe atira um copo de refrigerante na blusa.</p>
<p>Agora imagine que, mesmo assim, acompanhado por sua esposa &#8212; portadora de necessidades especiais &#8212; e mais duas senhoras, você só quer que aquilo tudo acabe. Mas não acaba. O rapaz que lhe agrediu com o copo de refrigerante pega uma cadeira da praça e a atira em você.</p>
<p>Você já conseguiu pintar a cena mentalmente?</p>
<p>Então chegam os mocinhos, a cavalaria, a segurança do shopping. Você ainda se recupera da agressão, e então seis guardas lhe agarram e lhe arrastam, sob os olhos de todos os visitantes da praça, até a sala da segurança. Você então aguarda a chegada do casal, certamente vindo também acompanhado pelo resto do aparato de segurança.</p>
<p>E nada do casal. É então que você percebe que o bandido é você, e que as suas vítimas, o casal que furtou o celular da sua amiga e lhe agrediu, foi liberado. O chefe da segurança diz não poder fazer mais nada, pois a informação que tinha era que você era o agressor. Testemunhas contam a você, depois, que enquanto você era arrastado pelos seis guardas, o casal era conduzido para a porta de saída, próxima de um restaurante de comida oriental e de uma lanchonete de hambúrgueres.</p>
<p>Então você é liberado pela segurança e decide voltar ao restaurante, para pedir que o estabelecimento guarde a gravação. Afinal, é com ela que você vai provar sua inocência. Então, ao passar por um dos seguranças, você, compreensivelmente revoltado, dá um tapinha em seu ombro e, ironicamente, agradece pela grande ajuda que a segurança havia acabado de lhe dar.</p>
<p>A agressão começa novamente, mas agora não mais vinda do casal, que àquela hora já foi embora. Quem lhe agride é o segurança do shopping, dando-lhe um empurrão nas costas, exigindo respeito. Sua esposa, deficiente, tenta conter o guarda, e também é agredida, junto com a senhora que acompanha vocês, de 60 anos de idade.</p>
<p>A confusão termina novamente, pois a segurança do shopping rapidamente contém o guarda e o afasta do local.</p>
<p>Os funcionários do restaurante então se negam a lhe mostrar novamente a gravação do furto. Algumas pessoas se oferecem para testemunhar a seu favor, mas a segurança o impede de pegar os contatos delas. Você está sendo expulso do shopping. Você, sua mulher deficiente, a senhora de 60 anos que lhe acompanha e a filha dela.</p>
<p>O que lhe resta é sair, e novamente desfilar por todo o shopping, chorando, com a camisa coberta de refrigerante.</p>
<p>Sim, você chora, está muito nervoso. Sua esposa, agredida no braço, também chora. O shopping inteiro assiste a sua saída. O que resta a você é a humilhação e a vergonha causada pelos olhares da plateia.</p>
<p>A plateia que lhe olha como um bandido.</p>
<p><strong><em>Essa história aconteceu ontem (quinta, 15) com Frederico Germano Lopes Cavalcante, um médico de 29 anos de idade, que cometeu um erro: tentou recuperar um objeto furtado pedindo-o educadamente ao ladrão. Eram 18h30 da noite, e a praça de alimentação do Amazonas Shopping estava, como de costume, cheia. Frederico, a quem não conheço, me procurou para me contar o ocorrido, pois não quer deixar a história pra lá. Conversei com ele por email há pouco, e pretendia lhe pedir uma cópia do Boletim de Ocorrência que registrou na delegacia. Não consegui. No último email que me enviou, Frederico dizia estar sedado por um medicamente anti-hipertensivo. Hoje vou tentar falar com ele novamente. E depois, talvez fazer o coro com as pessoas de Manaus que já cansaram da completa falta de preparo dos funcionários do setor de serviços dessa cidade, que tanto se orgulha de seu tamanho e de seu futuro como sede de Copa do Mundo, enquanto continua vendo verdadeiros absurdos como estes, dignos de uma comédia pastelão de segunda categoria, daquelas que se confundem facilmente com tragédias vergonhosas. O caso de Frederico, sua esposa e suas amigas não é o primeiro, não deverá também ser o último. Para que caia no esquecimento, o absurdo da noite desta quinta precisa apenas da falta de ação e indignação das pessoas que, no lugar de exigirem respeito dentro de um local onde gastam seu dinheiro, apenas assistem casos como esse acontecerem.</em></strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
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		<title>Só falta o Curupira</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 22:50:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Nonsense]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos &#8216;emissários&#8217; do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.

Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos &#8216;emissários&#8217; do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/soraia-2004.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-341" title="soraia-2004" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/soraia-2004.jpg" alt="" width="480" height="345" /></a></p>
<p>Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que acusava Serafim Corrêa de ser pai do seu filho, desequilibrou a eleição a favor de Serafim. Soraia surgira da varinha de condão do então vereador Sabino Castelo Branco, que chegou a levá-la ao plenário da Câmara Municipal para um depoimento bombástico. Em 2005, em depoimento ao STJ, disse ter caído no &#8220;conto do vigário&#8221; de Sabino.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/renata-barros.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-340" title="renata-barros" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/renata-barros.jpg" alt="" width="481" height="323" /></a></p>
<p>Em 2008, Renata Barros, comadre do então governador, surgiu num vídeo o acusando de corrupção ao lado do marido. Renata recebera a proteção do senador Arthur Neto, e passado o calor eleitoral, repensou sua vida, voltou para a felicidade do lar e retirou o que disse &#8212; possivelmente alegando privação temporária dos sentidos.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://media.d24am.com/24am_web/391/noticias/images/thumbs/4768_460x270_0949455001279133687.jpg" alt="" width="460" height="270" /></p>
<p>O que ocorre hoje? Fernando Valente, tão desconhecido até anteontem quanto Soraia e Renata, aproveitou a mania de chegar atrasado do ex-governador e registrou sua candidatura antes, como se, numa brincadeira de criança, tivesse corrido mais rápido ao final da música e sentado na cadeirona reservada a Braga, causando um rebuliço tremendo no meio dos bajuladores, assessores, amigos, familiares, jornalistas e blogueiros ligados ao ex-governador.</p>
<p>Ontem (terça, 13) à noite os capítulos desse <em>Vale a Pena Ver de Novo</em> começaram a se denunciar. Três bem intencionados senhores, anunciando-se emissários do agora poderoso Valente, ofereciam a Braga um acordo, que aparentemente envolvia dinheiro. O governador (opa, ex-governador!) não pensou duas vezes e acionou a polícia, deve ter dito José Melo, que no momento da suposta extorsão servia cafezinho a todos.</p>
<p>Fernando Valente, até março passado subsecretário de Amazonino Mendes, denunciou a trama. Valente tem dado mais entrevistas coletivas do que o delegado do caso Bruno, e seus quinze minutos de fama começam a se tornar perigosamente trinta.</p>
<p>Hoje descobriu-se que Marcius Filard de Souza, um dos homens detidos e que se apresentava como advogado de Valente, na verdade era correligionário do extorquido, Eduardo Braga. Filard é filiado ao PMDB desde dezembro de 2005. Na coletiva desta quarta, Valente repetiu seu mantra: &#8220;Não vou recuar&#8221;.</p>
<p>Já comentei aqui antes, no Amazonas o escândalo depende mais do malandro do que da polícia ou da imprensa. Soraia protagonizou, ao lado de Sabino, um dos espetáculos mais deprimentes da política amazonense. Renata, do ciclo de amizades do ex-governador, nunca dirá o que a motivou a denunciar o amigo e compadre. Fernando Valente, que já trabalhou com Braga, era subsecretário de Amazonino.</p>
<p>Novela boa é novela previsível. Precisa ter um galã, um vilão, uma mocinha, uma história de amor não correspondido, um núcleo cômico, uma vizinha fofoqueira, um filho misterioso, uma causa social e uma penca de espectadores em casa, aguardando pela dose diária de entretenimento.</p>
<p>O lamentável, nessa novela que se repete a cada dois anos, é que acabamos rindo de um filme que não é comédia, e sim um drama. Um drama que conta a nossa própria desgraça.</p>
<p>Március, o suspeito de extorquir Braga é do partido de Braga. Renata e Ney voltaram a ser o casal feliz e bem sucedido que sempre foram.</p>
<p>Soraia também voltou ao ninho. É candidata a deputada estadual pelo PTB, o partido do prefeito Amazonino Mendes, que ajudou a derrotar em 2004. O mesmo PTB hoje presidido por Sabino Castelo Branco, que em 2004 lhe passou o &#8220;conto do vigário&#8221;.</p>
<p>O mundo dá voltas, mas acaba sempre no mesmo lugar.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/SORAIA-CANDIDATA.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-339" title="SORAIA-CANDIDATA" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/SORAIA-CANDIDATA.jpg" alt="" width="480" /></a></p>
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		<title>Um triste escândalo sem rosto</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 22:49:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manaus]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Os casos mais recentes de abusos e violências contra a mulher acendem uma questão tão importante quanto medieval: que políticas públicas podem ser pensadas para que os casos de D.B.B, A.LF.S. e A.C.M.C. parem de se multiplicar pelo país?
A maioria do eleitorado brasileiro é feminina, assim como quase metade da força de trabalho do país. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Os casos mais recentes de abusos e violências contra a mulher acendem uma questão tão importante quanto medieval: que políticas públicas podem ser pensadas para que os casos de D.B.B, A.LF.S. e A.C.M.C. parem de se multiplicar pelo país?</p>
<p>A maioria do eleitorado brasileiro é feminina, assim como quase metade da força de trabalho do país. Não deveria haver, por imposição física ou social, a prevalência de homens sobre mulheres; ainda que essa diferença fosse inevitável, seria mais lógico que favorecesse as mulheres.</p>
<p>O caso do médico Edson inevitavelmente faz aflorar a percepção de que não há pra onde correr. Numa rua mal iluminada, hoje é difícil saber o que amedronta mais, um grupo de rapazes bêbados ou um grupo de policiais. Parece inconcebível que, dentro de um consultório médico, uma mulher seja violentada por alguém que deveria lhe ajudar, passar confiança e tranquilidade.</p>
<p>O trauma e a indignação são os traços comuns a esses tipos de casos. No espaço de tempo de uma consulta médica, mulheres, mães e filhas, com nomes e sobrenomes, passam a ser identificadas apenas por suas iniciais. A tranquilidade asséptica de um hospital ganha a cor e a dor de um caso de polícia. O silêncio parece ser o único caminho, uma espécie de cela pessoal em que cada mulher agredida se isola. Dimensionar a quantidade de mulheres violentadas, agredidas e espacandadas hoje, dentro de casa, é um desafio para as autoridades.</p>
<p>Roger Abdelmassih, a maior referência pessoal em reprodução humana assistida no Brasil, hoje responde a 56 acusações de estupro, dentro de sua clínica. Está em casa graças a decisão do Supremo Tribunal Federal. Seu caso precisa ajudar o país a prestar mais atenção ao que ocorre dentro das clínicas e hospitais.</p>
<p>Cabe também ao Conselho Regional de Medicina, onde ocorrem acirradas disputas eleitorais e animadas festas de confraternizaçao, cumprir a obrigação de proteger a sociedade de seus representantes com desvio de caráter ou personalidade, e não o contrário. Estão aí os casos da menina <a href="http://omalfazejo2.wordpress.com/2008/09/19/pelo-amplo-direito-a-vida/">Bruna Paloma e do cantor Carlos Casagrande</a>, mortos na mesa de cirurgia do mesmo médico. Em que pé anda a investigação sobre esses casos, senhores do CRM?</p>
<p>Há poucas lições a tirar dos supostos estupros do Dr. Edson, além da maior delas: basta que uma mulher resolva denunciar, e o fio da navalha por onde caminham estes médicos (muitas vezes acostumados a anos e anos do silêncio de suas vítimas) facilmente se rompe.</p>
<p>Crianças não deviam ser abusadas pelo padre, meninos não deviam ser agredidos pelo policial, mulheres não deviam ser violentadas pelo seu médico. A repetição dos casos acaba banalizando o crime, aprofundando o sofrimento das vítimas, incentivando o criminoso a fazer mais vítimas.</p>
<p>Há escândalos que não podem sossegar, de forma alguma.</p>
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		<title>Em Manaus, PF usará táticas de combate pra evitar compra de votos</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 22:44:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições]]></category>

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		<description><![CDATA[De Raphael Cortezão, no portal Terra:
A informação é do superintendente da Polícia Federal no Estado, delegado Sérgio Fontes, e o objetivo é coibir a compra de votos com dinheiro nas eleições deste ano.
As ações de fiscalização no embarque em aviões e barcos que partem de Manaus e de algumas cidades do interior do Estado já [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>De Raphael Cortezão, <a href="http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4562238-EI15319,00-PF+adota+taticas+de+combate+ao+trafico+para+evitar+fraudes.html">no portal Terra</a>:</p>
<p><img class="alignright" src="http://www.seplan.am.gov.br/arquivos/download/arqeditor/publicacoes/clipping/nacional/13102009//image013.jpg" alt="" width="250" height="180" />A informação é do superintendente da Polícia Federal no Estado, delegado Sérgio Fontes, e o objetivo é coibir a compra de votos com dinheiro nas eleições deste ano.</p>
<p>As ações de fiscalização no embarque em aviões e barcos que partem de Manaus e de algumas cidades do interior do Estado já começaram a ser realizadas e seguem até o dia 3 de outubro, de acordo com o superintendente da PF. &#8220;Estamos empregando 60% do nosso efetivo nessas ações, além de dispormos de scanners e cães farejadores treinados para encontrar dinheiro&#8221;, disse Sérgio Fontes.</p>
<p>O passageiro que for flagrado com quantias expressivas de dinheiro na bagagem terá que explicar à PF a origem e o destino do montante transportado e ainda apresentar justificativa com os motivos que o levaram a transportar o dinheiro em espécie em vez de depositar no banco. &#8220;Para mantermos a segurança das ações, não podemos divulgar todos os pontos fiscalizados&#8221;, ressaltou.</p>
<p>Para o superintendente, o histórico de compra de votos em diversos municípios do Estado, durante eleições anteriores, reforçou a necessidade de adotar maior rigidez na fiscalização do transporte de dinheiro em espécie durante o período eleitoral no Amazonas. A própria capital do Estado e as cidades de Tapauá, Barcelos e Manacapuru tiveram casos de compra de votos nas eleições municipais de 2008.</p>
<p>Conforme prevê a Lei 9.504/97, candidatos que doarem, oferecerem, prometerem, ou entregarem dinheiro ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, ao eleitor estão sujeitos a multa de R$ 1 mil a R$ 50 mil e cassação do registro de candidatura. O eleitor que vender seu voto também pode ser processado criminalmente.</p>
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		<title>Papai do Céu tá vendo&#8230;</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 18:56:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eleições]]></category>

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		<description><![CDATA[Suas ovelhas estão recebendo &#8217;santinhos&#8217;, ou melhor, &#8216;discipulozinhos&#8217; (evangélicos rejeitam a figura católica dos santos) sem os nomes de Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Dilma Rousseff (PT).
É que a dupla, apesar de fazer parte da coligação de Dilma e Vanessa, decidiu &#8216;ungir&#8217; candidatos de outras &#8216;denominações&#8217; &#8212; ou declarar o desapoio às duas, quem sabe por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Suas ovelhas estão recebendo &#8217;santinhos&#8217;, ou melhor, &#8216;discipulozinhos&#8217; (evangélicos rejeitam a figura católica dos santos) sem os nomes de Vanessa Grazziotin (PCdoB) e Dilma Rousseff (PT).</p>
<p>É que a dupla, apesar de fazer parte da coligação de Dilma e Vanessa, decidiu &#8216;ungir&#8217; candidatos de outras &#8216;denominações&#8217; &#8212; ou declarar o <em>desapoio</em> às duas, quem sabe por vontade de Deus, contra o comunismo.</p>
<p>O que se prevê é que muitos candidatos da coligação de Omar vão agir assim, declarando apoio e pedindo votos apenas para Eduardo Braga ao Senado. Para Vanessa, nem um mísero &#8216;aleluia&#8217;.</p>
<p>Bonito, não?</p>
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/SANTINHO-1.jpg" alt="" width="480" height="323" /></p>
<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/SANTINHO-2.jpg" alt="" width="480" /></p>
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		<title>&#8216;Ato secreto&#8217; vira escândalo. No MT.</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Jul 2010 13:00:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Corrupção]]></category>

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		<description><![CDATA[Decisão administrativa do Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso configurada de &#8220;ato secreto&#8221; gerou prejuízo de R$ 33,5 milhões aos cofres públicos. A medida, jamais divulgada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) ou comunicada via ofício, trata da incorporação de uma lei com efeitos retroativos ao mês de junho de 1998. O procedimento permitiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Decisão administrativa do Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso configurada de &#8220;ato secreto&#8221; gerou prejuízo de R$ 33,5 milhões aos cofres públicos. A medida, jamais divulgada no Diário da Justiça Eletrônico (DJE) ou comunicada via ofício, trata da incorporação de uma lei com efeitos retroativos ao mês de junho de 1998. O procedimento permitiu a uma média de 250 magistrados equiparar salários e outros benefícios da magistratura federal à estadual.</p>
<p>Documentos aos quais A Gazeta teve acesso com exclusividade revelam a falta de critérios para pagamentos de verbas a juízes e desembargadores, comprometendo ainda mais a situação do setor financeiro do Judiciário, alvo de uma recente inspeção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).</p>
<p>A origem da ilegalidade tem início no dia 8 de setembro de 2003. Naquela ocasião, o juiz Marcelo Souza de Barros, auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça, solicitou, em parecer, a incorporação da lei federal aos magistrados mato-grossenses. O argumento usado foi de que, em seu entendimento, a norma teria validade em território nacional.</p>
<p><a href="http://www.amarribo.org.br/mambo/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=3815&amp;Itemid=57">Leia mais no site da ONG Amarribo</a>, com a reprodução do jornal A Gazeta.</p>
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		<title>Sobre o que eu não ia falar</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Jul 2010 00:08:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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		<description><![CDATA[Tive pouco contato com a Lorena que conheci, a Lorena Baptista pública. Acho que muitos tiveram esse mesmo contato. Durante toda a semana ouvi, de todos os que a conheceram como eu, que ela era osso duro de roer. Geniosa, maluca, estressada, porra-louca, destrambelhada.
No mais das vezes, concordei com quem me dizia isso (porque a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/LORENA.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-313" title="LORENA" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/LORENA.jpg" alt="" width="480" height="360" /></a>Tive pouco contato com a Lorena que conheci, a Lorena Baptista pública. Acho que muitos tiveram esse mesmo contato. Durante toda a semana ouvi, de todos os que a conheceram como eu, que ela era osso duro de roer. Geniosa, maluca, estressada, porra-louca, destrambelhada.</p>
<p>No mais das vezes, concordei com quem me dizia isso (porque a Lorena não deixava muita margem pra discussões), mas no fundo, com um sorriso de canto de boca disfarçado, como de quem diz à própria Lorena, eu passei a semana pensando: &#8220;Você tava certa, todo mundo acha que você era louca.&#8221;</p>
<p>Nem de longe a Lorena foi a típica esposa-vítima. Vi a reação das pessoas à notícia de sua morte violenta, e algo não colava. Era isso. Como quase sempre, a Lorena intimidava, incomodava. Não pela força, pelo porte de arma nem pela posição de policial. Era pior. Era pela inteligência. Nosso mundo é hipocritamente igualitário, mas há temas, profissões, assuntos nos quais a maioria das mulheres não se mete. A Lorena se metia. Era perita criminal da Polícia Civil. Esperava a decisão da Justiça para assumir seu cargo na Polícia Federal, num concurso no qual passou em primeiro lugar.</p>
<p>Hoje, acompanhando o desenrolar do caso no noticiário, percebo a grotesca ironia do destino da Lorena. Não se sabe, ainda, se o tiro que a matou foi acidental ou não. Peritos da polícia dizem que a versão do ex-marido não bate com o ferimento, que já se disse ter sido na nuca, mas que agora, sabe-se, foi na têmpora esquerda, acima da orelha. Para elucidar o que houve de fato, a polícia amazonense vai precisar de equipamentos e peritos qualificados. Onde ela estiver, sou capaz de ver o sorriso belo, maroto e pretensamente insensível dela.</p>
<p>Lorena, a Lorena pública que conheci, morreu dividida entre o desânimo com o poder público e os lampejos de esperança que sentia com as iniciativas de outras pessoas para mudar isso. Foi assim quando me sugeriu contatos com a <a href="http://www.amarribo.org.br/">ONG Amarribo</a>, quando falamos sobre o projeto <a href="http://www.ifc.org.br/projeto/index.php">Adote Um Município (A1M)</a>, sobre controle social das contas dos governos etc. Me falou muito, durante dias e noites, sobre a desilusão de trabalhar como perita numa polícia completamente despreparada, corrupta, loteada entre amigos do rei, entregue a organizações não governamentais suspeitas.</p>
<p>Lorena, a louca, comprou brigas com políticos, denunciou alguns, foi atacada por vários. Com meu incentivo pessoal, criou um blog no qual comentou as estripulias contábeis do então presidente da Câmara Municipal, onde ela trabalhara. Comprou briga com o governo, seu patrão, exigindo condições mínimas de trabalho. Comprou briga com a própria polícia, denunciando a perseguição que sofreu por seu comportamento &#8216;louco&#8217;.</p>
<p>Por tudo isso, sua morte não deixa de causar a impressão de que, para uma porção de gente, a bala de sua pistola foi a mais bem empregada até hoje pela segurança pública amazonense. Com a morte da Lorena, muito malandro está dormindo melhor hoje. Não que ela fosse capaz de destruir a banda podre da política e da polícia amazonenses. Era só porque ela não se aquietava. Aqui mesmo, nO Malfazejo, <a href="http://omalfazejo2.wordpress.com/2009/02/20/eu-queria-mesmo-era-ser-amapaense/">publicou relatos</a> do seu dia-a-dia como perita, usando um pseudônimo.</p>
<p>Quando tivemos, eu e algumas pessoas que se relacionam via web, a ideia de fazer um protesto sobre a aprovação da Taxa do Lixo, nos reunimos com a Lorena, que nos orientou sobre como transformar a iniciativa em algo formal.</p>
<p>A Lorena não era louca. Era incomodada. Já mostrava cansaço e frustração, e por isso era de uma acidez rasgante. Nas poucas vezes que a vi, não vi uma mulher, vi uma espécie de personagem, incansável, alguém que não suportava ver as coisas como as coisas são. Tudo era temperado com o casamento problemático. No fim, o que se via era uma pessoa atormentada e triste, mas acima de tudo isso, uma pessoa íntegra, inarredavelmente íntegra.</p>
<p>Não conheci a mulher Lorena, a esposa, a filha, a mãe Lorena. Como não conheço seu ex-marido. Espero que, das desgraças possíveis, prevaleça a menos dolorosa: a do tiro acidental, no meio de uma briga física. Desejo aos filhos do casal uma vida mais feliz do que a que os pais tiveram. Desejo ao ex-marido, Milton, que prove sua inocência e que aprenda a conviver com a desgraça que abateu as duas famílias. Não quero falar sobre o que não conheço, sua relação familiar.</p>
<p>Só queria, já que não temos mais a presença &#8216;incômoda&#8217; da Lorena pública por aqui, dizer quanto eu sinto a falta da sensação de que há alguém mais incomodado. Vivemos atualmente uma fase negra na segurança pública amazonense. Assassinatos, assaltos, sequestros relâmpago, execuções à luz do dia em via pública, guerra entre traficantes e assaltantes de banco.</p>
<p>A Lorena morreu. Ficou apenas a mentira da polícia equipada, treinada, capaz de solucionar a avalanche de violência que torna Manaus a cidade perigosa que ela não estava acostumada a ser.</p>
<p>Quase ouço ela dizer agora, numa mensagem de computador ou com um sorriso sarcástico nos lábios, me dizer: &#8220;Eu não te disse que iam me chamar de louca, Ismael?&#8221;</p>
<p>Fique em paz, Lorena.</p>
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		<item>
		<title>O polvo deles e o nosso polvo</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 23:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Blogs]]></category>
		<category><![CDATA[Boteco]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Mídia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Acontece neste momento, enquanto a Espanha comemora sua passagem para a final da Copa 2010, um protesto solitário do vereador Hissa Abrahão (PPS) no Twitter. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://www.monster-munch.com/images/OctopiedBuilding.jpg" alt="" width="470" /></p>
<p>O vereador, que ainda não registrou sua candidatura ao governo do estado, teve seu nome colocado na boca do sapo &#8212; ou melhor, do polvo. A diferença é que, no caso da Copa, <a href="http://www.spiegel.de/international/zeitgeist/0,1518,704954,00.html">o polvo Paul</a>, contra todos os prognósticos, acertou em apontar os espanhóis como vencedores da partida. Com o <em>nosso &#8216;polvo&#8217;</em>, o desmentido veio duas horas depois.</p>
<p>Em seu blog, hoje de manhã, <em>nosso polvo</em>, o coordenador de marketing da campanha do governador à reeleição, disse:</p>
<p style="padding-left: 60px"><strong>Hissa Abrahão não será mais candidato a governador</strong></p>
<p style="padding-left: 60px">Postado por: [<em>nosso polvo</em>] em 07/07/2010 às 12h06</p>
<p style="padding-left: 60px">O vereador Hissa Abrahão (PPS) não será mais candidato a governador nesta eleição, decisão tomada já há 72 horas. O que ainda será decidido hoje a noite, em Brasília, é se o PSDB apresentará um nome em substituição ao vereador, a fim de não ceder o tempo de televisão de aproximadamente três minutos, metade para Alfredo, metade para Omar.</p>
<p>Perguntei diretamente ao vereador se ele realmente desistira da candidatura, e a resposta foi:</p>
<p style="padding-left: 60px"><em>Sou candidato, se quiserem me derrotar que seja nas urnas, o que considero pouco provável.</em></p>
<p>E mais:</p>
<ul>
<li><em>Critico de forma veemente aqueles oportunistas de campanha, que sem me consultar, estão falando de desistência, sou candidatíssimo.</em></li>
<li><em>Meus adversários estão ciente de nosso crescimento eleitoral e estão buscando formas antecipadas para me prejudicar. </em></li>
<li><em>Muito estranho o que ele [Durango] disse, notícia sem fundamento, não me consultou, muito estranho, ele que se diz tão sério.</em></li>
</ul>
<p>Diante de uma &#8216;notícia&#8217; tão grave (a desistência de um candidato ao governo do estado), é de se perguntar: afinal, qual é a jogada do <em>nosso polvo</em> em espalhar, pros seus leitores, uma notícia falsa?</p>
<p>Contam os mais entendidos no assunto que época de campanha é assim: quem trabalha com isso não pensa em outra coisa. O <em>nosso polvo</em> se diz muito experiente no assunto. Como responde pela coordenação de marketing da campanha do governador, não deve ter publicado a nota a troco de nada. Seria uma forma de evitar que votos do governador migrassem para a candidatura da &#8216;terceira via&#8217;?</p>
<p>O <em>nosso polvo</em> tem realmente oito braços. É publicitário, já foi comunista (sim, isso conta no currículo), é empresário, é escritor, é assessor político, é coordenador de campanha e é consultor. Mesmo com toda essa gama de atividades, <em>nosso polvo</em> ainda encontra tempo para, nas horas vagas, ser pesquisador isento.</p>
<p>Como publicitário, <em>nosso polvo</em> participa ativamente de campanhas de sucesso &#8212; sempre do governo, seja ele estadual ou municipal. Durante o processo licitatório pela conta de publicidade da Prefeitura, por exemplo, passeava entre o gabinete do prefeito e pelo escritório da empresa de publicidade que ganhou a conta.</p>
<p>Como comunista, ajudou o atual governador (que também põe isso em negrito no currículo) em sua campanha para vereador. Hoje não é mais comunista, como o governador. Mas o governador é o governo estadual, a amizade continua.</p>
<p>Como empresário, <em>nosso polvo</em> é um Midas moderno. O que toca vira ouro &#8212; ouro do governo, claro. Recentemente criou uma empresa para espalhar tevês de LCD pelos PACs e órgãos públicos do Amazonas, onde a massa passa as manhãs, enquanto espera por um atendimento, vendo e ouvindo propaganda &#8212; das empresas dele e do governo estadual, claro.</p>
<p>Como escritor, <em>nosso polvo</em> escreveu um livro cheio de fotos antigas de Manaus, &#8216;conseguidas&#8217; do Acervo Público Municipal, criou uma editora, imprimiu, fez uma capa dura, fez um coquetel de lançamento (num prédio público) e vendeu 300 exemplares &#8212; para o governo municipal, claro.</p>
<p><em>Nosso polvo</em> é também assessor político. Sem cargo algum, comandou a retumbante posse do atual prefeito de Manaus. &#8220;A troco de nada&#8221;, &#8220;apenas por amizade&#8221;, dizia o <em>nosso polvo</em>. Recebeu R$ 65 mil por essa amizade &#8212; do governo municipal, claro.</p>
<p>É também coordenador de marketing de campanha, <em>nosso polvo</em>. Do governo  estadual, claro.</p>
<p>É consultor também. Informal. Do governo, estadual ou municipal, claro.</p>
<p>Paul, o polvo que acertou todos os palpites até hoje sobre a Copa da África do Sul, deve ter fama efêmera. É alemão, e a uma hora dessas, com a derrota dos seus &#8216;donos&#8217;, deve ter ido parar numa <em>paella </em>de algum restaurante espanhol de Oberhausen. Não importa que tenha acertado.</p>
<p>Acertar todas não é bom negócio quando o palpite contraria o cliente. Se Paul, o polvo deles, fosse o <em>nosso polvo</em>, teria guardado o palpite da vitória da Espanha pra si e colocado um sósia dentro do aquário, pra dizer que a Alemanha venceria.</p>
<p>O <em>nosso polvo</em> sabe disso. Não à toa seus oito tentáculos, cada um com uma função, sempre estão dentro do mesmo pote.</p>
<p>O do governo, claro.</p>
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