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Gado voador — Fonte próxima do poder jura que 2010 promete uma revoada de bois na política amazonense. Eduardo Braga e Amazonino Mendes vêm conversando longamente nos últimos dias sobre como consolidar o poder e deixar o ministro Alfredo Nascimento de fora da panela. O plano é que Braga apoie Amazonino para o governo este ano, em troca da renúncia do prefeito e de seu vice, Carlos Souza. Depois de cumprida metade do mandato iniciado em janeiro de 2009, a renúncia do prefeito e do vice obrigaria a cidade a eleger seu novo prefeito indiretamente, pela Câmara Municipal. Este prefeito seria o próprio Braga — ou quem Braga ordenasse que Carijó e seus vereadores elegessem. A condição imposta por Amazonino para o acordo é que Braga cumpra seu mandato até o fim; uma desincompatibilização de Braga quebraria automaticamente o plano. Como Amazonino precisa deixar a Prefeitura para concorrer ao governo, Carlos Souza tocaria a cidade até a virada do ano. Uma vez Amazonino eleito governador, o irmão coragem deixaria o posto e liberaria a Câmara para eleger o novo prefeito. O objetivo de tamanha engenharia seria um só: deixar Alfredo de fora do poder amazonense e monopolizar os investimentos da Copa nas mãos do grupo. É consenso que Alfredo foi ‘infiel’ à filosofia dos seus criadores, devolvendo ao Amazonas pouco do que o estado lhe deu e aceitando alçar voos maiores do que aqueles para os quais foi programado, exatamente por Amazonino. Como na tradicional dança das cadeiras, a ideia é que seja eliminado quem não conseguir assento. Alfredo que se cuide.

Falando nisso — Braga e Amazonino conversaram na casa do governador, na Ponta Negra, até altas horas da madrugada do último sábado.

2,72 — No último dia 13 de janeiro, a Justiça Federal do Amazonas publicou Edital de Citação em resposta a ação do Ministério Público Federal contra a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e diversos postos de combustível de Manaus, exigindo o fim do cartel de preços do setor. A ação do MPF pede multa diária de 5 mil UFIRS para quem descumprir a decisão, e estipula o teto de 15% na margem de lucro dos empresários sobre os preços de compra do combustível. Para cada dia de descumprimento a este teto, os réus deverão pagar R$ 20 mil. Abaixo, a lista de postos citados na ação, que têm 30 dias para cumprir a decisão, assinada pela juíza Alcione Escobar da Costa Alvim.

  • POSTO VILA RICA COMERCIO E RPRESENTACAO LTDA
  • POSTO MUCURIPE COMERCIO DE COMBUSTIVEIS LTDA
  • AUTO POSTO SAO JOAO
  • R. S. COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • DISTRIBUIDORA DE PETROLEO PETROAMAZON
  • HABDALA HABIBE FRAXE JUNIOR E OUTROS
  • AUTOPOSTO BONS AMIGOS
  • POSTO CIDADE II
  • POSTO CAMAPUA COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO E SERVICOS
  • TATI NAVEGACAO, TRANSPORTE E COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • RCA DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • AUTOPOSTO ALVORADA-VIEIRA COMERCIO E TRANSPORTE LTDA
  • DL DE SOUZA CIA LTDA
  • AUTOPOSTO STAR LUBE
  • A C DE OLIVEIRA FILHO – ME
  • G D A DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • POSTO PETRAMAZON
  • POSTO ATEN
  • AUTOPOSTO LUCAS
  • POSTO VDL
  • AUTOPOSTO ESTRELA
  • POSTO MARANHAO
  • POSTO SAMAUMA LTDA
  • DHELIO SILVA DA COSTA
  • AUTOPOSTO PINHEIRAO
  • AUTO POSTO VAV LTDA E OUTROS
  • AUTOPOSTO NB
  • AUTOPOSTO CAMILA
  • AUTOPOSTO NORSUL COMERCIO DE PETROLEO LTDA
  • WALFRIDO ALGUSTO DE MORAES NETO
  • AUTOPOSTO NEI
  • COSTA & COELHO LTDA(POSTO FLORES)
  • AUTOPOSTO GRANDE CIRCULAR

Fenômeno nacional — O site Observatório da Imprensa reproduziu artigo de Lúcio Flávio Pinto sobre o fenômeno do jornal Dez Minutos em Manaus. Lúcio questiona se o sucesso do filho mais novo da editora Ana Cássia seria efêmero, e ajuda a esclarecer o que tornou o Dez Minutos um dos responsáveis por Manaus ser a segunda cidade brasileira que mais possui leitores de jornais. Sim, isso mesmo. Leia o artigo clicando aqui.

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Beatles — O usuário “Lesmabanana”, no Twitter, indicou a estampa acima como a melhor estampa de camiseta dos Beatles. O que você achou?

Independente — O publicitário Durango Duarte diz em seu blog que (atenção ao verbo) não solicita dinheiro público para fazer suas pesquisas. Durango diz ser ‘100% independente’. A julgar pelos R$ 635 mil em recursos recebidos pela Prefeitura em 2009 — e levando em conta o verbo ’solicitar’, claro –, a afirmação do empresário derrapa na margem de erro. Durango quer investigar quantos banhos o manauara toma por dia, quantas vezes escova os dentes e lava os cabelos. Com o resultado de suas pesquisas sobre os hábitos do manauara, Durango deve lançar mais um best-seller, “Higiene manauara – 1.000 coisas que você precisa saber antes de morrer“, e ser o primeiro imortal da ABLI — a Academia Brasileira de Literatura Ilustrada.

Escanteio e cabeçada — Durango lançou em 2009, pela novíssima editora Midia Ponto Comm Publicidade, o livro “Manaus entre o passado e o presente“. É um belo livro, recheado com fotos antigas da cidade, ‘pinçadas’ do Acervo Público Municipal, mantido pela Prefeitura de Manaus. A Midia Ponto Comm, cujo proprietário é um mistério, recebeu R$ 12 mil da Prefeitura em abril de 2009. Pra que serviço? Pesquisa de opinião entre servidores da Prefeitura. Em novembro foram mais R$ 96 mil. Em junho de 2009, ganhou contrato com a Câmara Municipal, sem exigência de licitação. Em agosto de 2009, a SEMED comprou, também sem licitação, nada menos que 800 exemplares do livro de Durango, para ‘atender as necessidades das bibliotecas das escolas municipais’. Cada exemplar custou ao Erário R$ 120. Dinheiro privado é isso aí.

Busão — O jornalista Neuton Corrêa autografa seu livro “Entrelinhas” nesta terça, das 9h às 11h da manhã, no Vanilla Caffe. Entrelinhas traz crônicas que nasceram da experiência cotidiana de Neuton como usuário do sistema de transporte coletivo de Manaus, e chega como resultado da coletânea dos textos da coluna “Crônicas do busão”, publicados no jornal Manaus Hoje. O Vanilla Caffe fica na rua Acre, Vieiralves, próximo ao restaurante Açaí. Aproveite e tome o melhor expresso da cidade, ou conheça o tchai, o chá indiano que virou marca exclusiva do Vanilla.

Taxa inconstitucional 1 — A procuradora de Justiça Jussara Pordeus protocolou, no dia 5 de janeiro, uma representação à Procuradoria Geral de Justiça para propor uma ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade – contra a taxa do lixo da Prefeitura, aprovada pela CMM no fim do ano passado, e que deve entrar em vigor em 2011. Jussara argumenta que localização e área do imóvel, por exemplo, não são parâmetros ‘hábeis’ para se saber a quantidade de lixo produzido por cada imóvel. Leia aqui a íntegra do documento e os demais argumentos da procuradora.

Taxa inconstitucional 2 — Na última sexta (22), a procuradora pediu aditamento da ação, propondo à PGJ pedir liminar que exija que a Prefeitura separe a cobrança do que é IPTU e do que é taxa de lixo. O pedido deveu-se à publicação no Diário Oficial, no dia 20, da Lei 1.411 — a lei da taxa do lixo. Assinando o documento na condição de cidadã, Jussara questiona a forma da cobrança da taxa, que, segundo o documento, virá no mesmo carnê do IPTU, tornando difícil para o contribuinte saber quanto está pagando de IPTU e de lixo.

A fila anda — A blogueira Adriana Vandoni foi formalmente denunciada pela Justiça a pedido do diretor do DNIT, Luis Pagot. Pagot pede que a blogueira seja condenada a 3,5 anos de prisão. Em 2009, Adriana não aceitou um acordo oferecido pelo MP, segundo o qual ela teria que, citando Pagot em seus escritos, mandar o texto pra que ele o aprovasse previamente.

por Bruno Lima Rocha

O Brasil está há menos de um mês de um fato inédito e, não por acaso, o tema é ignorado solenemente pela maior parte dos cidadãos deste país. Entre os dias 14 e 17 de dezembro, em Brasília, delegados estaduais representando movimentos populares, o Estado em seus distintos níveis de governo e parcelas dos agentes econômicos do setor, estarão discutindo a comunicação social brasileira em uma instância não vinculante. Ou seja, o que se debater na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom, http://proconferencia.org.br) não vira lei, mas pode servir de base para mudanças estruturais no curto e médio prazo.

Das várias abordagens possíveis para o tema, vejo como essencial o debate dos três sistemas de comunicação. A Constituição assinada em 1988 prevê no Capítulo V da Comunicação Social, artigos 220 a 224, definições que não se verificam na sociedade.

Explico. O texto da Carta Magna compreende que no Brasil devam existir três sistemas complementares e não rivais. Tratam-se dos sistemas privado, estatal e público (não-estatal). O primeiro diz respeito aos operadores empresariais que vêem a indústria da informação, comunicação e cultura como uma forma de dividendos econômicos, um negócio. O sistema estatal é alvo de disputa, entre fazer uma mídia dos poderes, ou pior, chapa branca; ou defender o modelo da BBC inglesa, quando o Conselho da Entidade é soberano e gestor de orçamento próprio.

Já o terceiro sistema, o público não-estatal, tem sua base montada a partir da Lei 9612/98, quando se regulamenta o serviço de radiodifusão comunitária, e compreende as mídias associativas sem fins lucrativos e onde todos os cidadãos de um determinado território tenham acesso. O calcanhar de Aquiles da mídia brasileira é a reprodução do modo de financiamento baseado na publicidade. Como em qualquer outro ramo da economia do país, o definidor da viabilidade do empreendimento não é a expertise no ramo de atuação, mas a relação com o Estado e os poderes de fato.

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Cara pintada — Há 20 anos, o Brasil reconquistava o direito de escolher seu presidente em eleições diretas. Collor e Lula disputavam o cargo, e Collor venceu, com a ajuda de uma fraude eleitoral chamada Lurian. Acabou deposto do cargo por corrupção. Hoje, Lula tem Collor como um de seus maiores aliados no Congresso, e a geração cara-pintada que lhe derrubou, bem… idealismo contra a corrupção é como banda de rock na adolescência, um dia acaba.

‘Salafrária’ cubana? — A blogueira cubana Yoani Sánchez foi agredida no último sábado (07), enquanto participava de uma manifestação pela paz, em Havana, capital de Cuba. De acordo com relato publicado em seu blog, ela foi colocada, a força, dentro de um veículo. Os agressores não informaram o motivo da ação. Não custa lembrar que Cuba vive há décadas sob o único regime totalitário “oficializado” da América Latina.

Sozinho — Quem diria! Com a saída de Ângelus Figueira das trincheiras oposicionistas na Assembléia (Ângelus assume a Prefeitura de Manacapuru), restou para Liberman Moreno a inglória missão de ser o Eron Bezerra do passado, a única voz no Legislativo a cumprir a obrigação legal de fiscalizar o poder Executivo de Eduardo Braga. Com Eron no lado Braga da Força, Liberman será, por assim dizer, o único a cantar de galo na oposição estadual.

Decadência — Piadinha corrida no Twitter na última segunda (9): “Sinal dos tempos. Há 20 anos, Pedro Bial estava na Alemanha, cobrindo a queda do Muro de Berlim. Hoje está no Projac, cobrindo a queda de saradões no paredão do Big Brother”.

Cadê a lona? — Na Prefeitura de Manaus, a semana começou com a notícia de que o secretário de Limpeza Pública, Paulo Cavalleti, agrediu uma assessora a capacetadas, comeu churrasco de anta com funcionários e atirou em cachorros de rua para praticar tiro ao alvo. Maria Helena deve cair também, por distribuir aos servidores documento que provaria que projeto do software de R$ 17 milhões foi redigido por empresa interessada na venda. Amazonino vai acabar trocando a má fama injusta de Ali Babá pela de Orlando Orfei.

Gagolândia — Um projeto do deputado Cassiá Carpes (PTB-RS) prevê que as empresas de telefonia celular concedam um desconto de 50% em suas tarifas para clientes gagos. “Conversar com alguém que tem essa deficiência é muito difícil, porque ela leva muito mais tempo para se expressar”, defende o deputado. Cassiá diz que o Brasil tem 2 milhões de gagos. Se o projeto for aprovado, estimativa do IMMB (Instituto de Medição da Malandragem Brasileira) avalia que esse contingente deve ultrapassar os 50 milhões em pouco tempo.

Uhú! — A ex-BBB Milena Fagundes tem planos para se candidatar a deputada estadual em 2010, informou durante a semana o colunista Júlio Ventilari. Milena ainda não teria decidido por que partido concorrer, mas fontes do blog avaliam que a legenda escolhida será o PDBLB, o Partido Democrático Baladeiro do Lado B. Milena já teria até escolhido o slogan de sua campanha: “Vote em mim por afinidade mesmo…”

CBN Serviço — O ótimo blog The Wall Memories, sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim, sorteou entre os leitores um cartão postal como brinde. Fui um dos sorteados, e recebi a notícia via email, da autora do blog, a jornalista Ariane Mondo, que me pediu o endereço da minha casa. Para poupar o trabalho, indiquei o site da rádio CBN em Manaus, que desde 29 de outubro orienta a população sobre como chegar no meu endereço. E ainda dizem que o rádio não pode ser útil…

Hierarquia — A atriz Luana Piovani foi fotografada no terraço do Hotel Fasano, no Rio, tomando sol como uma turista, exatamente no momento em que a cantora Madonna se hospedava no mesmo hotel. Luana é tiete declarada da cantora, e pareceu não se importar com o flagrante de subserviência celebritária.

Vingança dos nerds — Uma pesquisa realizada pelo instituto KCUF, Massachusetts Ohio, constatou que usuários do Sistema Operacional Linux perdem a virgindade, isto é, tem sua primeira relação sexual em média com 35 anos de idade. Adoradores do sistema operacional gratuito então invadiram os computadores do KCUF, descobriram que o sistema ali é Windows e picharam o site do instituto, colocando os dizeres “Perdemos a virgindade aos 35, mas nunca recebemos a mensagem ‘essa transa foi interrompida e será fechada automaticamente’ durante o sexo”.

Lá e cá — Os 700 colegas de faculdade da aluna Geyse na Uniban a perseguiram pelos corredores gritando “puta! puta! puta!”. Tudo por causa do tamanho da saia da moça. Há quem comente que, em algumas das faculdades particulares de Manaus, a mesma Geyse, com o mesmo vestido, teria sido perseguida e chamada pelos corredores de “crente! crente! crente!”

Iluminado — Equipe de criação da agência Mene & Money ganhou ontem um belo tema para a próxima propaganda de Eduardo Braga na televisão. Exibindo imagens dos prédios manauaras à noite e da iluminação do Teatro Amazonas durante o Amazonas Film Festival, se ouvirá uma bela locução sobre o orgulho amazonense de não ter sofrido com o apagão da terça, na maior parte do país.

Meu querido Deco Salgado, designer de mão cheia, está participando do concurso “art collabs“, da Converse, a fabricante do All-Star. No site, os designers cadastram modelos para o tênis mais querido do planeta e submetem-se à votação do mundo inteiro. O tema do concurso é “pop art”, e o Deco criou três modelos, inspirados em Andy Warhol, Lien Lichtenstein e Yayoi Kusama, ícones do estilo. Vá lá, cadastre-se neste link, conheça os três modelos criados pelo Deco e dê a sua nota. Não vote nele porque é meu amigo, porque é gente da melhor qualidade ou porque é manauara, apesar de ser tudo verdade. Vote porque o cara é bom mesmo, e os All-Star que ele criou, bem, são autênticos All-Star.

Clique na imagem para visitar a página do Deco no site.

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Mais sobre o Deco

Deco Salgado é Designer formado pela Universidade Federal do Amazonas. Habilitação em Projeto de Produto. Fez uso fruto do convênio da UFAM com a UFRJ e estudou dois anos no Rio de janeiro, onde participou da turma de Programação Visual da EBA, o que lhe rendeu conhecimento e gosto pela área de comunicação. Atuante na área de comunicação, tem Especialização em Comunicação & Marketing. Participou da equipe que criou e instituiu o valor do Design dentro de instituições públicas, case da Prefeitura de Manaus, como designer e Coordenador de Design, publicidade e marketing.

Colaborador em várias empresas no mercado de Manaus como Instituto Nokia de Tecnologia, Tape Publicidade e Rede Amazônica. Na área acadêmica, lecionando na Universidade do Norte [Uninorte] para o curso de Design e no Instituto Federal do Amazonas [IFAM] para curso de Publicidade e Propaganda. Hoje desenvolve projetos na área de design, branding e publicidade/comunicação como professor e profissional através do projeto da Créatif Comunicação Integrada, como sócio-proprietário e responsável pela equipe de criação.

Só porque o famoso comentarista anônimo apareceu para achincalhar o ilibado nome do autor deste blog, na caixa de comentários deste post, o republico aqui.

No último dia 22 de julho, o jornalista Raimundo Holanda publicou em seu blog o que chamou de “mais um escândalo” em Coari, a história do aluguel, pela Prefeitura, de trios elétricos pelo período de cinco meses. A empresa era a AMZ Produções, e o aluguel custaria aos coarienses nada menos do que R$ 4,3 milhões. A história não passaria de apenas mais um absurdo vindo da terra do gás natural, desprezado como a maioria dos outros, se não tivesse, em si própria, a explicação para muito do que os manauaras, e não os coarienses, precisam aturar e com o que precisam conviver. Longe dos olhos, longe do coração. Parece ser a filosofia seguida pela quadrilha de Adail, que controlava a imprensa de Coari com mão de ferro e a de Manaus a pão-de-ló.

No Diário Oficial de 16 de outubro de 2008

O aluguel de R$ 4,3 milhões, no Diário Oficial de Coari

A AMZ pertence a Robson Tiradentes, irmão de Ronaldo, o radialista que tomou para si uma cruzada ética contra políticos e empresários que enriqueceram rápida e inexplicadamente em terras amazonenses. Robson é intimamente ligado à moçada de Adail em Coari, amigo declarado do prefeito cassado Rodrigo Alves, um “laranja” eleitoral de Adail Pinheiro. Sua empresa, a AMZ Produções, já levara, no final de fevereiro, R$ 945 mil da Prefeitura de Rodrigo, também pelo aluguel de trios elétricos.

A AMZ já fez negócios com a Prefeitura de Manaus. Em outubro do ano passado, venceu licitação para o aluguel de três trios elétricos, utilizados no Boi Manaus 2008. Pelo Diário Oficial, era possível saber que Robson cobrou da Prefeitura de Manaus R$ 25.500,00 pela diária dos trios. A Prefeitura contratou 9 (nove) diárias, num total de R$ 229.500,00. É um cálculo simples o que mostra que, ao custo de R$ 8.500,00 por um trio elétrico, a Prefeitura de Coari precisaria fazer um CoariFolia todos os dias até janeiro de 2010, pra poder pagar os R$ 4,3 milhões à família Tiradentes.

No Diário Oficial de 16 de outubro de 2008

No Diário Oficial de 16 de outubro de 2008

A relação da família com o grupo de Adail Pinheiro em Coari não é segredo, ainda que seja uma espécie de tabu em Manaus — todo mundo sabe, mas ninguém comenta. Não à toa Rodrigo tem à sua disposição, sempre que deseja, os microfones da CBN de Manaus para se defender das acusações de fraude em eleições e de participação no esquema de corrupção de Coari. Não à toa o dono da rádio CBN em Manaus, Ronaldo, tem feito apelos públicos à Justiça, nos microfones de sua rádio, para que o dinheiro da Prefeitura de Coari seja desbloqueado. Ronaldo pode dizer que serviços de saúde e material escolar estão faltando no município, e que servidores estão com salários atrasados. Só não pode se ofender com as suspeitas de que seu interesse verdadeiro é o recebimento do dinheiro pelos negócios que a família mantém com a Prefeitura.

A família Tiradentes, além da rádio e dos trios elétricos, tem negócios no ramo do motociclismo e participação informal no jornal Amazonas Em Tempo. Rogger e Júnior Tiradentes, competidores de motocross, disputam campeonatos Brasil afora, e carregam nos uniformes a marca de Coari, “Visite Coari, a terra do petróleo e do gás natural”.

Não há nenhuma informação sigilosa, é tudo público. Um exemplo simples: pesquisando “AMZ Produções” no site de buscas Google, um dos resultados é um vídeo do Youtube, intitulado “Carretinha de som by Amz Produções“, em que um grupo de jovens se diverte à noite, filmando um carro de som da empresa AMZ, e que traz na porta a marca da CBN de Manaus, a rádio de Ronaldo e Robson Tiradentes.

Carro de som da AMZ, a empresa dos trios de R$ 4,3 milhões

Carro de som da AMZ, a empresa dos trios de R$ 4,3 milhões

Perguntei por email, por duas vezes, se Ronaldo conhecia a empresa AMZ Produções e o que ele poderia falar sobre o caso dos R$ 4,3 milhões do aluguel dos trios para Rodrigo, mas não tive resposta. A expectativa é agora sobre uma possível decisão judicial, por parte do TRE, liberando o cofre da Prefeitura de Coari para fazer seus pagamentos. Afinal, Ronaldo, na sua CBN, está apelando por isso.

Claro, em nome do povo de Coari.

Durante a semana passada, foi “vazada” para a imprensa uma fofoca boa: o publicitário, empresário eleitoral, escritor e bom samaritano Durango Duarte estava de saída da administração de Amazonino Mendes, onde nunca esteve, ao menos oficialmente. A notícia foi publicada numa das colunas de opinião dos jornais da cidade, logo depois num blog jornalístico, e no mesmo dia numa rádio da base de apoio de Amazonino. No outro dia, Ronaldo Tiradentes, na CBN Iranduba, saudava a saída do amigo da sede da Prefeitura, e falava até em estourar um champanhe para comemorar o fato, reeditando o clima de final de Copa que tomou a rádio quando foi confirmada a vitória de Amazonino Mendes. Se a saída de Durango da barca não era algo a lamentar, já que desde a época da campanha o empresário trabalhava de graça, por puro amor a Manaus, nada mais natural que houvesse champanhe para comemorar também seu desemprego.

Mas os enredos das micronovelas amazônicas não mudam, como o Boi Bumbá de Parintins, que todo ano é lindo e faz sucesso, contando a mesma história. Ronaldo desfruta de informações quentíssimas do coração da administração municipal, e não faz — com razão — muita questão de esconder isso. Seu informante de primeira hora sempre foi o publicitário, seu antigo parceiro nas órbitas de governos municipais e estaduais. Durante a campanha do ano passado, Durango e Robson Tiradentes, irmão de Ronaldo, revezando-se com os irmãos Carlos e Wallace Souza, desfilavam sem muita cerimônia pelo prédio do jornal Amazonas Em Tempo. O trânsito frequente de deputados, candidatos, radialistas e empresários de pesquisas contava também com as visitas de Sabino Castelo Branco, Hiel Levy. Foi a época áurea das grandes manchetes do Em Tempo.

Não vamos duvidar das boas intenções do publicitário Durango, mas não custa perguntar: e o resto inteiro da patota, Carlos, Wallace, Hiel, Sabino, Robson? também se dedicavam esse tanto apenas para ajudar a reconstruir (ou organizar) Manaus?

Bem, quem conta é a realidade nas fotos dos jornais e nas nomeações de Amazonino. Hoje os desempregados do Canal Livre, de Carlos e Wallace, ganham salários da Prefeitura; Sabino segue em campanha, e já parece novamente satisfeito com o que Amazonino anda lhe prometendo. Ronaldo voltou a desfrutar da publicidade municipal.

E Durango?

Bom, Durango brigou com Braguinha, o chefe da Casa Civil, e foi cuidar de suas pesquisas, com a sensação de dever cumprido. É a versão oficial do boato vazado.

Mas a história não convence. E não convence porque é um dos mais atuantes personagens da cúpula de Amazonino quem diz, todo mundo continua se amando. Durango, e ainda não se sabe se combinado ou não com outras pessoas de dentro da Prefeitura, vendeu aos amigos da imprensa a história da briga porque precisava se “descolar” da Prefeitura exatamente no momento em que era decidida a licitação dos serviços de publicidade da Prefeitura.

Há cerca de um mês o servidor público municipal informal tem sido visto entrando e saindo do escritório de um dos licitantes da publicidade municipal, a agência Mene & Money Publicis, no Vieiralves. O resultado da licitação da conta de publicidade da Prefeitura, um servicinho intangível e de difícil mensuração técnica — por isso mesmo uma espécie de filé mignon dos orçamentos públicos — avaliado em R$ 20 milhões anuais, ainda não foi publicado oficialmente, mas as grandes vencedoras são a Kintaw Design e Publicidade e a Mene & Money Publicis.

As duas agências são velhas conhecidas do governo de Eduardo Braga, e pasme, há suspeitas de que ao menos a Mene & Money, aquela do orgulho de ser amazonense, tenha recebido pagamentos indevidos e superiores aos contratados pela pasta da comunicação estadual, chefiada, por, Hiel, Levy. No site da Kintaw não há qualquer informação sobre clientes, contas, portifólio, produtos, campanhas, nada. Só um dado sobre a tradição do nome Kintaw: a agência está há, tchan-ran!, oito anos no mercado.

O site da Mene & Money é mais “transparente”. Seus clientes são algumas empreiteiras, além do Governo do Estado, a Susam (Governo do Estado), o Detran (Governo do Estado) e a Secretaria de Segurança Pública (Governo do Estado). Mas há, claro, clientes da iniciativa privada: a Magistral e a Marmovidro. Ah, sim, e a Braga Import, a Braga Náutica, a Braga Veículos e a Braga Motos.

Bom, já que o gabinete da Prefeitura vinha sendo “aconselhado” por um amigo do prefeito, provavelmente nomeado “consultor para assuntos aleatórios” num ato secreto, sem qualquer vínculo oficial com a administração, nada mais natural do que a névoa do boato para temperar todo esse caldo de informalidade com a coisa pública. Se o trânsito livre de Durango dentro da Prefeitura e dentro do escritório da Mene & Money não pode ser tipificado como uma ilegalidade (já que o publicitário não tem função definida), então tudo o que se diga sobre essa história não passa de boato também. Ademais, ninguém pode ser processado por contar que vê, diariamente, uma pessoa entrando e saindo de um prédio. Pode? Ou ofende chamar atenção para essas coincidências do destino, que, como no Boi Bumbá, sempre acabam no mesmo enredo? Haveria mesmo algo a suspeitar quando um funcionário se afasta da administração, no dia em que a empresa onde ele é visto diariamente vence uma licitação?

Vai ver é só cisma mesmo, ou uma infeliz coincidência. Vai ver Durango brigou mesmo com Braguinha, e que mesmo o almoço aparentemente alegre e descontraído, no dia seguinte à notícia da briga, como se estivessem todos bem, tenha sido outra ilusão de ótica. Vai ver a garrafa de champanhe do publicitário, cobrada por Ronaldo no ar na semana passada, como aquela do dia da eleição de Amazonino, tenha sido mesmo em homenagem às melhorias na qualidade de vida que o manauara experimentou nesses oito meses, graças aos conselhos de Durango Duarte a Amazonino.

Essa parte deve ser a única certeza da história toda: a sensação do dever cumprido.