Archive for the ‘Nonsense’ Category

O episódio do shopping

Hoje faz uma semana que o médico Frederico Germano e sua esposa foram agredidos por seguranças do Amazonas Shopping. Na última quinta (15), às 18h30, o casal, acompanhado por duas amigas, esqueceu um telefone celular sobre a mesa de um restaurante.

Ao procurar a imagem de quem teria encontrado o aparelho — com a ajuda de funcionários do restaurante --, Frederico identificou uma mulher que ainda se encontrava na praça de alimentação do shopping. Ao abordá-la para pedir o telefone de volta, o médico foi agredido.

Contei essa história aqui, naquela mesma quinta, e mais de 120 pessoas comentaram o fato, todas indignadas.

Procurei o médico, que me enviou uma cópia do Boletim de Ocorrência policial, registrado no 12º Distrito Policial de Manaus no último dia 20. Frederico me contou que fizera um BO no dia seguinte à agressão, mas que o primeiro documento tinha informações incorretas. A versão que você vê abaixo é a do BO correto.

A reportagem do portal D24AM procurou a administração do Amazonas Shopping, que disse que não se pronunciaria sobre o incidente, mas tivemos acesso ao vídeo interno do restaurante (o mesmo vídeo no qual Frederico identificou a mulher que levou o telefone), e a imagem mostra desde o momento em que a esposa e as amigas do médico deixam o local até o momento em que a mulher sai com o telefone. Frederico não aparece nas imagens, pois no momento do ocorrido estava no caixa do restaurante, pagando a conta. O grupo ocupa a mesa no primeiro plano do vídeo.

Pelas imagens se percebe que a mulher entra e sai do restaurante várias vezes, aparentemente sem motivo. No áudio da gravação (retirado aqui para preservar o restaurante), os funcionários contam que, naquela tarde, a tal mulher procurara o restaurante procurando emprego, sem documentos, sem currículo e sem recomendações. No vídeo, os funcionários do restaurante também recomendam aos colegas maior cuidado com a movimentação estranha de pessoas.

Nas imagens do vídeo também não aparece o rapaz que acompanhava a senhora, e que agrediu Frederico. O Amazonas Shopping dispõe de câmeras de segurança na praça de alimentação, onde ocorreu a agressão ao médico e sua esposa, mas, com a negativa do shopping em prestar informações, não tivemos acesso às imagens.

Durante o registro do BO, Frederico apresentou fotos da camisa que usava na noite da agressão, manchada de refrigerante. Não havia ferimentos aparentes que pudessem ser utilizados como provas, tampouco imagens do sistema de segurança do shopping, que poderiam provar a agressão cometida tanto pelo casal quanto pela segurança.

Frederico diz que ainda se recupera do episódio, mas que vai tomar todas as providências sobre a agressão que sofreu pelos seguranças do shopping.

Abaixo, a imagem do Boletim de Ocorrência registrado pelo médico.

Imagine só a cena

Finja que você está lendo aquele livro policial ruim e faça uma força pra mentalizar a seguinte cena:

É final de tarde, e você vai a um shopping da cidade por volta das 18h. Você, sua esposa e duas amigas, uma senhora de 60 anos e sua filha, funcionária de uma loja do shopping, param para um lanche num restaurante de comida árabe, na primeira praça de alimentação do shopping. Ao sairem do restaurante, a senhora que o acompanhava percebe que esqueceu o telefone celular sobre a mesa. Então você volta ao local e, não encontrando o aparelho, pede que a gerente o ajude, mostrando a gravação do sistema de segurança da loja. Nas imagens, você e a gerente veem uma moça, loira, com cerca de 30 a 35 anos, portando uma bolsa preta e um guarda-chuva azul, pegando o telefone esquecido e indo embora.

Você olha em volta e percebe que a moça da gravação ainda está na praça.

Tomando cuidado para não causar constrangimentos, você aborda a moça, alegando que o telefone que ela guardou estava perdido, e o pede de volta, discretamente. Você não a acusa de nada, sequer cobra o aparelho. Na verdade, para evitar maiores transtornos, você pensa em agradecê-la por ter guardado o telefone, certamente para procurar o dono mais tarde.

Então você começa a ser agredido, tanto pela moça quanto por seu namorado, que a acompanha. Iniciando um escândalo, o casal acusa você de tê-los chamado de ‘vagabundos’.

Você insiste em não querer confusão, e só pergunta pelo telefone perdido. Então o rapaz, enfurecido pela pergunta, tira o celular do próprio bolso e o atira para o alto. Quando você se inclina para pegar o telefone, o rapaz se aproxima e lhe atira um copo de refrigerante na blusa.

Agora imagine que, mesmo assim, acompanhado por sua esposa — portadora de necessidades especiais — e mais duas senhoras, você só quer que aquilo tudo acabe. Mas não acaba. O rapaz que lhe agrediu com o copo de refrigerante pega uma cadeira da praça e a atira em você.

Você já conseguiu pintar a cena mentalmente?

Então chegam os mocinhos, a cavalaria, a segurança do shopping. Você ainda se recupera da agressão, e então seis guardas lhe agarram e lhe arrastam, sob os olhos de todos os visitantes da praça, até a sala da segurança. Você então aguarda a chegada do casal, certamente vindo também acompanhado pelo resto do aparato de segurança.

E nada do casal. É então que você percebe que o bandido é você, e que as suas vítimas, o casal que furtou o celular da sua amiga e lhe agrediu, foi liberado. O chefe da segurança diz não poder fazer mais nada, pois a informação que tinha era que você era o agressor. Testemunhas contam a você, depois, que enquanto você era arrastado pelos seis guardas, o casal era conduzido para a porta de saída, próxima de um restaurante de comida oriental e de uma lanchonete de hambúrgueres.

Então você é liberado pela segurança e decide voltar ao restaurante, para pedir que o estabelecimento guarde a gravação. Afinal, é com ela que você vai provar sua inocência. Então, ao passar por um dos seguranças, você, compreensivelmente revoltado, dá um tapinha em seu ombro e, ironicamente, agradece pela grande ajuda que a segurança havia acabado de lhe dar.

A agressão começa novamente, mas agora não mais vinda do casal, que àquela hora já foi embora. Quem lhe agride é o segurança do shopping, dando-lhe um empurrão nas costas, exigindo respeito. Sua esposa, deficiente, tenta conter o guarda, e também é agredida, junto com a senhora que acompanha vocês, de 60 anos de idade.

A confusão termina novamente, pois a segurança do shopping rapidamente contém o guarda e o afasta do local.

Os funcionários do restaurante então se negam a lhe mostrar novamente a gravação do furto. Algumas pessoas se oferecem para testemunhar a seu favor, mas a segurança o impede de pegar os contatos delas. Você está sendo expulso do shopping. Você, sua mulher deficiente, a senhora de 60 anos que lhe acompanha e a filha dela.

O que lhe resta é sair, e novamente desfilar por todo o shopping, chorando, com a camisa coberta de refrigerante.

Sim, você chora, está muito nervoso. Sua esposa, agredida no braço, também chora. O shopping inteiro assiste a sua saída. O que resta a você é a humilhação e a vergonha causada pelos olhares da plateia.

A plateia que lhe olha como um bandido.

Essa história aconteceu ontem (quinta, 15) com Frederico Germano Lopes Cavalcante, um médico de 29 anos de idade, que cometeu um erro: tentou recuperar um objeto furtado pedindo-o educadamente ao ladrão. Eram 18h30 da noite, e a praça de alimentação do Amazonas Shopping estava, como de costume, cheia. Frederico, a quem não conheço, me procurou para me contar o ocorrido, pois não quer deixar a história pra lá. Conversei com ele por email há pouco, e pretendia lhe pedir uma cópia do Boletim de Ocorrência que registrou na delegacia. Não consegui. No último email que me enviou, Frederico dizia estar sedado por um medicamente anti-hipertensivo. Hoje vou tentar falar com ele novamente. E depois, talvez fazer o coro com as pessoas de Manaus que já cansaram da completa falta de preparo dos funcionários do setor de serviços dessa cidade, que tanto se orgulha de seu tamanho e de seu futuro como sede de Copa do Mundo, enquanto continua vendo verdadeiros absurdos como estes, dignos de uma comédia pastelão de segunda categoria, daquelas que se confundem facilmente com tragédias vergonhosas. O caso de Frederico, sua esposa e suas amigas não é o primeiro, não deverá também ser o último. Para que caia no esquecimento, o absurdo da noite desta quinta precisa apenas da falta de ação e indignação das pessoas que, no lugar de exigirem respeito dentro de um local onde gastam seu dinheiro, apenas assistem casos como esse acontecerem.

Só falta o Curupira

A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos ‘emissários’ do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.

Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que acusava Serafim Corrêa de ser pai do seu filho, desequilibrou a eleição a favor de Serafim. Soraia surgira da varinha de condão do então vereador Sabino Castelo Branco, que chegou a levá-la ao plenário da Câmara Municipal para um depoimento bombástico. Em 2005, em depoimento ao STJ, disse ter caído no “conto do vigário” de Sabino.

Em 2008, Renata Barros, comadre do então governador, surgiu num vídeo o acusando de corrupção ao lado do marido. Renata recebera a proteção do senador Arthur Neto, e passado o calor eleitoral, repensou sua vida, voltou para a felicidade do lar e retirou o que disse — possivelmente alegando privação temporária dos sentidos.

O que ocorre hoje? Fernando Valente, tão desconhecido até anteontem quanto Soraia e Renata, aproveitou a mania de chegar atrasado do ex-governador e registrou sua candidatura antes, como se, numa brincadeira de criança, tivesse corrido mais rápido ao final da música e sentado na cadeirona reservada a Braga, causando um rebuliço tremendo no meio dos bajuladores, assessores, amigos, familiares, jornalistas e blogueiros ligados ao ex-governador.

Ontem (terça, 13) à noite os capítulos desse Vale a Pena Ver de Novo começaram a se denunciar. Três bem intencionados senhores, anunciando-se emissários do agora poderoso Valente, ofereciam a Braga um acordo, que aparentemente envolvia dinheiro. O governador (opa, ex-governador!) não pensou duas vezes e acionou a polícia, deve ter dito José Melo, que no momento da suposta extorsão servia cafezinho a todos.

Fernando Valente, até março passado subsecretário de Amazonino Mendes, denunciou a trama. Valente tem dado mais entrevistas coletivas do que o delegado do caso Bruno, e seus quinze minutos de fama começam a se tornar perigosamente trinta.

Hoje descobriu-se que Marcius Filard de Souza, um dos homens detidos e que se apresentava como advogado de Valente, na verdade era correligionário do extorquido, Eduardo Braga. Filard é filiado ao PMDB desde dezembro de 2005. Na coletiva desta quarta, Valente repetiu seu mantra: “Não vou recuar”.

Já comentei aqui antes, no Amazonas o escândalo depende mais do malandro do que da polícia ou da imprensa. Soraia protagonizou, ao lado de Sabino, um dos espetáculos mais deprimentes da política amazonense. Renata, do ciclo de amizades do ex-governador, nunca dirá o que a motivou a denunciar o amigo e compadre. Fernando Valente, que já trabalhou com Braga, era subsecretário de Amazonino.

Novela boa é novela previsível. Precisa ter um galã, um vilão, uma mocinha, uma história de amor não correspondido, um núcleo cômico, uma vizinha fofoqueira, um filho misterioso, uma causa social e uma penca de espectadores em casa, aguardando pela dose diária de entretenimento.

O lamentável, nessa novela que se repete a cada dois anos, é que acabamos rindo de um filme que não é comédia, e sim um drama. Um drama que conta a nossa própria desgraça.

Március, o suspeito de extorquir Braga é do partido de Braga. Renata e Ney voltaram a ser o casal feliz e bem sucedido que sempre foram.

Soraia também voltou ao ninho. É candidata a deputada estadual pelo PTB, o partido do prefeito Amazonino Mendes, que ajudou a derrotar em 2004. O mesmo PTB hoje presidido por Sabino Castelo Branco, que em 2004 lhe passou o “conto do vigário”.

O mundo dá voltas, mas acaba sempre no mesmo lugar.

Cinco dias depois, presepada rende demissão a funcionário do ICBEU

Recebi agora há pouco o seguinte email do Sr. Afonso Silva, Gerente de TI do ICBEU Manaus.

Boa Noite,

Segue algumas considerações

Tendo em vista os últimos acontecimentos envolvendo o ICBEU MANAUS, vimos esclarecer o que segue:

I – O ICBEU é uma Instituição que há 54 anos é a líder no ensino da língua Inglesa no Amazonas e é reconhecida pela Embaixada Americana, como uma escola de ensino de inglês, Classe A.

II – De acordo com os seus Estatutos, no art. 50, lê-se: “É VEDADO AO INSTITUTO DE PROMOVER OU PARTICIPAR DE QUALQUER ATIVIDADE POLÍTICO PARTIDÁRIA OU RELIGIOSA”. E, assim, vinha-se atuando, até que um funcionário de maneira irresponsável, pessoal, utilizou-se de sua ferramenta de trabalho, pois o mesmo exercia as suas funções laborais no CPD do IC BEU/ MANAUS, ao arrepio dos Estatutos, passou a denegrir a imagem de um pré candidato às eleições do pleito que se avizinha, e de outras tantas pessoas.

III – É necessário esclarecer ainda que o dito funcionário após a Diretoria, do ICBEU tomar conhecimento de tais fatos, imediatamente, afastou-o de suas funções laborais e demitiu-o, não mais pertencendo ao seu quadro funcional.

Essas eram as considerações que deveríamos fazer para o resguardo da integridade e da personalidade de uma Instituição que nunca se envolveu ou se envolverá com questões político partidárias de qualquer natureza.

Direito de resposta

Recebi, do radialista Jefferson Coronel, uma carta-resposta ao proprietário da rádio CBN Manaus, que no último sábado (22), o denunciou em seu blog, na página oficial da rádio. Coronel enviou a carta ao blog do referido senhor, que não a publicou. Jefferson então enviou sua carta a outros blogs que, talvez por não adotar o mesmo critério democrático da rede CBN, optaram por publicá-la. Este blog adotou como política, já há algum tempo, não se envolver com pessoas ou instituições incapazes de interagir oficialmente com seus consumidores. Em bom português: não falo mais de quem não assume oficialmente sua identidade, mas cumpro o dever democrático de publicar a carta. Convém informar: os posicionamentos expressos na carta não refletem, necessariamente, a opinião do autor deste blog.

Por Jefferson Coronel

Caro Ronaldo…

Esse seu “artigo” bem que não merecia resposta, tal o nível a que o amigo desceu. Mas essa de ameaçar descaradamente com estórias de amantes e prostitutas me parece ser o fim da linha no que poderia ainda ter algum tipo de debate. Não entre nisso. Você sabe que esse tipo de atitude é desprezível. Você representa em Manaus a bandeira CBN e, se depender de mim, não tem o direito de partir pra uma abordagem que desmoraliza e ridiculariza sua figura. Proteja esse patrimônio chamado CBN.

Pense que sempre lhe tratei com respeito e consideração. Quando critiquei, o fiz em termos íntegros, nunca pessoais. Não fiz insinuações contra o Omar (Omar Aziz, atual governador e candidato à “reeleição”). Se você acha que fiz, cite como e qual foi a insinuação. Agora, tenho liberdade sim pra me expressar, reclamar, criticar e debater. Você não tem? Tem e eu defendo que tenha a vida toda, plena, irrestrita. Só não pode é ficar nessa coisa de prostitutas e amantes. Isso é coisa que o dono de uma rádio bandeira CBN, advogado, jornalista, fique clamando e ameaçando?

Faça suas críticas ao Alfredo Nascimento (ex-ministro de Lula e candidato ao Governo do Amazonas). Tenha sua opinião. Diga o que quiser dele e de qualquer político. Opte pelo Omar nessa eleição. Tudo isso pode e vale numa democracia. Mas há leis, leis que você, como advogado, deve conhecer melhor que eu.

Tente se manter numa linha aceitável. Não fique querendo transformar em bandidos e perseguidos todos os que de alguma forma discordam do seu pensamento e das suas opções políticas, como é o caso da opção pelo Omar Aziz. Não tem mal nenhum nisso. E também não tem mal nenhum se outras pessoas optarem por B, C ou D nessas eleições. As eleições acabam em Outubro. Depois a vida continua, eu sustentando meus filhos, você sustentando os seus. E todo mundo trabalhando e sobrevivendo dignamente.

Temos, ambos, mais valores a defender que o clima tenso de uma eleição. Veja só, você não receberia em sua casa um cara que tivesse feito tudo o que me atribui. Não tomaríamos aqueles vinhos juntos se você soubesse que eu teria feito essas lambanças. Você teria, antes, denunciado, contado pra todo mundo. Sou amigo dos seus irmãos, trato sua família com o mesmo respeito que trato a minha. Conheço e me relaciono bem com seus filhos. E você com os meus.

Proponho defendermos esses valores juntos, preservarmos esses espaços pessoais que, confesso, foram até generosos de sua parte. Você não seria amigo de um cara que tivesse sido capaz de engendrar tudo o que, agora, só agora, por questões políticas, resolve colocar nas minhas costas.

E o faz de uma forma agressiva, infundada e, por si só, dúbia e sem argumentos. E aquele fraudulento contrato que você mostra? Uma arte tosca e mal acabada feita pra injustiçar pessoas. Aquilo é um tiro no pé de quem inventou, de tão mal feito. Tanto que foi desmontado tim-tim por tim-tim pelos que foram ali citados.

Eu não pretendia responder nada. Mas meu coração ficou aqui me cutucando e pedindo que tentasse e tentasse um caminho de paz, de tranquilidade e, muito muito, de amizade, de consideração.

Venha, pense, reflita e aceite, comigo essa proposta humilde e sincera. Insisto em continuar seu amigo. É mais que apelo, é um pedido do simples radialista Jefferson Coronel.

Para os magistrados do TJ, o melhor governador dos últimos tempos

No último dia 17 de maio, o governador do Amazonas assinou a Lei 3.506/2010. O ato foi publicado no dia seguinte, e com isso os 19 desembargadores e 148 juízes do Amazonas ganharam o direito de receber — além dos salários regulares — R$ 13,5 mil e R$ 12,1 mil, respectivamente. A bolada, segundo a lei, é a diferença entre o que os magistrados receberam e o que deveriam ter recebido entre janeiro de 2005 e março de 2006.

No início de 2005, a Câmara Federal aprovou o aumento do salário dos ministros do STF. Com isso, em tese, todos os magistrados do país estavam livres para, dentro da lei, passar a receber o teto constitucional. Explico o grifo: é que, diferente do piso salarial, o aumento do salário de servidores públicos depende da aprovação de uma lei. O reajuste anual do salário mínimo, por exemplo, eleva automaticamente o piso brasileiro.

Com o aumento de salários rumo ao teto, é diferente. Os deputados de cada estado precisam criar, votar e aprovar uma lei, que precisa então ser sancionada pelo governador.

Pois acredite, durante mais de um ano os juízes e desembargadores amazonenses comeram o pão que o Diabo amassou, pois nossos deputados só aprovaram o aumento em março de 2006.

A injustiça só foi desfeita porque, no último dia 17, o Amazonas tinha um governador atento ao drama da categoria. Também sensibilizados com a situação, os deputados amazonenses, sob cujos olhos repousam cerca de 500 projetos sem apreciação, redigiram, apresentaram, votaram e aprovaram uma nova lei, escrita única e exclusivamente para pagar a diferença retroativa à turma da toga.

À primeira vista, não parece haver nada ilegal na história. O problema é o aspecto moral, esse troço tratado como intangível por muita gente, mas que é chamado na Constituição Federal de Princípio, o da Moralidade. O governador que sancionou a Lei 3.506/2010, no último dia 17, era o desembargador e presidente do TJAM, Domingos Jorge Chalub.

Durante uma viagem de dois dias de Omar Aziz ao interior, Chalub correu para o corner, bateu o escanteio, foi para a pequena área, cabeceou, tentou defender a cabeçada e ainda correu para buscar a bola no fundo da rede.

Numa coletiva dada ontem (veja o video abaixo), Chalub justificou a canetada com o preceito constitucional do ‘efeito cascata’, e disse estar magoado com a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas (Sintjam), Eladis de Paula.

É que Eladis cobrou um posicionamento do presidente quanto aos 2 mil servidores sem cargos de comissão da Justiça amazonense, que não recebem reajuste há 8 anos.

O TJAM tem 167 magistrados. Atualmente, o salário de um desembargador é R$ 24,4 mil e de um juiz é R$ 21,9 mil. O salário dos funcionários do tribunal sem comissão varia de R$ 1,8 mil a R$ 3,5 mil.

“Com o PCCS aprovado há dois anos, um diretor que ganhava R$ 7 mil passou a ganhar R$ 13 mil. Já o escrivão, auxiliar judiciário e técnico judiciário não têm o salário reajustado há oito anos, porque não possuem PCCS”, explicou Eladis ao Diário do Amazonas no último dia 20.

O “Fenômeno do Médico e do Monstro”

Outro dia citei aqui o que batizei de “Fenômeno do Médico e do Monstro”, me referindo a parte da imprensa, local e nacional, e sobre o comportamento editorial de cada um em épocas eleitorais. Fiquei de explicar melhor do que se tratava, e hoje, depois de ler alguns blogs e notícias na internet, me lembrei da promessa.

O fenômeno do Médico e do Monstro — FMM — consiste num quadro psicótico que acomete os grandes veículos de imprensa no Brasil a cada dois anos. Se na lenda do lobisomem, por exemplo, o catalizador da transformação são as noites de lua cheia, no FMM o estopim para a transformação é o período eleitoral. A cada dois anos, com a chegada dessa época, a doença se espalha silenciosamente pelas redações, pela internet, pelas emissoras de tevê, rádio e pelas revistas de variedades, decoração e/ou moda.

A FMM é deflagrada por um vírus agressivo, que permanece incubado dentro do paciente por dois anos e que eclode da noite pro dia, levando a vítima a transtornos de comportamento e traços de psicopatia. Durante as crises, a vítima perde o senso de orientação e ignora a escala oficial do ridículo, transmutando-se numa figura monstruosa. Os sinais exteriores são a atrofia dos músculos inferiores, o crescimento de pelos no rosto, o gigantismo dos dentes caninos e a coloração avermelhada da íris dos olhos.

Assim, o paciente com quadro de FMM costuma andar arqueado, sem conseguir erguer a espinha dorsal, o que afeta seu ritmo respiratório, que fica acelerado. Com a protuberância dos caninos, fatalmente saliva em demasia. Combinando-se a vermelhidão dos olhos, a respiração acelerada e a salivação descontrolada, o aspecto final é o de uma criatura que em nada lembra a vítima antes do surto.

Mas é no comportamento que se notam os piores sintomas, pois a vítima apresenta níveis elevados de falsidade ideológica, completo desprezo pela apuração jornalística, nível zero de isenção e preocupação com o ridículo. Depois dos surtos, a vítima age como se nada tivesse acontecido, volta a falar em jornalismo ético, responsável, volta a falar manso e apresenta quadro grave de amnésia seletiva.

Os surtos de FMM somem tão rápido quanto surgem. Assim que as nuvens negras das eleições se dissipam os pêlos somem, a espinha volta a se esticar, os dentes voltam ao normal e os olhos retornam à sua coloração original. Relatos de leitores, espectadores e familiares desses veículos reforçam a tese de que, durante os surtos, a vítima assume outra personalidade, como se estivesse possuída. Tanto que, recuperada do transtorno, nunca se lembra do que fez durante o surto — lembrando novamente o Lobisomem, que costumava acordar nu e sujo com o sangue de suas vítimas, sem fazer ideia das atrocidades que tinha cometido na noite de lua cheia anterior.

Com a FMM é tudo muito parecido. Apesar de ainda não ter sido estudada pela medicina, já é possível notar uma mudança no comportamento das famílias. Pais e mães recomendam que seus filhos não leiam jornais, assistam noticiários e ou leiam blogs de veículos de imprensa. Entre os meses de janeiro e outubro dos anos pares, é recomendado aos mais jovens que não se aceitem carona de colunistas sociais nem bombons de radialistas, muito menos que andem sozinhos à noite nas proximidades dessas empresas.

O vírus da FMM não escolhe classe social, atinge grandes e pequenos veículos de imprensa, mas é particularmente agressiva com os maiores. Oficialmente, ninguém admite sua existência. Médicos suíços, porém, alegam já ter isolado o vírus e dizem que o quadro fica mais visível a partir do mês de junho, após as convenções partidárias. Extra-oficialmente, os suíços recomendam todo cuidado possível com grandes jornais e programas de tevê e rádio, e arriscam algumas dicas que — segundo eles — ajudam a reconhecer uma potencial vítima da FMM:

  • Veículos que aumentam o tamanho da fonte de suas manchetes — Quando seu jornal preferido começar a estampar denúncias frequentes contra alguma personalidade política, em fundo preto e letras gigantes, não se engane, ele já está infectado pelo vírus da FMM.
  • Veículos que alegam serem perseguidos por forças ocultas — Assim que começam a atacar suas vítimas, os veículos infectados tendem a trocar de posição com elas, alegando serem eles as vítimas de censura, perseguição ou lorota equivalente.
  • Veículos que prometem Caixas Pretas, dossiês detalhados, reportagens históricas — Estes são traços decorrentes do isolamento do gene responsável pela noção de ridículo. Isolado este gene, o veículo engana seus consumidores vendendo denúncias falsas e praticando chantagem aberta.
  • Veículos que recebem visitas constantes de membros de governos e se reunem a portas fechadas com dirigentes partidários — Gabinetes de diretoria que passam a ficar movimentados e mal frequentados em época de eleição estão irremediavelmente infectados. Mantenha distância.
  • Veículos que incham em anos eleitorais, exibindo traços visíveis de enriquecimento ilícito — Quando vir aquele jornal, aquela rádio ou aquela emissora virando um império de comunicação sem explicação razoável, atravesse a rua imediatamente.
  • Veículos que criam blogs apócrifos e sites anônimos — Frequentemente, tais veículos lideram cruzadas contra esse tipo de crime na internet. No fundo, são os grandes utilizadores deste tipo de expediente.
  • Veículos que exibem a genitália de mulheres grávidas na primeira página — Deixe de assinar ou comprar veículos que atentem contra as regras mais elementares de tato social ou bom gosto com a notícia.
  • Veículos que começam a atacar — ou deixam de atacar — alguém subitamente, da noite pro dia — É um dos sintomas mais comuns e fáceis de detectar. Mas em alguns casos a patologia é tão grave que, depois de atacar a vítima publicamente, o veículo infectado liga para a vítima como se nada tivesse feito.
  • Veículos que passam a narrar os fatos políticos como personagens, e não como veículos de imprensa — Fuja de jornalistas que dizem “falei no fim de semana com o prefeito” ou “todos sabem que sou amigo do governador”. Jornalista não almoça com a notícia, apenas a assiste e a conta.

A época do FMM é como a época das viroses respiratórias do inverno. Convém apenas aos leitores, ouvintes e espectadores lavar as mãos sempre que manipularem ou tiverem contato com os prováveis infectados. No caso de contato, recomenda-se muito líquido, repouso, canja de galinha e senso de humor.

De “OBSERVADOR” a “OFICIAL”, num book com 3 fotos

ips1

Cena 1: O “OBSERVADOR” é pego hoje com o IP de outro de seus apelidos, “JUSTO VERÍSSIMO”.

ips2

Cena 2: “JUSTO VERÍSSIMO”, com outro IP, em 16 de janeiro.

ips3

Cena 3: O IP do “JUSTO VERÍSSIMO”, emprestado ao consagrado “OFICIAL DE JUSTIÇA”, no mesmo dia 16 de janeiro.

Saiba mais sobre o “OFICIAL DE JUSTIÇA”.

Sem sinal de obras, empresa recebeu R$ 41 milhões de Amazonino

acritica_buracoMonica Prestes - Especial para A CRÍTICA

Em agosto do ano passado, a Prefeitura de Manaus fechou mais um contrato milionário e, no mínimo, suspeito. Dessa vez, a contratada foi a empresa paulista Emparsanco, apontada por jornais de todo o País como suspeita de favorecimento, fraudes e superfaturamentos em licitações em diversos municípios e já investigada por Tribunais de Contas de outros Estados devido essas denúncias.

O contrato fechado com a Prefeitura de Manaus, de R$ 69 milhões, é válido por um ano para que a empresa preste serviços de pavimentação e recuperação asfáltica em vias da cidade. Em entrevista coletiva realizada na manhã de ontem, o prefeito Amazonino Mendes afirmou que, até agora, a empresa não realizou nenhum serviço na cidade nesse período e, por isso, “não recebeu nenhum centavo da prefeitura”.

Mas a informação do prefeito Amazonino é desmentida pelo próprio site da Transparência, no portal da prefeitura (www.manaus.am.gov.b/transparencia), onde são listados todos os pagamentos efetuados pelos cofres públicos municipais, mês a mês. Segundo o site da Transparência, nos meses de outubro de 2009 a março deste ano, a Emparsanco recebeu mais de R$ 41 milhões da Prefeitura de Manaus. Somente no mês de março deste ano, o montante pago pela prefeitura à empresa ultrapassa a soma de R$ 12 milhões.

Questionado sobre a lisura na contratação da empresa, que foi realizada pela prefeitura mesmo com as inúmeras suspeitas que recaem sobre a Emparsanco, Amazonino Mendes desqualificou as denúncias feitas pela mídia e as investigações dos Tribunais de Contas e alegou que a contratação da empresa Emparsanco foi feita “dentro da lei”. “Foi feita uma licitação, não há irregularidade. A empresa não pode ser acusada dessa forma. Isso é tudo mentira, por interesses de grupos políticos e de jornais”, disparou Amazonino.

O prefeito confirmou a informação de que a empresa Emparsanco foi contratada em agosto do ano passado, mas negou que deva realizar o serviço de “tapa-buracos” nas ruas da cidade. “Não é um tapa-buracos. São obras de pavimentação na Zona Norte, mas que ainda não começaram”, explicou.

Ele não informou quando as obras devem começar a ser realizadas pela empresa, uma vez que sete dos 12 meses do contrato já se passaram e agora restam apenas cinco meses até o fim do contrato. Amazonino também não explicou por que, já que as obras não começaram, a empresa já recebeu R$ 41.426.265,03.

Sem explicação

Enquanto o prefeito alega que a empresa não recebeu “nenhum centavo” porque não começou a realizar as obras, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) afirmou, por telefone, que “a empresa prestou o serviço e recebeu”. Já o site da Transparência informa que a empresa recebeu mesmo os R$ 41 milhões, mas ninguém na prefeitura soube apontar em que bairro da cidade essas obras foram realizadas.

A arte de ser ‘fake’ de si próprio

Anteontem à tarde, numa reunião de cafezinho, ouvi um colega comentando com outro que uma rádio de Manaus, de placas não identificadas, estava em franca campanha contra o Twitter na cidade. Pelo relato, o programa era matinal e um radialista, de identidade ignorada, atacava ferozmente os usuários da rede social. Dizia que em Manaus o ambiente está dominado por um partido, o PSB.

A acusação não é nova. Dias atrás, questionado sobre as obras fantasmas no Alto Solimões, o então deputado Chico Preto já denunciara o complô de Serafim Corrêa na internet. Dizia o ex-deputado que o ex-prefeito mantém um batalhão de tuiteiros a seu dispor, dispostos a atacar simpatizantes de outros partidos.

Para isso, um plano ainda difícil de acreditar teria sido milimetricamente concebido: Serafim teria instalado microchips sob a pele dos seus mujahidins. Sempre que algum ianque imperialista dos outros partidos dá mole, Sarafa aperta um botãozinho vermelho, com uma cruz de malta branca, em seu gabinete. Através de ondas de rádio de baixa frequência, chega ao chip, que depois transmite ao cérebro, a ordem final: “Atacaire!”

Chico chegou a pedir socorro para os criadores do site, denunciando este plano maquiavélico de dominação de mentes. Então, por curiosidade, analisei os perfis políticos mais conhecidos da rede em Manaus e encomendei uma pesquisa completa do instituto PSBECTIVA Pesquisas e Mercado. Devo publicar os resultados da pesquisa nos próximos dias.

Até lá outros perfis políticos natimortos (como o mais recente, da vereadora Glória Carrate) venham ao mundo só mesmo pra trazer alegria ao povo, pra depois deixar aquela saudade que não tem fim. Glória, aliás, foi solidariamente defendida pelo radialista anônimo. Ligou para a rádio, entrou no ar, disse que sua conta era falsa. E num desses golpes absurdos de sorte, era incrível o controle que a vereadora tinha sobre a conta falsificada. Foi contar que seu perfil era falso, e o perfil foi desativado.

O radialista “deteeeeeeesta” o Twitter (com a licença poética das aspas, celebrizadas por Glória), mas não tira o olho do site. Gaba-se de ser “patrulhado” e ter a audiência dos tuiteiros, mas tiraria 10 numa prova do supletivo segundo grau se o assunto fosse essa ferramenta que ele tanto despreza. Os vereadores e vereadoras, deputados e deputadas que tombaram no meio do caminho vão sendo homenageados, e os combatentes da revolução socialista ganhando uma aura que não merecem.

Estranhos estes tempos. Os perfis falsos vão se multiplicando, e as pessoas reais negando a si próprias. Quando se nega a própria existência, não deve ser fácil encarar o espelho.