
O vereador, que ainda não registrou sua candidatura ao governo do estado, teve seu nome colocado na boca do sapo — ou melhor, do polvo. A diferença é que, no caso da Copa, o polvo Paul, contra todos os prognósticos, acertou em apontar os espanhóis como vencedores da partida. Com o nosso ‘polvo’, o desmentido veio duas horas depois.
Em seu blog, hoje de manhã, nosso polvo, o coordenador de marketing da campanha do governador à reeleição, disse:
Hissa Abrahão não será mais candidato a governador
Postado por: [nosso polvo] em 07/07/2010 às 12h06
O vereador Hissa Abrahão (PPS) não será mais candidato a governador nesta eleição, decisão tomada já há 72 horas. O que ainda será decidido hoje a noite, em Brasília, é se o PSDB apresentará um nome em substituição ao vereador, a fim de não ceder o tempo de televisão de aproximadamente três minutos, metade para Alfredo, metade para Omar.
Perguntei diretamente ao vereador se ele realmente desistira da candidatura, e a resposta foi:
Sou candidato, se quiserem me derrotar que seja nas urnas, o que considero pouco provável.
E mais:
- Critico de forma veemente aqueles oportunistas de campanha, que sem me consultar, estão falando de desistência, sou candidatíssimo.
- Meus adversários estão ciente de nosso crescimento eleitoral e estão buscando formas antecipadas para me prejudicar.
- Muito estranho o que ele [Durango] disse, notícia sem fundamento, não me consultou, muito estranho, ele que se diz tão sério.
Diante de uma ‘notícia’ tão grave (a desistência de um candidato ao governo do estado), é de se perguntar: afinal, qual é a jogada do nosso polvo em espalhar, pros seus leitores, uma notícia falsa?
Contam os mais entendidos no assunto que época de campanha é assim: quem trabalha com isso não pensa em outra coisa. O nosso polvo se diz muito experiente no assunto. Como responde pela coordenação de marketing da campanha do governador, não deve ter publicado a nota a troco de nada. Seria uma forma de evitar que votos do governador migrassem para a candidatura da ‘terceira via’?
O nosso polvo tem realmente oito braços. É publicitário, já foi comunista (sim, isso conta no currículo), é empresário, é escritor, é assessor político, é coordenador de campanha e é consultor. Mesmo com toda essa gama de atividades, nosso polvo ainda encontra tempo para, nas horas vagas, ser pesquisador isento.
Como publicitário, nosso polvo participa ativamente de campanhas de sucesso — sempre do governo, seja ele estadual ou municipal. Durante o processo licitatório pela conta de publicidade da Prefeitura, por exemplo, passeava entre o gabinete do prefeito e pelo escritório da empresa de publicidade que ganhou a conta.
Como comunista, ajudou o atual governador (que também põe isso em negrito no currículo) em sua campanha para vereador. Hoje não é mais comunista, como o governador. Mas o governador é o governo estadual, a amizade continua.
Como empresário, nosso polvo é um Midas moderno. O que toca vira ouro — ouro do governo, claro. Recentemente criou uma empresa para espalhar tevês de LCD pelos PACs e órgãos públicos do Amazonas, onde a massa passa as manhãs, enquanto espera por um atendimento, vendo e ouvindo propaganda — das empresas dele e do governo estadual, claro.
Como escritor, nosso polvo escreveu um livro cheio de fotos antigas de Manaus, ‘conseguidas’ do Acervo Público Municipal, criou uma editora, imprimiu, fez uma capa dura, fez um coquetel de lançamento (num prédio público) e vendeu 300 exemplares — para o governo municipal, claro.
Nosso polvo é também assessor político. Sem cargo algum, comandou a retumbante posse do atual prefeito de Manaus. “A troco de nada”, “apenas por amizade”, dizia o nosso polvo. Recebeu R$ 65 mil por essa amizade — do governo municipal, claro.
É também coordenador de marketing de campanha, nosso polvo. Do governo estadual, claro.
É consultor também. Informal. Do governo, estadual ou municipal, claro.
Paul, o polvo que acertou todos os palpites até hoje sobre a Copa da África do Sul, deve ter fama efêmera. É alemão, e a uma hora dessas, com a derrota dos seus ‘donos’, deve ter ido parar numa paella de algum restaurante espanhol de Oberhausen. Não importa que tenha acertado.
Acertar todas não é bom negócio quando o palpite contraria o cliente. Se Paul, o polvo deles, fosse o nosso polvo, teria guardado o palpite da vitória da Espanha pra si e colocado um sósia dentro do aquário, pra dizer que a Alemanha venceria.
O nosso polvo sabe disso. Não à toa seus oito tentáculos, cada um com uma função, sempre estão dentro do mesmo pote.
O do governo, claro.






Responsável pela rede social mais popular no país, o Google planeja lançar, em agosto deste ano, um pacote de aplicativos especialmente voltado para as eleições. Em 2010, a internet tem se revelado uma das ferramentas preferidas dos candidatos para mobilizar seus militantes e, ciente disso, a empresa aposta no “calor” da discussão política para atrair seus internautas.








