Manacapuru 1 — O presidente do TRE-AM, desembargador Ari Moutinho, simplesmente cancelou o julgamento que cassou o mandato do prefeito de Manacapuru, Edson Bessa. Moutinho alegou que o julgamento estava cheio de vícios e que não ficou comprovada a compra de votos. Foi Ari Moutinho quem recebeu, pessoalmente e a dois dias da votação, a denúncia do juiz Luiz Cláudio Chaves, da compra de votos e do uso da máquina pública em favor do então candidato Bessa. A denúncia do juiz apontava várias irregulariades praticadas não só pelo candidato, mas também pelo próprio governador Eduardo Braga.
Manacapuru 2 –Entre as irregularidades apontadas pelo juiz consta a distribuição de sacolas de rancho na madrugada, desligamento dos grupos geradores para a efetivação de entregas de sacolas de rancho, distribuição a quatro dias das eleições de títulos definitivos de terra, parcialidade da Polícia Militar, além de ameaças partidas tanto do governador Eduardo Braga quanto do ministro Alfredo Nascimento, dirigidas ao povo do município. Carros de som, com a voz gravada de ambos, diziam à população que se Bessa não fosse eleito o município não contaria com os investimentos dos governos estadual e federal.
Manacapuru 3 — A decisão de Ari Moutinho é mais uma daquelas que dá aos minimamente entendidos a sensação de que a Justiça amazonense, especificamente o TRE, precisam sempre estar vigiados pelo CNJ. Na última visita do órgão ao Amazonas, muita coisa foi colocada em ordem. Talvez seja a hora de outra visita.
Não pode 1 — Ligações telefônicas avisavam a equipe de redação do jornal Amazonas Em Tempo, durante a semana passada, que estavam proibidas matérias sobre crimes não solucionados nas páginas do veículo. A ordem era expressa da diretoria, e apenas crimes em que o autor estivesse preso poderiam ser publicados. Foi também na semana passada que o empresário Leandro Guerreiro matou um policial militar dentro de sua loja. É a solução governamental para reduzir o índice de violência no estado: não publicar violência. Fácil, não?
Não pode 2 — Há fortes indícios de que Guerreiro foi protegido por entes do governo estadual. Apesar de o autor do assassinato ser conhecido e ter se apresentado à polícia, o jornal não publicou a notícia que varreu a cidade. O silêncio foi no mínimo estranho, especialmente para um jornal que começou a semana denunciando assassinatos e violação de cadáveres de um acidente aéreo com mais de 30 anos de idade.
Valeu, hein! — Donmarques Mendonça, candidato derrotado à Prefeitura de Itacoatiara, ligou pessoalmente para o secretário de Governo José Melo, assim que ficou sabendo de mais uma das visitas de cortesia do onipresente braço-direito de Braga a figuras influentes da cidade, dessa vez uma desembargadora do TRE. Donmarques agradeceu Melo pelo suposto empurrãozinho que o secretário teria dado à manutenção de Antônio Peixoto no cargo. Peixoto foi cassado pelo TRE, mas hoje governa sob liminar concedida pela desembargadora.
Obra caseira — Estranho também foi o silêncio da TV Amazonas sobre o episódio em que o secretário municipal de Infraestrutura, Américo Gorayeb, agrediu o porteiro de um condomínio residencial, na companhia de duas filhas. Para a emissora de Felipe Daou, só há uma coisa mais religiosa do que a missa de domingo e a prática dos ensinamentos da Santa Igreja Católica: todo santo dia Américo Gorayeb ocupa metade do noticiário da tarde na emissora. Gorayeb e Vicente Nogueira, da Educação, são os artilheiros do campeonato municipal de exposição em veículos privados de comunicação.
E aqui? — Desde a semana passada, moradores da Baixada Fluminense, no Rio, podem acessar a internet de graça. O governo estadual disponibiliza conexão à rede para toda a população de São João de Meriti, a 60% dos habitantes de Duque de Caxias e Belford Roxo e a 20% dos moradores das cidades de Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis.
Quanta diferença — Se aproxima o fim de um ano diferentão para a imprensa da cidade de Manaus. Em 2009 os buracos viraram coisa da Cigás; a falta de água voltou a ser culpa da Águas do Amazonas; os ônibus voltaram a quebrar por culpa das empresas; os mototáxis invadiram as ruas vindos ninguém-viu-de-onde e a não há um só parlamentar televisivo cobrando providências do prefeito contra tudo isso.
Alô, Greenpeace! — Na rede social Twitter, várias pessoas perguntavam, durante a semana, pelo posicionamento da ONG Greenpeace quanto à fumaça que tem atormentado o manauara ultimamente. A organização tem escritório em Manaus e costumava estrelar matérias elogiosas ao governo de Eduardo Braga até pouco tempo. Por onde anda o Greenpeace?
Contrapé — Leonardo Sakamoto conta em seu ótimo blog que descobriu a real intenção de César Benjamin com seu artigo da Folha de S. Paulo, sobre o suposto assédio sexual de Lula a um companheiro de cela em 1980. Sakamoto avalia que Benjamin, no fundo, queria criar uma onda de protestos a favor do presidente, num movimento de unificação “das esquerdas” não visto desde 2002. Pelo jeito, César conseguiu. E ninguém percebeu.
IRP 1 — Em seu ex-blog, o ex-prefeito do Rio, César Maia, criou o IRP da Prefeitura de Eduardo Paes. IRP é o Índice Redutor de Promessas, segundo o qual Maia compara o que foi prometido com o que agora é feito. Paes prometeu 40 unidades de pronto atendimento, agora vai construir 20. IRP = 50%. Paes prometia levar saneamento básico a 100% da Zona Oeste, agora promete umento para 30% da Taxa de Cobertura da rede coletora de esgoto com tratamento na Zona Oeste. IRP = 70%. Paes prometeu aumentar a rede de creches, triplicando o número de vagas, agora fala em aumentar o serviço em 66%. IRP = 45%.
IRP 2 — Que números surgiriam com a aplicação matemática do IRP em Manaus?