Archive for the ‘Manaus’ Category

O episódio do shopping

Hoje faz uma semana que o médico Frederico Germano e sua esposa foram agredidos por seguranças do Amazonas Shopping. Na última quinta (15), às 18h30, o casal, acompanhado por duas amigas, esqueceu um telefone celular sobre a mesa de um restaurante.

Ao procurar a imagem de quem teria encontrado o aparelho — com a ajuda de funcionários do restaurante --, Frederico identificou uma mulher que ainda se encontrava na praça de alimentação do shopping. Ao abordá-la para pedir o telefone de volta, o médico foi agredido.

Contei essa história aqui, naquela mesma quinta, e mais de 120 pessoas comentaram o fato, todas indignadas.

Procurei o médico, que me enviou uma cópia do Boletim de Ocorrência policial, registrado no 12º Distrito Policial de Manaus no último dia 20. Frederico me contou que fizera um BO no dia seguinte à agressão, mas que o primeiro documento tinha informações incorretas. A versão que você vê abaixo é a do BO correto.

A reportagem do portal D24AM procurou a administração do Amazonas Shopping, que disse que não se pronunciaria sobre o incidente, mas tivemos acesso ao vídeo interno do restaurante (o mesmo vídeo no qual Frederico identificou a mulher que levou o telefone), e a imagem mostra desde o momento em que a esposa e as amigas do médico deixam o local até o momento em que a mulher sai com o telefone. Frederico não aparece nas imagens, pois no momento do ocorrido estava no caixa do restaurante, pagando a conta. O grupo ocupa a mesa no primeiro plano do vídeo.

Pelas imagens se percebe que a mulher entra e sai do restaurante várias vezes, aparentemente sem motivo. No áudio da gravação (retirado aqui para preservar o restaurante), os funcionários contam que, naquela tarde, a tal mulher procurara o restaurante procurando emprego, sem documentos, sem currículo e sem recomendações. No vídeo, os funcionários do restaurante também recomendam aos colegas maior cuidado com a movimentação estranha de pessoas.

Nas imagens do vídeo também não aparece o rapaz que acompanhava a senhora, e que agrediu Frederico. O Amazonas Shopping dispõe de câmeras de segurança na praça de alimentação, onde ocorreu a agressão ao médico e sua esposa, mas, com a negativa do shopping em prestar informações, não tivemos acesso às imagens.

Durante o registro do BO, Frederico apresentou fotos da camisa que usava na noite da agressão, manchada de refrigerante. Não havia ferimentos aparentes que pudessem ser utilizados como provas, tampouco imagens do sistema de segurança do shopping, que poderiam provar a agressão cometida tanto pelo casal quanto pela segurança.

Frederico diz que ainda se recupera do episódio, mas que vai tomar todas as providências sobre a agressão que sofreu pelos seguranças do shopping.

Abaixo, a imagem do Boletim de Ocorrência registrado pelo médico.

Imagine só a cena

Finja que você está lendo aquele livro policial ruim e faça uma força pra mentalizar a seguinte cena:

É final de tarde, e você vai a um shopping da cidade por volta das 18h. Você, sua esposa e duas amigas, uma senhora de 60 anos e sua filha, funcionária de uma loja do shopping, param para um lanche num restaurante de comida árabe, na primeira praça de alimentação do shopping. Ao sairem do restaurante, a senhora que o acompanhava percebe que esqueceu o telefone celular sobre a mesa. Então você volta ao local e, não encontrando o aparelho, pede que a gerente o ajude, mostrando a gravação do sistema de segurança da loja. Nas imagens, você e a gerente veem uma moça, loira, com cerca de 30 a 35 anos, portando uma bolsa preta e um guarda-chuva azul, pegando o telefone esquecido e indo embora.

Você olha em volta e percebe que a moça da gravação ainda está na praça.

Tomando cuidado para não causar constrangimentos, você aborda a moça, alegando que o telefone que ela guardou estava perdido, e o pede de volta, discretamente. Você não a acusa de nada, sequer cobra o aparelho. Na verdade, para evitar maiores transtornos, você pensa em agradecê-la por ter guardado o telefone, certamente para procurar o dono mais tarde.

Então você começa a ser agredido, tanto pela moça quanto por seu namorado, que a acompanha. Iniciando um escândalo, o casal acusa você de tê-los chamado de ‘vagabundos’.

Você insiste em não querer confusão, e só pergunta pelo telefone perdido. Então o rapaz, enfurecido pela pergunta, tira o celular do próprio bolso e o atira para o alto. Quando você se inclina para pegar o telefone, o rapaz se aproxima e lhe atira um copo de refrigerante na blusa.

Agora imagine que, mesmo assim, acompanhado por sua esposa — portadora de necessidades especiais — e mais duas senhoras, você só quer que aquilo tudo acabe. Mas não acaba. O rapaz que lhe agrediu com o copo de refrigerante pega uma cadeira da praça e a atira em você.

Você já conseguiu pintar a cena mentalmente?

Então chegam os mocinhos, a cavalaria, a segurança do shopping. Você ainda se recupera da agressão, e então seis guardas lhe agarram e lhe arrastam, sob os olhos de todos os visitantes da praça, até a sala da segurança. Você então aguarda a chegada do casal, certamente vindo também acompanhado pelo resto do aparato de segurança.

E nada do casal. É então que você percebe que o bandido é você, e que as suas vítimas, o casal que furtou o celular da sua amiga e lhe agrediu, foi liberado. O chefe da segurança diz não poder fazer mais nada, pois a informação que tinha era que você era o agressor. Testemunhas contam a você, depois, que enquanto você era arrastado pelos seis guardas, o casal era conduzido para a porta de saída, próxima de um restaurante de comida oriental e de uma lanchonete de hambúrgueres.

Então você é liberado pela segurança e decide voltar ao restaurante, para pedir que o estabelecimento guarde a gravação. Afinal, é com ela que você vai provar sua inocência. Então, ao passar por um dos seguranças, você, compreensivelmente revoltado, dá um tapinha em seu ombro e, ironicamente, agradece pela grande ajuda que a segurança havia acabado de lhe dar.

A agressão começa novamente, mas agora não mais vinda do casal, que àquela hora já foi embora. Quem lhe agride é o segurança do shopping, dando-lhe um empurrão nas costas, exigindo respeito. Sua esposa, deficiente, tenta conter o guarda, e também é agredida, junto com a senhora que acompanha vocês, de 60 anos de idade.

A confusão termina novamente, pois a segurança do shopping rapidamente contém o guarda e o afasta do local.

Os funcionários do restaurante então se negam a lhe mostrar novamente a gravação do furto. Algumas pessoas se oferecem para testemunhar a seu favor, mas a segurança o impede de pegar os contatos delas. Você está sendo expulso do shopping. Você, sua mulher deficiente, a senhora de 60 anos que lhe acompanha e a filha dela.

O que lhe resta é sair, e novamente desfilar por todo o shopping, chorando, com a camisa coberta de refrigerante.

Sim, você chora, está muito nervoso. Sua esposa, agredida no braço, também chora. O shopping inteiro assiste a sua saída. O que resta a você é a humilhação e a vergonha causada pelos olhares da plateia.

A plateia que lhe olha como um bandido.

Essa história aconteceu ontem (quinta, 15) com Frederico Germano Lopes Cavalcante, um médico de 29 anos de idade, que cometeu um erro: tentou recuperar um objeto furtado pedindo-o educadamente ao ladrão. Eram 18h30 da noite, e a praça de alimentação do Amazonas Shopping estava, como de costume, cheia. Frederico, a quem não conheço, me procurou para me contar o ocorrido, pois não quer deixar a história pra lá. Conversei com ele por email há pouco, e pretendia lhe pedir uma cópia do Boletim de Ocorrência que registrou na delegacia. Não consegui. No último email que me enviou, Frederico dizia estar sedado por um medicamente anti-hipertensivo. Hoje vou tentar falar com ele novamente. E depois, talvez fazer o coro com as pessoas de Manaus que já cansaram da completa falta de preparo dos funcionários do setor de serviços dessa cidade, que tanto se orgulha de seu tamanho e de seu futuro como sede de Copa do Mundo, enquanto continua vendo verdadeiros absurdos como estes, dignos de uma comédia pastelão de segunda categoria, daquelas que se confundem facilmente com tragédias vergonhosas. O caso de Frederico, sua esposa e suas amigas não é o primeiro, não deverá também ser o último. Para que caia no esquecimento, o absurdo da noite desta quinta precisa apenas da falta de ação e indignação das pessoas que, no lugar de exigirem respeito dentro de um local onde gastam seu dinheiro, apenas assistem casos como esse acontecerem.

Um triste escândalo sem rosto

Os casos mais recentes de abusos e violências contra a mulher acendem uma questão tão importante quanto medieval: que políticas públicas podem ser pensadas para que os casos de D.B.B, A.LF.S. e A.C.M.C. parem de se multiplicar pelo país?

A maioria do eleitorado brasileiro é feminina, assim como quase metade da força de trabalho do país. Não deveria haver, por imposição física ou social, a prevalência de homens sobre mulheres; ainda que essa diferença fosse inevitável, seria mais lógico que favorecesse as mulheres.

O caso do médico Edson inevitavelmente faz aflorar a percepção de que não há pra onde correr. Numa rua mal iluminada, hoje é difícil saber o que amedronta mais, um grupo de rapazes bêbados ou um grupo de policiais. Parece inconcebível que, dentro de um consultório médico, uma mulher seja violentada por alguém que deveria lhe ajudar, passar confiança e tranquilidade.

O trauma e a indignação são os traços comuns a esses tipos de casos. No espaço de tempo de uma consulta médica, mulheres, mães e filhas, com nomes e sobrenomes, passam a ser identificadas apenas por suas iniciais. A tranquilidade asséptica de um hospital ganha a cor e a dor de um caso de polícia. O silêncio parece ser o único caminho, uma espécie de cela pessoal em que cada mulher agredida se isola. Dimensionar a quantidade de mulheres violentadas, agredidas e espacandadas hoje, dentro de casa, é um desafio para as autoridades.

Roger Abdelmassih, a maior referência pessoal em reprodução humana assistida no Brasil, hoje responde a 56 acusações de estupro, dentro de sua clínica. Está em casa graças a decisão do Supremo Tribunal Federal. Seu caso precisa ajudar o país a prestar mais atenção ao que ocorre dentro das clínicas e hospitais.

Cabe também ao Conselho Regional de Medicina, onde ocorrem acirradas disputas eleitorais e animadas festas de confraternizaçao, cumprir a obrigação de proteger a sociedade de seus representantes com desvio de caráter ou personalidade, e não o contrário. Estão aí os casos da menina Bruna Paloma e do cantor Carlos Casagrande, mortos na mesa de cirurgia do mesmo médico. Em que pé anda a investigação sobre esses casos, senhores do CRM?

Há poucas lições a tirar dos supostos estupros do Dr. Edson, além da maior delas: basta que uma mulher resolva denunciar, e o fio da navalha por onde caminham estes médicos (muitas vezes acostumados a anos e anos do silêncio de suas vítimas) facilmente se rompe.

Crianças não deviam ser abusadas pelo padre, meninos não deviam ser agredidos pelo policial, mulheres não deviam ser violentadas pelo seu médico. A repetição dos casos acaba banalizando o crime, aprofundando o sofrimento das vítimas, incentivando o criminoso a fazer mais vítimas.

Há escândalos que não podem sossegar, de forma alguma.

Arena de Manaus deve virar ‘elefante branco’, diz estudo

Rafael Massimino - São Paulo – No Portal2014.org.br

Dos 12 estádios que serão construídos ou reformados para a Copa de 2014, ao menos sete podem virar “elefantes brancos” após o evento. O alto custo das obras, conjugado a uma estimativa irreal da demanda no pós-Copa, poderá afastar eventuais investidores e deixar ao poder público um legado negativo.

A conclusão é da consultoria Crowe Horwath RCS, que acaba de lançar o estudo “Gestão do ativo estádio – Viabilidade econômico-financeira de estádios e arenas para a Copa de 2014”.

(…) “Atualmente, nenhum estádio brasileiro tem esse retorno”, diz Amir Somoggi, diretor da área Esporte Total Crowe Horwath RCS. Para ele, os estádios de Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife e Salvador são fortes candidatos a virarem “elefantes brancos” depois da Copa.

Redução de custos

Segundo o estudo, a receita para que as arenas da Copa evitem se tornar deficitárias é redução dos custos. Os R$ 5,3 bilhões deveriam cair para algo em torno de R$ 4 bilhões. “Além disso, somente projetos integrados com setores da iniciativa privada, como o imobiliário e o hoteleiro, e o fortalecimento do futebol local, podem gerar retorno ao investimento em certos estádios“, diz Somoggi.

Para o retorno do investimento, segundo o estudo, os clubes têm que combinar a receita de bilheteria com a geração de novas rendas de serviços. O exemplo, novamente, é a Alemanha, onde os investimentos nos estádios catalisaram o aumento de receitas do futebol.

De 2003 para cá, o faturamento dos 36 times da primeira e segunda divisões alemã, a Bundesliga, aumentou de 1,28 bilhão para 2 bilhões de euros, tornando-se a segunda maior da Europa. Apenas com estádios, as receitas chegaram a 425 milhões de euros na temporada 2008-2009.

Segundo o estudo, o Brasil terá muito trabalho pela frente se pretende colher um legado comparável ao alemão. Em 2008, as receitas com estádios nas séries A e B somaram apenas R$ 190 milhões, a maior parte com venda de ingressos.

A consultoria estima que, até 2014, esse número possa chegar a R$ 400 milhões, principalmente por meio da diversificação de serviços oferecidos e do aumento do preço médio dos ingressos, que já sobe 15% ao ano desde 2005.

Mesmo assim, o grande desafio é atrair o torcedor aos estádios. Enquanto a média alemã é de 42.565 torcedores por jogo, a brasileira é 17.807 – inferior até mesmo à primeira liga japonesa, que atrai 19.278 pessoas, em média, a cada partida.

Assaltos na UFAM: Agora vai!

A reitora da Universidade do Amazonas, Márcia Perales, começou a tomar providências quanto aos constantes assaltos e arrombamentos de carros nos estacionamentos do Campus Universitário: mandou suspender o uso do perfil institucional da UFAM no Twitter.

O motivo da medida seria um tweet (mensagem) publicado na rede social que informava aos seguidores da universidade que no dia 17 de maio havia uma manifestação dos alunos de Direito em frente à reitoria, cobrando a solução para a violência. Não havia na mensagem qualquer incitação, apenas uma resposta seca à tradicional pergunta da rede social: “What’s happening?” — “o que está acontecendo?”, para meus leitores monoglotas.

É que três dias antes, no dia 14 de maio, seis alunos do curso de Direito tinham sido vítimas de um assalto no estacionamento comum à Faculdade de Tecnologia (FT), ao Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) e à Faculdade de Direito (FD).

Abaixo, a mensagem publicada no dia 17 de maio:

Hoje (21), ao descobrir que a UFAM informara, via Twitter, seus seguidores de que ocorria a manifestação, a reitora ordenou a retirada da mensagem (a imagem acima é do cache do Google, este dedo-duro pós-moderno) e a publicação de um aviso:

A UFAM tem 2.011 seguidores no Twitter. Alunos e professores que perdem, com a medida, um de seus canais de troca de informação com a instituição, que sofre há muito tempo com os constantes assaltos e furtos em seus estacionamentos.

Seria de se esperar que, mesmo contrariada pelas manifestações, a reitoria viesse a público oferecer espaço para a discussão do problema. Investindo na interação com sua comunidade na internet, a UFAM poderia sair bem na foto, mantendo seus seguidores informados sobre o que está sendo encaminhado quanto ao problema.

O mais interessante é que há medidas sendo tomadas. No site Maloca Digital, revista eletrônica editada pela própria UFAM, é permitido ao público saber de algumas delas:

“(…) Os manifestantes convidaram os alunos do ICHL para participar do movimento, e retornaram à FD, onde conseguiram falar com o vice Reitor [Professor Dr. Hedinaldo Narciso] e com o prefeito do Campus, professor Marco Antônio. Ambos anunciaram que conversaram com a Central Acadêmica de Direito, e já começaram a providenciar melhorias. Entre elas uma viatura que ficará todos os dias das 18:00h até as 23:00h no estacionamento, guardas que ficarão o dia inteiro no local, e iluminação no corredor de passagem entre a FD e o estacionamento. Posteriormente serão instaladas câmeras de segurança e guaritas. As medidas implantadas até agora foram a viatura e, 2 guardas no local.”

Então, se há providências sendo tomadas pela reitoria, por que impedir que a comunidade acadêmica tome conhecimento disso? Usando os poucos canais de informação de que dispõe, a UFAM deveria espalhar a informação, quem sabe consultando seus professores e alunos sobre as melhores opções para resolver o problema.

No lugar disso, fica a aura de censura e desinformação, visto que a reitoria só tomou conhecimento de seu “deslize” na internet um mês depois.

Não sei como andam as melhorias atualmente, pois só descobri sobre a manifestação do dia 17 de maio hoje, na revista Maloca Digital, e foi neste site que vi que a UFAM negociou com os estudantes e colocou uma viatura e dois guardas para protegê-los nos estacionamentos.

O link para o site está aí acima. Aproveite e se informe, enquanto a reitoria ainda não o descobriu.

As evidências de um crime virtual

Por Brunno Batista.

Este é meu primeiro post em um blog e por um motivo bastante desagradável, mas tenho que fazê-lo para explicar os fatos ocorridos.

Todos vocês já conhecem a história de que circulou um e-mail difamando um grupo de pessoas, no qual estariam incluídos o meu nome e o de alguns amigos. O Não Senhor já provou que era tudo falso aqui e aqui.

No mesmo dia, resolvi fazer uma busca simples sobre o email e pedi uma cópia de um amigo que havia recebido a mensagem. Observei o HEADER (cabeçalho) do e-mail enviado e usei das evidências expostas em busca da origem deste e-mail.

Das Evidências

No HEADER do email, estava contida a seguinte autenticação:

//Received-SPF: pass (google.com: domain of news@mkvam.com.br designates 75.125.191.34 as permitted sender) client-ip=75.125.191.34;//

//Return-Path: //

//Received: from dedicado.icbeu.com (dedicado.icbeu.com [75.125.191.34])//

Ok, mas que porra é essa?

SPF ou “Sender Policy Framework”, é uma arma contra SPAMs desenvolvida com o objetivo de autenticar o email, não permitindo que outras “pessoas” utilizem o nome de um domínio para espalhar SPAMs na internet, gerando um endereço retorno válido para o devido email.

Mostrando como funciona: exemplo.com => SPF => “v=spf1 a mx ip4: 192.1.1.100/24 -all”. Isso significa que o domínio: exemplo.com só aceita o envio de emails do seguinte bloco de IPs: 192.1.1.100/24 e todos os outros serão negados/invalidados (-all).

Voltando para o email em questão, conclui-se que o domínio mkvam.com.br autoriza o envio de email usando seu nome pelo IP:75.125.191.34 e que a origem do email era o servidor icbeu.com.

De início achei que seria improvável alguém do ICBEU/MANAUS (INSTITUTO CULTURAL BRASIL-ESTADOS UNIDOS) estaria por trás desta manobra suja de difamação. Mas ainda havia muito o que se investigar.

Listas SPF

mkvam.com.br

SPF=> v=spf1 a mx ptr ip4:75.125.191.34 mx:mkvam.com.br ?all

icbeu.com

SPF=> v=spf1 a mx ip4:75.125.191.34 ?all

noticiasdoamazonas.com

SPF=> null

Análise dos Domínios

icbeu.com:

A pesquisa nos traz o seguinte:

Proprietário: INSTITUTO CULTURAL BRASIL – ESTADOS UNIDOS

Data Registro: 29/10/98

Servidor: ns1.icbeu.com (75.125.191.34) e ns2.icbeu.com(75.125.191.35)

Email: somente por contato via correio para os EUA.

mkvam.com.br:

Em uma busca básica temos as seguintes informações:

Proprietário: U R NEVES – ME, CNPJ: 06.164.678/0001-96, empresa aberta em 26/03/2004, de propriedade do Sr. Uily Roberto Neves Neto, economicamente ativa.

Data Registro: 21/05/2010

Servidor: ns1.icbeu.com e ns2.icbeu.com

Email: uilyneves@gmail.com

noticiasdoamazonas.com:

Proprietário: Paulo Massa Jr. (Provável que seja falso. Há um homônimo no site www.desaparecidos.org)

Data Registro: 12/05/2010

Servidor: ns1.hostnet.com.br e ns2.hostnet.com.br

Email: paulomassajr@globomail.com

Da Análise dos Fatos

O hotmail.com e gmail.com só aceitam o recebimento de e-mail se houver um certo tipo de registro TXT no DNS para identificar as permissões de envio de dados do domínio, e tais registros somente podem ser feitos no administrador do domínio.

Todas as empresas de hospedagem de domínio sabem do problema com invasões por hackers, e tomam as devidas providências para evitar mais de 2 erros ao logar, o que impediria um ataque do tipo “BRUTE FORCE” na tentativa de logar com sucesso.

Inclusive o próprio registro.br impediria esse tipo de acesso forçado para usar PROFILES de terceiros, bloqueando imediatamente ao segundo erro ou indefinidamente nos erros subsequentes. O mesmo acontece com os provedores de email, principalmente o GMAIL.com.

Conclusão

O domínio mkvam.com.br está hospedado no servidor icbeu.com. Um fato interessante é a data do registro deste domínio, 21/05/2010, exatamente a mesma em que a imagem do “contrato” e dos blogueiros “envolvidos” foi postada no twitpic e começou a circular nos e-mails.

O domínio mkvam.com.br foi realmente registrado por Uily Neves e ele cometeu o erro mais fundamental no envio de email nos dias atuais, o fator SPAM, que para ser aceito tem que ser autêntico e tem que ser feito manualmente por um sistema ADMINISTRATIVO de DNS. Mais um forte indício de que o domínio noticiasdoamazonas.com foi criado exclusivamente para abrigar o falso e-mail e o domínio mkvam.com.br foi registrado com o único objetivo de espalhar essa mala-direta. O ID do sr. Uily no site registro.br também foi modificado neste dia.

Telefonamos para o ICBEU e, para nossa surpresa, descobrimos que o sr. Uily Neves é funcionário de lá. Em conversas pelo Gtalk, ele confirmou que o domínio é dele e que está hospedado em um servidor do ICBEU, mas alegou que o mesmo sofreu uma invasão e que ele não tinha participação alguma no caso. Informou ainda que o problema seria solucionado e que isto não voltaria a acontecer.

O status inativo do domínio mkvam gerava um erro a quem tentasse acessá-lo. Curiosamente, depois do contato com o sr. Uily Neves, hoje o site encontra-se ativo e mostra o seguinte conteúdo.

Outra coincidência interessante é a data do primeiro tweet do sr. Uily Neves no twitter, 13 de abril, a mesma data em que vários perfis fakes foram criados para propagar a falsa denúncia contra nós.

Após contato telefônico, ele adicionou a foto no perfil.

Hoje o site do ICBEU apresentava erros em sua página inicial, o que levanta a suspeita de que sofria modificações, provavelmente alterações no banco de dados na tentativa de ocultar rastros.

Em busca de uma relação com o domínio de origem do e-mail (noticiasdoamazonas.com), acessei o globomail.com. E ao pedir o lembrete de senha do e-mail paulomassajr@globomail.com, que é o e-mail relacionado ao domínio noticiasdoamazonas.com no registro.br, retorna a mensagem do envio da senha para um e-mail secundário: “cristiano@salveoplaneta.com”.

O envolvimento de mais um nome, desta vez de alguém de fora do Estado levanta duas hipóteses: ou o tal Cristiano usou o servidor icbeu.com, através do domínio mkvam.com.br para enviar estes e-mails com o objetivo de não ser rastreado (chance remota, devido a dificuldade de invasão); ou atuou em parceria com o Uily (mais provável, até mesmo pelos indícios que envolvem a participação deste).

A responsabilidade do Cristiano no caso já está sendo investigada. Por enquanto pudemos perceber que ele é enrolado, cheio de sites, twitters e domínios registrados; e que ele é capaz de fazer esse tipo de trabalho. Resta saber se este ATO CRIMINOSO em específico foi realizado por ele e de quem partiu a ordem para seu cumprimento.

Brunno Batista
@brunnoihoax

OBS: Dados confirmados. Não faço esse tipo de investigação para terceiros.

PS: Alguém me informa o número da conta e o banco que está sendo depositado o meu salário, que eu não vi nada até agora.

Cinco dias depois, presepada rende demissão a funcionário do ICBEU

Recebi agora há pouco o seguinte email do Sr. Afonso Silva, Gerente de TI do ICBEU Manaus.

Boa Noite,

Segue algumas considerações

Tendo em vista os últimos acontecimentos envolvendo o ICBEU MANAUS, vimos esclarecer o que segue:

I – O ICBEU é uma Instituição que há 54 anos é a líder no ensino da língua Inglesa no Amazonas e é reconhecida pela Embaixada Americana, como uma escola de ensino de inglês, Classe A.

II – De acordo com os seus Estatutos, no art. 50, lê-se: “É VEDADO AO INSTITUTO DE PROMOVER OU PARTICIPAR DE QUALQUER ATIVIDADE POLÍTICO PARTIDÁRIA OU RELIGIOSA”. E, assim, vinha-se atuando, até que um funcionário de maneira irresponsável, pessoal, utilizou-se de sua ferramenta de trabalho, pois o mesmo exercia as suas funções laborais no CPD do IC BEU/ MANAUS, ao arrepio dos Estatutos, passou a denegrir a imagem de um pré candidato às eleições do pleito que se avizinha, e de outras tantas pessoas.

III – É necessário esclarecer ainda que o dito funcionário após a Diretoria, do ICBEU tomar conhecimento de tais fatos, imediatamente, afastou-o de suas funções laborais e demitiu-o, não mais pertencendo ao seu quadro funcional.

Essas eram as considerações que deveríamos fazer para o resguardo da integridade e da personalidade de uma Instituição que nunca se envolveu ou se envolverá com questões político partidárias de qualquer natureza.

Direito de resposta

Recebi, do radialista Jefferson Coronel, uma carta-resposta ao proprietário da rádio CBN Manaus, que no último sábado (22), o denunciou em seu blog, na página oficial da rádio. Coronel enviou a carta ao blog do referido senhor, que não a publicou. Jefferson então enviou sua carta a outros blogs que, talvez por não adotar o mesmo critério democrático da rede CBN, optaram por publicá-la. Este blog adotou como política, já há algum tempo, não se envolver com pessoas ou instituições incapazes de interagir oficialmente com seus consumidores. Em bom português: não falo mais de quem não assume oficialmente sua identidade, mas cumpro o dever democrático de publicar a carta. Convém informar: os posicionamentos expressos na carta não refletem, necessariamente, a opinião do autor deste blog.

Por Jefferson Coronel

Caro Ronaldo…

Esse seu “artigo” bem que não merecia resposta, tal o nível a que o amigo desceu. Mas essa de ameaçar descaradamente com estórias de amantes e prostitutas me parece ser o fim da linha no que poderia ainda ter algum tipo de debate. Não entre nisso. Você sabe que esse tipo de atitude é desprezível. Você representa em Manaus a bandeira CBN e, se depender de mim, não tem o direito de partir pra uma abordagem que desmoraliza e ridiculariza sua figura. Proteja esse patrimônio chamado CBN.

Pense que sempre lhe tratei com respeito e consideração. Quando critiquei, o fiz em termos íntegros, nunca pessoais. Não fiz insinuações contra o Omar (Omar Aziz, atual governador e candidato à “reeleição”). Se você acha que fiz, cite como e qual foi a insinuação. Agora, tenho liberdade sim pra me expressar, reclamar, criticar e debater. Você não tem? Tem e eu defendo que tenha a vida toda, plena, irrestrita. Só não pode é ficar nessa coisa de prostitutas e amantes. Isso é coisa que o dono de uma rádio bandeira CBN, advogado, jornalista, fique clamando e ameaçando?

Faça suas críticas ao Alfredo Nascimento (ex-ministro de Lula e candidato ao Governo do Amazonas). Tenha sua opinião. Diga o que quiser dele e de qualquer político. Opte pelo Omar nessa eleição. Tudo isso pode e vale numa democracia. Mas há leis, leis que você, como advogado, deve conhecer melhor que eu.

Tente se manter numa linha aceitável. Não fique querendo transformar em bandidos e perseguidos todos os que de alguma forma discordam do seu pensamento e das suas opções políticas, como é o caso da opção pelo Omar Aziz. Não tem mal nenhum nisso. E também não tem mal nenhum se outras pessoas optarem por B, C ou D nessas eleições. As eleições acabam em Outubro. Depois a vida continua, eu sustentando meus filhos, você sustentando os seus. E todo mundo trabalhando e sobrevivendo dignamente.

Temos, ambos, mais valores a defender que o clima tenso de uma eleição. Veja só, você não receberia em sua casa um cara que tivesse feito tudo o que me atribui. Não tomaríamos aqueles vinhos juntos se você soubesse que eu teria feito essas lambanças. Você teria, antes, denunciado, contado pra todo mundo. Sou amigo dos seus irmãos, trato sua família com o mesmo respeito que trato a minha. Conheço e me relaciono bem com seus filhos. E você com os meus.

Proponho defendermos esses valores juntos, preservarmos esses espaços pessoais que, confesso, foram até generosos de sua parte. Você não seria amigo de um cara que tivesse sido capaz de engendrar tudo o que, agora, só agora, por questões políticas, resolve colocar nas minhas costas.

E o faz de uma forma agressiva, infundada e, por si só, dúbia e sem argumentos. E aquele fraudulento contrato que você mostra? Uma arte tosca e mal acabada feita pra injustiçar pessoas. Aquilo é um tiro no pé de quem inventou, de tão mal feito. Tanto que foi desmontado tim-tim por tim-tim pelos que foram ali citados.

Eu não pretendia responder nada. Mas meu coração ficou aqui me cutucando e pedindo que tentasse e tentasse um caminho de paz, de tranquilidade e, muito muito, de amizade, de consideração.

Venha, pense, reflita e aceite, comigo essa proposta humilde e sincera. Insisto em continuar seu amigo. É mais que apelo, é um pedido do simples radialista Jefferson Coronel.

Ismael Benigno

Ismael_20Benigno-vereadorCopiado do excelente blog Baú Velho, de Carlos Zamith:

Neste dia 4 de maio completa 22 anos que Ismael Benigno nos deixou, o maior benfeitor do São Raimundo Esporte Clube ao qual dedicou grande parte de sua vida. Foi o construtor de todo o patrimônio da agremiação diminuído com o tempo por falta de cuidado e dedicação de seus sucessores.

Ismael Benigno – vereadorIsmael era um apaixonado pelo São Raimundo e pelo bairro. Sempre quis o melhor para ambos. Atendia a população carente em sua residência, em frente à Igreja, mesmo fora da política. Em 1956, levou o seu clube à primeira divisão da então Fada. Fazia questão de comemorar, com jogos interestaduais, qualquer melhoramento no estádio da Colina, hoje com o seu nome. Assim foi na inauguração da arquibancada, dos túneis, dos vestiários, do alambrado e quando promoveu um amistoso com o Nacional para a inauguração dos refletores.

Funcionário estadual aposentado, ao deixar a política, exerceu o cargo de diretor da Rádio Difusora do Amazonas de seu amigo Josué Cláudio de Souza. Ismael morreu no dia 4 de maio de 1978, em Manaus, vítima de um AVC. A notícia de sua morte consternou a toda comunidade sanraimundense. O bairro chorou a perda de seu mais querido filho. Em sua homenagem, em 1979, a Vereador Josefa Vasquez deu o nome de Praça “Ismael” ao logradouro em frente à igreja de São Raimundo Nonato.

Ismael Benigno nasceu a 2 de janeiro de 1912. Era filho de Ismael Benigno e Francisca de Aquino Benigno. Tornou-se político por imposição de amigos, concorrendo pela primeira vez, às eleições para a 2ª Legislatura da Câmara Municipal de Manaus, eleito para período de 1952 a 1956, pelo Partido Social Democrático e reeleito para a Legislatura seguinte de 1956 a 1960.

Era presidente da Câmara Municipal quando foi nomeado Prefeito pelo então governador Plínio Ramos Coelho a partir de julho de 1958, permanecendo no cargo, por quase um ano. Voltou a ser Vereador na 5ª Legislatura, pelo Partido Rural Trabalhista mas renunciou ao mandato por ter sido eleito Deputado Estadual nas eleições de 1966, quando foi atingido por ato da Revolução de março, com a cassação de seu mandato. Depois disso não quis saber mais de política, entregando a missão a outro filho do bairro, Raimundo Sena, que durante quinze anos consecutivos ocupou o cargo de Vereador e também, por dois anos, a presidência do legislativo Municipal.

Ao Ribamar Bessa e ao nosso amor em comum

Astridpor Astrid Lima

As ruas de pedra crua, o joelho sempre ferido, o primeiro beijo, o seu Ceguinho, a Carmem Doida, o padre Marcos, o português Fernando que nós tínhamos certeza não se afastava nunca do seu bar, o medo do Conêgo Azevedo antes da reforma onde, corria a voz, havia um esqueleto além dos seus muros escuros (muralhas, para nós crianças), as corridas com os cachorros nos nossos calcanhares, os banhos de chuva embaixo das calhas, cachoeiras de detritos, o último andar do colégio Aparecida, onde se dizia era fechado desde que o elevador despencara matando dois estudantes (poucos ousaram ultrapassar as portas fechadas, desafiando as escadas em ruínas que davam na antiga biblioteca), os papagaios enrolados nos fios, a goiabeira de galhos lisos atrás de casa, a família Pacatuba na frente, os Paixões e as brigas memoráveis, os pequenos empurrões entre amigas, o rio, as corridas até a bóia no meio da água, os arraiais na Igreja, a primeira comunhão e o medo de cometer pecado entre a primeira confissão e a ostia sagrada no dia seguinte, a total, absoluta ausência de roubos, a quadra, as passagens secretas até a Luiz Antony, as velhas casas estreitas, minúsculas, da Bandeira Branca, as enchentes que lambiam as cozinhas com os quintais de rios na Gustavo Sampaio, o seu Aury, que consertava tudo, a dona Pequena fumando cachimbo na cadeira de balanço. As cadeiras de balanço! Todas as cores: amarelas, verdes, azuis, enfeitando as portas; o seu Osmar e a sua ternura africana.

Não sei o que existe naquele lugar que nos rende ligados a ele desse modo indissolúvel, não sei o que é capaz de marcar a memória com esse fogo perene, não tenho um nome para explicar o que, desse bairro — pedaço de terra, quase lama de rio — permanece em silêncio no lugar mais remoto da nossa alma e que retorna toda vez que perdemos a estrada, que erramos o caminho, que nos sentimos solitários e vencidos. Retorna, nos sussurra um nome, nos recorda um aniversário.

Aparecida. Aquele lugar nos forja em continuação. Vamos morrer pela mesma causa e, espero, com um meio sorriso nos lábios lembrando do Rubem nos dando uma piscadinha cúmplice.

A Aparecida não é uma doença, é a nossa loucura.