Archive for the ‘Indicados’ Category

Ismael Benigno

Ismael_20Benigno-vereadorCopiado do excelente blog Baú Velho, de Carlos Zamith:

Neste dia 4 de maio completa 22 anos que Ismael Benigno nos deixou, o maior benfeitor do São Raimundo Esporte Clube ao qual dedicou grande parte de sua vida. Foi o construtor de todo o patrimônio da agremiação diminuído com o tempo por falta de cuidado e dedicação de seus sucessores.

Ismael Benigno – vereadorIsmael era um apaixonado pelo São Raimundo e pelo bairro. Sempre quis o melhor para ambos. Atendia a população carente em sua residência, em frente à Igreja, mesmo fora da política. Em 1956, levou o seu clube à primeira divisão da então Fada. Fazia questão de comemorar, com jogos interestaduais, qualquer melhoramento no estádio da Colina, hoje com o seu nome. Assim foi na inauguração da arquibancada, dos túneis, dos vestiários, do alambrado e quando promoveu um amistoso com o Nacional para a inauguração dos refletores.

Funcionário estadual aposentado, ao deixar a política, exerceu o cargo de diretor da Rádio Difusora do Amazonas de seu amigo Josué Cláudio de Souza. Ismael morreu no dia 4 de maio de 1978, em Manaus, vítima de um AVC. A notícia de sua morte consternou a toda comunidade sanraimundense. O bairro chorou a perda de seu mais querido filho. Em sua homenagem, em 1979, a Vereador Josefa Vasquez deu o nome de Praça “Ismael” ao logradouro em frente à igreja de São Raimundo Nonato.

Ismael Benigno nasceu a 2 de janeiro de 1912. Era filho de Ismael Benigno e Francisca de Aquino Benigno. Tornou-se político por imposição de amigos, concorrendo pela primeira vez, às eleições para a 2ª Legislatura da Câmara Municipal de Manaus, eleito para período de 1952 a 1956, pelo Partido Social Democrático e reeleito para a Legislatura seguinte de 1956 a 1960.

Era presidente da Câmara Municipal quando foi nomeado Prefeito pelo então governador Plínio Ramos Coelho a partir de julho de 1958, permanecendo no cargo, por quase um ano. Voltou a ser Vereador na 5ª Legislatura, pelo Partido Rural Trabalhista mas renunciou ao mandato por ter sido eleito Deputado Estadual nas eleições de 1966, quando foi atingido por ato da Revolução de março, com a cassação de seu mandato. Depois disso não quis saber mais de política, entregando a missão a outro filho do bairro, Raimundo Sena, que durante quinze anos consecutivos ocupou o cargo de Vereador e também, por dois anos, a presidência do legislativo Municipal.

Notas de segunda-feira

Na torcida por Amazonino

Devem ter sido duros os últimos dias do prefeito Amazonino Negociando Mendes. Com o fim do prazo para decidir se ‘o povo lhe chamaria’ para largar novamente a Prefeitura, o prefeito optou por tentar salvar o resto do mandato e, quem sabe aceitando apoiar Alfredo em troca de muita verba federal, se capacitar para a reeleição em 2012, o que lhe daria o trono do Reino Encantado de Tão Tão Perto (Manaus) em plena Copa do Mundo. Sem a necessidade das rajadas de mentiras típicas de uma campanha, Amazonino fica livre para organizar o que for possível, como o trânsito, a educação e a saúde. Se Amazonino evitar mais mortes de fetos na maternidade Moura Tapajoz por falta de leito, operador de ultrassom ou equipamento quebrado, por exemplo, já será um grande começo. Nas propagandas institucionais da Prefeitura, a maternidade é saudada por ter recebido o título de “Amiga da Criança”.

Renúncia — É tida como certa a renúncia do desembargador Ari Jorge Moutinho da presidência do TRE-AM nesta segunda (5). Moutinho, que vive uma guerra interna com a desembargadora Graça Figueiredo desde o início do ano passado, deverá alegar em sua carta-renúncia que deixa o tribunal atendendo a pedidos da família. Além disso, tem contra si o julgamento do TSE que deve confirmar a irregularidade de sua recondução à presidência. Dizem os mais entendidos, também, que a pauta de julgamentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta terça não é das mais tranquilas para vários magistrados amazonenses.

Artigo raro — Omar Aziz assumiu o governo e levou o mercado de vices ao colapso no Amazonas. Especialistas em recolocação profissional dizem que está mais fácil encontrar uma empregada doméstica ou um astronauta com experiência comprovada em carteira do que políticos inexpressivos à disposição. José Melo, último exemplar disponível no mercado, estaria custando os olhos da cara.

iPed — “Chega nesta segunda-feira às calçadas mais movimentadas do País a versão pirata do iPad, a engenhoca da Apple que chegou ontem às lojas autorizadas. Dizem os camelôs que o modelo original não tem isqueiro nem canivete.” Tutty Vasques, em seu blog.

Estudantes: de novo, o problema — De provincianismo o manauara não tem podido reclamar muito. Um exemplo é a entrada da cidade no circuito das medições diárias de engarrafamentos, como em São Paulo. Hoje, por exemplo, a cidade registrou 3,2km de congestionamento nas proximidades do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, a famosa Bola do Coroado. O detalhe é que a obra já foi inaugurada, não há como atribuir os problemas às obras. Como resultado, a Prefeitura inventou o semáforo humano: no lugar dos faróis coloridos, instalou azuizinhos (agentes de trânsito) para parar e liberar o fluxo de veículos.

Solução rápida — Tida como a causa do problema, a entrada do campus da UFAM precisa urgentemente de uma obra que resolva o gargalo. Especialistas, inclusive agentes de trânsito, concordam que a saída definitiva seria uma passagem de nível no local, o que não seria nenhum problema para uma Prefeitura que, em 11 meses, diz ter construído todo o viaduto da Bola do Coroado. Se para aquela obra bateu-se o recorde de rapidez, estima-se que uma passagem de nível na entrada da universidade deva consumir algo como dois meses.

Mais recorde — Falando nisso, o Portal Amazônia conta hoje que a equipe do TrânsitoManaus achou fissuras e buracos na estrutura do Complexo Gilberto Mestrinho.

Requisições 1 — No final da noite deste domingo de Páscoa, o advogado Daniel Nogueira, ex-representante de Amazonino Mendes diante da Justiça Eleitoral, contou no Twitter que encontrou uma bomba no processo que o prefeito responde por suposta compra de votos e caixa dois nas eleições de 2008. Nogueira disse que havia um anexo perdido, sobre uma operação da Polícia Federal ocorrida no dia do primeiro turno de 2008 — a operação “contra” Amazonino ocorreu na véspera, 4 de outubro.

Requisições 2 — Nogueira diz que a PF ouviu pessoas que dizem ter recebido requisições de gasolina de pessoas ligadas ao ex-prefeito Serafim Corrêa. Uma dessas pessoas teria dito que vendeu seu voto em troca da gasolina. O advogado disse que iria avisar o atual advogado de Amazonino, e insinuou que o Ministério Público Eleitoral trata de forma diferente casos semelhantes.

https://twitter.com/transitomanaus

Menina é “esquecida” no Pinel por 4 anos

Texto recomendado no Twitter pela jornalista Elaize Farias.

LAURA CAPRIGLIONE / da Folha de S.Paulo – MARLENE BERGAMO /repórter fotográfica da Folha

A menina 23225 — é assim que ela está registrada nos prontuários médicos– foi internada aos 11 anos no Hospital Psiquiátrico Pinel. “Inteligente, agressiva, indisciplinada, sem respeito, fria e calculista”, escreveram dela os que a levaram à instituição-símbolo da doença mental de São Paulo.

Psiquiatras, enfermeiros e psicólogos do Pinel logo viram que o caso de 23225 dispensava internação. Deram-lhe alta. Mas, como a garotinha não tem quem a queira por perto, já são mais de 1.500 dias, ou 4 anos e três meses esquecida dentro da instituição de tipo manicomial.

A menina não é psicótica ou esquizóide; não é do tipo que ouve vozes ou vê o que não existe. Uma médica do hospital resumiu assim o problema: “O mal dela é abandono”.

Em termos técnicos, 23225 foi catalogada no Código Internacional de Doenças como sendo F91, que designa transtorno de conduta –desde agressividade até atitudes desafiantes e de oposição.

Miudinha, cabelos cacheados, 23225 tinha apenas quatro anos quando a avó colocou-a em um abrigo para crianças de famílias desestruturadas. O ciúme, diz a mulher, vai acabar com ela. Era só 23225 ver outra criança recebendo carinho e armava uma cena. Jogava-se no chão, chorava. Virou “difícil”.

BUQUÊ NO CHÃO

Até os sete anos, a menina não conhecia a mãe, que cumpria pena por roubo e tráfico de drogas. A mulher é usuária de crack. Reincidente, enfrenta agora outra temporada de sete anos atrás das grades.

O primeiro encontro das duas foi um desastre. Uma saía da Penitenciária Feminina, a outra a esperava, vestidinho branco, e um buquê de flores para entregar. A mulher xingou a filha e o buquê ficou no chão.

No dia 8 de novembro de 2005, o abrigo conseguiu que um juiz internasse 23225 na Clínica de Infância e Adolescência do Pinel, voltada para quadros psiquiátricos agudos. Os atendimentos duram no máximo 18 dias e o paciente é logo reenviado para seu convívio normal. Se cada 18 dias contassem como uma internação, a menina 23225 já teria sido internada 86 vezes.

DEITADA NA RUA

“Essa internação contraria toda e qualquer política atual de saúde mental, além de provocar danos irreversíveis, já que [a menina] vivencia cotidianamente a realidade de uma enfermaria psiquiátrica para casos agudos e é privada de viver em sociedade e de frequentar a escola”, relatou o diretor do Pinel, psiquiatra Eduardo Augusto Guidolin, em 8 de março de 2007.

À Folha, a avó da menina, evangélica da igreja Deus é Amor, disse que acaba de conseguir um emprego com carteira assinada –serviços gerais, R$ 480 por mês. “Não vou pôr a perder por causa dela”.

Certa vez, em fuga do Pinel, 23225 deitou-se no meio da rua em que mora a avó –queria morrer atropelada: “Eu tinha acabado de dizer que aqui ela não podia ficar”.

O diretor do Pinel pediu a todos os santos dos abrigos: à Associação Aliança de Misericórdia, Parque Taipas, à Associação Lar São Francisco na Providência de Deus, ao Instituto de Amparo à Criança Asas Brancas, de Taboão da Serra, ao Abrigo Irmãos Genésio Dalmônico, ao Abrigo Bete Saider, em Pirituba, à Associação Santa Terezinha, ao Abrigo Amen-4, entre outros, que arrumassem uma vaga para 23225 viver. A menina moraria no abrigo, poderia frequentar uma escola, e receberia atendimento psiquiátrico ambulatorial em um Centro de Atendimento Psicossocial mantido pela Secretaria Municipal de Saúde.

Não deu certo. Ou os abrigos alegavam não ter vagas, ou diziam não ter vagas para alguém com o “histórico Pinel”. Em duas oportunidades, dois abrigos concordaram em acolher a menina. Ela quis voltar para o hospital. Outras tentativas precisariam ser feitas.

PROTESTOS

O médico Guilherme Spadini dos Santos, então coordenador do Napa (Núcleo de Atenção Psiquiátrica ao Adolescente), do Pinel, escreveu ainda em 2005, em um relatório: “O isolamento social é extremamente prejudicial aos quadros de transtorno de conduta. O hospital psiquiátrico não é local para tratamento de longa duração. A paciente precisa ser encaminhada para serviço ambulatorial especializado para continuar seu tratamento e para que se promova sua reinserção na sociedade”.

Em 18 de dezembro de 2006, o diretor do Pinel informava que a menina já se encontrava em alta médica havia vários meses, permanecendo na instituição por ordem judicial. “Essa situação permanece porque a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social não consegue nos indicar um abrigo para onde se possa encaminhá-la. [A menina] está sendo privada de uma vida social e educacional a que tem direito, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.”

Em 10 de novembro de 2009, Guidolin endereçou ao procurador regional dos direitos do cidadão do Ministério Público Federal, um ofício em que manifesta “indignação desta equipe técnica que por diversas vezes acionou o Judiciário solicitando a desinternação desses adolescentes que na ocasião precisavam apenas de um abrigo para moradia e dar continuidade a seu atendimento médico ambulatorial. Cabe à Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social definir o local de abrigamento.”

OUTRAS CRIANÇAS

No mesmo texto, o diretor dizia haver outras crianças “nessa mesma situação”.

Em 6 de agosto de 2008, o Pinel enviou ao Judiciário pedido de desinternação de 23225, e de dois outros adolescentes: L. (internado por ordem judicial em 3/2/2005, alta no mesmo ano) e A.C. (internada em 17/ 8/2007, em alta desde 12/11/ 2007).

Segundo funcionários do Pinel, até a última sexta-feira, apenas a adolescente 23255 seguia internada. Agora, a secretaria diz ter encontrado uma vaga para a menina.

Os nomes de 23255 e seus parentes foram suprimidos dessa reportagem, assim como quaisquer referências que permitam identificá-la, em atenção ao que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Outro lado

“Faltam equipamentos do Estado para acolher e fazer o tratamento de pessoas com comprometimento psíquico”, disse o Reinaldo Cintra Torres de Carvalho, juiz da Vara da Infância e da Juventude do Foro da Lapa, que cuida do caso da menina 23225. De acordo com o juiz, ela não tem condições de permanecer em abrigo com outras crianças, sem acompanhamento especial de um cuidador constante. “Quando está em crise violenta, não há como contê-la”, disse.

“Já tentamos dois abrigos e o resultado foi muito ruim. Ela quebrou coisas, machucou a si e a outras pessoas. Por isso, foi mandada de volta para o Pinel, onde recebe tratamento segundo as possibilidades do Estado. Nas atuais circunstâncias, o Pinel é o melhor lugar para ela.”

Sobre a negativa dos abrigos em receber a menina, o juiz afirmou: “Ninguém a aceita pelo histórico dela”.

Ele concorda que toda a situação configura um desrespeito em relação ao Estatuto da Criança e Adolescente, “mas enquanto não houver os equipamentos ou outro lugar, ela tem de permanecer lá. Eu sou inerte. Não posso tomar a frente, tenho que esperar que algum órgão tome a iniciativa”.

Secretaria da Saúde

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde, à qual o Pinel está subordinado, disse que “obedece decisão do Poder Judiciário para manter a paciente em sua enfermaria de agudos”.

A secretaria e o hospital afirmam que o local indicado pela Justiça não é adequado, uma vez que o transtorno de conduta da paciente não justifica, sob o ponto de vista clínico, uma internação psiquiátrica.

“Tanto que o hospital vem trabalhando no sentido de procurar alternativas de moradia e tratamento da paciente em outros locais, como abrigos e Caps [Centros de Atenção Psicossocial].”

Prefeitura

A Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social disse por intermédio de sua assessoria de imprensa que a menina 23225, até 2005, estava acolhida em um abrigo. Manifestava “comportamento por vezes agressivo”. “Seu atendimento passou a ser isolado, em uma edícula, acompanhada de uma mãe social.”

Segundo a assessoria, a secretaria vem buscando desde 2009 atuar “com o Hospital Pinel, a Vara da Infância da Lapa e o Centro de Atenção Psicossocial Infantil”, em busca de “um atendimento integral à adolescente”. “A secretaria e o abrigo R. conseguiram abrir uma vaga para a menina e já se iniciou o processo de transferência do Hospital Pinel para um abrigo.”

Mercenaries Moto Clube inaugura nova sede dia 6

mercenaries

O Twitter e o jornalismo

Por Maurício Caleiro em 9/2/2010

Das novas ferramentas de comunicação trazidas no bojo da revolução digital, o Twitter tem sido talvez a menos compreendida. É comum encontrar, mesmo entre profissionais do meio jornalístico, quem propague uma visão reducionista – e às vezes altamente pejorativa – da rede social, fiando-se na crença de que os 140 caracteres máximos para cada mensagem constituiriam um empecilho para a circulação de informação volumosa e para um debate aprofundado de ideias.

Trata-se, na verdade, de um grande engano. E por duas razões, interligadas entre si: a primeira é que a extraordinária oferta de links externos para artigos jornalísticos e acadêmicos e para posts de blogues torna o Twitter um rico manancial de informações, concentradas em uma variedade e em um volume dificilmente atingível, em tal curto espaço de tempo, por qualquer das ferramentas que o precederam ou com ele concorrem.

Read More

A vida após a vida

Bemvindo Sequeira

Sempre pensei que ia morrer cedo. A luta armada, a clandestinidade, aventuras, promiscuidade, orgias, riscos… Tudo me levava a crer que não chegaria aos 30 anos. Para quem tem 20 anos, quem tem 30 já é coroa. Tomei um susto quando me vi vivo e saudável aos 30.

Aos 40 percebi a possibilidade real da morte. No dia do meu aniversário quarentão, um jovem ator de 24 anos perguntou como eu me sentia: “Agora? De frente para a morte.” Para minha surpresa foi o jovem quem morreu logo depois.

Aos 50 apaixonei-me pela letra de Aldir Blanc na voz de Paulinho da Viola: “Aos 50 anos, insisto na juventude…”, isso enquanto percebia meu ângulo peniano caminhando para os 90 graus. Mas, antes dos 60, a pílula azul alargou minhas possibilidades e possibilitou-me ver o sexo por ângulos mais estreitos.

Agora estou além dos 60. Aos 40 rezava pela alma dos mortos amigos e parentes. Nome por nome eu pedia ao Senhor. Hoje, são tantos os que caíram, que apenas peço “pelos mortos em geral”. E mais uma vez espanto-me por estar ainda vivo, e consolo-me no Salmo 91.7, que diz: “Mil cairão ao teu lado e dez mil à sua direita, mas você não será atingido.” Mesmo confiando na Palavra, ainda assim caminho embaixo de marquises pra São Pedro não me ver.

Ainda estou vivo, e pra quem pensou que morreria aos 30 descubro que existe vida após a vida. Mas o preço do viver é muito alto para o jovem de hoje: tem que comprar apartamento, arranjar um trampo, ganhar dinheiro, ficar famoso, comer todas, bombar no iutube, malhar, casar, ter filhos, comprar carro, estar bronzeado, conhecer tudo de web e ainda ir ao show da Madonna, entre outras miudezas.

Após os 60 você já está quite com tudo isso e pensa que vai viver em paz. Qual o quê: tem que tomar insulina, antidepressivos, rivotris, controlar a pressão, não comer açúcar, não comer sal, não fumar, não beber, se conseguir comer uma e outra já é uma vitória, tem que caminhar ao menos meia hora por dia, cuidar do joanete, dormir cedo, vender o apartamento, fugir da bolsa, não discutir no trânsito, não se alterar no caixa do supermercado, tolerar os filhos,agradar os netos, ficar calado diante da mediocridade, aceitar o salário de aposentado, ter o testamento em dia e curtir todas as dores ósseas, nervosas e musculares porque se algum dia você acordar sem dor é porque está morto.

Claro que o idoso tem suas vantagens: uma delas é a transparência. Quanto mais velho, mais transparente você se torna. Chega a ficar invisível: ninguém mais lhe percebe, mais um pouco e nem lhe enxergam. Mas pode passar à frente dos jovens nas filas todas, com aquele ar de superior: “Você é jovem e sarado, mas eu tenho prioridade.” E ante qualquer aborrecimento ou dificuldade você ameaça enfartar ou ter um AVC. Funciona sempre, todos logo se tornam gentis e cordatos,e é garantia de muitas meias e lenços como presentes no Natal.

Lidando com a minha “terceira idade” ouço de meu psicanalista, o bom Luiz Alfredo: “Só há dois caminhos: envelhecer… ou o outro, muito pior.” Prefiro envelhecer, aceitando cada minúsculo “sim” que a vida me dá com uma grande alegria e uma grande vitória. Hoje, quando encontro vaga num elevador de shopping, quando o banco está vazio, ou quando encontro promoção na farmácia, já considero uma bênção gigantesca e agradeço a Deus pela graça alcançada.

Após os 60, como no filme de Brad Pitt, regrido na existência, deixo Paulinho e a viola de lado e reencontro Lupiscinio: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei.” Mas se soubessem não ia adiantar nada: porque a sabedoria é filha do tempo. Como diz o amigo Percinotto, também idoso: “O diabo é sábio porque é velho.”

Pelo andar da carruagem, percebo que já morri muitas vezes nesta vida, e que viverei até fartar-me.

* Bemvindo Sequeira é autor, ator e diretor de teatro

Notas de segunda-feira

Gado voador — Fonte próxima do poder jura que 2010 promete uma revoada de bois na política amazonense. Eduardo Braga e Amazonino Mendes vêm conversando longamente nos últimos dias sobre como consolidar o poder e deixar o ministro Alfredo Nascimento de fora da panela. O plano é que Braga apoie Amazonino para o governo este ano, em troca da renúncia do prefeito e de seu vice, Carlos Souza. Depois de cumprida metade do mandato iniciado em janeiro de 2009, a renúncia do prefeito e do vice obrigaria a cidade a eleger seu novo prefeito indiretamente, pela Câmara Municipal. Este prefeito seria o próprio Braga — ou quem Braga ordenasse que Carijó e seus vereadores elegessem. A condição imposta por Amazonino para o acordo é que Braga cumpra seu mandato até o fim; uma desincompatibilização de Braga quebraria automaticamente o plano. Como Amazonino precisa deixar a Prefeitura para concorrer ao governo, Carlos Souza tocaria a cidade até a virada do ano. Uma vez Amazonino eleito governador, o irmão coragem deixaria o posto e liberaria a Câmara para eleger o novo prefeito. O objetivo de tamanha engenharia seria um só: deixar Alfredo de fora do poder amazonense e monopolizar os investimentos da Copa nas mãos do grupo. É consenso que Alfredo foi ‘infiel’ à filosofia dos seus criadores, devolvendo ao Amazonas pouco do que o estado lhe deu e aceitando alçar voos maiores do que aqueles para os quais foi programado, exatamente por Amazonino. Como na tradicional dança das cadeiras, a ideia é que seja eliminado quem não conseguir assento. Alfredo que se cuide.

Falando nisso — Braga e Amazonino conversaram na casa do governador, na Ponta Negra, até altas horas da madrugada do último sábado.

2,72 — No último dia 13 de janeiro, a Justiça Federal do Amazonas publicou Edital de Citação em resposta a ação do Ministério Público Federal contra a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e diversos postos de combustível de Manaus, exigindo o fim do cartel de preços do setor. A ação do MPF pede multa diária de 5 mil UFIRS para quem descumprir a decisão, e estipula o teto de 15% na margem de lucro dos empresários sobre os preços de compra do combustível. Para cada dia de descumprimento a este teto, os réus deverão pagar R$ 20 mil. Abaixo, a lista de postos citados na ação, que têm 30 dias para cumprir a decisão, assinada pela juíza Alcione Escobar da Costa Alvim.

  • POSTO VILA RICA COMERCIO E RPRESENTACAO LTDA
  • POSTO MUCURIPE COMERCIO DE COMBUSTIVEIS LTDA
  • AUTO POSTO SAO JOAO
  • R. S. COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • DISTRIBUIDORA DE PETROLEO PETROAMAZON
  • HABDALA HABIBE FRAXE JUNIOR E OUTROS
  • AUTOPOSTO BONS AMIGOS
  • POSTO CIDADE II
  • POSTO CAMAPUA COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO E SERVICOS
  • TATI NAVEGACAO, TRANSPORTE E COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • RCA DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • AUTOPOSTO ALVORADA-VIEIRA COMERCIO E TRANSPORTE LTDA
  • DL DE SOUZA CIA LTDA
  • AUTOPOSTO STAR LUBE
  • A C DE OLIVEIRA FILHO – ME
  • G D A DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • POSTO PETRAMAZON
  • POSTO ATEN
  • AUTOPOSTO LUCAS
  • POSTO VDL
  • AUTOPOSTO ESTRELA
  • POSTO MARANHAO
  • POSTO SAMAUMA LTDA
  • DHELIO SILVA DA COSTA
  • AUTOPOSTO PINHEIRAO
  • AUTO POSTO VAV LTDA E OUTROS
  • AUTOPOSTO NB
  • AUTOPOSTO CAMILA
  • AUTOPOSTO NORSUL COMERCIO DE PETROLEO LTDA
  • WALFRIDO ALGUSTO DE MORAES NETO
  • AUTOPOSTO NEI
  • COSTA & COELHO LTDA(POSTO FLORES)
  • AUTOPOSTO GRANDE CIRCULAR

Fenômeno nacional — O site Observatório da Imprensa reproduziu artigo de Lúcio Flávio Pinto sobre o fenômeno do jornal Dez Minutos em Manaus. Lúcio questiona se o sucesso do filho mais novo da editora Ana Cássia seria efêmero, e ajuda a esclarecer o que tornou o Dez Minutos um dos responsáveis por Manaus ser a segunda cidade brasileira que mais possui leitores de jornais. Sim, isso mesmo. Leia o artigo clicando aqui.

beatles_tshirt

Beatles — O usuário “Lesmabanana”, no Twitter, indicou a estampa acima como a melhor estampa de camiseta dos Beatles. O que você achou?

Independente — O publicitário Durango Duarte diz em seu blog que (atenção ao verbo) não solicita dinheiro público para fazer suas pesquisas. Durango diz ser ‘100% independente’. A julgar pelos R$ 635 mil em recursos recebidos pela Prefeitura em 2009 — e levando em conta o verbo ’solicitar’, claro –, a afirmação do empresário derrapa na margem de erro. Durango quer investigar quantos banhos o manauara toma por dia, quantas vezes escova os dentes e lava os cabelos. Com o resultado de suas pesquisas sobre os hábitos do manauara, Durango deve lançar mais um best-seller, “Higiene manauara – 1.000 coisas que você precisa saber antes de morrer“, e ser o primeiro imortal da ABLI — a Academia Brasileira de Literatura Ilustrada.

Escanteio e cabeçada — Durango lançou em 2009, pela novíssima editora Midia Ponto Comm Publicidade, o livro “Manaus entre o passado e o presente“. É um belo livro, recheado com fotos antigas da cidade, ‘pinçadas’ do Acervo Público Municipal, mantido pela Prefeitura de Manaus. A Midia Ponto Comm, cujo proprietário é um mistério, recebeu R$ 12 mil da Prefeitura em abril de 2009. Pra que serviço? Pesquisa de opinião entre servidores da Prefeitura. Em novembro foram mais R$ 96 mil. Em junho de 2009, ganhou contrato com a Câmara Municipal, sem exigência de licitação. Em agosto de 2009, a SEMED comprou, também sem licitação, nada menos que 800 exemplares do livro de Durango, para ‘atender as necessidades das bibliotecas das escolas municipais’. Cada exemplar custou ao Erário R$ 120. Dinheiro privado é isso aí.

Busão — O jornalista Neuton Corrêa autografa seu livro “Entrelinhas” nesta terça, das 9h às 11h da manhã, no Vanilla Caffe. Entrelinhas traz crônicas que nasceram da experiência cotidiana de Neuton como usuário do sistema de transporte coletivo de Manaus, e chega como resultado da coletânea dos textos da coluna “Crônicas do busão”, publicados no jornal Manaus Hoje. O Vanilla Caffe fica na rua Acre, Vieiralves, próximo ao restaurante Açaí. Aproveite e tome o melhor expresso da cidade, ou conheça o tchai, o chá indiano que virou marca exclusiva do Vanilla.

Taxa inconstitucional 1 — A procuradora de Justiça Jussara Pordeus protocolou, no dia 5 de janeiro, uma representação à Procuradoria Geral de Justiça para propor uma ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade – contra a taxa do lixo da Prefeitura, aprovada pela CMM no fim do ano passado, e que deve entrar em vigor em 2011. Jussara argumenta que localização e área do imóvel, por exemplo, não são parâmetros ‘hábeis’ para se saber a quantidade de lixo produzido por cada imóvel. Leia aqui a íntegra do documento e os demais argumentos da procuradora.

Taxa inconstitucional 2 — Na última sexta (22), a procuradora pediu aditamento da ação, propondo à PGJ pedir liminar que exija que a Prefeitura separe a cobrança do que é IPTU e do que é taxa de lixo. O pedido deveu-se à publicação no Diário Oficial, no dia 20, da Lei 1.411 — a lei da taxa do lixo. Assinando o documento na condição de cidadã, Jussara questiona a forma da cobrança da taxa, que, segundo o documento, virá no mesmo carnê do IPTU, tornando difícil para o contribuinte saber quanto está pagando de IPTU e de lixo.

A fila anda — A blogueira Adriana Vandoni foi formalmente denunciada pela Justiça a pedido do diretor do DNIT, Luis Pagot. Pagot pede que a blogueira seja condenada a 3,5 anos de prisão. Em 2009, Adriana não aceitou um acordo oferecido pelo MP, segundo o qual ela teria que, citando Pagot em seus escritos, mandar o texto pra que ele o aprovasse previamente.

4° OVERFEST é neste sábado, 19, no All Night Pub

flyer_overfest

Neste sábado, 19 de dezembro, no All Night Pub (Rua Ephigênio Salles — 2085, em frente à pizzaria Splash) acontece o 4° OVERFEST, o aniversário de 13 anos da banda Overload. A festa começa às 22h, com chope liberado até 1h da manhã. De meia-noite até as 3h da manhã, rodadas de tequila grátis com atendimento “hooters”. Especializada nos clássicos de bandas rock e pop dos anos 80 e 90, a Overload está preparando um show especial, com algumas novidades no repertório, bem como trechos dos especiais OverBox, apresentado todo último sábado do mês no All Night Pub, e OverBallads. A banda Black Jack, de rock nacional anos 80, fará o pós-show e, nos intervalos, o Dj Binho Sabóia apresentará um set list digno das melhores boates das décadas de 80 e 90 (Red Zone, Mykonnos, Vilage Café, Hangar 39…)

Overload

Bola na meia

A imprensa tem tido um trabalho danado para lustrar o título do Flamengo. Dentre os bordões repetidos, aparece até a pérola de que “o Grêmio foi valente” no jogo decisivo. Como diria John Lennon, just gimme some truth (dêem-me só um pouco de verdade). Numa das páginas mais negras do futebol brasileiro, o Grêmio construiu seu roteiro de derrota verossímil. Tinha que perder o jogo para não dar o título ao rival Internacional. O Brasil ficou refém do campeonato particular dos gaúchos.

Entrou em campo com o time reserva, deliberadamente instruído para perder o jogo e aparentar dignidade. Um paradoxo mais complicado do que a honradez do governo Arruda. Mas o Flamengo entrou em campo paralisado. Como sempre acontece com o dono da maior torcida e da maior empáfia do país, a festa estava pronta antes da batalha. Bastava desfilar o oba-oba e esperar a taça. Aí a bola acabou entrando no gol errado. Daí em diante, os garotos gremistas ficaram aturdidos. Não podiam simplesmente parar em campo, mas o adversário (o campeão, no script) não fazia a sua parte. O juiz diligente fez a sua, ignorando o empurrão pornográfico de Adriano no seu marcador. Um a um.

O Grêmio tinha que jogar com garra, para não esculhambar sua tradição, e tinha que perder, para não apanhar na volta a Porto Alegre. Veio então o alívio com o segundo gol rubro-negro. E a instrução, flagrada na leitura labial, para que os gremistas não mais chutassem em gol. Um vexame.

Leia o resto do texto no blog do Guilherme Fiuza.

Imprensa não é pra ser boa, é pra ser livre

Coluna soberba de Élio Gaspari hoje, nos jornais:

DE W.REHNQUIST@EDU PARA J.BARBOSA@GOV

Prezado ministro Joaquim Barbosa,

O senhor me detesta, mas achei que devia lhe escrever porque temos uma coisa muito forte em comum e eu precisava me comunicar com algum ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro. Hoje vocês vão votar o caso da censura imposta ao jornal “A Província de S. Paulo” (terá mudado de nome? Quem me fala dele é o Pedro de Alcântara, que por aí foi rei). Preocupo-me com a projeção histórica de vosso tribunal.

Ministro Barbosa, eu estive durante 33 anos na Corte Suprema dos Estados Unidos (1972-2005), 19 dos quais presidindo-a. Ajudei a desmanchar o ativismo judicial que o senhor aprecia. Para ser sincero, também não gosto de suas ideias, mas temos uma velha e dolorosa afinidade: a dor nas costas. Nossos inimigos vivem na eterna expectativa de que venhamos a renunciar.

Sei de colegas seus que, além de torcer pela sua desdita, murmuram que sua saída ocorrerá em 2013. Fique firme. Minhas dores eram tamanhas que me viciei em Placidyl. Fui internado, alucinei e ouvi vozes. Como o senhor, eu não aguentava ficar sentado por mais de duas horas e, por isso, perdi bons filmes, como “O Resgate do Soldado Ryan”. Aguentei a coluna estragada e morri no cargo em 2005, de câncer na tiroide, aos 81 anos.

A Constituição de vocês, como a nossa, proíbe a censura e o caso de hoje envolve o direito de a imprensa publicar gravações colhidas num inquérito cujo sigilo foi rompido. Eu sei o que há nele. Tenebrosas transações contra o erário e os princípios da moral pública e privada.

A censura será defendida sob o disfarce de sua condenação, desviando-se o debate para a questão de um sigilo que não foi quebrado pela imprensa. Bloquear a notícia não restabelece o sigilo, apenas estabelece a censura. É um truque antigo: “Sou contra a censura, mas ela não está em discussão… O que temos que decidir é outra coisa…”

Esse tipo de sustentação é eficaz em juízos de primeira instância. Com boa vontade, serve até para um recurso. Para a Suprema Corte, não. O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Carta Constitucional. Num caso desses, ou ele cresce decidindo o litígio na sua essência, a livre circulação das informações, ou acanha-se, confundindo-se em aspectos periféricos do litígio.

Tenho autoridade para dizer isso porque esse foi o meu caminho em 1971 quando, como vice-procurador-geral, tentei impedir a publicação de um conjunto de documentos secretos relacionados com a Guerra do Vietnã. Eu argumentei que não se tratava de censura, mas de defesa da segurança nacional. Em menos de um mês a corte julgou o caso e perdi por 6 a 3. Se eu tivesse prevalecido e o Pentágono liberasse mil páginas por ano, o serviço estaria concluído em 1978. A guerra acabou em 1975. Era de censura que se tratava.

A imprensa já fez muito mal ao mundo, mas a Constituição não manda que ela seja boa, manda que ela seja livre. Quem me conhece sabe que eu não gosto de jornais nem de jornalistas. Raramente vou além do noticiário esportivo e metropolitano, mas gosto das palavras cruzadas.

Diga aos seus colegas que, quando o Bill Rehnquist está do mesmo lado que os jornalistas, o caso é sério.

Cordialmente,

William Rehnquist