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Category: Indicados

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Por Maurício Caleiro em 9/2/2010

Das novas ferramentas de comunicação trazidas no bojo da revolução digital, o Twitter tem sido talvez a menos compreendida. É comum encontrar, mesmo entre profissionais do meio jornalístico, quem propague uma visão reducionista – e às vezes altamente pejorativa – da rede social, fiando-se na crença de que os 140 caracteres máximos para cada mensagem constituiriam um empecilho para a circulação de informação volumosa e para um debate aprofundado de ideias.

Trata-se, na verdade, de um grande engano. E por duas razões, interligadas entre si: a primeira é que a extraordinária oferta de links externos para artigos jornalísticos e acadêmicos e para posts de blogues torna o Twitter um rico manancial de informações, concentradas em uma variedade e em um volume dificilmente atingível, em tal curto espaço de tempo, por qualquer das ferramentas que o precederam ou com ele concorrem.

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Bemvindo Sequeira

Sempre pensei que ia morrer cedo. A luta armada, a clandestinidade, aventuras, promiscuidade, orgias, riscos… Tudo me levava a crer que não chegaria aos 30 anos. Para quem tem 20 anos, quem tem 30 já é coroa. Tomei um susto quando me vi vivo e saudável aos 30.

Aos 40 percebi a possibilidade real da morte. No dia do meu aniversário quarentão, um jovem ator de 24 anos perguntou como eu me sentia: “Agora? De frente para a morte.” Para minha surpresa foi o jovem quem morreu logo depois.

Aos 50 apaixonei-me pela letra de Aldir Blanc na voz de Paulinho da Viola: “Aos 50 anos, insisto na juventude…”, isso enquanto percebia meu ângulo peniano caminhando para os 90 graus. Mas, antes dos 60, a pílula azul alargou minhas possibilidades e possibilitou-me ver o sexo por ângulos mais estreitos.

Agora estou além dos 60. Aos 40 rezava pela alma dos mortos amigos e parentes. Nome por nome eu pedia ao Senhor. Hoje, são tantos os que caíram, que apenas peço “pelos mortos em geral”. E mais uma vez espanto-me por estar ainda vivo, e consolo-me no Salmo 91.7, que diz: “Mil cairão ao teu lado e dez mil à sua direita, mas você não será atingido.” Mesmo confiando na Palavra, ainda assim caminho embaixo de marquises pra São Pedro não me ver.

Ainda estou vivo, e pra quem pensou que morreria aos 30 descubro que existe vida após a vida. Mas o preço do viver é muito alto para o jovem de hoje: tem que comprar apartamento, arranjar um trampo, ganhar dinheiro, ficar famoso, comer todas, bombar no iutube, malhar, casar, ter filhos, comprar carro, estar bronzeado, conhecer tudo de web e ainda ir ao show da Madonna, entre outras miudezas.

Após os 60 você já está quite com tudo isso e pensa que vai viver em paz. Qual o quê: tem que tomar insulina, antidepressivos, rivotris, controlar a pressão, não comer açúcar, não comer sal, não fumar, não beber, se conseguir comer uma e outra já é uma vitória, tem que caminhar ao menos meia hora por dia, cuidar do joanete, dormir cedo, vender o apartamento, fugir da bolsa, não discutir no trânsito, não se alterar no caixa do supermercado, tolerar os filhos,agradar os netos, ficar calado diante da mediocridade, aceitar o salário de aposentado, ter o testamento em dia e curtir todas as dores ósseas, nervosas e musculares porque se algum dia você acordar sem dor é porque está morto.

Claro que o idoso tem suas vantagens: uma delas é a transparência. Quanto mais velho, mais transparente você se torna. Chega a ficar invisível: ninguém mais lhe percebe, mais um pouco e nem lhe enxergam. Mas pode passar à frente dos jovens nas filas todas, com aquele ar de superior: “Você é jovem e sarado, mas eu tenho prioridade.” E ante qualquer aborrecimento ou dificuldade você ameaça enfartar ou ter um AVC. Funciona sempre, todos logo se tornam gentis e cordatos,e é garantia de muitas meias e lenços como presentes no Natal.

Lidando com a minha “terceira idade” ouço de meu psicanalista, o bom Luiz Alfredo: “Só há dois caminhos: envelhecer… ou o outro, muito pior.” Prefiro envelhecer, aceitando cada minúsculo “sim” que a vida me dá com uma grande alegria e uma grande vitória. Hoje, quando encontro vaga num elevador de shopping, quando o banco está vazio, ou quando encontro promoção na farmácia, já considero uma bênção gigantesca e agradeço a Deus pela graça alcançada.

Após os 60, como no filme de Brad Pitt, regrido na existência, deixo Paulinho e a viola de lado e reencontro Lupiscinio: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei.” Mas se soubessem não ia adiantar nada: porque a sabedoria é filha do tempo. Como diz o amigo Percinotto, também idoso: “O diabo é sábio porque é velho.”

Pelo andar da carruagem, percebo que já morri muitas vezes nesta vida, e que viverei até fartar-me.

* Bemvindo Sequeira é autor, ator e diretor de teatro

Gado voador — Fonte próxima do poder jura que 2010 promete uma revoada de bois na política amazonense. Eduardo Braga e Amazonino Mendes vêm conversando longamente nos últimos dias sobre como consolidar o poder e deixar o ministro Alfredo Nascimento de fora da panela. O plano é que Braga apoie Amazonino para o governo este ano, em troca da renúncia do prefeito e de seu vice, Carlos Souza. Depois de cumprida metade do mandato iniciado em janeiro de 2009, a renúncia do prefeito e do vice obrigaria a cidade a eleger seu novo prefeito indiretamente, pela Câmara Municipal. Este prefeito seria o próprio Braga — ou quem Braga ordenasse que Carijó e seus vereadores elegessem. A condição imposta por Amazonino para o acordo é que Braga cumpra seu mandato até o fim; uma desincompatibilização de Braga quebraria automaticamente o plano. Como Amazonino precisa deixar a Prefeitura para concorrer ao governo, Carlos Souza tocaria a cidade até a virada do ano. Uma vez Amazonino eleito governador, o irmão coragem deixaria o posto e liberaria a Câmara para eleger o novo prefeito. O objetivo de tamanha engenharia seria um só: deixar Alfredo de fora do poder amazonense e monopolizar os investimentos da Copa nas mãos do grupo. É consenso que Alfredo foi ‘infiel’ à filosofia dos seus criadores, devolvendo ao Amazonas pouco do que o estado lhe deu e aceitando alçar voos maiores do que aqueles para os quais foi programado, exatamente por Amazonino. Como na tradicional dança das cadeiras, a ideia é que seja eliminado quem não conseguir assento. Alfredo que se cuide.

Falando nisso — Braga e Amazonino conversaram na casa do governador, na Ponta Negra, até altas horas da madrugada do último sábado.

2,72 — No último dia 13 de janeiro, a Justiça Federal do Amazonas publicou Edital de Citação em resposta a ação do Ministério Público Federal contra a ANP (Agência Nacional de Petróleo) e diversos postos de combustível de Manaus, exigindo o fim do cartel de preços do setor. A ação do MPF pede multa diária de 5 mil UFIRS para quem descumprir a decisão, e estipula o teto de 15% na margem de lucro dos empresários sobre os preços de compra do combustível. Para cada dia de descumprimento a este teto, os réus deverão pagar R$ 20 mil. Abaixo, a lista de postos citados na ação, que têm 30 dias para cumprir a decisão, assinada pela juíza Alcione Escobar da Costa Alvim.

  • POSTO VILA RICA COMERCIO E RPRESENTACAO LTDA
  • POSTO MUCURIPE COMERCIO DE COMBUSTIVEIS LTDA
  • AUTO POSTO SAO JOAO
  • R. S. COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • DISTRIBUIDORA DE PETROLEO PETROAMAZON
  • HABDALA HABIBE FRAXE JUNIOR E OUTROS
  • AUTOPOSTO BONS AMIGOS
  • POSTO CIDADE II
  • POSTO CAMAPUA COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO E SERVICOS
  • TATI NAVEGACAO, TRANSPORTE E COMERCIO DE DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • RCA DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • AUTOPOSTO ALVORADA-VIEIRA COMERCIO E TRANSPORTE LTDA
  • DL DE SOUZA CIA LTDA
  • AUTOPOSTO STAR LUBE
  • A C DE OLIVEIRA FILHO – ME
  • G D A DERIVADOS DE PETROLEO LTDA
  • POSTO PETRAMAZON
  • POSTO ATEN
  • AUTOPOSTO LUCAS
  • POSTO VDL
  • AUTOPOSTO ESTRELA
  • POSTO MARANHAO
  • POSTO SAMAUMA LTDA
  • DHELIO SILVA DA COSTA
  • AUTOPOSTO PINHEIRAO
  • AUTO POSTO VAV LTDA E OUTROS
  • AUTOPOSTO NB
  • AUTOPOSTO CAMILA
  • AUTOPOSTO NORSUL COMERCIO DE PETROLEO LTDA
  • WALFRIDO ALGUSTO DE MORAES NETO
  • AUTOPOSTO NEI
  • COSTA & COELHO LTDA(POSTO FLORES)
  • AUTOPOSTO GRANDE CIRCULAR

Fenômeno nacional — O site Observatório da Imprensa reproduziu artigo de Lúcio Flávio Pinto sobre o fenômeno do jornal Dez Minutos em Manaus. Lúcio questiona se o sucesso do filho mais novo da editora Ana Cássia seria efêmero, e ajuda a esclarecer o que tornou o Dez Minutos um dos responsáveis por Manaus ser a segunda cidade brasileira que mais possui leitores de jornais. Sim, isso mesmo. Leia o artigo clicando aqui.

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Beatles — O usuário “Lesmabanana”, no Twitter, indicou a estampa acima como a melhor estampa de camiseta dos Beatles. O que você achou?

Independente — O publicitário Durango Duarte diz em seu blog que (atenção ao verbo) não solicita dinheiro público para fazer suas pesquisas. Durango diz ser ‘100% independente’. A julgar pelos R$ 635 mil em recursos recebidos pela Prefeitura em 2009 — e levando em conta o verbo ’solicitar’, claro –, a afirmação do empresário derrapa na margem de erro. Durango quer investigar quantos banhos o manauara toma por dia, quantas vezes escova os dentes e lava os cabelos. Com o resultado de suas pesquisas sobre os hábitos do manauara, Durango deve lançar mais um best-seller, “Higiene manauara – 1.000 coisas que você precisa saber antes de morrer“, e ser o primeiro imortal da ABLI — a Academia Brasileira de Literatura Ilustrada.

Escanteio e cabeçada — Durango lançou em 2009, pela novíssima editora Midia Ponto Comm Publicidade, o livro “Manaus entre o passado e o presente“. É um belo livro, recheado com fotos antigas da cidade, ‘pinçadas’ do Acervo Público Municipal, mantido pela Prefeitura de Manaus. A Midia Ponto Comm, cujo proprietário é um mistério, recebeu R$ 12 mil da Prefeitura em abril de 2009. Pra que serviço? Pesquisa de opinião entre servidores da Prefeitura. Em novembro foram mais R$ 96 mil. Em junho de 2009, ganhou contrato com a Câmara Municipal, sem exigência de licitação. Em agosto de 2009, a SEMED comprou, também sem licitação, nada menos que 800 exemplares do livro de Durango, para ‘atender as necessidades das bibliotecas das escolas municipais’. Cada exemplar custou ao Erário R$ 120. Dinheiro privado é isso aí.

Busão — O jornalista Neuton Corrêa autografa seu livro “Entrelinhas” nesta terça, das 9h às 11h da manhã, no Vanilla Caffe. Entrelinhas traz crônicas que nasceram da experiência cotidiana de Neuton como usuário do sistema de transporte coletivo de Manaus, e chega como resultado da coletânea dos textos da coluna “Crônicas do busão”, publicados no jornal Manaus Hoje. O Vanilla Caffe fica na rua Acre, Vieiralves, próximo ao restaurante Açaí. Aproveite e tome o melhor expresso da cidade, ou conheça o tchai, o chá indiano que virou marca exclusiva do Vanilla.

Taxa inconstitucional 1 — A procuradora de Justiça Jussara Pordeus protocolou, no dia 5 de janeiro, uma representação à Procuradoria Geral de Justiça para propor uma ADIN – Ação Direta de Inconstitucionalidade – contra a taxa do lixo da Prefeitura, aprovada pela CMM no fim do ano passado, e que deve entrar em vigor em 2011. Jussara argumenta que localização e área do imóvel, por exemplo, não são parâmetros ‘hábeis’ para se saber a quantidade de lixo produzido por cada imóvel. Leia aqui a íntegra do documento e os demais argumentos da procuradora.

Taxa inconstitucional 2 — Na última sexta (22), a procuradora pediu aditamento da ação, propondo à PGJ pedir liminar que exija que a Prefeitura separe a cobrança do que é IPTU e do que é taxa de lixo. O pedido deveu-se à publicação no Diário Oficial, no dia 20, da Lei 1.411 — a lei da taxa do lixo. Assinando o documento na condição de cidadã, Jussara questiona a forma da cobrança da taxa, que, segundo o documento, virá no mesmo carnê do IPTU, tornando difícil para o contribuinte saber quanto está pagando de IPTU e de lixo.

A fila anda — A blogueira Adriana Vandoni foi formalmente denunciada pela Justiça a pedido do diretor do DNIT, Luis Pagot. Pagot pede que a blogueira seja condenada a 3,5 anos de prisão. Em 2009, Adriana não aceitou um acordo oferecido pelo MP, segundo o qual ela teria que, citando Pagot em seus escritos, mandar o texto pra que ele o aprovasse previamente.

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Neste sábado, 19 de dezembro, no All Night Pub (Rua Ephigênio Salles — 2085, em frente à pizzaria Splash) acontece o 4° OVERFEST, o aniversário de 13 anos da banda Overload. A festa começa às 22h, com chope liberado até 1h da manhã. De meia-noite até as 3h da manhã, rodadas de tequila grátis com atendimento “hooters”. Especializada nos clássicos de bandas rock e pop dos anos 80 e 90, a Overload está preparando um show especial, com algumas novidades no repertório, bem como trechos dos especiais OverBox, apresentado todo último sábado do mês no All Night Pub, e OverBallads. A banda Black Jack, de rock nacional anos 80, fará o pós-show e, nos intervalos, o Dj Binho Sabóia apresentará um set list digno das melhores boates das décadas de 80 e 90 (Red Zone, Mykonnos, Vilage Café, Hangar 39…)

Overload

A imprensa tem tido um trabalho danado para lustrar o título do Flamengo. Dentre os bordões repetidos, aparece até a pérola de que “o Grêmio foi valente” no jogo decisivo. Como diria John Lennon, just gimme some truth (dêem-me só um pouco de verdade). Numa das páginas mais negras do futebol brasileiro, o Grêmio construiu seu roteiro de derrota verossímil. Tinha que perder o jogo para não dar o título ao rival Internacional. O Brasil ficou refém do campeonato particular dos gaúchos.

Entrou em campo com o time reserva, deliberadamente instruído para perder o jogo e aparentar dignidade. Um paradoxo mais complicado do que a honradez do governo Arruda. Mas o Flamengo entrou em campo paralisado. Como sempre acontece com o dono da maior torcida e da maior empáfia do país, a festa estava pronta antes da batalha. Bastava desfilar o oba-oba e esperar a taça. Aí a bola acabou entrando no gol errado. Daí em diante, os garotos gremistas ficaram aturdidos. Não podiam simplesmente parar em campo, mas o adversário (o campeão, no script) não fazia a sua parte. O juiz diligente fez a sua, ignorando o empurrão pornográfico de Adriano no seu marcador. Um a um.

O Grêmio tinha que jogar com garra, para não esculhambar sua tradição, e tinha que perder, para não apanhar na volta a Porto Alegre. Veio então o alívio com o segundo gol rubro-negro. E a instrução, flagrada na leitura labial, para que os gremistas não mais chutassem em gol. Um vexame.

Leia o resto do texto no blog do Guilherme Fiuza.

Coluna soberba de Élio Gaspari hoje, nos jornais:

DE W.REHNQUIST@EDU PARA J.BARBOSA@GOV

Prezado ministro Joaquim Barbosa,

O senhor me detesta, mas achei que devia lhe escrever porque temos uma coisa muito forte em comum e eu precisava me comunicar com algum ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro. Hoje vocês vão votar o caso da censura imposta ao jornal “A Província de S. Paulo” (terá mudado de nome? Quem me fala dele é o Pedro de Alcântara, que por aí foi rei). Preocupo-me com a projeção histórica de vosso tribunal.

Ministro Barbosa, eu estive durante 33 anos na Corte Suprema dos Estados Unidos (1972-2005), 19 dos quais presidindo-a. Ajudei a desmanchar o ativismo judicial que o senhor aprecia. Para ser sincero, também não gosto de suas ideias, mas temos uma velha e dolorosa afinidade: a dor nas costas. Nossos inimigos vivem na eterna expectativa de que venhamos a renunciar.

Sei de colegas seus que, além de torcer pela sua desdita, murmuram que sua saída ocorrerá em 2013. Fique firme. Minhas dores eram tamanhas que me viciei em Placidyl. Fui internado, alucinei e ouvi vozes. Como o senhor, eu não aguentava ficar sentado por mais de duas horas e, por isso, perdi bons filmes, como “O Resgate do Soldado Ryan”. Aguentei a coluna estragada e morri no cargo em 2005, de câncer na tiroide, aos 81 anos.

A Constituição de vocês, como a nossa, proíbe a censura e o caso de hoje envolve o direito de a imprensa publicar gravações colhidas num inquérito cujo sigilo foi rompido. Eu sei o que há nele. Tenebrosas transações contra o erário e os princípios da moral pública e privada.

A censura será defendida sob o disfarce de sua condenação, desviando-se o debate para a questão de um sigilo que não foi quebrado pela imprensa. Bloquear a notícia não restabelece o sigilo, apenas estabelece a censura. É um truque antigo: “Sou contra a censura, mas ela não está em discussão… O que temos que decidir é outra coisa…”

Esse tipo de sustentação é eficaz em juízos de primeira instância. Com boa vontade, serve até para um recurso. Para a Suprema Corte, não. O Supremo Tribunal Federal é o guardião da Carta Constitucional. Num caso desses, ou ele cresce decidindo o litígio na sua essência, a livre circulação das informações, ou acanha-se, confundindo-se em aspectos periféricos do litígio.

Tenho autoridade para dizer isso porque esse foi o meu caminho em 1971 quando, como vice-procurador-geral, tentei impedir a publicação de um conjunto de documentos secretos relacionados com a Guerra do Vietnã. Eu argumentei que não se tratava de censura, mas de defesa da segurança nacional. Em menos de um mês a corte julgou o caso e perdi por 6 a 3. Se eu tivesse prevalecido e o Pentágono liberasse mil páginas por ano, o serviço estaria concluído em 1978. A guerra acabou em 1975. Era de censura que se tratava.

A imprensa já fez muito mal ao mundo, mas a Constituição não manda que ela seja boa, manda que ela seja livre. Quem me conhece sabe que eu não gosto de jornais nem de jornalistas. Raramente vou além do noticiário esportivo e metropolitano, mas gosto das palavras cruzadas.

Diga aos seus colegas que, quando o Bill Rehnquist está do mesmo lado que os jornalistas, o caso é sério.

Cordialmente,

William Rehnquist

Num dia normal, Majken Friss Jorgensen, diretor-gerente da maior companhia de aluguel de limusines de Copenhagen, diz que sua empresa tem doze carros nas ruas. Durante a conferência para salvar o planeta, que abre amanhã (hoje, segunda, 07), Majken terá 200 limusines na rua. “Nós pensamos que eles não iam usar muitos carros, já que é uma convenção sobre o clima”, ela diz. “Mas parece que alguém consultou a previsão do tempo na semana passada.”

Leia a história completa (em inglês) no site do Telegraph. Indicação via @aon1, no Twitter.

Manacapuru 1 — O presidente do TRE-AM, desembargador Ari Moutinho, simplesmente cancelou o julgamento que cassou o mandato do prefeito de Manacapuru, Edson Bessa. Moutinho alegou que o julgamento estava cheio de vícios e que não ficou comprovada a compra de votos. Foi Ari Moutinho quem recebeu, pessoalmente e a dois dias da votação, a denúncia do juiz Luiz Cláudio Chaves, da compra de votos e do uso da máquina pública em favor do então candidato Bessa. A denúncia do juiz apontava várias irregulariades praticadas não só pelo candidato, mas também pelo próprio governador Eduardo Braga.

Manacapuru 2 –Entre as irregularidades apontadas pelo juiz consta a distribuição de sacolas de rancho na madrugada, desligamento dos grupos geradores para a efetivação de entregas de sacolas de rancho, distribuição a quatro dias das eleições de títulos definitivos de terra, parcialidade da Polícia Militar, além de ameaças partidas tanto do governador Eduardo Braga quanto do ministro Alfredo Nascimento, dirigidas ao povo do município. Carros de som, com a voz gravada de ambos, diziam à população que se Bessa não fosse eleito o município não contaria com os investimentos dos governos estadual e federal.

Manacapuru 3 — A decisão de Ari Moutinho é mais uma daquelas que dá aos minimamente entendidos a sensação de que a Justiça amazonense, especificamente o TRE, precisam sempre estar vigiados pelo CNJ. Na última visita do órgão ao Amazonas, muita coisa foi colocada em ordem. Talvez seja a hora de outra visita.

Não pode 1 — Ligações telefônicas avisavam a equipe de redação do jornal Amazonas Em Tempo, durante a semana passada, que estavam proibidas matérias sobre crimes não solucionados nas páginas do veículo. A ordem era expressa da diretoria, e apenas crimes em que o autor estivesse preso poderiam ser publicados. Foi também na semana passada que o empresário Leandro Guerreiro matou um policial militar dentro de sua loja. É a solução governamental para reduzir o índice de violência no estado: não publicar violência. Fácil, não?

Não pode 2 — Há fortes indícios de que Guerreiro foi protegido por entes do governo estadual. Apesar de o autor do assassinato ser conhecido e ter se apresentado à polícia, o jornal não publicou a notícia que varreu a cidade. O silêncio foi no mínimo estranho, especialmente para um jornal que começou a semana denunciando assassinatos e violação de cadáveres de um acidente aéreo com mais de 30 anos de idade.

Valeu, hein! — Donmarques Mendonça, candidato derrotado à Prefeitura de Itacoatiara, ligou pessoalmente para o secretário de Governo José Melo, assim que ficou sabendo de mais uma das visitas de cortesia do onipresente braço-direito de Braga a figuras influentes da cidade, dessa vez uma desembargadora do TRE. Donmarques agradeceu Melo pelo suposto empurrãozinho que o secretário teria dado à manutenção de Antônio Peixoto no cargo. Peixoto foi cassado pelo TRE, mas hoje governa sob liminar concedida pela desembargadora.

Obra caseira — Estranho também foi o silêncio da TV Amazonas sobre o episódio em que o secretário municipal de Infraestrutura, Américo Gorayeb, agrediu o porteiro de um condomínio residencial, na companhia de duas filhas. Para a emissora de Felipe Daou, só há uma coisa mais religiosa do que a missa de domingo e a prática dos ensinamentos da Santa Igreja Católica: todo santo dia Américo Gorayeb ocupa metade do noticiário da tarde na emissora. Gorayeb e Vicente Nogueira, da Educação, são os artilheiros do campeonato municipal de exposição em veículos privados de comunicação.

E aqui? — Desde a semana passada, moradores da Baixada Fluminense, no Rio, podem acessar a internet de graça. O governo estadual disponibiliza conexão à rede para toda a população de São João de Meriti, a 60% dos habitantes de Duque de Caxias e Belford Roxo e a 20% dos moradores das cidades de Nova Iguaçu, Mesquita e Nilópolis.

Quanta diferença — Se aproxima o fim de um ano diferentão para a imprensa da cidade de Manaus. Em 2009 os buracos viraram coisa da Cigás; a falta de água voltou a ser culpa da Águas do Amazonas; os ônibus voltaram a quebrar por culpa das empresas; os mototáxis invadiram as ruas vindos ninguém-viu-de-onde e a não há um só parlamentar televisivo cobrando providências do prefeito contra tudo isso.

Alô, Greenpeace! — Na rede social Twitter, várias pessoas perguntavam, durante a semana, pelo posicionamento da ONG Greenpeace quanto à fumaça que tem atormentado o manauara ultimamente. A organização tem escritório em Manaus e costumava estrelar matérias elogiosas ao governo de Eduardo Braga até pouco tempo. Por onde anda o Greenpeace?

Contrapé — Leonardo Sakamoto conta em seu ótimo blog que descobriu a real intenção de César Benjamin com seu artigo da Folha de S. Paulo, sobre o suposto assédio sexual de Lula a um companheiro de cela em 1980. Sakamoto avalia que Benjamin, no fundo, queria criar uma onda de protestos a favor do presidente, num movimento de unificação “das esquerdas” não visto desde 2002. Pelo jeito, César conseguiu. E ninguém percebeu.

IRP 1 — Em seu ex-blog, o ex-prefeito do Rio, César Maia, criou o IRP  da Prefeitura de Eduardo Paes. IRP é o Índice Redutor de Promessas, segundo o qual Maia compara o que foi prometido com o que agora é feito. Paes prometeu 40 unidades de pronto atendimento, agora vai construir 20. IRP = 50%. Paes prometia levar saneamento básico a 100% da Zona Oeste, agora promete umento para 30% da Taxa de Cobertura da rede coletora de esgoto com tratamento na Zona Oeste. IRP = 70%. Paes prometeu aumentar a rede de creches, triplicando o número de vagas, agora fala em aumentar o serviço em 66%. IRP = 45%.

IRP 2 — Que números surgiriam com a aplicação matemática do IRP em Manaus?

Agora vai! — Começam a surgir os primeiros números da administração Omar Aziz à frente da Segurança Pública do Amazonas. No segundo fim de semana após ser destacado para “reunir-se com lideranças” pelo fim da criminalidade, 12 (doze) pessoas foram assassinadas em Manaus. Institutos de pesquisa avaliam que em dois finais de semana a violência vai ultrapassar o próprio Omar nas pesquisas para o Governo, com margem de erro de 3 mortos para mais e para menos.

Foi o CNJ – É aguardada para logo mais nota oficial do comandante da Polícia Militar, coronel Dan Câmara, sobre os 12 assassinatos do fim de semana. Dan deverá dizer que todos os mortos faziam parte dos presos libertados pelo mutirão do CNJ, e que morreram trocando tiros entre si, sem nenhum inocente — muito menos um evangélico — envolvido.

Milagre — O prefeito Amazonino Pescando Mendes continua reclamando da falta de dinheiro da Prefeitura. Em entrevista recente à CBBN Manaus, disse que o órgão só tem R$ 50 milhões em caixa. Hoje o Diário do Amazonas revela que Braga e Amazonino repassaram, em 2009, R$ 155 milhões a diversas ONGs ligadas a políticos locais. E então? O que vale mais, o número do TCE ou a palavra do prefeito?

Concurso 1 — Questão de português para concurso fictício da PM: No período “Traficante detido com 60g de cocaína oferece R$ 5 mil de suborno aos policiais, é preso, conversa reservadamente com o delegado e é liberado.”, onde está o sujeito?

  • a. Calculando o prejuízo com o contratempo e embalando novos 60g.
  • b. Comprando uma caixa de uísque Dimple na Top do aeroporto, porque esse final de semana tem churrasco
  • c. Oculto, mas os PMs já receberam ordens para prendê-lo novamente, pois a coisa caiu na imprensa
  • d. Indeterminado, mas está frito, porque a família do vice-governador quer entrar no circuito e resolver o problema
  • e. Ligando para a filha, que estuda em Londres, e dizendo que vai poder dar aquele relógio de presente pra ela

Concurso 2 — Questão discursiva: um delegado de Policia ganha três salários mínimos por mês e tem dois carros importados, quatro apartamentos na Ponta Negra, uma fazenda em Boa Vista, um avião a jato e uma conta na Suiça. Calcule quantas horas extras ele teve que fazer para conseguir esse patrimônio todo.

Gente sofrida — Em disputada eleição interna do PTB, Sabino Castelo Branco é eleito pela própria família. Presidente do diretório regional é seu filho, Riso Castelo Branco. Sabino diz que sigla foi abandonada pelo prefeito e não ganhou nenhuma secretaria de Amazonino. A família bem que poderia se vestir inteira de gari e denunciar o descaso do poder público municipal no programa Bronca na TV, se o programa não fosse da família e não estivesse em recesso eleitoral.

Primeiro mundo — Frase publicada no serviço de microblog Twitter: “A Estrada da Ponta Negra tá quase uma Autobahn. Tá certo, quem tem uma Ferrari merece!” Autobahns são as impecáveis rodovias alemãs, onde não há limite de velocidade.

Piada de português — No dia 1 de setembro, o ex-prefeito Serafim “Correia” publicou duas imagens em seu blog. Uma com o seu projeto para a obra da Paraíba com o V-8. Outra, da obra que está sendo feita por Amazonino. Você, que espera ansiosamente pela entrega da obra, dê uma olhada nas duas imagens e compare. Mas vou adiantando, se eu fosse o ex-prefeito, preferiria não ser convidado para a inauguração.

E o barbudo? — “Será que o Mensalão eram as trinta moedas?”. A pergunta é do senador Cristóvam Buarque (PDT-DF), no serviço Twitter. O perfil do senador está em http://twitter.com/sen_cristovam

Sai o “Correia” — Nota publicada no site da rádio CBBN Manaus finalmente acerta o nome do ex-prefeito, Serafim Corrêa. Para uma emissora voltada ao jornalismo, é salutar sugerir a implantação de um manual de redação, para evitar fraudes e falsidade ideológica, como a publicada recentemente sob a sigla CBN, quando o dono da rádio cometeu o mesmo pecado gramatical de um comentarista falso, grafando “Correia”, possivelmente numa confusão com um dos anunciantes da rádio, a Casa das Correias. O manual ajudará a praticar jornalismo mais profissional, e impedirá que outras presepadas criminosas sejam descobertas com tamanha facilidade.

Mentira nobre — Convidado a ser vaiado pelo apresentador da festa no Boi Manaus 2009, o cantor de toadas David Assayag, que é deficiente visual, foi confortado por amigos logo depois de sua apresentação. “Relaxa, David, não era pra você. Foi o Amazonino que apareceu na mesma hora em que você cantava”. Compositores do boi vermelho poderiam adaptar as letras do Caprichoso, mais dançantes e animadas, e poderiam compor uma toada com o refrão “vire para a frente, e gira/  remexe para trás, delira / dá uma vaiadinha, joga uma latinha / iê-iê-iê-iê…”