Archive for the ‘Humor’ Category

Só falta o Curupira

A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos ‘emissários’ do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.

Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que acusava Serafim Corrêa de ser pai do seu filho, desequilibrou a eleição a favor de Serafim. Soraia surgira da varinha de condão do então vereador Sabino Castelo Branco, que chegou a levá-la ao plenário da Câmara Municipal para um depoimento bombástico. Em 2005, em depoimento ao STJ, disse ter caído no “conto do vigário” de Sabino.

Em 2008, Renata Barros, comadre do então governador, surgiu num vídeo o acusando de corrupção ao lado do marido. Renata recebera a proteção do senador Arthur Neto, e passado o calor eleitoral, repensou sua vida, voltou para a felicidade do lar e retirou o que disse — possivelmente alegando privação temporária dos sentidos.

O que ocorre hoje? Fernando Valente, tão desconhecido até anteontem quanto Soraia e Renata, aproveitou a mania de chegar atrasado do ex-governador e registrou sua candidatura antes, como se, numa brincadeira de criança, tivesse corrido mais rápido ao final da música e sentado na cadeirona reservada a Braga, causando um rebuliço tremendo no meio dos bajuladores, assessores, amigos, familiares, jornalistas e blogueiros ligados ao ex-governador.

Ontem (terça, 13) à noite os capítulos desse Vale a Pena Ver de Novo começaram a se denunciar. Três bem intencionados senhores, anunciando-se emissários do agora poderoso Valente, ofereciam a Braga um acordo, que aparentemente envolvia dinheiro. O governador (opa, ex-governador!) não pensou duas vezes e acionou a polícia, deve ter dito José Melo, que no momento da suposta extorsão servia cafezinho a todos.

Fernando Valente, até março passado subsecretário de Amazonino Mendes, denunciou a trama. Valente tem dado mais entrevistas coletivas do que o delegado do caso Bruno, e seus quinze minutos de fama começam a se tornar perigosamente trinta.

Hoje descobriu-se que Marcius Filard de Souza, um dos homens detidos e que se apresentava como advogado de Valente, na verdade era correligionário do extorquido, Eduardo Braga. Filard é filiado ao PMDB desde dezembro de 2005. Na coletiva desta quarta, Valente repetiu seu mantra: “Não vou recuar”.

Já comentei aqui antes, no Amazonas o escândalo depende mais do malandro do que da polícia ou da imprensa. Soraia protagonizou, ao lado de Sabino, um dos espetáculos mais deprimentes da política amazonense. Renata, do ciclo de amizades do ex-governador, nunca dirá o que a motivou a denunciar o amigo e compadre. Fernando Valente, que já trabalhou com Braga, era subsecretário de Amazonino.

Novela boa é novela previsível. Precisa ter um galã, um vilão, uma mocinha, uma história de amor não correspondido, um núcleo cômico, uma vizinha fofoqueira, um filho misterioso, uma causa social e uma penca de espectadores em casa, aguardando pela dose diária de entretenimento.

O lamentável, nessa novela que se repete a cada dois anos, é que acabamos rindo de um filme que não é comédia, e sim um drama. Um drama que conta a nossa própria desgraça.

Március, o suspeito de extorquir Braga é do partido de Braga. Renata e Ney voltaram a ser o casal feliz e bem sucedido que sempre foram.

Soraia também voltou ao ninho. É candidata a deputada estadual pelo PTB, o partido do prefeito Amazonino Mendes, que ajudou a derrotar em 2004. O mesmo PTB hoje presidido por Sabino Castelo Branco, que em 2004 lhe passou o “conto do vigário”.

O mundo dá voltas, mas acaba sempre no mesmo lugar.

O polvo deles e o nosso polvo

O vereador, que ainda não registrou sua candidatura ao governo do estado, teve seu nome colocado na boca do sapo — ou melhor, do polvo. A diferença é que, no caso da Copa, o polvo Paul, contra todos os prognósticos, acertou em apontar os espanhóis como vencedores da partida. Com o nosso ‘polvo’, o desmentido veio duas horas depois.

Em seu blog, hoje de manhã, nosso polvo, o coordenador de marketing da campanha do governador à reeleição, disse:

Hissa Abrahão não será mais candidato a governador

Postado por: [nosso polvo] em 07/07/2010 às 12h06

O vereador Hissa Abrahão (PPS) não será mais candidato a governador nesta eleição, decisão tomada já há 72 horas. O que ainda será decidido hoje a noite, em Brasília, é se o PSDB apresentará um nome em substituição ao vereador, a fim de não ceder o tempo de televisão de aproximadamente três minutos, metade para Alfredo, metade para Omar.

Perguntei diretamente ao vereador se ele realmente desistira da candidatura, e a resposta foi:

Sou candidato, se quiserem me derrotar que seja nas urnas, o que considero pouco provável.

E mais:

  • Critico de forma veemente aqueles oportunistas de campanha, que sem me consultar, estão falando de desistência, sou candidatíssimo.
  • Meus adversários estão ciente de nosso crescimento eleitoral e estão buscando formas antecipadas para me prejudicar.
  • Muito estranho o que ele [Durango] disse, notícia sem fundamento, não me consultou, muito estranho, ele que se diz tão sério.

Diante de uma ‘notícia’ tão grave (a desistência de um candidato ao governo do estado), é de se perguntar: afinal, qual é a jogada do nosso polvo em espalhar, pros seus leitores, uma notícia falsa?

Contam os mais entendidos no assunto que época de campanha é assim: quem trabalha com isso não pensa em outra coisa. O nosso polvo se diz muito experiente no assunto. Como responde pela coordenação de marketing da campanha do governador, não deve ter publicado a nota a troco de nada. Seria uma forma de evitar que votos do governador migrassem para a candidatura da ‘terceira via’?

O nosso polvo tem realmente oito braços. É publicitário, já foi comunista (sim, isso conta no currículo), é empresário, é escritor, é assessor político, é coordenador de campanha e é consultor. Mesmo com toda essa gama de atividades, nosso polvo ainda encontra tempo para, nas horas vagas, ser pesquisador isento.

Como publicitário, nosso polvo participa ativamente de campanhas de sucesso — sempre do governo, seja ele estadual ou municipal. Durante o processo licitatório pela conta de publicidade da Prefeitura, por exemplo, passeava entre o gabinete do prefeito e pelo escritório da empresa de publicidade que ganhou a conta.

Como comunista, ajudou o atual governador (que também põe isso em negrito no currículo) em sua campanha para vereador. Hoje não é mais comunista, como o governador. Mas o governador é o governo estadual, a amizade continua.

Como empresário, nosso polvo é um Midas moderno. O que toca vira ouro — ouro do governo, claro. Recentemente criou uma empresa para espalhar tevês de LCD pelos PACs e órgãos públicos do Amazonas, onde a massa passa as manhãs, enquanto espera por um atendimento, vendo e ouvindo propaganda — das empresas dele e do governo estadual, claro.

Como escritor, nosso polvo escreveu um livro cheio de fotos antigas de Manaus, ‘conseguidas’ do Acervo Público Municipal, criou uma editora, imprimiu, fez uma capa dura, fez um coquetel de lançamento (num prédio público) e vendeu 300 exemplares — para o governo municipal, claro.

Nosso polvo é também assessor político. Sem cargo algum, comandou a retumbante posse do atual prefeito de Manaus. “A troco de nada”, “apenas por amizade”, dizia o nosso polvo. Recebeu R$ 65 mil por essa amizade — do governo municipal, claro.

É também coordenador de marketing de campanha, nosso polvo. Do governo  estadual, claro.

É consultor também. Informal. Do governo, estadual ou municipal, claro.

Paul, o polvo que acertou todos os palpites até hoje sobre a Copa da África do Sul, deve ter fama efêmera. É alemão, e a uma hora dessas, com a derrota dos seus ‘donos’, deve ter ido parar numa paella de algum restaurante espanhol de Oberhausen. Não importa que tenha acertado.

Acertar todas não é bom negócio quando o palpite contraria o cliente. Se Paul, o polvo deles, fosse o nosso polvo, teria guardado o palpite da vitória da Espanha pra si e colocado um sósia dentro do aquário, pra dizer que a Alemanha venceria.

O nosso polvo sabe disso. Não à toa seus oito tentáculos, cada um com uma função, sempre estão dentro do mesmo pote.

O do governo, claro.

Notas de segunda-feira

Golpe — Simpatizantes de Dilma Rousseff (PT) estão preocupados com o cenário, montado “pela direita”, que pode levar à impugnação da candidata de Lula. Os sinais seriam duas pesquisas do DataFolha. Em março, o instituto colocava Serra (PSDB) 12% à frente da petista. Na mais recente, os dois aparecem empatados com 37%. Segundo “a direita”, o crescimento de Dilma deveu-se à campanha antecipada que o PT fez, em seu programa partidário, a favor da pré-candidata. É onde entram as multas eleitorais que Lula e Dilma vêm sofrendo do TSE. As cerejas do bolo seriam as declarações de Arthur Neto (PSDB), cobrando que o Ficha Limpa valha já em 2010, e do ministro Marco Aurélio de Mello, do TSE, avisando que as multas podem ser apenas a menor das punições. Para os petistas, a preocupação é que “a direita” use o Ficha Limpa para inviabilizar a candidatura petista, se possível ainda antes das eleições. Todos misturados, esses ingredientes chegam “à esquerda” cheirando a golpe.

Lula único 1 — O colunista e blogueiro da Folha de São Paulo, Josias de Souza, conta que Lula já teria definido como será sua participação pessoal nas campanhas estaduais deste ano. “Esse negócio de palanque duplo vale para a Dilma, não para mim”. O blog cita como exemplo o caso da Bahia, em que concorrem Jaques Wagner (PT) à reeleição, e o peemedebista Geddel Vieira Lima. Wagner é amigo de 30 anos de Lula, Geddel é do PMDB — e isso basta. Lula dá sinais de que não pretende subir em mais de um palanque nos estados.

Lula único 2 — No Amazonas, o grupo de Alfredo Nascimento marca posição e se define como o grupo da preferência do presidente. Com as pesquisas menos favoráveis já dando o empate à candidata de Lula, Dilma Rousseff (para quem hoje o empate é uma vitória), a equação eleitoral a ser feita traz dois coeficientes principais: A luz própria de Dilma e a marca Lula. Com a história dos dois palanques praticamente fechada no AM, Dilma deve subir aos palanques de Alfredo e Omar, Lula só no de Alfredo — se subir.

Foto — No acordo da semana passada com Ahmadinejad, Lula pode ter usado sua cota anual de fotos felizes, de mãos dadas, ao lado de líderes árabes e turcos.

Arthur — Notas do jornalista Ricardo Noblat, na noite deste domingo, no Twitter: “O senador Arthur Virgílio (AM), líder do PSDB, e o jornalista Jorge Oliveira trocaram tapas no restaurante Piantela, em Brasília.” / “Tapas literalmente. Quebraram o vidro da porta. Foram mandados embora pelos garçons. A briga continuou do lado de fora.” / “Não creio que Virgílio tenha brigado para valer. Ele domina artes marciais. O outro não.”

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Quem te viu — A imagem acima é da primeira página do jornal Amazonas Em Tempo de 4 de outubro de 2008, véspera do primeiro turno das eleições para prefeito. Naquela ocasião, 24 horas antes da votação, o jornal dava como certa a passagem de Omar Aziz para o segundo turno. O instituto que assinava a previsão era a empresa Action Marketing. Durante toda aquela campanha, o publicitário Durango Duarte fez dobradinha com o jornal, publicando suas pesquisas em primeira mão — como ainda faz. Estranhamente, apesar de frequentar a redação naqueles dias de 2008, Durango tirou sua Perspectiva de cena. Afrânio Soares, da Action, botava seu nome em evidência. Bem, as urnas foram abertas, e Omar, então apoiado por Braga, Alfredo, Vanessa, Eron, o PT e até Amazonino, não vingou. Hoje, no tom neutro que lhe rendeu a boa fama que tem, Durango diz, em seu blog, que alguns institutos de pesquisa merecem mais respeito do que outros. E ele está certíssimo.

Assinado: “Eu” — Circula desde sábado, nas caixas de email e em sites de relacionamento da internet, um documento anônimo, me acusando de ter feito, junto com outros “bandidos” (o crime seria de campanha antecipada), um contrato milionário com o senador Alfredo Nascimento. Recebi o email na hora do almoço de sábado. Menos de cinco horas depois, a minha imagem já ilustrava (novamente) o site da ágil rádio CBN, ferrenha opositora do anonimato na internet e acostumada a dar furos de fim de semana com este nome tão doce, o “Benigno”. O email partiu de um domínio registrado em nome de Paulo Massa Fernandes Júnior. Paulo Massa consta na lista nacional de pessoas desaparecidas. O documento apócrifo, espalhado também no Twitter, foi visualizado mais de 10 mil vezes em poucas horas.

“Conhece aquela do mineirinho?” – Num alegre encontro futebolístico no sítio do radialista Jefferson Coronel neste domingo, onde se reuniram algumas dezenas de pessoas, sempre que os peladeiros ensaiavam se estranhar por causa de uma pernada aqui outra ali, alguém se apressava em lembrar do episódio dos blogueiros milionários do Buchada. A risada era geral e a paz voltava a reinar.

Trololó — Durante a semana, a Prefeitura de Manaus anunciou que a região da Manaus Moderna estaria totalmente organizada até o domingo. Perguntei: “De novo?”. O domingo chegou, o domingo se foi, e a Manaus Moderna continua desorganizada. Os secretários de Amazonino dizem que adiaram a ação, mas que ela vai acontecer.

“…” — Perguntei ao vereador Homero de Miranda Leão (PTB), no Twitter, quando ele pretendia devolver à mesa da Câmara o requerimento do colega José Ricardo Wendling (PT), cobrando explicações da Prefeitura sobre os R$ 41 milhões pagos à Emparsanco por obras viárias que ainda não foram encontradas na cidade. Homero, líder de Amazonino na Câmara, pediu vistas do requerimento, “emperrando” a votação. O vereador — que costuma interagir amistosamente com seus seguidores — não respondeu a minha pergunta.

RIO 1 — No Rio de Janeiro, Fernando Gabeira (PV), pré-candidato ao governo, prometeu exames de check-up para a população carente. Num encontro com 700 militantes, o amante do verde também acusou os parlamantares cariocas de se venderem mensalmente para os empresários do transporte público.

RIO 2 — Adriano deve sair do Flamengo. Amigos do atacante ainda não sabem se o imperador vai para o Roma (a casa noturna “Roma”) ou para o Cruzeiro (a Vila Cruzeiro).

O “Fenômeno do Médico e do Monstro”

Outro dia citei aqui o que batizei de “Fenômeno do Médico e do Monstro”, me referindo a parte da imprensa, local e nacional, e sobre o comportamento editorial de cada um em épocas eleitorais. Fiquei de explicar melhor do que se tratava, e hoje, depois de ler alguns blogs e notícias na internet, me lembrei da promessa.

O fenômeno do Médico e do Monstro — FMM — consiste num quadro psicótico que acomete os grandes veículos de imprensa no Brasil a cada dois anos. Se na lenda do lobisomem, por exemplo, o catalizador da transformação são as noites de lua cheia, no FMM o estopim para a transformação é o período eleitoral. A cada dois anos, com a chegada dessa época, a doença se espalha silenciosamente pelas redações, pela internet, pelas emissoras de tevê, rádio e pelas revistas de variedades, decoração e/ou moda.

A FMM é deflagrada por um vírus agressivo, que permanece incubado dentro do paciente por dois anos e que eclode da noite pro dia, levando a vítima a transtornos de comportamento e traços de psicopatia. Durante as crises, a vítima perde o senso de orientação e ignora a escala oficial do ridículo, transmutando-se numa figura monstruosa. Os sinais exteriores são a atrofia dos músculos inferiores, o crescimento de pelos no rosto, o gigantismo dos dentes caninos e a coloração avermelhada da íris dos olhos.

Assim, o paciente com quadro de FMM costuma andar arqueado, sem conseguir erguer a espinha dorsal, o que afeta seu ritmo respiratório, que fica acelerado. Com a protuberância dos caninos, fatalmente saliva em demasia. Combinando-se a vermelhidão dos olhos, a respiração acelerada e a salivação descontrolada, o aspecto final é o de uma criatura que em nada lembra a vítima antes do surto.

Mas é no comportamento que se notam os piores sintomas, pois a vítima apresenta níveis elevados de falsidade ideológica, completo desprezo pela apuração jornalística, nível zero de isenção e preocupação com o ridículo. Depois dos surtos, a vítima age como se nada tivesse acontecido, volta a falar em jornalismo ético, responsável, volta a falar manso e apresenta quadro grave de amnésia seletiva.

Os surtos de FMM somem tão rápido quanto surgem. Assim que as nuvens negras das eleições se dissipam os pêlos somem, a espinha volta a se esticar, os dentes voltam ao normal e os olhos retornam à sua coloração original. Relatos de leitores, espectadores e familiares desses veículos reforçam a tese de que, durante os surtos, a vítima assume outra personalidade, como se estivesse possuída. Tanto que, recuperada do transtorno, nunca se lembra do que fez durante o surto — lembrando novamente o Lobisomem, que costumava acordar nu e sujo com o sangue de suas vítimas, sem fazer ideia das atrocidades que tinha cometido na noite de lua cheia anterior.

Com a FMM é tudo muito parecido. Apesar de ainda não ter sido estudada pela medicina, já é possível notar uma mudança no comportamento das famílias. Pais e mães recomendam que seus filhos não leiam jornais, assistam noticiários e ou leiam blogs de veículos de imprensa. Entre os meses de janeiro e outubro dos anos pares, é recomendado aos mais jovens que não se aceitem carona de colunistas sociais nem bombons de radialistas, muito menos que andem sozinhos à noite nas proximidades dessas empresas.

O vírus da FMM não escolhe classe social, atinge grandes e pequenos veículos de imprensa, mas é particularmente agressiva com os maiores. Oficialmente, ninguém admite sua existência. Médicos suíços, porém, alegam já ter isolado o vírus e dizem que o quadro fica mais visível a partir do mês de junho, após as convenções partidárias. Extra-oficialmente, os suíços recomendam todo cuidado possível com grandes jornais e programas de tevê e rádio, e arriscam algumas dicas que — segundo eles — ajudam a reconhecer uma potencial vítima da FMM:

  • Veículos que aumentam o tamanho da fonte de suas manchetes — Quando seu jornal preferido começar a estampar denúncias frequentes contra alguma personalidade política, em fundo preto e letras gigantes, não se engane, ele já está infectado pelo vírus da FMM.
  • Veículos que alegam serem perseguidos por forças ocultas — Assim que começam a atacar suas vítimas, os veículos infectados tendem a trocar de posição com elas, alegando serem eles as vítimas de censura, perseguição ou lorota equivalente.
  • Veículos que prometem Caixas Pretas, dossiês detalhados, reportagens históricas — Estes são traços decorrentes do isolamento do gene responsável pela noção de ridículo. Isolado este gene, o veículo engana seus consumidores vendendo denúncias falsas e praticando chantagem aberta.
  • Veículos que recebem visitas constantes de membros de governos e se reunem a portas fechadas com dirigentes partidários — Gabinetes de diretoria que passam a ficar movimentados e mal frequentados em época de eleição estão irremediavelmente infectados. Mantenha distância.
  • Veículos que incham em anos eleitorais, exibindo traços visíveis de enriquecimento ilícito — Quando vir aquele jornal, aquela rádio ou aquela emissora virando um império de comunicação sem explicação razoável, atravesse a rua imediatamente.
  • Veículos que criam blogs apócrifos e sites anônimos — Frequentemente, tais veículos lideram cruzadas contra esse tipo de crime na internet. No fundo, são os grandes utilizadores deste tipo de expediente.
  • Veículos que exibem a genitália de mulheres grávidas na primeira página — Deixe de assinar ou comprar veículos que atentem contra as regras mais elementares de tato social ou bom gosto com a notícia.
  • Veículos que começam a atacar — ou deixam de atacar — alguém subitamente, da noite pro dia — É um dos sintomas mais comuns e fáceis de detectar. Mas em alguns casos a patologia é tão grave que, depois de atacar a vítima publicamente, o veículo infectado liga para a vítima como se nada tivesse feito.
  • Veículos que passam a narrar os fatos políticos como personagens, e não como veículos de imprensa — Fuja de jornalistas que dizem “falei no fim de semana com o prefeito” ou “todos sabem que sou amigo do governador”. Jornalista não almoça com a notícia, apenas a assiste e a conta.

A época do FMM é como a época das viroses respiratórias do inverno. Convém apenas aos leitores, ouvintes e espectadores lavar as mãos sempre que manipularem ou tiverem contato com os prováveis infectados. No caso de contato, recomenda-se muito líquido, repouso, canja de galinha e senso de humor.

De “OBSERVADOR” a “OFICIAL”, num book com 3 fotos

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Cena 1: O “OBSERVADOR” é pego hoje com o IP de outro de seus apelidos, “JUSTO VERÍSSIMO”.

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Cena 2: “JUSTO VERÍSSIMO”, com outro IP, em 16 de janeiro.

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Cena 3: O IP do “JUSTO VERÍSSIMO”, emprestado ao consagrado “OFICIAL DE JUSTIÇA”, no mesmo dia 16 de janeiro.

Saiba mais sobre o “OFICIAL DE JUSTIÇA”.

Como cada um vai comentar a aprovação do Ficha Limpa?

Aviso: pura gozação. Ou não, Arnaldo!

O Globo: “Sob ataque da base aliada, Câmara aprova projeto Ficha Limpa”

Folha de S. Paulo: “Dilma diz não ter posição definida sobre projeto Ficha Limpa”

O Estado de S. Paulo: “DEM e PSDB levam projeto Ficha Limpa à vitória na Câmara”

Veja: “A casa caiu para os mensaleiros da base aliada de Lula”

A Crítica: “Aprovação do Ficha Limpa expõe proximidade entre Serafim e Amazonino”

Diário do Amazonas: “Com aprovação do Ficha Limpa, 70% mais pobres da população tem menos de 3% de certeza em quem irão votar”

Amazonas Em Tempo: “Ficha Limpa aprovado pela Câmara. Maioria da Câmara é do PMDB. Braga é do PMDB, então Braga aprovou o Ficha Limpa”

CBBN: “O PR, sob as ordens do senador Alfredo Nascimento, de triste memória para o Amazonas, foi contra o projeto Ficha Limpa, Marcos!”

Difusora: “Esqueça o ontem, porque ele já é passado. Não espere pelo amanhã, porque ele pode não chegar. Viva o hoje, é por isso que ele tem esse nome: Presente! Falando em presente, hoje o governador Omar Aziz entrega mais uma etapa do Prosamim, garotinho! Os igarapés estão mais limpos do que o projeto Ficha Limpa! E tome Virilon!”

TV Amazonas: “Câmara aprova o projeto Ficha Limpa. E veja a seguir a receita de uma delícia da culinária local, o pirarucu de casaca!”

Sabino Castelo Branco: “Concordo com esse Ficha Limpa, Reizo. Porque meu amigo, minha amiga, político safado — como o atual prefeito — tem mais é que apodrecer na cadeia, igual traficante, espancador de mulher, agiota, aproveitador da miséria do povo, esses bandidos que falam em Deus o tempo todo… Tudo pilantra, né, Reizo? — É isso aê, deputado Sabino.”

Mirtes Fala: “Quero agradecer a vocês, os 30 membros da minha comunidade no Orkut (gente, nunca vi tanto membro!), por me apoiar nessa cruzada contra a hipocrisia de uns e outros, que defendem esse Ficha Limpa só pra aparecer. As grandes mudanças que a gente vê hoje na cidade são obra deste grande prefeito, Amazonino Mendes, e nem por isso ele precisou de nada disso.”

Glória Carrate: “Eu vim de baixo, querida! São três mandatos seguidos, apedêutas! E pode aprovar essa falsidade que é o Ficha Limpa, que eu tenho bala na agulha, adoro desafios. O que eu repodio mesmo é hipocrisia. Deteeeeesto! Sou muito é humilde, vão ler mais, vão estudar, vão trabalhar pelo povo como eu! Eu quero é que venham me provocar, não me conhecem, eu adoooooro porrad… [SORRY, THAT PAGE DOESN'T EXIST...]”

Sinésio Campos: “Quem decide se apóia o Ficha Limpa são os delegados do partido, mas eu estou com o governador Omar Aziz. Se ele apoiar, eu apóio. Se ele não apoiar, eu não apóio. Ficar em cima do muro nunca, quem fica em cima do muro é caco de vidro.”

Massami Miki: “Brothers twitteiros, quais os prato preferido da base de peixe regional pra vocês? Gosto muito de calderada e vocês?”

Serafim Corrêa: “Meus comandados do Twitter ajudaram a aprovar o projeto Ficha Limpa. Obrigado, aspiras, vamos em frente!”

Chico Preto 1: “Penso com independência que é válida essa demonstração de maturidade da democracia brasileira, saúdo os artífices do projeto pela convergência dos esforços em torno da propositura tão almejada pela sociedade”

Chico Preto 2, dois minutos depois: “Perebento boçal, tu quer é carguito, tu é pau mandado do PSB, pensa que me engana, seu, seu, seu filiado a partido político!”

Jefferson Coronel: “Deputados de Brasília são amigos queridos, independente de posições políticas, grandes caras, fato. Domingo tem contra-filé de zebu norueguês no sítio, vocês são de casa!”

Silvio S Silva: “Chico Preto, você ainda não respondeu a minha pergunta.”

Alguma sugestão mais?

Quem mexeu no meu caos?


Em 2008, época da última eleição para prefeito e vereadores, o PIG local empurrava goela abaixo da cidade a pauta dos debates entre os candidatos, a água. A ideia da marmota era simples: jogar no colo do então prefeito, não sem certa razão, a responsabilidade pela falta de água nas zonas Norte e Leste da cidade. Definido o suposto calcanhar de Aquiles da administração, a ordem era clara: bater. Depois bater, e depois bater.

Isso foi há um ano e meio. E de lá pra cá quanta coisa mudou… À medida que os problemas vinham se revezando como um vírus inteligente, à prova de políticos demagogos, secretários foram caindo pelo caminho, outros chegando, e a nova geração de manauaras foi sendo apresentada à cidade da Copa 2014, cruelmente a mesma que conhecemos desde 1983, quando Amazonino Mendes se instalou na história amazonense e não acabou mais.

Hoje a meninada ouve pela primeira vez os nomes de Raphael Siqueira, Bosco Saraiva, Manoel Ribeiro, João Coelho Braga, Celes Borges… E de cara vai tomando raiva dessa moçada que não toma jeito.

O roteiro é bizonho como só uma lenda amazônica pode soar. O encarregado de ordenar o trânsito é amigo do prefeito e, enquanto tenta intimidar jornalistas para não responder o irrespondível, recebe do amigo milhões por um terreno que pode ser de outra pessoa. O vice-prefeito e seus irmãos têm mais hora de polícia do que de mandato no currículo.

Os vereadores da base de apoio ou estão cassados ou fazendo vergonha ao chefe — e sendo humilhados por ele em público. A vergonha dos atores dessa comédia bufa só não é maior do que a vergonha do crítico de arte (a imprensa), que não pode criticar porque senão não recebe seu dinheirinho público.

O resultado de tudo conjugado é a baderna generalizada. Hoje o presidente do sindicato dos rodoviários, Josildo Oliveira, irmão de Jaildo, vereador da base aliada de Amazonino na Câmara, prometeu que vai furar os pneus de quem tentar furar a greve da categoria, amanhã (6), quando 100% da frota deve ficar nas garagens. Josildo — e com toda a justiça — vem sendo pintado como o baderneiro-mor, o pivô de toda a bagunça que Manaus vive há cinco dias.

Não. Josildo é só o líder de uma massa de manobra com 10.000 soldados, os motoristas e cobradores do sistema. E é temerário demonizar a categoria, pois o que eles cobram é um direito deles, o porcentual de reajuste acordado no dissídio da classe. Nesse rame-rame que se estende desde que Amazonino assumiu, só quem segurou as pontas da insatisfação da população foi o prefeito e os motoristas que, por motivos mais ou menos nobres, decidiu fazer uma queda de braço com o “prefeito do povo”.

Mas há dois personagens faltando nessa equação: os empresários e a Justiça. Pra quem já esqueceu, logo depois de assumir Amazonino aumentou o valor da passagem de R$2 para R$2,25. Numa tramóia política sobre a qual comentei aqui, o combinado era que os empresários cobrassem o reajuste da tarifa na justiça. Se o desembargador de plantão entendesse justa a exigência, obrigava Amazonino a conceder o aumento. Injustas ou não as suposições maldosas de que o desembargador era simpático à figura de Amazonino, o fato é que o desembargador tinha uma filha no posto de secretária de Amazonino. O fato é que, injustas ou não as suspeitas, este mesmo desembargador, Ari Moutinho, foi recentemente afastado de seu posto de prsidente do TRE-AM pelo CNJ, por supostamente favorecer o prefeito nas ações eleitorais que ele responde.

Mas nada disso vem ao caso. O fato é que, obrigado pela Justiça a conceder o aumento, Amazonino tirou das costas o peso político de dar o aumento sozinho. E quais eram as justificativas dos empresários para pedir o aumento? A renovação da frota, a manutenção dos ônibus e… ele, o dissídio coletivo dos motoristas. Em julho de 2009 o baderneiro-mor, Jaildo dos Rodoviários, confirmou a encenação do reajuste para R$2,25. Disse que numa reunião com motoristas e empresários, a Prefeitura, representada pela então diretora do IMTT e por uma vereadora da base de apoio de Amazonino, concordou com o aumento. De fato, chegou a ajudar os empresários nisso, fornecendo o documento, assinado pelo Conselho Municipal de Transportes (subordinado à Prefeitura), para que os empresários entrassem com o pedido na Justiça.

O transporte coletivo no Brasil inteiro é o ponto de maior dificuldade para os prefeitos. Várias são as razões, mas a primeira delas é que o setor é cartelizado, ou seja, são as próprias empresas, em nível nacional, que definem quem vai entrar em qual área. Os grandes empresarios do setor — Nene Constantino, Julio Simões, Jacob Barata — controlam as empresas médias e menores, e decidem quem vai atuar em que área.

Como o setor não tem fontes de financiamento, as frotas vão ficando nas mãos desses empresários. Você pode ir a qualquer banco amanhã que ele te financia um carro, mas nenhum financia um onibus. Outros empresários, de outros setores, não se sentem atraídos para investir no transporte coletivo — e é bom repetir, esse é um fenômeno nacional. Resultado: o poder público fica refém desse cartel; pode fazer a licitação que quiser que só virão as empresas que esses “gigantes” decidirem. No caso de Manaus, em 2007, outros empresários compraram os editais da licitação mas não compareceram.

Em ano político, reza a lenda que só quem pode falar de política é político. Experimente criticar qualquer um dos atores da comédia do ano, e sempre virá um soldado raso do exército atingido no seu encalço. A discussão toda fica frívola, a crítica é desqualificada, e a preocupação passa a ser desmontar o questionador, e não a questão. Ali, no escanteio, além dos milhares de manauaras amontoando-se nos pontos de ônibus, fica o fato: não há prefeito ainda capaz de, sob o Estado Domocrático e de Direito, desmontar a caixa preta do setor de transporte público no país. Foi assim com Eduardo Braga, foi assim com Amazonino Mendes, foi assim com Serafim Corrêa, e assim está sendo com Amazonino novamente.

A diferença, entre todos estes prefeitos, é que nenhum tentou, de forma tão patética, transformar o assunto numa coisa menor como Amazonino. Para este ás da política local, a solução do problema é o embuste. Quanto mais bagunçado, melhor pra ele, pois a desordem pede alguém com a retórica do caos, e isso, saiam da frente, é coisa de Amazonino. Políticos como Amazonino só sobrevivem no caos, seja ele real ou criado em computador. Se Amazonino fosse eleito pra governar Copenhague ou Londres, seria apeado do cargo, não pelo favorecimento dos amigos de poder com o dinheiro público, mas por simples inoperância.

Há políticos eleitos para governar, e há políticos eleitos para administrar o caos. Se o caos não estiver instalado, que se crie o caos. Para isso existem (aliás, existiam) o Sabino, o Henrique, os Souzas, os Ronaldos, os Waldires, os Ramans. Esprema-se essa cambada toda e não sai uma gota de credibilidade ou compromisso com a notícia. Foi assim com as contas da Prefeitura, com os ovos estragados da Semed, com o sumiço de computadores, com a estação de tratamento do Parque Lagoa do Japiim, com as escolas abandonadas, com o turno da fome, com os ônibus.

Amazonino já mentiu demais. Já disse ter quebrado o monopólio das empresas, já disse ter acabado com as fraudes da meia-passagem, o que possibilitaria a queda do preço da passagem. Já disse que instalaria um sistema de geoprocessamento para modernizar o sistema e acabar com os atrasos. Nem falemos de creche ou de caminhão com internet (eliminemos o mais e o menos grotesco de suas promessas, fiquemos com a média). Amazonino prometeu acabar com os buracos da cidade, buracos, sim, que foram grande defeito da administração anterior. E o que Amazonino cumpriu disso tudo?

Os motoristas têm seu dissídio coletivo marcado para todo mês de maio, todos os anos. Cobram porque têm o direito de cobrar. Se violam a lei das greves, retiram das ruas mais ônibus do que o permitido, que sejam punidos. Dos empresários é necessário que se cobre o cumprimento do contrato assinado com a Prefeitura, pois ele foi assinado com a Prefeitura, e não com o prefeito A ou o prefeito B. A frota vinha sendo renovada até 2008 — vamos driblar aqui a crítica dos soldados rasos e manter o nome do então prefeito sob sigilo –, Manaus já tinha sistemas como a integração temporal, o passe eletrônico etc.

Hoje o que ficou disso tudo? Amazonino, o profeta do caos, já aumentou, já desaumentou, já quebrou contrato, já cooptou estudantes, já deu milhões ao amigo que deveria estar comandando a solução, já ironizou pergunta de jornalista… E Manaus segue sem ônibus.

Só custo a sentir dó desse povo porque, como um povo só, não importa quem votou ou não na volta do amante do caos. O que importa é que nós, o povo, o elegemos. Reclamar agora é procurar o vendedor de contrabando da Eduardo Ribeiro para cobrar assistência técnica do produto pirata comprado um ano atrás. O povo amazonense não tem o direito de se dizer traído por Amazonino. Traído só se é uma vez.

Governar, essa coisa que tanto dizem que Amazonino sabe fazer, não é para Amazonino. Amazonino é bom pra fazer política, não pra governar. Se é pra fazer Ação Conjunta com fins eleitorais, dá coletivas e faz algazarra. Se é pra se unir ao governo pra resolver o problema, as coletivas e o foguetório somem.

Quem sabe se acotovelando debaixo do sol nos pontos, por uma, duas horas à espera de um ônibus, a população use o tempo ocioso pra pensar no que realmente quer: um profeta do caos ou um governante minimamente responsável.

Sol, chuva, espera, aperto não matam ninguém. Às vezes é bom para “fortalecer o caráter”, como diz uma conhecida minha.

Fica a dica.

A arte de ser ‘fake’ de si próprio

Anteontem à tarde, numa reunião de cafezinho, ouvi um colega comentando com outro que uma rádio de Manaus, de placas não identificadas, estava em franca campanha contra o Twitter na cidade. Pelo relato, o programa era matinal e um radialista, de identidade ignorada, atacava ferozmente os usuários da rede social. Dizia que em Manaus o ambiente está dominado por um partido, o PSB.

A acusação não é nova. Dias atrás, questionado sobre as obras fantasmas no Alto Solimões, o então deputado Chico Preto já denunciara o complô de Serafim Corrêa na internet. Dizia o ex-deputado que o ex-prefeito mantém um batalhão de tuiteiros a seu dispor, dispostos a atacar simpatizantes de outros partidos.

Para isso, um plano ainda difícil de acreditar teria sido milimetricamente concebido: Serafim teria instalado microchips sob a pele dos seus mujahidins. Sempre que algum ianque imperialista dos outros partidos dá mole, Sarafa aperta um botãozinho vermelho, com uma cruz de malta branca, em seu gabinete. Através de ondas de rádio de baixa frequência, chega ao chip, que depois transmite ao cérebro, a ordem final: “Atacaire!”

Chico chegou a pedir socorro para os criadores do site, denunciando este plano maquiavélico de dominação de mentes. Então, por curiosidade, analisei os perfis políticos mais conhecidos da rede em Manaus e encomendei uma pesquisa completa do instituto PSBECTIVA Pesquisas e Mercado. Devo publicar os resultados da pesquisa nos próximos dias.

Até lá outros perfis políticos natimortos (como o mais recente, da vereadora Glória Carrate) venham ao mundo só mesmo pra trazer alegria ao povo, pra depois deixar aquela saudade que não tem fim. Glória, aliás, foi solidariamente defendida pelo radialista anônimo. Ligou para a rádio, entrou no ar, disse que sua conta era falsa. E num desses golpes absurdos de sorte, era incrível o controle que a vereadora tinha sobre a conta falsificada. Foi contar que seu perfil era falso, e o perfil foi desativado.

O radialista “deteeeeeeesta” o Twitter (com a licença poética das aspas, celebrizadas por Glória), mas não tira o olho do site. Gaba-se de ser “patrulhado” e ter a audiência dos tuiteiros, mas tiraria 10 numa prova do supletivo segundo grau se o assunto fosse essa ferramenta que ele tanto despreza. Os vereadores e vereadoras, deputados e deputadas que tombaram no meio do caminho vão sendo homenageados, e os combatentes da revolução socialista ganhando uma aura que não merecem.

Estranhos estes tempos. Os perfis falsos vão se multiplicando, e as pessoas reais negando a si próprias. Quando se nega a própria existência, não deve ser fácil encarar o espelho.

Mais abençoados que João Alves, só os estudantes de Manaus

Ontem (quinta), depois de ver o deputado Sabino Castelo Branco disparar contra o “atual prefeito” de Manaus (Sabino se nega a dizer o nome do sujeito), pude enfim ler os jornais. Na coluna Claro & Escuro, do Diário do Amazonas, vi o nome de duas figuras que andavam sumidas, André Souza e Rodrigo Guedes. A dupla dinâmica foi nomeada pelo “atual prefeito” de Manaus, respectivamente secretário e subsecretário municipais da juventude. Como anunciei dias atrás, não pretendo mais gastar chumbinho com a minha ex-anta, mas a nomeação da dupla merece registro.

Lá no longínquo 2008, André e Rodrigo ganharam seus “15 minutos de fraude” no jornal Amazonas Em Tempo de Eleição. Denunciavam o então prefeito de estar coagindo estagiários da Prefeitura a trabalhar em sua campanha. Na internet, a farsa não sobreviveu sequer uma manhã, mas nunca se saberá o impacto que ela teve — aliada a outras orquestradas pelo jornal — no rumo das eleições. Foi neste post que eu mostrei quem era o estudante Rodrigo Guedes, militante do PTB, diretor de patrimônio do DCE da UFAM, cabo eleitoral do “atual prefeito”. Mais tarde, encontrei André Souza na assessoria do deputado Ângelus Figueira, hoje prefeito de Manacapuru, aliado histórico do “atual prefeito”.

Durante as “negociações” que levaram ao corte da meia-passagem estudantil no ano passado, André e Rodrigo eram os representantes da classe estudantil. Está lá, no blog Afinsophia, um relato de mais uma fraude cometida contra a cidade de Manaus. E lá estão, um à direita e outro à esquerda do Pai, Rodrigo e André (a foto é reprodução do jornal Diário do Amazonas).

À época, Rodrigo me procurou, explicou que não fazia política com as denúncias. Nada tinha contra o prefeito, de quem até gostava. Me disse que, como Sabino, trabalhara na campanha de Serafim quatro anos antes, mas estava decepcionado. Não trabalhava por cargos, mas pela democracia. Mas ganhou cargos sempre, na administração passada e na atual. E justificou assim:

De fato eu sou amazonino, por um critério de exclusão. Como eu sempre faço questão de relembrar eu sou um dos responsáveis por o amazonino ter recebido uma tapa eleitoral na cara em 2004. Fui sarafa de corpo e alma, voluntário e por incrível que pareça em nenhum momento eu cheguei a conversar com qualquer pessoa sobre a possibilidade de trabalhar na Prefeitura se ele ganhasse. Minha ida lá foi uma benção de Deus.

Bom, o resto é a continuação da história. Como eu disse antes, minha anta continua lá, cheirando o chão. O Amazonas Em Tempo de Eleição continua em campanha por Omar, como em 2008. A única coisa que mudou foi a quantidade de meias-passagens a que 170.000 estudantes têm direito hoje. E claro, a ordem — e os trajes — da dupla André e Rodrigo na foto oficial.

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Mais uma benção de Deus.

E o Negão ali, cheirando o chão…

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Agora há pouco (são 00h43 da manhã) eu checava atualizações no Twitter e via o humorista Danilo Gentili vibrando com uma piada do colega americano Chris Rock, no talk-show do David Letterman. Chris disse que se fosse o tenista Tiger Woods, estupraria um homem. O ponto de Gentili, que lidera uma cruzada pela liberdade do humor sujo no Brasil, era que o americano tolera melhor o escracho com sua própria cara do que o brasileiro. Gentili disse que, no Brasil, Woods provavelmente seria acusado de apologia do estupro. (Atenção, leitor situado na Flórida ou em Nevada, mas que não sabe a diferença entre among e between: os links acima estão em inglês)

O episódio me fez lembrar de outro talk-show, em novembro de 2007, quando Diogo Mainardi explicou a Jô Soares o porquê do título de seu livro, “Lula é minha anta” (veja aqui um trecho do vídeo). A simples citação do nome do livro causou mal estar na plateia, uma reação que poderia até dar mais razão a Gentili, se não fosse porque Lula é hoje uma espécie de padroeiro em vida dos brasileiros.

Muito pouco convincentemente, Mainardi dizia em 2007 que o lançamento do livro — uma coletânea de seus textos publicados na revista Veja — era uma libertação do autor, como se encapar tudo e vender fosse o final de um ciclo de vida. Bem, não me importa, honestamente, que ainda hoje Mainardi se repita no que diz sobre o presidente. Há tempos não leio a revista Veja, tampouco suas colunas semanais. Não é por ser petista ou lulista. Só perco o interesse por veículos que deixam o jornalismo de lado e se tornam panfletários. A guerra de mídia ainda vai abaixar muito o nível esse ano, mas já deu pra notar que, em tempos de eleição, a imprensa sofre com sua já previsível Síndrome do Médico e do Monstro (noutra hora explico isso melhor).

Mas por que conto isso? É porque elegi, há algum tempo, o meu Tiger Woods — ou a minha anta pessoal. A diferença essencial é que eu perdi o interesse na minha anta, Amazonino Mendes. Você dirá, como a platéia do Jô, que fica grosseiro chamar o prefeito de anta, então recorro à explicação cínica de Mainardi: é anta no sentido do animal mesmo, como se fôssemos o caçador e ele (Lula/Amazonino) a caça.

Eu sentei na grama, debaixo da árvore, encostei minha espingarda do meu lado e descansei. Amazonino continuou ali, a quinze metros de distância, cheirando o chão, procurando frutinhas e folhas pra comer. É duro admitir, mas enjoei. E quando o vejo na manchete do portal da Prefeitura de Manaus, hoje, sob o título “Prefeito reafirma que irá reordenar a cidade com sua experiência”, tudo piora.

Não é que ele não mereça mais atenção. Pelo contrário. Enjoar da caça à anta é perigoso, porque Amazonino é o prefeito, aguentemos sua antice ou não. No fundo, ele pode estar estuprando um homem dentro do seu gabinete, como Tiger Woods, ou ordenando a compra de vereadores mensaleiros, como Lula, só que deu um jeito de botar uma imagem sua no circuito de vídeo, cheirando o chão, se repetindo sem parar, pra pensarmos que ele continua ali, atrás de frutinhas.

Eu cansei. Quando Amazonino assumiu a Prefeitura, corri muito atrás dele. Hoje, quase um ano e meio depois, ele continua assumindo a Prefeitura. Ali, cheirando o chão, catando coquinho.

Não tem nada mais broxante para um caçador do que uma anta que não sai do lugar.

São 1h43 da manhã, e eu gastei uma hora mais com a minha anta. O mentiroso devo ser eu mesmo. Eu e o Mainardi.