Rafael Massimino - São Paulo – No Portal2014.org.br
Dos 12 estádios que serão construídos ou reformados para a Copa de 2014, ao menos sete podem virar “elefantes brancos” após o evento. O alto custo das obras, conjugado a uma estimativa irreal da demanda no pós-Copa, poderá afastar eventuais investidores e deixar ao poder público um legado negativo.
A conclusão é da consultoria Crowe Horwath RCS, que acaba de lançar o estudo “Gestão do ativo estádio – Viabilidade econômico-financeira de estádios e arenas para a Copa de 2014”.
(…) “Atualmente, nenhum estádio brasileiro tem esse retorno”, diz Amir Somoggi, diretor da área Esporte Total Crowe Horwath RCS. Para ele, os estádios de Brasília, Cuiabá, Fortaleza, Manaus, Natal, Recife e Salvador são fortes candidatos a virarem “elefantes brancos” depois da Copa.
Redução de custos
Segundo o estudo, a receita para que as arenas da Copa evitem se tornar deficitárias é redução dos custos. Os R$ 5,3 bilhões deveriam cair para algo em torno de R$ 4 bilhões. “Além disso, somente projetos integrados com setores da iniciativa privada, como o imobiliário e o hoteleiro, e o fortalecimento do futebol local, podem gerar retorno ao investimento em certos estádios“, diz Somoggi.
Para o retorno do investimento, segundo o estudo, os clubes têm que combinar a receita de bilheteria com a geração de novas rendas de serviços. O exemplo, novamente, é a Alemanha, onde os investimentos nos estádios catalisaram o aumento de receitas do futebol.
De 2003 para cá, o faturamento dos 36 times da primeira e segunda divisões alemã, a Bundesliga, aumentou de 1,28 bilhão para 2 bilhões de euros, tornando-se a segunda maior da Europa. Apenas com estádios, as receitas chegaram a 425 milhões de euros na temporada 2008-2009.
Segundo o estudo, o Brasil terá muito trabalho pela frente se pretende colher um legado comparável ao alemão. Em 2008, as receitas com estádios nas séries A e B somaram apenas R$ 190 milhões, a maior parte com venda de ingressos.
A consultoria estima que, até 2014, esse número possa chegar a R$ 400 milhões, principalmente por meio da diversificação de serviços oferecidos e do aumento do preço médio dos ingressos, que já sobe 15% ao ano desde 2005.
Mesmo assim, o grande desafio é atrair o torcedor aos estádios. Enquanto a média alemã é de 42.565 torcedores por jogo, a brasileira é 17.807 – inferior até mesmo à primeira liga japonesa, que atrai 19.278 pessoas, em média, a cada partida.





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