Quem está agourando é a Folha de S. Paulo, no seu caderno de Esportes:
A Copa de 2014 no Brasil corre risco de encolher. Executivos da Fifa e do COL (Comitê Organizador Local) podem eliminar até duas cidades antes do final do ano, reduzindo o número das sedes a dez. O atraso no cumprimento dos prazos exigidos pela Fifa e a desconfiança dos estrangeiros com a saúde financeira dos Estados para bancar as obras são os principais pontos de descontentamento. Nenhum dos nove governadores lançou o edital de licitação das obras das arenas do Mundial até a última segunda, como estabeleceu o COL. Por terem estádios privados, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre não caem na exigência.
Na sexta-feira, os projetos dos estádios teriam que ser apresentados ao COL. Os documentos foram entregues, mas ainda não foram examinados. Se considerados insatisfatórios, os projetos podem ser excluídos. As cidades não seriam substituídas e se chegaria ao total previsto pela Fifa, que as aumentou para 12 após pressão da CBF. Por causa da série de atrasos, o COL teme um vexame em 28 de fevereiro, data estabelecida para o início das obras nos estádios que vão abrigar o Mundial. A preocupação é com a capacidade financeira de execução das obras de cidades menores. Cuiabá, por exemplo, já mudou o projeto duas vezes em menos de seis meses. Estádios como os de Natal, Recife e Manaus, que foram apresentados apenas em maquetes, também deixam os organizadores temerosos.
Sem parceiros privados, o Amazonas anunciou que bancará sozinho as obras do novo Vivaldão, que terá capacidade para 47 mil pessoas e já foi orçado em R$ 400 milhões. Os executivos da Fifa também não gostaram de alguns projetos. Pelo menos duas cidades pretendem improvisar reformas em estádios para abrigar a Copa. Salvador e Cuiabá apresentaram no mês passado seus projetos com parte da arquibancada sendo desmontada após o Mundial. Os projetos não foram vetados na hora, mas dificilmente emplacarão.
Para tentar receber as semifinais da competição, a Fonte Nova, em Salvador, projetada para 50 mil torcedores, teria um novo setor de arquibancada de estrutura móvel para chegar à capacidade de 60 mil espectadores. Custará cerca de R$ 500 milhões. Em Cuiabá, o Verdão terá arquibancadas erguidas ”em estrutura desmontável”. Segundo o arquiteto Sérgio Coelho, a estrutura, que existe em competições de beach soccer organizadas pela Fifa, seria ”parafusada no concreto e depois retirada” do estádio.
Pelo projeto, o Verdão teria capacidade para cerca de 40 mil pessoas durante a competição internacional e seria reduzido após o Mundial para cerca de 30 mil. A explicação para encolher o Verdão é que o futebol local não tem capacidade para atrair tantos torcedores. O orçamento é de R$ 440 milhões.