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Category: Educação

Tarcisio Serpa Normando


Tornei-me humanista através das leituras, nas longas viagens pelos rios do Amazonas, dos livros de Arthur Cezar Ferreira Reis, Leandro Tocantins e Agnello Bittencourt.

A declaração não é minha. É do Sr. Amazonino Armando Mendes, publicada em 1989, na reedição do livro História do Amazonas (Arthur Reis). Ela é muito feliz porque reconhece o valor dos autores regionais na produção de saberes sobre a problemática amazônica, especialmente seus processos de formação histórica. Uma pena que as últimas medidas adotadas pela SEMED renegam essa centralidade.

Sob pretexto de modernizar a educação e melhorar a nota do IDEB, foi extirpada dos currículos das escolas municipais, a disciplina Fundamentos de História do Amazonas, responsável pela introdução de muitas das questões levantadas por esses pensadores e, principalmente, por discutir cidadania. Como historiador e professor, gostaria de advertir o leitor de como essa mudança, aparentemente simples, pode comprometer as gerações futuras de estudantes manauaras.

A partir do momento que foram firmados convênios entre Estado e municípios com a UFAM e UEA para oferecimento de turmas especiais de graduação, oportunizou-se que centenas de professores melhorassem suas condições de ensino através do estudo dos fundamentos teóricos e metodológicos da disciplina História. Muitos tomaram contato com os processos que ajudaram a fazer do Amazonas o que ele é hoje. Perceberam que há muito que pesquisar sobre a região e que poderiam contribuir na tarefa árdua de reflexão sobre a História amazonense.

Em conseqüência, acredito que a formação inicial inflamou os novos historiadores a ampliar seus horizontes e desbravar temas, objetos e abordagens que ainda não tinham sido devidamente mapeados. Em alguns casos, as inquietações renderam dissertações e teses. Em muitos outros, colaboraram para fazer das aulas momentos colaborativos de construção de conhecimento histórico sobre a globalização, as comunidades quilombolas sobreviventes no norte do país ou a situação do transporte público em Manaus, por exemplo.

É um processo que levará ao fim o ensino decoreba que torna a escola um lugar chato e sem significado afetivo para o estudante. Assim, o estudo da História do Amazonas conquista o aluno, fazendo-o perceber que a violência que assola seu bairro ou a falta de emprego que atinge sua família foram frutos de idéias e ações tomadas por indivíduos num determinado momento no passado e que, portanto, podem ser transformadas, cabendo-lhe um papel protagonista.

Por isso é um engano pensar que focar o ensino apenas nas disciplinas de língua portuguesa e matemática trará desempenho de qualidade no IDEB. Elas são importantes, evidentemente, mas precisam das demais para, juntas, ajudarem os jovens a ler o mundo na sua complexidade. Não se pode abrir mão de professores interessados em fazer da sala de aula um lugar estimulante por conta de uma corrida alucinada por notas. Discutir os Fundamentos da História do Amazonas é possibilitar que o aluno entenda suas raízes sociais e culturais e perceba que, individual e coletivamente, é ele quem escreve a História de sua vida e de seu mundo. Entender isso é, num certo sentido, levar a cabo as lições de humanistas como Reis, Bittencourt e Tocantins. Negar, caro leitor, é impedir que as futuras gerações tornem-se plenos cidadãos.

Um historiador chamado Peter Burke escreveu que a função da História e lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer. Nesse sentido, a sobrevivência da História do Amazonas nos currículos das escolas municipais lembraria que a formação humanista ainda não perdeu sua validade, a despeito do que possa pensar os Sr. Secretário de Educação e, principalmente, o Sr. Prefeito de Manaus que parece querer negar aos jovens alunos municipais a oportunidade que ele teve de conhecer nossa História.

Tarcísio Serpa Normando é professor de História e Doutorando em Sociedade e Cultura na Amazônia.

Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.

Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.

Leia mais na edição 80 da revista Fórum.

Nesta terça-feira (17), a cidade de Manaus finalmente entra na rota internacional dos blogueiros criminosos. E entra com estilo, pois enquanto no Brasil os cidadãos que mantêm blogs ainda começam a lutar contra a censura, em Manaus já tem gente pedindo cadeia pra quem escreve na internet. Vou me apresentar expontaneamente à Justiça (senão eles vêm me buscar em casa), mais precisamente na 13ª Vara do Juizado Especial Criminal, às 8h30 da manhã, para sentar na cadeira dos réus e começar a responder a três dos oito processos em que passei a figurar como denunciado, a partir do dia 29 de outubro passado.

Segundo o autor dos processos, posso esperar mais 20 outras ações, porque ele quer “me dar trabalho”. E ele quer mesmo, afinal, todos os oito processos até agora são rigorosamente o mesmo, protocolado várias vezes, como se fossem causas diferentes. As acusações a que responderei são calúnia, injúria, difamação e falsidade ideológica — eu supostamente falsifico leitores e comentários aqui, me passando por outras pessoas.

Meu algoz tem muitos simpatizantes. Agora há pouco, numa indecifrável narração em primeira pessoa, deixou o seguinte comentário, sob a alcunha “OFICIAL DE JUSTIÇA”:

MEU GRANDE ISMAEL, VOCÊ ESTÁ PREPARADO PARA ENCONTRAR A JUSTIÇA? ACORDE CEDO, FAÇA UMA BOA ORAÇÃO, JUNTE TODAS AS PROVAS QUE VOCÊ TEM SOBRE O BANDIDO, O CHANTAGISTA, O FALSIFICADOR, SOBRE OS CONVÊNIOS FEDERAIS, SOBRE OS EMPREGOS TROCADOS POR CHANTAGEM E AQUELAS OUTRAS ACUSAÇÕES GRAVES. BOA SORTE. A GENTE SE VÊ. ATÉ AMANHÃ.

Recebi as intimações na tarde da última sexta. Legalmente, não estaria obrigado a comparecer, pois as partes precisam ser intimadas com pelo menos 48 horas de antecedência. Mas eu vou. Assino embaixo de tudo o que escrevo, há cinco anos. E é em defesa desta opção que vou me apresentar, para responder a todos os processos movidos contra mim não por um político corrupto, mas por um jornalista, dono de uma empresa de notícias.

Talvez pelo simbolismo do fato, eu queira ainda mais que tudo se resolva. Para que, sendo condenado ou inocentado de tantos crimes, eu seja lembrado não mais como o blogueiro que primeiro mostrou nome sobrenome em Manaus, mas como o primeiro blogueiro a virar criminoso, com folha corrida extensa, da noite pro dia. Não poderia ser mais emblemático que o escrivão da minha biografia criminal fosse o veículo que mais respeito no jornalismo nacional.

Fato é que a mídia, seja ela qual for, reflete apenas a sociedade que temos, não há fuga. Se nossa sociedade é democraticamente imatura, condescendente com a censura, passiva com a violência e relutante frente à intimidação, um dia isso chegaria à internet. Enganou-se quem pensou que havia na rede um terreno livre para todas as opiniões, especialmente aquelas que não podiam ir para os jornais. Hoje os mesmos mercadores de notícias impressas invadem a rede, impondo suas regras comerciais, segundo as quais quem não presta é quem não paga. Os blogs, até outro dia um meio alternativo de comunicação, hoje se rendem aos mesmos vícios da mídia tradicional. A diferença é que, se na imprensa escrita, radiofônica e televisiva sempre há enormes custos a serem compensados (o que para alguns justifica certas concessões éticas), na internet não há custo. Portanto se vende quem quer, não quem precisa se vender pra pagar as contas.

Ainda assim, defendo quem se vende. Uma das belezas deste meio é essa, há espaço para todos, inclusive para quem faz negócios com sua consciência. O que ocorre agora, porém, é um divisor mais profundo. As mazelas do jornalismo amazonense chegaram à internet antes de suas virtudes. Antes que pudéssemos ver estudantes de jornalismo criando sites de notícias, livres de pressões, chegaram os capatazes da botocuda e viciada imprensa tradicional. Enquanto nossos repórteres de amanhã muitas vezes debatem no Twitter as qualidades e defeitos de um programa como o CQC, em Manaus parece ganhar espaço o inverso da fórmula. Se ali os poderosos de Brasília são constrangedoramente abordados por jornalistas com perguntas incômodas, na mídia local (e agora na internet local) parecem ser os velhos rostos novamente os donos da verdade, e nós, os cidadãos comuns, os malandros que devem ser encurralados pela verdade. Quem sempre se vendeu lá fora — porque lá fora é assim que funciona –, chega aqui xingando quem insiste num pouquinho de ética e, pasme, acaba sendo lido. É que aqui não há as famosas impressoras, a famosa tinta, os famosos encargos trabalhistas que lá por fora tanto justificam as mudanças de tratamento aos políticos.

Mas não vou dourar a pílula do que não passa da mais bandida intimidação. Falar de jornalismo para explicar o que é apenas a boa e velha canalhice dos donos das tabernas de notícias é macular demais o jornalismo. O recado das minhas intimações criminais não é o do fim da liberdade de expressão, nem o nascimento de um mártir da internet amazonense.

O buraco é mais embaixo: Quando uma sociedade dá tão de graça sua própria liberdade de pensar, deixa de ser uma sociedade, vira apenas uma multidão.

Cara pintada — Há 20 anos, o Brasil reconquistava o direito de escolher seu presidente em eleições diretas. Collor e Lula disputavam o cargo, e Collor venceu, com a ajuda de uma fraude eleitoral chamada Lurian. Acabou deposto do cargo por corrupção. Hoje, Lula tem Collor como um de seus maiores aliados no Congresso, e a geração cara-pintada que lhe derrubou, bem… idealismo contra a corrupção é como banda de rock na adolescência, um dia acaba.

‘Salafrária’ cubana? — A blogueira cubana Yoani Sánchez foi agredida no último sábado (07), enquanto participava de uma manifestação pela paz, em Havana, capital de Cuba. De acordo com relato publicado em seu blog, ela foi colocada, a força, dentro de um veículo. Os agressores não informaram o motivo da ação. Não custa lembrar que Cuba vive há décadas sob o único regime totalitário “oficializado” da América Latina.

Sozinho — Quem diria! Com a saída de Ângelus Figueira das trincheiras oposicionistas na Assembléia (Ângelus assume a Prefeitura de Manacapuru), restou para Liberman Moreno a inglória missão de ser o Eron Bezerra do passado, a única voz no Legislativo a cumprir a obrigação legal de fiscalizar o poder Executivo de Eduardo Braga. Com Eron no lado Braga da Força, Liberman será, por assim dizer, o único a cantar de galo na oposição estadual.

Decadência — Piadinha corrida no Twitter na última segunda (9): “Sinal dos tempos. Há 20 anos, Pedro Bial estava na Alemanha, cobrindo a queda do Muro de Berlim. Hoje está no Projac, cobrindo a queda de saradões no paredão do Big Brother”.

Cadê a lona? — Na Prefeitura de Manaus, a semana começou com a notícia de que o secretário de Limpeza Pública, Paulo Cavalleti, agrediu uma assessora a capacetadas, comeu churrasco de anta com funcionários e atirou em cachorros de rua para praticar tiro ao alvo. Maria Helena deve cair também, por distribuir aos servidores documento que provaria que projeto do software de R$ 17 milhões foi redigido por empresa interessada na venda. Amazonino vai acabar trocando a má fama injusta de Ali Babá pela de Orlando Orfei.

Gagolândia — Um projeto do deputado Cassiá Carpes (PTB-RS) prevê que as empresas de telefonia celular concedam um desconto de 50% em suas tarifas para clientes gagos. “Conversar com alguém que tem essa deficiência é muito difícil, porque ela leva muito mais tempo para se expressar”, defende o deputado. Cassiá diz que o Brasil tem 2 milhões de gagos. Se o projeto for aprovado, estimativa do IMMB (Instituto de Medição da Malandragem Brasileira) avalia que esse contingente deve ultrapassar os 50 milhões em pouco tempo.

Uhú! — A ex-BBB Milena Fagundes tem planos para se candidatar a deputada estadual em 2010, informou durante a semana o colunista Júlio Ventilari. Milena ainda não teria decidido por que partido concorrer, mas fontes do blog avaliam que a legenda escolhida será o PDBLB, o Partido Democrático Baladeiro do Lado B. Milena já teria até escolhido o slogan de sua campanha: “Vote em mim por afinidade mesmo…”

CBN Serviço — O ótimo blog The Wall Memories, sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim, sorteou entre os leitores um cartão postal como brinde. Fui um dos sorteados, e recebi a notícia via email, da autora do blog, a jornalista Ariane Mondo, que me pediu o endereço da minha casa. Para poupar o trabalho, indiquei o site da rádio CBN em Manaus, que desde 29 de outubro orienta a população sobre como chegar no meu endereço. E ainda dizem que o rádio não pode ser útil…

Hierarquia — A atriz Luana Piovani foi fotografada no terraço do Hotel Fasano, no Rio, tomando sol como uma turista, exatamente no momento em que a cantora Madonna se hospedava no mesmo hotel. Luana é tiete declarada da cantora, e pareceu não se importar com o flagrante de subserviência celebritária.

Vingança dos nerds — Uma pesquisa realizada pelo instituto KCUF, Massachusetts Ohio, constatou que usuários do Sistema Operacional Linux perdem a virgindade, isto é, tem sua primeira relação sexual em média com 35 anos de idade. Adoradores do sistema operacional gratuito então invadiram os computadores do KCUF, descobriram que o sistema ali é Windows e picharam o site do instituto, colocando os dizeres “Perdemos a virgindade aos 35, mas nunca recebemos a mensagem ‘essa transa foi interrompida e será fechada automaticamente’ durante o sexo”.

Lá e cá — Os 700 colegas de faculdade da aluna Geyse na Uniban a perseguiram pelos corredores gritando “puta! puta! puta!”. Tudo por causa do tamanho da saia da moça. Há quem comente que, em algumas das faculdades particulares de Manaus, a mesma Geyse, com o mesmo vestido, teria sido perseguida e chamada pelos corredores de “crente! crente! crente!”

Iluminado — Equipe de criação da agência Mene & Money ganhou ontem um belo tema para a próxima propaganda de Eduardo Braga na televisão. Exibindo imagens dos prédios manauaras à noite e da iluminação do Teatro Amazonas durante o Amazonas Film Festival, se ouvirá uma bela locução sobre o orgulho amazonense de não ter sofrido com o apagão da terça, na maior parte do país.

A Proposta de Emenda à Constituição 33/2009, que restabelece a obrigatoriedade do diploma de Jornalismo para o exercício da profissão, foi incluída na pauta da próxima reunião da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, que acontece nesta quarta-feira (11/11). O autor do projeto, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), prefere não arriscar se a votação ocorrerá nesta reunião. “Pode ser que alguém peça vista”, diz. Entretanto, está confiante na aprovação.

“Já fizemos a audiência pública, agora é só votar mesmo. Não é possível que a gente perca esse negócio”, avalia. O relatório, produzido pelo senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), é a favor da aprovação do texto. “Por se tratar de uma profissão que desempenha função social, o jornalismo requer formação teórica, cultural e técnica adequada, além de amplo conhecimento da realidade”, afirmou Arruda em seu relatório.

No mesmo dia, uma proposta similar também deverá ser votada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. “O dia vai ser bom: nós de manhã e eles de tarde”, diz Valadares.

Do site Comunique-se.

Através da rede social Twitter, a estudante Andrea Cozzolino publicou a imagem acima, de uma das questões do ENADE — Exame Nacional de Desempenho de Estudantes –, realizada neste domingo (8) em todo o país. A questão, que constou na prova de Comunicação, abordava a história da “marolinha” do presidente Lula, e perguntava como deveria ser classificada a crítica de boa parte da imprensa brasileira. As opções eram “atitude preconceituosa”, “irresponsabilidade”, “livre exercício da crítica”, “manipulação política da mídia” e “prejulgamento”.

O fato ganhou repercussão na rede quando o jornalista Ricardo Noblat, ele próprio um ferrenho crítico da declaração de Lula, repassou a imagem aos seus mais de 20 mil seguidores no serviço. Noblat tomou a liberdade de publicar o “gabarito” da questão: “a resposta certa é a da letra C”, disse o blogueiro.

Em 5 de agosto de 2008, publiquei aqui um post sobre caso semelhante, ocorrido numa das provas do vestibular da Universidade do Estado do Amazonas — UEA –, preparada pela Fundação Getúlio Vargas, em que uma das questões trazia clara propaganda eleitoral favorável ao candidato do governador Eduardo Braga.

O ENADE integra o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e tem o objetivo de aferir o rendimento dos alunos dos cursos de graduação em relação aos conteúdos programáticos, suas habilidades e competências.

Os redatores da prova grifaram o nome do presidente erradamente. O Luiz do presidente é com “z”.

O “novo” homem das Finanças — Maria Helena Oliveira, secretária da Semef, deve ficar na Prefeitura somente até o fim do ano, mas já não manda mais nas contas da Prefeitura. Ainda extra-oficialmente, quem dá as cartas no órgão é Alfredo Paes, ex-secretário de Amazonino e Eduardo Braga em outros carnavais. Alfredo Paes é conhecido pela experiência junto ao grupo político, mas famoso mesmo ficou pelo indiciamento na operação Albatroz. Com a previsão de que a saída definitiva de Maria Helena ocorra no final do ano, existe a possibilidade de que a secretária deixe a Prefeitura depois do prefeito.

Teimosia — Wallace Souza foi internado neste domingo com forte dor de barriga. O médico da família informou que seu paciente é muito teimoso, pois insiste na imprudência alimentar e não liga para os ensinamentos de vovó. Depois de comer uma banda de tambaqui assada na brasa, regada a pimenta murupi, molho vinagrete, comer aquele pirão e tomar uma tigela de tucupi fervente em sua cela, o ex-deputado caiu direto na piscina do clube, com a barriga ainda cheia. A congestão está sendo tratada como princípio de pneumonia. Sá Cavalcante, o homem da Segurança Pública amazonense, alega que não pode fazer nada porque a Agecom ainda não criou uma estratégia para que Omar Aziz assuma o caso e ao mesmo tempo descole um comício improvisado.

No Rio, CV e ADA. No Amazonas, CNJ e PF — Omar Aziz, aliás, já encontrou um culpado para a explosão da violência em Manaus: A Polícia Federal, que desativou dois postos de vigilância nas fronteiras do Amazonas. Omar alega que a saída dos federais das entradas do estado liberou o tráfico de drogas. Cruzando-se os traficantes da fronteira de Omar com os presidiários liberados pela Justiça de Dan Câmara, então, deduz-se que os responsáveis pela onda de crimes em Manaus foram liberados pelo CNJ, viajaram para o exterior, compraram a droga, voltaram ao Amazonas e tocaram o terror em Manaus. É uma proeza e tanto, mas não deixa de fazer sentido que, para o governo Eduardo Braga, os vilões da história sejam nada menos que o o Conselho Nacional de Justiça e a Polícia Federal.

O homem certo — Mais uma pessoa foi assassinada, em Manaus, pelo envolvimento com o grupo criminoso supostamente chefiado por Wallace Souza. Fontes maldosas da polícia, simpatizantes dos Irmãos Souza, dizem que não há prova maior da competência de Wallace para ser o secretário de Segurança do Amazonas. Enquanto Sá Cavalcante admite que não manda na polícia, boatos dizem que a família Souza coloca ordem na cidade mesmo confinada no Clube de Campo da PM.

Prestígio — Um conhecido radialista de Manaus, que há 8 (oito) dias expõe o endereço da minha família no site oficial de sua rádio, diz que sou um crápula cujo blog tem cinco leitores diários, e quero apenas audiência. É o padrão CBN de jornalismo. No processo que move contra mim, porém, o radialista é mais generoso com este “salafrário” aqui, e começa assim sua peça de acusação: “O Representado [eu] é um conhecido blogueiro da cidade”. O radialista também alega que este blogueiro aqui merece a condenação porque O Malfazejo tem “alcance incomensurável”. Que fique registrado aqui meu agradecimento pelo elogio “jurídico” e involuntário.

“Prá” bom entendedor, um endereço basta — A exposição da minha família no site da CBN local, incitando “pessoas de bem” a me procurar para “fazer justiça”, parece estar surtindo efeito. Seguranças dizem que neste domingo, às 18h, um motorista não identificado perguntava, pelas ruas do conjunto, pelo Ismael da casa número “X”. Quanto às constantes faltas de energia e à buraqueira que atinge o conjunto habitacional, porém, a CBN local não dá um pio. Seria incorreto atribuir qualquer agressão à minha família à “dica” dada pela rádio, em seu site, para as “pessoas de bem” de Manaus?

Enquanto isso… — Enquanto a Prefeitura denuncia a administração passada, o Parque Ponte dos Bilhares segue sua triste história de abandono e depredação. O desperdício do dinheiro público e a destruição do local de lazer de milhares de pessoas é feito à luz do dia, sob os olhos da Justiça.

Inovação — Amazonino Pescando Mendes planeja lançar, em poucos dias, o programa “Meu Primeiro Tucunaré”. A ideia é qualificar mão-de-obra junto às camadas mais pobres da cidade, oferecendo gratuitamente equipamentos e treinamento de pesca esportiva. Fontes deste blog informam que a próxima investida de Amazonino será a primeira maratona escolar de dominó, parte do programa social “Minha Carroça de Sena, Minha Vida” na rede municipal de ensino. Durante os primeiros 10 meses de casa ano letivo, todos os alunos da rede pública de ensino terão aula somente até as terças-feiras, e depois serão liberados para escolher entre o curso de pesca ou os torneios de dominó.

A Comissão de Funcionários da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (Funtec) denunciou no último post que a direção da emissora havia distribuído certificados para dezenas de pessoas com o objetivo de tentar fazer com que as mesmas conseguissem o registro profissional de radialista para poder participar do concurso público ora em andamento. Essa denúncia foi baseada em informações que chegaram às mãos dessa Comissão. Para provar que a direção da TV Cultura realmente fez o que fez, é que estamos publicando cópia de um dos certificados que vai assinado pela chefe do Departamento de Recursos Humanos, Cleice Mara de Araújo, e pelo diretor de Produção e Programação, Bean Jackson Nascimento.

Leia mais e veja a imagem do certificado no blog SOS TV Cultura.

Após fazer o lançamento do edital do concurso público da TV Cultura do Amazonas em uma coletiva na sede do governo do Estado, na manhã desta quinta-feira (17/09), o diretor-presidente da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (Funtec) convocou os funcionários para uma reunião no início da tarde, no auditório da emissora, e implantou o terror ao anunciar que o FGTS dos demitidos só será pago por meio de alvará na justiça.

Mal acabou de explicar, a revolta tomou conta de quem estava presente na reunião, pois os funcionários entenderam que, após 15 anos de dedicação à TV Cultura, todos sairiam de ‘mãos abanando’. A direção ignora que todos são contratados pelo regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e têm os direitos garantidos na Constituição.

Leia mais no blog SOS TV Cultura.

cartaz_ciroO professor Ciro Correia, presidente do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), estará em Manaus para um debate com os docentes do Amazonas. Ele proferirá a palestra “As alterações da carreira docente nas propostas do Governo Federal”. O evento será na próxima quinta-feira, 17, às 15h, no auditório Rio Solimões, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

No início do mês de setembro, o Ministério da Educação (MEC) informou às comunidades universitárias que somente 1% das universidades avaliadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) obtiveram nota máxima no Índice Geral de Cursos (IGC). Nessa conjuntura, o Andes-SN é provocado a mobilizar a sociedade para explicar os prejuízos que a universidade pode estar sofrendo.

Em paralelo a isso, o Governo Federal tem planejado algumas propostas de modificação na carreira docente, como a flexibilização da Dedicação Exclusiva e novos tipos de remuneração. Essas sugestões serão mote da palestra do professor Ciro. Na oportunidade, os docentes poderão conhecer melhor as propostas, avaliá-las e debater os argumentos do presidente do Andes-SN.

No dia seguinte, o professor Ciro estará em Rio Branco (AC) para participar do 2º Encontro das Seções Regionais Norte I. Na ocasião, o docente comandará um seminário intitulado “Reforma do Estado e Implicações da Carreira Docente”.

Biografia

O docente Ciro Teixeira Correia é pós-doutor pelo Victorian Institute of Earth and Planetary Sciences. Na docência, acumulou experiências dando aulas tanto no Brasil, na USP, como na Austrália, Portugal, Itália e Estados Unidos.

Além das atividades em ensino, pesquisa e extensão, o professor Ciro Correia também tem experiência como militante do movimento sindical. Já ocupou a diretoria da Associação dos Docentes da USP (Adusp) em duas ocasiões – uma delas como presidente. Seu trabalho na militância fez com que fosse eleito, ano passado, presidente do Andes-SN, cargo que ocupará até 2010.