Tarcisio Serpa Normando
Tornei-me humanista através das leituras, nas longas viagens pelos rios do Amazonas, dos livros de Arthur Cezar Ferreira Reis, Leandro Tocantins e Agnello Bittencourt.
A declaração não é minha. É do Sr. Amazonino Armando Mendes, publicada em 1989, na reedição do livro História do Amazonas (Arthur Reis). Ela é muito feliz porque reconhece o valor dos autores regionais na produção de saberes sobre a problemática amazônica, especialmente seus processos de formação histórica. Uma pena que as últimas medidas adotadas pela SEMED renegam essa centralidade.
Sob pretexto de modernizar a educação e melhorar a nota do IDEB, foi extirpada dos currículos das escolas municipais, a disciplina Fundamentos de História do Amazonas, responsável pela introdução de muitas das questões levantadas por esses pensadores e, principalmente, por discutir cidadania. Como historiador e professor, gostaria de advertir o leitor de como essa mudança, aparentemente simples, pode comprometer as gerações futuras de estudantes manauaras.
A partir do momento que foram firmados convênios entre Estado e municípios com a UFAM e UEA para oferecimento de turmas especiais de graduação, oportunizou-se que centenas de professores melhorassem suas condições de ensino através do estudo dos fundamentos teóricos e metodológicos da disciplina História. Muitos tomaram contato com os processos que ajudaram a fazer do Amazonas o que ele é hoje. Perceberam que há muito que pesquisar sobre a região e que poderiam contribuir na tarefa árdua de reflexão sobre a História amazonense.
Em conseqüência, acredito que a formação inicial inflamou os novos historiadores a ampliar seus horizontes e desbravar temas, objetos e abordagens que ainda não tinham sido devidamente mapeados. Em alguns casos, as inquietações renderam dissertações e teses. Em muitos outros, colaboraram para fazer das aulas momentos colaborativos de construção de conhecimento histórico sobre a globalização, as comunidades quilombolas sobreviventes no norte do país ou a situação do transporte público em Manaus, por exemplo.
É um processo que levará ao fim o ensino decoreba que torna a escola um lugar chato e sem significado afetivo para o estudante. Assim, o estudo da História do Amazonas conquista o aluno, fazendo-o perceber que a violência que assola seu bairro ou a falta de emprego que atinge sua família foram frutos de idéias e ações tomadas por indivíduos num determinado momento no passado e que, portanto, podem ser transformadas, cabendo-lhe um papel protagonista.
Por isso é um engano pensar que focar o ensino apenas nas disciplinas de língua portuguesa e matemática trará desempenho de qualidade no IDEB. Elas são importantes, evidentemente, mas precisam das demais para, juntas, ajudarem os jovens a ler o mundo na sua complexidade. Não se pode abrir mão de professores interessados em fazer da sala de aula um lugar estimulante por conta de uma corrida alucinada por notas. Discutir os Fundamentos da História do Amazonas é possibilitar que o aluno entenda suas raízes sociais e culturais e perceba que, individual e coletivamente, é ele quem escreve a História de sua vida e de seu mundo. Entender isso é, num certo sentido, levar a cabo as lições de humanistas como Reis, Bittencourt e Tocantins. Negar, caro leitor, é impedir que as futuras gerações tornem-se plenos cidadãos.
Um historiador chamado Peter Burke escreveu que a função da História e lembrar a sociedade daquilo que ela quer esquecer. Nesse sentido, a sobrevivência da História do Amazonas nos currículos das escolas municipais lembraria que a formação humanista ainda não perdeu sua validade, a despeito do que possa pensar os Sr. Secretário de Educação e, principalmente, o Sr. Prefeito de Manaus que parece querer negar aos jovens alunos municipais a oportunidade que ele teve de conhecer nossa História.
Tarcísio Serpa Normando é professor de História e Doutorando em Sociedade e Cultura na Amazônia.
Robert pertenceu à geração de Pierre Bourdieu e Michel Foucault, com quem partilhou intervenções e pesquisas
O Roda Viva recebe o sociólogo francês Robert Castel , nesta segunda-feira (1/02), às 22h, na TV Cultura. Castel nasceu em 27 de março de 1933, em Brest, região da Bretanha, na França. Tem formação em Filosofia e Sociologia. Nos últimos cinquenta anos foi professor nas principais universidades francesas e nas universidades americanas de Berckley, Colúmbia e Harvard.
Nesse período, o sociólogo produziu a maior parte de seus estudos e pesquisas e tem publicado uma dezena de livros, alguns deles editados no Brasil, como A ordem psiquiátrica, A gestão dos riscos, A insegurança social, A metamorfose das questões socias.
Seus textos, hoje, compõem uma ampla análise sobre as mudanças que ocorreram principalmente nas relações trabalhistas e nos efeitos que a nova realidade do mercado de trabalho provocou nas relações sociais.
Robert pertenceu à mesma geração de Pierre Bourdieu e Michel Foucault, com quem partilhou intervenções e pesquisas.
Com apresentação de Paulo Markun, a bancada de entrevistadores será formada por Gilson Schwartz, professor da Escola de Comunicação e A,rtes da USP; Norma Couri, correspondente da revista portuguesa Visão; Ricardo Antunes, professor da Sociologia do Trabalho da Unicamp; e Ivan Marsiglia, editor do caderno Aliás do jornal O Estado de S.Paulo.
Se um marciano aterrissasse hoje no Brasil e se informasse pela Rede Globo e pelos três jornalões, seria difícil que nosso extra-terrestre escapasse da conclusão de que o maior filósofo brasileiro se chama Roberto Romano; que nosso grande cientista político é Bolívar Lamounier; que Marco Antonio Villa é o cume da historiografia nacional; que nossa maior antropóloga é Yvonne Maggie, e que o maior especialista em relações raciais é Demétrio Magnoli. Trata-se de outro monólogo que a mídia nos impõe com graus inauditos de desfaçatez: a mitologia do especialista convocado para validar as posições da própria mídia. Curiosamente, são sempre os mesmos.
Se você for acadêmico e quiser espaço na mídia brasileira, o processo é simples. Basta lançar-se numa cruzada contra as cotas raciais, escrever platitudes demonstrando que o racismo no Brasil não existe, construir sofismas que concluam que a política externa do Itamaraty é um desastre, armar gráficos pseudocientíficos provando que o Bolsa Família inibe a geração de empregos. Estará garantido o espaço, ainda que, como acadêmico, o seu histórico na disciplina seja bastante modesto.
Leia mais na edição 80 da revista Fórum.

Adolf Hitler em sua Mercedes “azul meia-noite”, cercado pela multidão em Sieg Heiling em 1937. Foto: © Bettmann/CORBIS
Exibindo sua impressionante coleção de carros clássicos, Dmitry Lomakov explica a paixão dos russos por carros nazistas. “São símbolos da vitória russa”, diz ele. “Para os russos, a Segunda Guerra Mundial não é um evento histórico. Para nós, aconteceu ontem.” Lomakov é o diretos do museu de carros antigos de Moscou, cuja coleção, num hangar congelante, inclui três carros raros, pertencentes aos nazistas. “Comprar um carro nazista é como ‘mostrar o dedo’ para Hitler”, ele explica. À esquerda da porta de entrada, está a Mercedes Benz 540K de Joseph Goebbels, comprada pelo pai de Lomakov em 1972 depois que ele a viu enferrujando num jardim da comunista Letônia. Então surge a Limusine Horch-853 de Hermann Goering. Próximo dela está a relativamente modesta Mercedes-Benz 320 de Martin Boorman, usada por seu cozinheiro para carregar sacos de batatas. No início desta semana, um colecionador anônimo arrematou o troféu definitivo: uma Mercedes-Benz 770K azul escuro, pertencente a Hitler.
Leia a matéria completa (em inglês) no site do jornal The Guardian.
Cara pintada — Há 20 anos, o Brasil reconquistava o direito de escolher seu presidente em eleições diretas. Collor e Lula disputavam o cargo, e Collor venceu, com a ajuda de uma fraude eleitoral chamada Lurian. Acabou deposto do cargo por corrupção. Hoje, Lula tem Collor como um de seus maiores aliados no Congresso, e a geração cara-pintada que lhe derrubou, bem… idealismo contra a corrupção é como banda de rock na adolescência, um dia acaba.
‘Salafrária’ cubana? — A blogueira cubana Yoani Sánchez foi agredida no último sábado (07), enquanto participava de uma manifestação pela paz, em Havana, capital de Cuba. De acordo com relato publicado em seu blog, ela foi colocada, a força, dentro de um veículo. Os agressores não informaram o motivo da ação. Não custa lembrar que Cuba vive há décadas sob o único regime totalitário “oficializado” da América Latina.
Sozinho — Quem diria! Com a saída de Ângelus Figueira das trincheiras oposicionistas na Assembléia (Ângelus assume a Prefeitura de Manacapuru), restou para Liberman Moreno a inglória missão de ser o Eron Bezerra do passado, a única voz no Legislativo a cumprir a obrigação legal de fiscalizar o poder Executivo de Eduardo Braga. Com Eron no lado Braga da Força, Liberman será, por assim dizer, o único a cantar de galo na oposição estadual.
Decadência — Piadinha corrida no Twitter na última segunda (9): “Sinal dos tempos. Há 20 anos, Pedro Bial estava na Alemanha, cobrindo a queda do Muro de Berlim. Hoje está no Projac, cobrindo a queda de saradões no paredão do Big Brother”.
Cadê a lona? — Na Prefeitura de Manaus, a semana começou com a notícia de que o secretário de Limpeza Pública, Paulo Cavalleti, agrediu uma assessora a capacetadas, comeu churrasco de anta com funcionários e atirou em cachorros de rua para praticar tiro ao alvo. Maria Helena deve cair também, por distribuir aos servidores documento que provaria que projeto do software de R$ 17 milhões foi redigido por empresa interessada na venda. Amazonino vai acabar trocando a má fama injusta de Ali Babá pela de Orlando Orfei.
Gagolândia — Um projeto do deputado Cassiá Carpes (PTB-RS) prevê que as empresas de telefonia celular concedam um desconto de 50% em suas tarifas para clientes gagos. “Conversar com alguém que tem essa deficiência é muito difícil, porque ela leva muito mais tempo para se expressar”, defende o deputado. Cassiá diz que o Brasil tem 2 milhões de gagos. Se o projeto for aprovado, estimativa do IMMB (Instituto de Medição da Malandragem Brasileira) avalia que esse contingente deve ultrapassar os 50 milhões em pouco tempo.
Uhú! — A ex-BBB Milena Fagundes tem planos para se candidatar a deputada estadual em 2010, informou durante a semana o colunista Júlio Ventilari. Milena ainda não teria decidido por que partido concorrer, mas fontes do blog avaliam que a legenda escolhida será o PDBLB, o Partido Democrático Baladeiro do Lado B. Milena já teria até escolhido o slogan de sua campanha: “Vote em mim por afinidade mesmo…”
CBN Serviço — O ótimo blog The Wall Memories, sobre os 20 anos da queda do Muro de Berlim, sorteou entre os leitores um cartão postal como brinde. Fui um dos sorteados, e recebi a notícia via email, da autora do blog, a jornalista Ariane Mondo, que me pediu o endereço da minha casa. Para poupar o trabalho, indiquei o site da rádio CBN em Manaus, que desde 29 de outubro orienta a população sobre como chegar no meu endereço. E ainda dizem que o rádio não pode ser útil…
Hierarquia — A atriz Luana Piovani foi fotografada no terraço do Hotel Fasano, no Rio, tomando sol como uma turista, exatamente no momento em que a cantora Madonna se hospedava no mesmo hotel. Luana é tiete declarada da cantora, e pareceu não se importar com o flagrante de subserviência celebritária.
Vingança dos nerds — Uma pesquisa realizada pelo instituto KCUF, Massachusetts Ohio, constatou que usuários do Sistema Operacional Linux perdem a virgindade, isto é, tem sua primeira relação sexual em média com 35 anos de idade. Adoradores do sistema operacional gratuito então invadiram os computadores do KCUF, descobriram que o sistema ali é Windows e picharam o site do instituto, colocando os dizeres “Perdemos a virgindade aos 35, mas nunca recebemos a mensagem ‘essa transa foi interrompida e será fechada automaticamente’ durante o sexo”.
Lá e cá — Os 700 colegas de faculdade da aluna Geyse na Uniban a perseguiram pelos corredores gritando “puta! puta! puta!”. Tudo por causa do tamanho da saia da moça. Há quem comente que, em algumas das faculdades particulares de Manaus, a mesma Geyse, com o mesmo vestido, teria sido perseguida e chamada pelos corredores de “crente! crente! crente!”
Iluminado — Equipe de criação da agência Mene & Money ganhou ontem um belo tema para a próxima propaganda de Eduardo Braga na televisão. Exibindo imagens dos prédios manauaras à noite e da iluminação do Teatro Amazonas durante o Amazonas Film Festival, se ouvirá uma bela locução sobre o orgulho amazonense de não ter sofrido com o apagão da terça, na maior parte do país.
A Comissão de Funcionários da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (Funtec) denunciou no último post que a direção da emissora havia distribuído certificados para dezenas de pessoas com o objetivo de tentar fazer com que as mesmas conseguissem o registro profissional de radialista para poder participar do concurso público ora em andamento. Essa denúncia foi baseada em informações que chegaram às mãos dessa Comissão. Para provar que a direção da TV Cultura realmente fez o que fez, é que estamos publicando cópia de um dos certificados que vai assinado pela chefe do Departamento de Recursos Humanos, Cleice Mara de Araújo, e pelo diretor de Produção e Programação, Bean Jackson Nascimento.
Leia mais e veja a imagem do certificado no blog SOS TV Cultura.
Após fazer o lançamento do edital do concurso público da TV Cultura do Amazonas em uma coletiva na sede do governo do Estado, na manhã desta quinta-feira (17/09), o diretor-presidente da Fundação Televisão e Rádio Cultura do Amazonas (Funtec) convocou os funcionários para uma reunião no início da tarde, no auditório da emissora, e implantou o terror ao anunciar que o FGTS dos demitidos só será pago por meio de alvará na justiça.
Mal acabou de explicar, a revolta tomou conta de quem estava presente na reunião, pois os funcionários entenderam que, após 15 anos de dedicação à TV Cultura, todos sairiam de ‘mãos abanando’. A direção ignora que todos são contratados pelo regime da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e têm os direitos garantidos na Constituição.
Leia mais no blog SOS TV Cultura.
O radialista Ronaldo Tiradentes comentou na manhã de hoje (16), durante o programa CBN Manaus, na rádio CBN, a situação de penúria e abandono porque passa a TV Cultura do Amazonas. Tiradentes apelou ao governo do Estado para que olhe para a emissora e resolva a situação. O radialista criticou o investimento que o governo estadual faz em empresas privadas de comunicação em detrimento da TV Cultura, que tem história, registrou e ainda registra a história do Amazonas e é um patrimônio público do povo amazonense. Tiradentes citou a empresa Jobast Produções, uma produtora de vídeo, como uma beneficiária da generosidade do governo Eduardo Braga. “No ano passado, a empresa Jobast ganhou R$ 22 milhões do governo do Estado. Esse dinheiro deveria ser investido na TV Cultura”, disse.
Leia mais no blog SOS TV Cultura.
por Raimundo Colares Ribeiro
Em 5 de agosto de 1935, o desembargador Hamilton Mourão, soberano grão-mestre da maçonaria amazonense, assinava o Decreto nº 41, que instituía de festa maçônica o 7 de setembro e determinava serem realizadas sessões cívicas nos templos maçônicos, com a participação de maçons regulares, seus familiares e amigos, pois considerava que a Independência do Brasil constituía-se, definitivamente, como o maior acontecimento político da evolução da nação brasileira como povo livre, sendo, por conseguinte, o ponto de partida de todas as suas conquistas, desde que se realizassem nos domínios da democracia.
Ao longo de seu texto, o referido Decreto também observava que os povos só poderiam desenvolver-se quando totalmente desimpedidos da tutela e orientação de outra gente, porque, segundo ele, a liberdade sempre se destacou como a fonte mais alta e superior de aspirações políticas, e que a maçonaria brasileira, pelas vozes e pela ação de Gonçalves Ledo, José Bonifácio e outros grandes obreiros da Ordem, que tanto exerceram influência sobre o espírito de D. Pedro I, igualmente, maçom, muito contribuiu para que esse monarca fizesse a emancipação nacional, traduzido no grito de “Independência ou Morte”, a 7 de setembro de 1822.