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	<title>O Malfazejo &#187; Boteco</title>
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		<itunes:summary>por Ismael Benigno Neto</itunes:summary>
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		<title>O polvo deles e o nosso polvo</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Jul 2010 23:10:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Acontece neste momento, enquanto a Espanha comemora sua passagem para a final da Copa 2010, um protesto solitário do vereador Hissa Abrahão (PPS) no Twitter. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter" src="http://www.monster-munch.com/images/OctopiedBuilding.jpg" alt="" width="470" /></p>
<p>O vereador, que ainda não registrou sua candidatura ao governo do estado, teve seu nome colocado na boca do sapo &#8212; ou melhor, do polvo. A diferença é que, no caso da Copa, <a href="http://www.spiegel.de/international/zeitgeist/0,1518,704954,00.html">o polvo Paul</a>, contra todos os prognósticos, acertou em apontar os espanhóis como vencedores da partida. Com o <em>nosso &#8216;polvo&#8217;</em>, o desmentido veio duas horas depois.</p>
<p>Em seu blog, hoje de manhã, <em>nosso polvo</em>, o coordenador de marketing da campanha do governador à reeleição, disse:</p>
<p style="padding-left: 60px"><strong>Hissa Abrahão não será mais candidato a governador</strong></p>
<p style="padding-left: 60px">Postado por: [<em>nosso polvo</em>] em 07/07/2010 às 12h06</p>
<p style="padding-left: 60px">O vereador Hissa Abrahão (PPS) não será mais candidato a governador nesta eleição, decisão tomada já há 72 horas. O que ainda será decidido hoje a noite, em Brasília, é se o PSDB apresentará um nome em substituição ao vereador, a fim de não ceder o tempo de televisão de aproximadamente três minutos, metade para Alfredo, metade para Omar.</p>
<p>Perguntei diretamente ao vereador se ele realmente desistira da candidatura, e a resposta foi:</p>
<p style="padding-left: 60px"><em>Sou candidato, se quiserem me derrotar que seja nas urnas, o que considero pouco provável.</em></p>
<p>E mais:</p>
<ul>
<li><em>Critico de forma veemente aqueles oportunistas de campanha, que sem me consultar, estão falando de desistência, sou candidatíssimo.</em></li>
<li><em>Meus adversários estão ciente de nosso crescimento eleitoral e estão buscando formas antecipadas para me prejudicar. </em></li>
<li><em>Muito estranho o que ele [Durango] disse, notícia sem fundamento, não me consultou, muito estranho, ele que se diz tão sério.</em></li>
</ul>
<p>Diante de uma &#8216;notícia&#8217; tão grave (a desistência de um candidato ao governo do estado), é de se perguntar: afinal, qual é a jogada do <em>nosso polvo</em> em espalhar, pros seus leitores, uma notícia falsa?</p>
<p>Contam os mais entendidos no assunto que época de campanha é assim: quem trabalha com isso não pensa em outra coisa. O <em>nosso polvo</em> se diz muito experiente no assunto. Como responde pela coordenação de marketing da campanha do governador, não deve ter publicado a nota a troco de nada. Seria uma forma de evitar que votos do governador migrassem para a candidatura da &#8216;terceira via&#8217;?</p>
<p>O <em>nosso polvo</em> tem realmente oito braços. É publicitário, já foi comunista (sim, isso conta no currículo), é empresário, é escritor, é assessor político, é coordenador de campanha e é consultor. Mesmo com toda essa gama de atividades, <em>nosso polvo</em> ainda encontra tempo para, nas horas vagas, ser pesquisador isento.</p>
<p>Como publicitário, <em>nosso polvo</em> participa ativamente de campanhas de sucesso &#8212; sempre do governo, seja ele estadual ou municipal. Durante o processo licitatório pela conta de publicidade da Prefeitura, por exemplo, passeava entre o gabinete do prefeito e pelo escritório da empresa de publicidade que ganhou a conta.</p>
<p>Como comunista, ajudou o atual governador (que também põe isso em negrito no currículo) em sua campanha para vereador. Hoje não é mais comunista, como o governador. Mas o governador é o governo estadual, a amizade continua.</p>
<p>Como empresário, <em>nosso polvo</em> é um Midas moderno. O que toca vira ouro &#8212; ouro do governo, claro. Recentemente criou uma empresa para espalhar tevês de LCD pelos PACs e órgãos públicos do Amazonas, onde a massa passa as manhãs, enquanto espera por um atendimento, vendo e ouvindo propaganda &#8212; das empresas dele e do governo estadual, claro.</p>
<p>Como escritor, <em>nosso polvo</em> escreveu um livro cheio de fotos antigas de Manaus, &#8216;conseguidas&#8217; do Acervo Público Municipal, criou uma editora, imprimiu, fez uma capa dura, fez um coquetel de lançamento (num prédio público) e vendeu 300 exemplares &#8212; para o governo municipal, claro.</p>
<p><em>Nosso polvo</em> é também assessor político. Sem cargo algum, comandou a retumbante posse do atual prefeito de Manaus. &#8220;A troco de nada&#8221;, &#8220;apenas por amizade&#8221;, dizia o <em>nosso polvo</em>. Recebeu R$ 65 mil por essa amizade &#8212; do governo municipal, claro.</p>
<p>É também coordenador de marketing de campanha, <em>nosso polvo</em>. Do governo  estadual, claro.</p>
<p>É consultor também. Informal. Do governo, estadual ou municipal, claro.</p>
<p>Paul, o polvo que acertou todos os palpites até hoje sobre a Copa da África do Sul, deve ter fama efêmera. É alemão, e a uma hora dessas, com a derrota dos seus &#8216;donos&#8217;, deve ter ido parar numa <em>paella </em>de algum restaurante espanhol de Oberhausen. Não importa que tenha acertado.</p>
<p>Acertar todas não é bom negócio quando o palpite contraria o cliente. Se Paul, o polvo deles, fosse o <em>nosso polvo</em>, teria guardado o palpite da vitória da Espanha pra si e colocado um sósia dentro do aquário, pra dizer que a Alemanha venceria.</p>
<p>O <em>nosso polvo</em> sabe disso. Não à toa seus oito tentáculos, cada um com uma função, sempre estão dentro do mesmo pote.</p>
<p>O do governo, claro.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Como vencer o Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 23:28:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Boteco]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Daniel Alarcón, no The New Republic:
Você joga futebol. Você tem uma equipe, alguns jogadores razoáveis. Você é ambicioso. Bom para você. Agora, tente o seguinte: Depois do apito e do início da partida, corra em volta do campo lentamente, laconicamente, sorrindo o tempo todo. Sua linguagem corporal deve expressar uma indiferença para com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/DANIEL-ALARCON.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-232" title="DANIEL-ALARCON" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/DANIEL-ALARCON.jpg" alt="" width="230" height="240" /></a>Por Daniel Alarcón, no <a href="http://www.tnr.com/">The New Republic</a>:</p>
<p>Você joga futebol. Você tem uma equipe, alguns jogadores razoáveis. Você é ambicioso. Bom para você. Agora, tente o seguinte: Depois do apito e do início da partida, corra em volta do campo lentamente, laconicamente, sorrindo o tempo todo. Sua linguagem corporal deve expressar uma indiferença para com o próprio jogo. Deixe o seu oponente controlar o ritmo, deixar que eles tenham a posse, deixá-los pensar que estão no comando.</p>
<p>Quando você receber a bola, toque-a para os lados um pouco, só para ver como é a sensação. Não é bonito o estádio sob as luzes? Sorria. Principalmente, porém, espere. Seja paciente. Não corra muito, a menos que seja absolutamente necessário. Só por diversão, deixe o outro lado chutar algumas vezes a gol, pra que o sangue deles corra nas veias. Então, depois de vinte minutos sem uma única oportunidade de marcar, crie uma de surpresa &#8212; roubando a bola no meio-campo, com um contra-ataque ou batendo uma falta rapidamente &#8212; e, uma vez em frente ao gol adversário, não tenha piedade.</p>
<p>Jogar contra o Brasil é um pesadelo absoluto. Eu não consigo pensar em um placar em meu favor pra começar a relaxar: 5 a 0, 7 a 0? Vamos ser honestos, a maioria dos times, ao ver aquela camisa amarelo-canário, se caga silenciosamente. No ano passado na Copa das Confederações, os Estados Unidos estavam dois gols à frente no meio do jogo, e rapidamente entregaram a partida. Do outro lado, o Brasil não pareceu muito preocupado em nenhum momento, e o placar final dificilmente seria menos surpreendente.</p>
<p>Foi, de fato, nada menos que a velha história. A minha vida inteira, eu tenho visto o Brasil jogar mal e vencer. Eles são o tipo raro de time que nunca parece estar no controle do jogo, embora sempre esteja. A verdade é que eles não estão jogando o mesmo jogo que os seus adversários. Eles estão jogando alguma coisa, um esporte parecido com futebol, mas totalmente diferente. Na versão de futebol que o resto de nós conhece, se eles fizerem um gol em você, eles vão fazer outros três. Uma vez que você é obrigado a perseguir o jogo &#8212; como foi com o Chile hoje &#8211;, eles terão o maior prazer em despedaçar você.</p>
<p>Marcelo Bielsa, técnico do Chile, por seu mérito, não teve medo. Eles jogaram o mesmo futebol atraente, mostrando o mesmo futebol que mostraram durante todo o torneio, mas infelizmente para eles, também exibiram a mesma futilidade pra chegar ao gol que os desgraçaram no grupo. (Chile chegou onde chegou com a força de apenas dois gols.)</p>
<p>Você não pode vencer o Brasil desperdiçando oportunidades. Você tem que marcar logo, e muitas vezes. Você tem que fazê-los ir até você. Você tem que forçar os seus zagueiros a jogar o tempo todo na defesa, sem lhes dar a chance de fazer aquelas corridas letais. E o mais importante, você tem que vencê-los nos noventa minutos. Quantas vezes eu vi Brasil ser completamente dominado por 85 minutos e sair de campo sorrindo e vitorioso, como se tivessem achado o espetáculo inteiro divertido?</p>
<p>Dunga e seus jogadores estão ali para serem elogiados. Mesmo com Kaká jogando mais ou menos, são impressionantes. Esta equipe é mais forte na defesa do que qualquer zaga brasileira de que me lembro, e eles são notavelmente consistentes no ataque. Luis Fabiano é um assassino direto. Todo mundo está lamentando o fim do <em>jogo bonito</em>, mas os dois malditos últimos gols pareceram muito <em>jogo bonito</em> para mim. Aposto que os fãs no Rio de Janeiro também acharam isso. Juan e Lúcio parecem nunca se cansar (e esses dois não jogaram também, se esgotando nas ligas europeias que outros usaram como desculpa?) E no caso de eles cansarem, o banco brasileiro é muito forte.</p>
<p>Você sabe, talvez eu deixe alguém responder a pergunta no título deste post. Talvez os holandeses tenham a receita secreta. Se existe uma resposta, meu palpite é que ela envolve um pouco de sorte.</p>
<p style="padding-left: 180px"><em>Daniel Alarcón é editor da </em><a href="http://www.etiquetanegra.com.pe/" target="_blank"><em>Etiqueta Negra</em></a><em>, premiada revista publicada em sua cidade natal, Lima, no Peru, and professor visitante no Center for Latin American Studies da universidade de Berkeley, Califórnia. É autor de duas obras de ficção, War by Candlelight (finalista em 2006 do prêmio PEN/Hemingway) e Lost City Radio, romance publicado em dezenas de países. Alarcón ganhou diversos prêmios, incluindo um Whiting Award (2004), um Guggenheim e um Lannan Fellowships (2007), e um National Magazine Award (2008).</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>A dica do artigo é do <a href="http://twitter.com/diegoescosteguy">jornalista Diego Escosteguy</a></em><em>, da revista Veja, no Twitter.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quem mexeu no meu caos?</title>
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		<pubDate>Tue, 04 May 2010 23:39:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Em 2008, época da última eleição para prefeito e vereadores, o PIG local empurrava goela abaixo da cidade a pauta dos debates entre os candidatos, a água. A ideia da marmota era simples: jogar no colo do então prefeito, não sem certa razão, a responsabilidade pela falta de água nas zonas Norte e Leste da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left"><img class="aligncenter" src="http://el.i.uol.com.br/2008/261008/amazoninohj.jpg" alt="" width="500" /><br />
Em 2008, época da última eleição para prefeito e vereadores, o PIG local empurrava goela abaixo da cidade a pauta dos debates entre os candidatos, a água. A ideia da marmota era simples: jogar no colo do então prefeito, não sem certa razão, a responsabilidade pela falta de água nas zonas Norte e Leste da cidade. Definido o suposto calcanhar de Aquiles da administração, a ordem era clara: bater. Depois bater, e depois bater.</p>
<p>Isso foi há um ano e meio. E de lá pra cá quanta coisa mudou&#8230; À medida que os problemas vinham se revezando como um vírus inteligente, à prova de políticos demagogos, secretários foram caindo pelo caminho, outros chegando, e a nova geração de manauaras foi sendo apresentada à cidade da Copa 2014, cruelmente a mesma que conhecemos desde 1983, quando Amazonino Mendes se instalou na história amazonense e não acabou mais.</p>
<p>Hoje a meninada ouve pela primeira vez os nomes de Raphael Siqueira, Bosco Saraiva, Manoel Ribeiro, João Coelho Braga, Celes Borges&#8230; E de cara vai tomando raiva dessa moçada que não toma jeito.</p>
<p>O roteiro é bizonho como só uma lenda amazônica pode soar. O encarregado de ordenar o trânsito é amigo do prefeito e, enquanto tenta intimidar jornalistas para não responder o irrespondível, recebe do amigo milhões por um terreno que pode ser de outra pessoa. O vice-prefeito e seus irmãos têm mais hora de polícia do que de mandato no currículo.</p>
<p>Os vereadores da base de apoio ou estão cassados ou fazendo vergonha ao chefe &#8212; e sendo humilhados por ele em público. A vergonha dos atores dessa comédia bufa só não é maior do que a vergonha do crítico de arte (a imprensa), que não pode criticar porque senão não recebe seu dinheirinho público.</p>
<p>O resultado de tudo conjugado é a baderna generalizada. Hoje o presidente do sindicato dos rodoviários, Josildo Oliveira, irmão de Jaildo, vereador da base aliada de Amazonino na Câmara, prometeu que vai furar os pneus de quem tentar furar a greve da categoria, amanhã (6), quando 100% da frota deve ficar nas garagens. Josildo &#8212; e com toda a justiça &#8212; vem sendo pintado como o baderneiro-mor, o pivô de toda a bagunça que Manaus vive há cinco dias.</p>
<p>Não. Josildo é só o líder de uma massa de manobra com 10.000 soldados, os motoristas e cobradores do sistema. E é temerário demonizar a categoria, pois o que eles cobram é um direito deles, o porcentual de reajuste acordado no dissídio da classe. Nesse rame-rame que se estende desde que Amazonino assumiu, só quem segurou as pontas da insatisfação da população foi o prefeito e os motoristas que, por motivos mais ou menos nobres, decidiu fazer uma queda de braço com o &#8220;prefeito do povo&#8221;.</p>
<p>Mas há dois personagens faltando nessa equação: os empresários e a Justiça. Pra quem já esqueceu, logo depois de assumir Amazonino aumentou o valor da passagem de R$2 para R$2,25. Numa tramóia política sobre a qual <a href="http://oavesso.com.br/omalfazejo/2010/03/04/a-tentacao-do-caos-e-a-premiacao-da-incompetencia/">comentei aqui</a>, o combinado era que os empresários cobrassem o reajuste da tarifa na justiça. Se o desembargador de plantão entendesse justa a exigência, obrigava Amazonino a conceder o aumento. Injustas ou não as suposições maldosas de que o desembargador era simpático à figura de Amazonino, o fato é que o desembargador tinha uma filha no posto de secretária de Amazonino. O fato é que, injustas ou não as suspeitas, este mesmo desembargador, Ari Moutinho, foi recentemente afastado de seu posto de prsidente do TRE-AM pelo CNJ, por supostamente favorecer o prefeito nas ações eleitorais que ele responde.</p>
<p>Mas nada disso vem ao caso. O fato é que, obrigado pela Justiça a conceder o aumento, Amazonino tirou das costas o peso político de dar o aumento sozinho. E quais eram as justificativas dos empresários para pedir o aumento? A renovação da frota, a manutenção dos ônibus e&#8230; ele, o dissídio coletivo dos motoristas. Em julho de 2009 o baderneiro-mor, Jaildo dos Rodoviários, confirmou a encenação do reajuste para R$2,25. Disse que numa reunião com motoristas e empresários, a Prefeitura, representada pela então diretora do IMTT e por uma vereadora da base de apoio de Amazonino, concordou com o aumento. De fato, chegou a ajudar os empresários nisso, fornecendo o documento, assinado pelo Conselho Municipal de Transportes (subordinado à Prefeitura), para que os empresários entrassem com o pedido na Justiça.</p>
<p>O transporte coletivo no Brasil inteiro é o ponto de maior dificuldade para os prefeitos. Várias são as razões, mas a primeira delas é que o setor é cartelizado, ou seja, são as próprias empresas, em nível nacional,  que definem quem vai entrar em qual área. Os grandes empresarios do setor &#8212; Nene Constantino, Julio Simões, Jacob Barata &#8212; controlam as empresas médias e menores, e decidem quem vai atuar em que área.</p>
<p>Como o setor não tem fontes de financiamento, as frotas vão ficando nas mãos desses empresários. Você pode ir a qualquer banco amanhã que ele te financia um carro, mas nenhum financia um onibus. Outros empresários, de outros setores, não se sentem atraídos para investir no transporte coletivo &#8212; e é bom repetir, esse é um fenômeno nacional. Resultado: o poder público fica refém desse cartel; pode fazer a licitação que quiser que só virão as empresas que esses &#8220;gigantes&#8221; decidirem. No caso de Manaus, em 2007, outros empresários compraram os editais da licitação mas não compareceram.</p>
<p>Em ano político, reza a lenda que só quem pode falar de política é político. Experimente criticar qualquer um dos atores da comédia do ano, e sempre virá um soldado raso do exército atingido no seu encalço. A discussão toda fica frívola, a crítica é desqualificada, e a preocupação passa a ser desmontar o questionador, e não a questão. Ali, no escanteio, além dos milhares de manauaras amontoando-se nos pontos de ônibus, fica o fato: não há prefeito ainda capaz de, sob o Estado Domocrático e de Direito, desmontar a caixa preta do setor de transporte público no país. Foi assim com Eduardo Braga, foi assim com Amazonino Mendes, foi assim com Serafim Corrêa, e assim está sendo com Amazonino novamente.</p>
<p>A diferença, entre todos estes prefeitos, é que nenhum tentou, de forma tão patética, transformar o assunto numa coisa menor como Amazonino. Para este ás da política local, a solução do problema é o embuste. Quanto mais bagunçado, melhor pra ele, pois a desordem pede alguém com a retórica do caos, e isso, saiam da frente, é coisa de Amazonino. Políticos como Amazonino só sobrevivem no caos, seja ele real ou criado em computador. Se Amazonino fosse eleito pra governar Copenhague ou Londres, seria apeado do cargo, não pelo favorecimento dos amigos de poder com o dinheiro público, mas por simples inoperância.</p>
<p>Há políticos eleitos para governar, e há políticos eleitos para administrar o caos. Se o caos não estiver instalado, que se crie o caos. Para isso existem (aliás, existiam) o Sabino, o Henrique, os Souzas, os Ronaldos, os Waldires, os Ramans. Esprema-se essa cambada toda e não sai uma gota de credibilidade ou compromisso com a notícia. Foi assim com as contas da Prefeitura, com os ovos estragados da Semed, com o sumiço de computadores, com a estação de tratamento do Parque Lagoa do Japiim, com as escolas abandonadas, com o turno da fome, com os ônibus.</p>
<p>Amazonino já mentiu demais. Já disse ter quebrado o monopólio das empresas, já disse ter acabado com as fraudes da meia-passagem, o que possibilitaria a queda do preço da passagem. Já disse que instalaria um sistema de geoprocessamento para modernizar o sistema e acabar com os atrasos. Nem falemos de creche ou de caminhão com internet (eliminemos o mais e o menos grotesco de suas promessas, fiquemos com a média). Amazonino prometeu acabar com os buracos da cidade, buracos, sim, que foram grande defeito da administração anterior. E o que Amazonino cumpriu disso tudo?</p>
<p>Os motoristas têm seu dissídio coletivo marcado para todo mês de maio, todos os anos. Cobram porque têm o direito de cobrar. Se violam a lei das greves, retiram das ruas mais ônibus do que o permitido, que sejam punidos. Dos empresários é necessário que se cobre o cumprimento do contrato assinado com a Prefeitura, pois ele foi assinado com a Prefeitura, e não com o prefeito A ou o prefeito B. A frota vinha sendo renovada até 2008 &#8212; vamos driblar aqui a crítica dos soldados rasos e manter o nome do então prefeito sob sigilo &#8211;, Manaus já tinha sistemas como a integração temporal, o passe eletrônico etc.</p>
<p>Hoje o que ficou disso tudo? Amazonino, o profeta do caos, já aumentou, já desaumentou, já quebrou contrato, já cooptou estudantes, já deu milhões ao amigo que deveria estar comandando a solução, já ironizou pergunta de jornalista&#8230; E Manaus segue sem ônibus.</p>
<p>Só custo a sentir dó desse povo porque, como um povo só, não importa quem votou ou não na volta do amante do caos. O que importa é que nós, o povo, o elegemos. Reclamar agora é procurar o vendedor de contrabando da Eduardo Ribeiro para cobrar assistência técnica do produto pirata comprado um ano atrás. O povo amazonense não tem o direito de se dizer traído por Amazonino. Traído só se é uma vez.</p>
<p>Governar, essa coisa que tanto dizem que Amazonino sabe fazer, não é para Amazonino. Amazonino é bom pra fazer política, não pra governar. Se é pra fazer Ação Conjunta com fins eleitorais, dá coletivas e faz algazarra. Se é pra se unir ao governo pra resolver o problema, as coletivas e o foguetório somem.</p>
<p>Quem sabe se acotovelando debaixo do sol nos pontos, por uma, duas horas à espera de um ônibus, a população use o tempo ocioso pra pensar no que realmente quer: um profeta do caos ou um governante minimamente responsável.</p>
<p>Sol, chuva, espera, aperto não matam ninguém. Às vezes é bom para &#8220;fortalecer o caráter&#8221;, como diz uma conhecida minha.</p>
<p>Fica a dica.</p>
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		<title>E o Negão ali, cheirando o chão&#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 05:41:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Agora há pouco (são 00h43 da manhã) eu checava atualizações no Twitter e via o humorista Danilo Gentili vibrando com uma piada do colega americano Chris Rock, no talk-show do David Letterman. Chris disse que se fosse o tenista Tiger Woods, estupraria um homem. O ponto de Gentili, que lidera uma cruzada pela liberdade do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/04/portalamazonino.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5929" src="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/04/portalamazonino.jpg" alt="portalamazonino" /></a><br />
Agora há pouco (são 00h43 da manhã) eu checava atualizações no Twitter e via o humorista <a href="http://twitter/danilogentili">Danilo Gentili</a> vibrando com uma piada do colega americano <a href="http://living.oneindia.in/insync/2010/chris-tiger-advice-150410.html">Chris Rock</a>, no talk-show do <a href="http://www.cbs.com/late_night/late_show/">David Letterman</a>. Chris disse que se fosse o tenista <a href="http://www.tigerwoods.com/">Tiger Woods</a>, estupraria um homem. O ponto de Gentili, que lidera uma cruzada pela liberdade do humor sujo no Brasil, era que o americano tolera melhor o escracho com sua própria cara do que o brasileiro. Gentili disse que, no Brasil, Woods provavelmente seria acusado de apologia do estupro. <em>(Atenção, leitor situado na Flórida ou em Nevada, mas que não sabe a diferença entre <span style="text-decoration: underline">among</span> e <span style="text-decoration: underline">between</span>: os links acima estão em inglês)</em></p>
<p>O episódio me fez lembrar de outro talk-show, em novembro de 2007, quando Diogo Mainardi explicou a Jô Soares o porquê do título de seu livro, &#8220;<em>Lula é minha anta</em>&#8221; (<a href="http://www.youtube.com/watch?v=fFcfwSKfu98">veja aqui um trecho do vídeo</a>). A simples citação do nome do livro causou mal estar na plateia, uma reação que poderia até dar mais razão a Gentili, se não fosse porque Lula é hoje uma espécie de padroeiro em vida dos brasileiros.</p>
<p>Muito pouco convincentemente, Mainardi dizia em 2007 que o lançamento do livro &#8212; uma coletânea de seus textos publicados na revista Veja &#8212; era uma libertação do autor, como se encapar tudo e vender fosse o final de um ciclo de vida. Bem, não me importa, honestamente, que ainda hoje Mainardi se repita no que diz sobre o presidente. Há tempos não leio a revista Veja, tampouco suas colunas semanais. Não é por ser petista ou lulista. Só perco o interesse por veículos que deixam o jornalismo de lado e se tornam panfletários. A guerra de mídia ainda vai abaixar muito o nível esse ano, mas já deu pra notar que, em tempos de eleição, a imprensa sofre com sua já previsível <em>Síndrome do Médico e do Monstro</em> (noutra hora explico isso melhor).</p>
<p>Mas por que conto isso? É porque elegi, há algum tempo, o meu Tiger Woods &#8212; ou a minha anta pessoal. A diferença essencial é que eu perdi o interesse na minha anta, Amazonino Mendes. Você dirá, como a platéia do Jô, que fica grosseiro chamar o prefeito de anta, então recorro à explicação cínica de Mainardi: é anta no sentido do animal mesmo, como se fôssemos o caçador e ele (Lula/Amazonino) a caça.</p>
<p>Eu sentei na grama, debaixo da árvore, encostei minha espingarda do meu lado e descansei. Amazonino continuou ali, a quinze metros de distância, cheirando o chão, procurando frutinhas e folhas pra comer. É duro admitir, mas enjoei. E quando o vejo na <a href="http://www.manaus.am.gov.br/index_html">manchete do portal da Prefeitura de Manaus</a>, hoje, sob o título &#8220;Prefeito reafirma que irá reordenar a cidade com sua experiência&#8221;, tudo piora.</p>
<p>Não é que ele não mereça mais atenção. Pelo contrário. Enjoar da caça à anta é perigoso, porque Amazonino é o prefeito, aguentemos sua antice ou não. No fundo, ele pode estar estuprando um homem dentro do seu gabinete, como Tiger Woods, ou ordenando a compra de vereadores mensaleiros, como Lula, só que deu um jeito de botar uma imagem sua no circuito de vídeo, cheirando o chão, se repetindo sem parar, pra pensarmos que ele continua ali, atrás de frutinhas.</p>
<p>Eu cansei. Quando Amazonino assumiu a Prefeitura, corri muito atrás dele. Hoje, quase um ano e meio depois, ele continua assumindo a Prefeitura. Ali, cheirando o chão, catando coquinho.</p>
<p>Não tem nada mais broxante para um caçador do que uma anta que não sai do lugar.</p>
<p><em>São 1h43 da manhã, e eu gastei uma hora mais com a minha anta. O mentiroso devo ser eu mesmo. Eu e o Mainardi.</em></p>
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		<title>No TRE, mais do mesmo</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 12:44:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Boteco]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>

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		<description><![CDATA[É possível que, perguntada sobre quais as datas das eleições gerais esse ano, a corte do TRE-AM não seja unânime. É incrível como quase tudo ali gera polêmica e briga. A impressão que o distinto público tem, provavelmente sem razão, é a de que basta o papai CNJ virar as costas para a troca de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>É possível que, perguntada sobre quais as datas das eleições gerais esse ano, a corte do TRE-AM não seja unânime. É incrível como quase tudo ali gera polêmica e briga. A impressão que o distinto público tem, provavelmente sem razão, é a de que basta o papai CNJ virar as costas para a troca de beliscões e cascudos recomeçar. Chega a ser possível ouvir &#8220;Olha ele aqui, manhê!&#8221; de longe. Onde isso vai parar?</p>
<p>Persiste a celeuma em torno da vaga decorrente da renúncia do Desdor. Ari Moutinho. Na sessão plenária do dia 8, a Presidente interina, Desdora. Graça Figueiredo, decidiu que consultaria o Min. Gilson Dipp, Corregedor do CNJ, acerca da possibilidade de renúncia de Moutinho, já que ele estaria respondendo um Procedimento Administrativo Disciplinar.</p>
<p>Há quem diga, porém, que a renúncia de Moutinho foi informada ao TJAM por uma servidora do TRE. Isso permitiria a publicação do edital para a eleição para membro efetivo da corte. Comenta-se que a servidora, excessivamente comunicativa, teria sido exonerada pelo deslize já no dia seguinte. O incrível é que Ari foi afastado dos tribunais pelo CNJ supostamente por acelerar ou frear o ritmo da Justiça de acordo com seus interesses pessoais. Quem conhece, sabe: as dificuldades da Justiça são o terreno perfeito para a venda ou a troca de facilidades.</p>
<p>O nome de Airton Corrêa Gentil, citado dias atrás por Domingos Chalub como provável substituto para Moutinho, foi engavetado. Parece piada, mas descobriu-se que colocar no lugar de alguém afastado pelo CNJ outro magistrado que tem problemas com o CNJ não era muito indicado. Airton Gentil está enrolado por causa de sua intimidade com a quadrilha de Adail Pinheiro em Coari. A intimidade era tamanha que dividia suítes de motel com a moçada do gás e do petróleo.</p>
<p>Em conseqüência, na próxima quinta, além da eleição para seus cargos de direção, o TJ deverá escolher o novo membro efetivo, da classe dos desembargadores,  do TRE-AM. As apostas vem se formando em torno do nome da Desdora. Socorro Guedes, e sua primariedade na Corte vem sido questionada, por ter sido suplente eleita por dois biênios.</p>
<p>Entretanto, a Resolução TSE N°  20.958, de 18/12/2001, que regula a investidura e o exercício dos membros dos Tribunais Eleitorais e o término dos respectivos mandatos, dispõe em seus arts. 2º e 3º :</p>
<p style="padding-left: 60px"><em><strong>Art. 2o  Nenhum juiz efetivo poderá voltar a integrar o mesmo tribunal, na mesma classe ou em diversa, após servir por dois biênios consecutivos, salvo se transcorridos dois anos do término do segundo biênio.</strong></em></p>
<p style="padding-left: 90px"><strong><em>§ 1o O prazo de dois anos referido neste artigo somente poderá ser reduzido em caso de inexistência de outros juízes que preencham os requisitos legais.</em></strong></p>
<p style="padding-left: 90px"><strong><em>§ 2o  Para os efeitos deste artigo, consideram-se também consecutivos dois biênios quando entre eles houver tido interrupção inferior a dois anos.</em></strong></p>
<p style="padding-left: 90px"><em><strong>Art. 3o Ao juiz substituto, enquanto nessa categoria, aplicam-se as regras do artigo anterior, sendo-lhe permitido, entretanto, vir a integrar o tribunal como efetivo. (grifei)</strong></em></p>
<p>Da interpretação dos dispositivos, tudo indica que a Desdora. Socorro Guedes não poderia ser novamente suplente, uma vez que já fora eleita para dois biênios. Mas não há na regra proibição para ocupar o cargo de membro efetivo. A  própria Desdora. Graça Figueiredo, antes de ser membro efetiva, atuara na condição de suplente. A propósito, no dia 2 de junho acaba o seu 1º biênio, e se a desembargadora não for reconduzida, talvez tenhamos dois desembargadores novos comandando o pleito.</p>
<p>Já as vagas para os juízes juristas estão longe de se definir. O único suplente dos advogados, Barros de Carvalho, já vem ocupando a vaga deixada por Francisco Maciel. Há 3 listas tríplices tramitando, uma para suplente e duas para titular. Contudo, até sexta-feira os Correios não haviam entregado  a 1ª lista de titular no TSE, com um atraso injustificado de mais de quinze dias, fazendo que o TRE tivesse de enviar novamente a lista. Provavelmente, Barros de Carvalho e Mario Augusto irão ultrapassar o prazo de dois anos na Corte sem que haja definição, já que não há suplentes e o Tribunal não pode parar.</p>
<p>Assim, a palavra de ordem no TRE é paciência, tudo pode acontecer.</p>
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		<title>Como Manaus se tornou subsede da copa do mundo</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 16:27:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Robson Franco
A escolha de Manaus como subsede da copa antecede a atual gestão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e, por conseqüência, a do presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF). É uma prova de como andam entrelaçados os interesses políticos, enquanto os esportivos são deixados de lado.
Teixeira domina com mão-de-ferro o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right"><a href="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/04/ricardo-dissica.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-5921" src="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/04/ricardo-dissica.jpg" alt="ricardo-dissica" /></a>Por Robson Franco</p>
<p>A escolha de Manaus como subsede da copa antecede a atual gestão do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e, por conseqüência, a do presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF). É uma prova de como andam entrelaçados os interesses políticos, enquanto os esportivos são deixados de lado.</p>
<p>Teixeira domina com mão-de-ferro o futebol brasileiro há muito tempo. Distribuindo mimos aos presidentes de federações mais periféricas como a do Amazonas e atendendo aos interesses das mais abonadas como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul, se reelegeu com facilidade e fez algo um pouco mais grotesco, do ponto de vista jurídico e ético.</p>
<p>Com o mandato expirando em 2012, terá ele automaticamente extendido até 2014. Isso foi decidido em 2007, quando da última eleição realizada durante a Aseembléia Geral da entidade. Os outros dirigentes, incluindo o do Amazonas, copiaram a fórmula e também tiveram seus mandatos igualmente dilatados. Teixeira argumentou que uma mudança de comando poderia alterar o calendário estipulado pela Fifa para ter o seu caderno de intenções estipulados aos países, e por conseqüência as cidades-sedes, atendidos.</p>
<p>Já se sabia, antes mesmo do mundial de 2006 na Alemanha, devido ao rodízio de continentes imposto pela Fifa para sediar as copas, que sairia do continente americano o país-sede de 2014. Os atentados de 2001 aos EUA os tiraram do páreo no quesito segurança. Disputar com a Venezuela seria pule de dez para o Brasil vencer este páreo fácil. Teixeira, raposa felpuda e melhor cria de João Havelange, tinha conhecimento disso e pensou em se manter no poder um tempo mais.</p>
<p>Com esta informação na mão e com os votos de todos os presidentes de federações no bolso, Teixeira não teve dificuldades em fazer as mudanças necessárias no estatuto. Francisco das Chagas Valério Tomáz, o Dissica, também querendo ganhar alguns pontos no cenário político do Amazonas, se articulou com o governador Eduardo Braga para que Manaus fosse sub-sede. Com o discurso de ecologista de primeira linha, aproveitando a fama de pólo industrial sem chaminés, e portanto não poluidor, e mais o fato de não se ter investido no interior nada nos últimos 43 anos, daí o baixo índice de desmatamento, não foi difícil formatar o discurso de esta ser a Copa Ecológica.</p>
<p>Não à toa Braga foi defender a candidatura, única aliás, para o Brasil sediar a copa de 2014, na Suiça. Manaus já estava definida como subsede. Isto já tinha virado moeda de troca. Em 2008 houve apenas a homologação da escolha. Mais motivo para gastar uma fortuna em uma campanha de publicidade desnecessária. Como se ainda houvesse alguma dúvida de que Manaus não seria subsede. Talvez não seja, mas não por falta de manobras políticas para isto se tornar realidade. Talvez Manaus não seja em função do não cumprimento das exigências da Fifa. Mas isto, pouco vai importar para quem já amealhou uma pequena fortuna em alimentar as frustrações deste povo amazonense.</p>
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		<title>Notas de segunda-feira</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Apr 2010 13:12:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na torcida por Amazonino
Devem ter sido duros os últimos dias do prefeito Amazonino Negociando Mendes. Com o fim do prazo para decidir se &#8216;o povo lhe chamaria&#8217; para largar novamente a Prefeitura, o prefeito optou por tentar salvar o resto do mandato e, quem sabe aceitando apoiar Alfredo em troca de muita verba federal, se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Na torcida por Amazonino</strong></p>
<p>Devem ter sido duros os últimos dias do prefeito Amazonino Negociando Mendes. Com o fim do prazo para decidir se &#8216;o povo lhe chamaria&#8217; para largar novamente a Prefeitura, o prefeito optou por tentar salvar o resto do mandato e, quem sabe aceitando apoiar Alfredo em troca de muita verba federal, se capacitar para a reeleição em 2012, o que lhe daria o trono do Reino Encantado de Tão Tão Perto (Manaus) em plena Copa do Mundo. Sem a necessidade das rajadas de mentiras típicas de uma campanha, Amazonino fica livre para organizar o que for possível, como o trânsito, a educação e a saúde. Se Amazonino evitar mais mortes de fetos na maternidade Moura Tapajoz por falta de leito, operador de ultrassom ou equipamento quebrado, por exemplo, já será um grande começo. Nas propagandas institucionais da Prefeitura, a maternidade é saudada por ter recebido o título de &#8220;Amiga da Criança&#8221;.</p>
<p><strong>Renúncia</strong> &#8212; É tida como certa a renúncia do desembargador Ari Jorge Moutinho da presidência do TRE-AM nesta segunda (5). Moutinho, que vive uma guerra interna com a desembargadora Graça Figueiredo desde o início do ano passado, deverá alegar em sua carta-renúncia que deixa o tribunal atendendo a pedidos da família. Além disso, tem contra si o julgamento do TSE que deve confirmar a irregularidade de sua recondução à presidência. Dizem os mais entendidos, também, que a pauta de julgamentos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta terça não é das mais tranquilas para vários magistrados amazonenses.</p>
<p><strong>Artigo raro</strong> &#8212; Omar Aziz assumiu o governo e levou o mercado de vices ao colapso no Amazonas. Especialistas em recolocação profissional dizem que está mais fácil encontrar uma empregada doméstica ou um astronauta com experiência comprovada em carteira do que políticos inexpressivos à disposição. José Melo, último exemplar disponível no mercado, estaria custando os olhos da cara.</p>
<p><strong>iPed</strong> &#8212; &#8220;Chega nesta segunda-feira às calçadas mais movimentadas do País a versão pirata do iPad, a engenhoca da Apple que chegou ontem às lojas autorizadas. Dizem os camelôs que o modelo original não tem isqueiro nem canivete.&#8221; Tutty Vasques, em seu blog.</p>
<p><strong>Estudantes: de novo, o problema</strong> &#8212; De provincianismo o manauara não tem podido reclamar muito. Um exemplo é a entrada da cidade no circuito das medições diárias de engarrafamentos, como em São Paulo. Hoje, por exemplo, a cidade registrou 3,2km de congestionamento nas proximidades do Complexo Viário Gilberto Mestrinho, a famosa Bola do Coroado. O detalhe é que a obra já foi inaugurada, não há como atribuir os problemas às obras. Como resultado, a Prefeitura inventou o semáforo humano: no lugar dos faróis coloridos, instalou azuizinhos (agentes de trânsito) para parar e liberar o fluxo de veículos.</p>
<p><strong>Solução rápida</strong> &#8212; Tida como a causa do problema, a entrada do campus da UFAM precisa urgentemente de uma obra que resolva o gargalo. Especialistas, inclusive agentes de trânsito, concordam que a saída definitiva seria uma passagem de nível no local, o que não seria nenhum problema para uma Prefeitura que, em 11 meses, diz ter construído todo o viaduto da Bola do Coroado. Se para aquela obra bateu-se o recorde de rapidez, estima-se que uma passagem de nível na entrada da universidade deva consumir algo como dois meses.</p>
<p><strong>Mais recorde</strong> &#8212; Falando nisso, o <a href="http://portalamazonia.globo.com/pscript/noticias/noticias.php?idN=103019">Portal Amazônia</a> conta hoje que a equipe do <a href="https://twitter.com/transitomanaus">TrânsitoManaus</a> achou fissuras e buracos na estrutura do Complexo Gilberto Mestrinho.</p>
<p><strong>Requisições</strong> <strong>1</strong> &#8212; No final da noite deste domingo de Páscoa, o advogado Daniel Nogueira, ex-representante de Amazonino Mendes diante da Justiça Eleitoral, <a href="https://twitter.com/danielnogueira">contou no Twitter</a> que encontrou uma bomba no processo que o prefeito responde por suposta compra de votos e caixa dois nas eleições de 2008. Nogueira disse que havia um anexo perdido, sobre uma operação da Polícia Federal ocorrida no dia do primeiro turno de 2008 &#8212; a operação &#8220;contra&#8221; Amazonino ocorreu na véspera, 4 de outubro.</p>
<p><strong>Requisições 2</strong> &#8212; Nogueira diz que a PF ouviu pessoas que dizem ter recebido requisições de gasolina de pessoas ligadas ao ex-prefeito Serafim Corrêa. Uma dessas pessoas teria dito que vendeu seu voto em troca da gasolina. O advogado disse que iria avisar o atual advogado de Amazonino, e insinuou que o Ministério Público Eleitoral trata de forma diferente casos semelhantes.</p>
<div id="_mcePaste" style="overflow: hidden;width: 1px;height: 1px">https://twitter.com/transitomanaus</div>
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		<title>Comprando a lebre da Verdade, levando o gato da Política</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Apr 2010 18:26:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não é de hoje que falo da iniciativa democrática e honesta, por parte de grandes jornais e veículos de imprensa, que decidem assumir suas posições ideológicas ou escolher candidatura durante períodos eleitorais. Não vamos negar o fosso de qualidade entre o público leitor de jornais no Brasil e o de países mais desenvolvidos, mas também [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é de hoje que falo da iniciativa democrática e honesta, por parte de grandes jornais e veículos de imprensa, que decidem assumir suas posições ideológicas ou escolher candidatura durante períodos eleitorais. Não vamos negar o fosso de qualidade entre o público leitor de jornais no Brasil e o de países mais desenvolvidos, mas também é difícil ignorar que, no Brasil, ser leitor de jornal já é um grande avanço. O brasileiro pode ainda ter chances de vir a ler jornais antes que os jornais acabem.</p>
<p>Para o leitor mediano, porém, acaba ficando sutil demais a guinada que certos veículos dão assim que o calendário eleitoral vai passando. Em mercados editoriais como o de Manaus, não adianta saber que jornal A, tevê B ou rádio C estão sem credibilidade. Em mercados editoriais como o de Manaus, não é a credibilidade o que leva o leite das crianças pra casa. Veículos como o <em>Amazonas Em Tempo</em>, por exemplo, sequer defendem o jornalismo que praticam, porque sabem que o que a má fama é justa.</p>
<p>É injusta, por exemplo, a má fama do extinto <em>Correio Amazonense</em> como um jornal criado como máquina de imprensa a favor de Amazonino Mendes. Amazonino não inventou a fórmula, tampouco ela morreu com os portões do <em>Correio</em> sendo fechados na cara de seus funcionários, logo após sua derrota nas urnas. <em>A Crítica</em> é o PMDB da imprensa local, com inegável tradição, capacidade comprovada e considerável poder de formação de opinião. Mas carrega também os defeitos do PMDB, cujo tamanho é usado como moeda de troca na hora em que políticos com poder econômico (quase sempre dinheiro público) precisam das letrinhas pretas impressas em papel jornal, que tão melhor impressão passam ao eleitor e leitor do que os tradicionais santinhos &#8212; se houver um nome tradicional por trás dessas letrinhas, tanto melhor.</p>
<p>Os veículos menores ou menos longevos também não diferem dos partidecos de aluguel que pululam pelo país, a serviço de candidaturas majoritárias ou de políticos sem expressão, que no mais das vezes trocam grandes siglas pelos PPs, PMNs e PSCs da vida. Assim são os jornais de ocasião, como foram <em>O Estado do Amazonas</em>, o <em>Jornal do Norte</em>, o <em>Correio Amazonense</em> ou hoje o <em>Em Tempo</em>. Hoje <em>A Crítica</em>, tal qual uma sigla política, decide quem vai apoiar. Na redação do <em>Em Tempo</em>, funcionários já foram informados, pela direção, que devem também &#8220;marchar&#8221; ao lado do candidato Omar. Nada de mau em que um jornal decida declarar a candidatura que deverá apoiar.</p>
<p>Daí a tentar transformar esse apoio em notícia é má fé. Levar acordos comerciais para a manchete é enganar o cliente &#8212; que é bom lembrar, não é o governador, é o leitor. Jornalecos de fachada não se constrangem em fazer isso, mas jornalões com alguma história deveriam zelar mais pelo respeito que devem ao cliente. Notícia é notícia, opinião é opinião. Misturar as duas e vender isso como jornalismo é atentar contra a inteligência alheia.</p>
<p>Uma mentira impressa em papel jornal vira quase automaticamente verdade. Uma mentira voando pelas ondas de uma rádio como a Difusora, por exemplo, é uma verdade. Sabemos das quedinhas que nossa &#8220;grande imprensa&#8221; tem não por candidato A ou B, mas pelas verbas publicitárias mantidas com dinheiro público. Não sendo ilegal a subserviência da mídia aos donos desses cofres, é no mínimo questionável o aspecto moral dessa relação.</p>
<p>Fato é que, como em tantos outros mercados, no mercado da imprensa é preciso saber quem é o real cliente no Amazonas, sob pena de, sem saber quem ele é, os jornais acabarem institucionalizados como braços propagandistas do poder público, como empresas estatais que não dependem do lucro pra sobreviver. Jornais mantidos com dinheiro público não dependem de leitores, precisam apenas apoiar o político certo. Ainda que não venda um exemplar sequer, um jornal como o <em>Em Tempo</em> vai continuar exsitindo, porque sua vida não é decidida pelas escolhas que o amazonense faz na banca de revistas, mas pelas que faz na urna.</p>
<p>Mas o fato é que eles estão aí, sendo vendidos nas ruas, como se já não tivessem sido pagos pela população. Acabam as eleições, conhecem-se os vencedores, refazem-se as simpatias e antipatias &#8220;eternas&#8221;, e fica tudo por isso mesmo. É muito difícil levar a sério uma imprensa que tem no Google e na história recente um inimigo, e não um aliado. A verdade parece não gozar de muito prestígio político.</p>
<p>No mercado de notícias amazonense, a verdade é como aquele político honesto que todos adoram elogiar, mas que morreu solitário.</p>
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		<title>Muito dinheiro no bolso, IMUNIDADE pra dar e vender</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Mar 2010 19:48:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Corrupção]]></category>
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		<description><![CDATA[Acabo de saber que os médicos de José Roberto Arruda dizem que ele precisa de um cateterismo urgente. Cateterismo é um exame cardíaco em que uma sonda, em forma de cateter, é introduzida no paciente (pelo pulso ou pela virilha) e chega até o coração, feito para descobrir &#8212; e solucionar &#8212; entupimentos em artérias [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de saber que os médicos de José Roberto Arruda dizem que ele precisa de um cateterismo urgente. Cateterismo é um exame cardíaco em que uma sonda, em forma de cateter, é introduzida no paciente (pelo pulso ou pela virilha) e chega até o coração, feito para descobrir &#8212; e solucionar &#8212; entupimentos em artérias vitais. Eu já fiz um cateterismo. Felizmente, meu coração estava bem. Mas tive de assinar um termo de compromisso, aceitando os riscos de um exame assim. Se eu morresse durante o exame, a culpa seria minha.</p>
<p>Então tentei lembrar de alguns dos malandros brasileiros que, em situações periclitantes perante a Justiça, apelaram para a saúde. O juiz Nicolau ganhou o direito de ficar preso em casa, pois sua situação era gravíssima. Raphael Souza, um jovem na flor da idade, foi internado às pressas no Prontocord e passou por uma cirurgia de vesícula. Seu pai, Wallace, cuja saúde se deteriorou rapidamente assim que a casa caiu, mal podia andar quando comeu uma caldeirada de tambaqui junto da família, num alojamento da polícia.</p>
<p>É como se a imunidade parlamentar, criada para proteger a liberdade de opinião dos deputados e senadores brasileiros, se estendesse ao quadro clínico. Imunidade parlamentar = Imunidade Biológica. Dê um mandato e um gabinete para o figura, e ele vende saúde. Lembro do dia seguinte à eleição de Amazonino para prefeito. No comando do programa Canal Livre, na TV, um Wallace de alma lavada, de boné e óculos escuros, agradecia ao povo de Manaus e escondia uma ressaca homérica. Lembro das imagens de seu filho, Raphael, meses antes, de arma na mão, invandindo becos e vielas da periferia de Manaus, tocando o terror ladeado por policiais. Lembro de Lalau, em célebres fotos de arquivo, posando ao lado de uma Lamborghini vermelha, pelo que lembro em Miami.</p>
<p>Assim me lembro de Arruda, meses atrás, cantando suas vitórias à frente do Executivo do DF. Hoje pede por um cateterismo, um exame em que pode morrer.</p>
<p>O Brasil não precisa de grandes investimentos em saúde pública. Talvez a solução para o problema seja simples, ainda que vá quebrar os cofres da nação: que todo brasileiro ganhe imunidade parlamentar, e que cada residência seja transformada em gabinete, e cada parente num assessor. Há o outro lado da moeda: No Brasil, Polícia e Justiça são drogas sociais, como o álcool e o cigarro. Se fossem banidas definitivamente, os custos da saúde pública com o tratamento dos réus cairia a quase zero.</p>
<p>Até coxos iam voltar a andar.</p>
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		<title>Você sabia?</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 13:45:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Boteco]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
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		<description><![CDATA[Vi o carnê do IPTU com o folheto sobre a Taxa do Lixo de Amazonino. E, como era de se esperar, vi muita gente perguntando o que havia de verdade na nova ficela do prefeito.
Até 2006 este carnê trazia o IPTU e mais três taxas: de lixo, de tapa buracos e limpeza. Quando a Prefeitura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vi o carnê do IPTU com o folheto sobre a Taxa do Lixo de Amazonino. E, como era de se esperar, vi muita gente perguntando o que havia de verdade na nova ficela do prefeito.</p>
<p>Até 2006 este carnê trazia o IPTU e mais três taxas: de lixo, de tapa buracos e limpeza. Quando a Prefeitura propôs a lei que mexeu no IPTU, acabou com as taxas e mexeu na Planta de Valores e nas isenções. Com isso 100.000 contribuintes, que antes pagavam, deixaram de pagar. 90.000 tiveram aumento, e o restante ficou bem perto do que era.</p>
<p>Aí ocorreram as ações e o Tribunal de Justiça derrubou o aumento, além da soma do IPTU e mais as taxas. Foi feita nova emissão dos carnês, os isentos continuaram isentos, os que iam pagar menos continuaram do mesmo jeito e os que iam pagar mais ficaram no limite da Justiça. Isso, no entanto, era só IPTU, e não o IPTU e mais as taxas.</p>
<p>Se o discurso de Amazonino, custeado pelo contribuinte, fosse verdadeiro, a Prefeitura já estaria devolvendo parte do que foi arrecadado em 2007, 2008 e 2009. Afinal, Amazonino diz que a Prefeitura recebeu indevidamente dinheiro do contribuinte.</p>
<p>O fato é que o panfleto de Amazonino &#8212; repito, custeado pelo contribuinte que &#8220;pagou a mais&#8221; durante 3 anos &#8212; diz que a única mudança de 2011 será, pasme, a transparência, pois Amazonino estaria finalmente separando e deixando visível o que foi cobrado num valor unificado. Ocorre que a previsão da Prefeitura é que a arrecadação com a nova taxa chegue aos R$ 150 milhões anuais.</p>
<p>O IPTU rende aos cofres municipais cerca de R$ 60 milhões anuais. Como podiam os R$ 150 milhões do lixo estarem &#8220;escondidos&#8221; no meio dos R$ 60 milhões do IPTU? Imagine que você fosse abastecer seu carro no posto de gasolina, e o frentista, todo informativo e cheio de razão, dissesse:</p>
<p>&#8211; Aê, meu patrão, o sr. sabia que até ontem, dos R$ 2,39 que pagava pelo litro da gasolina, uma parte era pela taxa de abastecimento? O sr. não sabia, claro, mas só o fato de eu abrir a tampa do seu tanque, enfiar a pistola e apertar o gatilho lhe custava R$ 0,20! E os donos dos postos escondiam isso de você! Pois agora vai ser tudo diferente, o senhor vai saber quanto paga por tudo, a gasolina e as taxas. Agora, por exemplo, o sr. paga os mesmos R$ 2,39 pela gasolina, mais a taxa, que é baratinha, apenas R$ 3,00, está bem visível. Não é ótimo?</p>
<p>A verdade é que, com Serafim ou Amazonino, as empresas de coleta de lixo não deixaram de ganhar seus cerca de R$ 100 milhões anuais. Não há previsão de que irão deixar de arrecadar isso em 2011.</p>
<p>A ideia, portanto, é tirar dos cofres públicos o dinheiro do lixo, dá-lo às empresas, e depois cobrar do contribuinte o dinheiro para abastecer os mesmos cofres, sem que haja relação direta entre o lixo produzido e o valor recebido pelas empresas.</p>
<p>Como taxa, o contribuinte teria que pagar às empresas, através da Prefeitura ou não, pelo serviço de coleta do seu lixo, serviço que já é pago. Em matéria do jornal Diário do Amazonas de hoje (10), é revelado que a Tumpex recebeu R$ 45 milhões e a Enterpa mais R$ 30 milhões em 2009.</p>
<p>Amazonino tem se reunido com seu secretariado, digo, com os vereadores de sua base, e cobrado que criem a CPI do Lixo, para investigar Serafim Corrêa. Tem encomendado também a CPI dos Ônibus, para investigar apenas Serafim Corrêa.</p>
<p>Não é a primeira vez &#8212; e pouco provavelmente será a última &#8212; em que Amazonino parte pra cima da única coisa que não tem brecha pra interpretação no Universo que conhecemos: a Matemática. Assim que assumiu, botou o TCE pra cima das contas de Serafim.</p>
<p>Foi humilhado pelos números. Números que não têm dono, inclusive: os balanços de sua própria administração lhe desmentem a todo momento, desde o princípio. Fosse o contrário, o contribuinte manauara devia estar tomando as ruas neste momento, para exigir uma explicação sobre os pagamentos milionários feitos a secretários e amigos, numa época de tamanha penúria.</p>
<p>Siqueirinha sabe, mas o povo também sabe, que Manaus nunca quebrou.</p>
<p>Cansa chamar Amazonino de mentiroso. O problema é que ele não cansa de mentir.</p>
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