Archive for the ‘Blogs’ Category

Só falta o Curupira

A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos ‘emissários’ do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.

Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que acusava Serafim Corrêa de ser pai do seu filho, desequilibrou a eleição a favor de Serafim. Soraia surgira da varinha de condão do então vereador Sabino Castelo Branco, que chegou a levá-la ao plenário da Câmara Municipal para um depoimento bombástico. Em 2005, em depoimento ao STJ, disse ter caído no “conto do vigário” de Sabino.

Em 2008, Renata Barros, comadre do então governador, surgiu num vídeo o acusando de corrupção ao lado do marido. Renata recebera a proteção do senador Arthur Neto, e passado o calor eleitoral, repensou sua vida, voltou para a felicidade do lar e retirou o que disse — possivelmente alegando privação temporária dos sentidos.

O que ocorre hoje? Fernando Valente, tão desconhecido até anteontem quanto Soraia e Renata, aproveitou a mania de chegar atrasado do ex-governador e registrou sua candidatura antes, como se, numa brincadeira de criança, tivesse corrido mais rápido ao final da música e sentado na cadeirona reservada a Braga, causando um rebuliço tremendo no meio dos bajuladores, assessores, amigos, familiares, jornalistas e blogueiros ligados ao ex-governador.

Ontem (terça, 13) à noite os capítulos desse Vale a Pena Ver de Novo começaram a se denunciar. Três bem intencionados senhores, anunciando-se emissários do agora poderoso Valente, ofereciam a Braga um acordo, que aparentemente envolvia dinheiro. O governador (opa, ex-governador!) não pensou duas vezes e acionou a polícia, deve ter dito José Melo, que no momento da suposta extorsão servia cafezinho a todos.

Fernando Valente, até março passado subsecretário de Amazonino Mendes, denunciou a trama. Valente tem dado mais entrevistas coletivas do que o delegado do caso Bruno, e seus quinze minutos de fama começam a se tornar perigosamente trinta.

Hoje descobriu-se que Marcius Filard de Souza, um dos homens detidos e que se apresentava como advogado de Valente, na verdade era correligionário do extorquido, Eduardo Braga. Filard é filiado ao PMDB desde dezembro de 2005. Na coletiva desta quarta, Valente repetiu seu mantra: “Não vou recuar”.

Já comentei aqui antes, no Amazonas o escândalo depende mais do malandro do que da polícia ou da imprensa. Soraia protagonizou, ao lado de Sabino, um dos espetáculos mais deprimentes da política amazonense. Renata, do ciclo de amizades do ex-governador, nunca dirá o que a motivou a denunciar o amigo e compadre. Fernando Valente, que já trabalhou com Braga, era subsecretário de Amazonino.

Novela boa é novela previsível. Precisa ter um galã, um vilão, uma mocinha, uma história de amor não correspondido, um núcleo cômico, uma vizinha fofoqueira, um filho misterioso, uma causa social e uma penca de espectadores em casa, aguardando pela dose diária de entretenimento.

O lamentável, nessa novela que se repete a cada dois anos, é que acabamos rindo de um filme que não é comédia, e sim um drama. Um drama que conta a nossa própria desgraça.

Március, o suspeito de extorquir Braga é do partido de Braga. Renata e Ney voltaram a ser o casal feliz e bem sucedido que sempre foram.

Soraia também voltou ao ninho. É candidata a deputada estadual pelo PTB, o partido do prefeito Amazonino Mendes, que ajudou a derrotar em 2004. O mesmo PTB hoje presidido por Sabino Castelo Branco, que em 2004 lhe passou o “conto do vigário”.

O mundo dá voltas, mas acaba sempre no mesmo lugar.

O polvo deles e o nosso polvo

O vereador, que ainda não registrou sua candidatura ao governo do estado, teve seu nome colocado na boca do sapo — ou melhor, do polvo. A diferença é que, no caso da Copa, o polvo Paul, contra todos os prognósticos, acertou em apontar os espanhóis como vencedores da partida. Com o nosso ‘polvo’, o desmentido veio duas horas depois.

Em seu blog, hoje de manhã, nosso polvo, o coordenador de marketing da campanha do governador à reeleição, disse:

Hissa Abrahão não será mais candidato a governador

Postado por: [nosso polvo] em 07/07/2010 às 12h06

O vereador Hissa Abrahão (PPS) não será mais candidato a governador nesta eleição, decisão tomada já há 72 horas. O que ainda será decidido hoje a noite, em Brasília, é se o PSDB apresentará um nome em substituição ao vereador, a fim de não ceder o tempo de televisão de aproximadamente três minutos, metade para Alfredo, metade para Omar.

Perguntei diretamente ao vereador se ele realmente desistira da candidatura, e a resposta foi:

Sou candidato, se quiserem me derrotar que seja nas urnas, o que considero pouco provável.

E mais:

  • Critico de forma veemente aqueles oportunistas de campanha, que sem me consultar, estão falando de desistência, sou candidatíssimo.
  • Meus adversários estão ciente de nosso crescimento eleitoral e estão buscando formas antecipadas para me prejudicar.
  • Muito estranho o que ele [Durango] disse, notícia sem fundamento, não me consultou, muito estranho, ele que se diz tão sério.

Diante de uma ‘notícia’ tão grave (a desistência de um candidato ao governo do estado), é de se perguntar: afinal, qual é a jogada do nosso polvo em espalhar, pros seus leitores, uma notícia falsa?

Contam os mais entendidos no assunto que época de campanha é assim: quem trabalha com isso não pensa em outra coisa. O nosso polvo se diz muito experiente no assunto. Como responde pela coordenação de marketing da campanha do governador, não deve ter publicado a nota a troco de nada. Seria uma forma de evitar que votos do governador migrassem para a candidatura da ‘terceira via’?

O nosso polvo tem realmente oito braços. É publicitário, já foi comunista (sim, isso conta no currículo), é empresário, é escritor, é assessor político, é coordenador de campanha e é consultor. Mesmo com toda essa gama de atividades, nosso polvo ainda encontra tempo para, nas horas vagas, ser pesquisador isento.

Como publicitário, nosso polvo participa ativamente de campanhas de sucesso — sempre do governo, seja ele estadual ou municipal. Durante o processo licitatório pela conta de publicidade da Prefeitura, por exemplo, passeava entre o gabinete do prefeito e pelo escritório da empresa de publicidade que ganhou a conta.

Como comunista, ajudou o atual governador (que também põe isso em negrito no currículo) em sua campanha para vereador. Hoje não é mais comunista, como o governador. Mas o governador é o governo estadual, a amizade continua.

Como empresário, nosso polvo é um Midas moderno. O que toca vira ouro — ouro do governo, claro. Recentemente criou uma empresa para espalhar tevês de LCD pelos PACs e órgãos públicos do Amazonas, onde a massa passa as manhãs, enquanto espera por um atendimento, vendo e ouvindo propaganda — das empresas dele e do governo estadual, claro.

Como escritor, nosso polvo escreveu um livro cheio de fotos antigas de Manaus, ‘conseguidas’ do Acervo Público Municipal, criou uma editora, imprimiu, fez uma capa dura, fez um coquetel de lançamento (num prédio público) e vendeu 300 exemplares — para o governo municipal, claro.

Nosso polvo é também assessor político. Sem cargo algum, comandou a retumbante posse do atual prefeito de Manaus. “A troco de nada”, “apenas por amizade”, dizia o nosso polvo. Recebeu R$ 65 mil por essa amizade — do governo municipal, claro.

É também coordenador de marketing de campanha, nosso polvo. Do governo  estadual, claro.

É consultor também. Informal. Do governo, estadual ou municipal, claro.

Paul, o polvo que acertou todos os palpites até hoje sobre a Copa da África do Sul, deve ter fama efêmera. É alemão, e a uma hora dessas, com a derrota dos seus ‘donos’, deve ter ido parar numa paella de algum restaurante espanhol de Oberhausen. Não importa que tenha acertado.

Acertar todas não é bom negócio quando o palpite contraria o cliente. Se Paul, o polvo deles, fosse o nosso polvo, teria guardado o palpite da vitória da Espanha pra si e colocado um sósia dentro do aquário, pra dizer que a Alemanha venceria.

O nosso polvo sabe disso. Não à toa seus oito tentáculos, cada um com uma função, sempre estão dentro do mesmo pote.

O do governo, claro.

A nova Era Dunga: o fim do besteirol esportivo

Um trecho de Leandro Fortes:

Na Copa de 2006, na Alemanha, essa encenação jornalística chegou ao ápice em torno da idolatria forçada em torno da seleção brasileira penta campeã do mundo, então comandada pelo gentil Carlos Alberto Parreira. Naquela copa, a dominação da TV Globo sobre o evento e o time chegou ao paroxismo. A área de concentração da seleção tornou-se uma espécie de playground particular dos serelepes repórteres globais, lá comandados pela esfuziante Fátima Bernardes, a produzir pequenos reality shows de dentro do ônibus do escrete canarinho.

O estilo grosseiro e inflexível de Dunga desmoronou esse mundo colorido da Globo movido por reportagens engraçadinhas e bajulações explícitas confeitadas por patriotadas sincronizadas nos noticiários da emissora. Sem acesso direto, exclusivo e permanente aos jogadores e aos vestiários, a tropa de jornalistas enviada à África do Sul se viu obrigada a buscar informações de bastidores, a cavar fontes e fazer gelados plantões de espera com os demais colegas de outros veículos. Enfim, a fazer jornalismo. E isso, como se sabe, dá um trabalho danado. Esse estado de coisas, ao invés de se tornar um aprendizado, gerou uma reação rançosa e desproporcional, bem ao estilo dos meninos mimados que só jogam porque são donos da bola. Assim, o sorriso plástico dos repórteres e apresentadores se transformou em carranca e, as gracinhas, em um patético editorial.

Leia o texto completo.

Google lançará pacote de ferramentas para eleições 2010

Marina Novaes, do R7

Imagem: InfoAbrilResponsável pela rede social mais popular no país, o Google planeja lançar, em agosto deste ano, um pacote de aplicativos especialmente voltado para as eleições. Em 2010, a internet tem se revelado uma das ferramentas preferidas dos candidatos para mobilizar seus militantes e, ciente disso, a empresa aposta no “calor” da discussão política para atrair seus internautas.

De acordo com Félix Ximenes, diretor de Comunicação do Google Brasil, a ideia é promover espaços específicos para que os usuários possam discutir os rumos das campanhas eleitorais, assim como foi feito em 2008, mas de forma menos “tímida”.

- Nós fomos muito tímidos em 2008, até porque, o TSE [Tribunal Superior Eleitoral] ainda não tinha muito claro o que podia ser feito ou não. Nesse ano, como o TSE liberou o uso da internet [para as campanhas eleitorais], com exceção à publicidade, e a gente vai ter novos aplicativos com todas as ferramentas disponíveis para ajudar o eleitor a tomar sua decisão e a participar do processo democrático.

Em 2008, a empresa criou recursos específicos para o debate eleitoral no Youtube (canal de vídeos); no Google Maps – com mapas indicando como chegar às seções eleitorais em todas as capitais brasileiras –; além do Orkut, onde os usuários acompanhavam enquetes sobre o tema.

Apesar de ainda manter em segredo os detalhes do lançamento, Ximenes aposta no sucesso da ferramenta, com a ampliação do debate na internet.

- Acreditamos muito na liberdade de expressão e os recursos específicos para as eleições fizeram muito sucesso em 2008. [...] Vamos só esperar passar essa euforia da em torno da Copa do Mundo e anunciaremos aplicativos e outras novidades, já que no Brasil, o debate político é sempre muito acalorado e as pessoas querem discutir.

Em crescimento no Brasil, o Facebook – concorrente do Google – não deve lançar um “pacote eleitoral”, porém, Júlio Vasconcellos, gerente de crescimento do Facebook no país, disse acreditar que as ferramentas já disponíveis possam ser úteis para militantes e partidos, a exemplo do que ocorre em outros países.

- Não temos nenhum aplicativo específico para as eleições, mas em outros países há partidos que usaram recursos já existentes no Facebook para chegar ao eleitor.

Polêmica

Apesar de ser a vedete dos candidatos à Presidência, o uso das redes sociais pelas campanhas ainda gera polêmica e desconfiança. Nesta semana, a Justiça Eleitoral determinou que o Google revelasse a autoria dedois blogs aparentemente criados por eleitores de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), com conteúdo favorável aos presidenciáveis.

Em debate nesta quinta-feira (17), os estrategistas virtuais do tucano e da petista, Sérgio Caruzo e Marcelo Branco, admitiram ser impossível fiscalizar o conteúdo veiculado por militantes na internet, e afirmaram que este é um dos “pontos obscuros” da lei eleitoral. Para eles, as campanhas devem orientar seus seguidores sobre as regras, porém, não podem ser responsabilizadas pelo que outros internautas publicam.

Tanto o responsável pelo Google no país, quando o gerente do Facebook, também disseram que é inviável fiscalizar o conteúdo gerado na internet. Mesmo assim, afirmaram que as empresas colaboram com a Justiça para que as regras sejam cumpridas.

Em 2010, a Justiça Eleitoral autorizou que os candidatos usassem ferramentas como Orkut, Twitter, Facebook em suas campanhas, e liberou os debates pela web.

Colaborou André Sartorelli, do R7

Veja mais

Por que eu sumi, e por que estou de volta.

CLIQUE AQUI — O Malfazejo está no D24AM.

Há pouco mais de dois meses fui convidado, por Cirilo Anunciação e Márcio Noronha, para fazer parte da equipe que montava o novo produto da empresa, o portal D24AM. Lançado oficialmente na última quarta (2), o portal chegou aos seus primeiros 100 mil acessos antes de completar uma semana, é um sucesso de público — e, mérito ainda maior, de crítica.

Fiquei responsável pela seção de blogs, com total liberdade para convidar quem quisesse para participar. À primeira vista, a impressão é a de que não havia critérios para essa escolha. Mas havia. O principal deles era a aposta em autores novos, preferencialmente sem a experiência (e os vícios) desse tipo de publicação. Um segundo grupo de blogs deverá vir ao ar em breve, com autores mais experientes e conhecidos. Hoje somos 44 blogueiros, escrevendo 38 blogs que vão da política à culinária, da literatura à tecnologia, do Direito ao cotidiano.

Todo esse trabalho acabou me afastando deste O Malfazejo aqui, e por isso peço desculpas às pessoas que tem visitado o blog. Este espaço, nO Avesso — um portal de blogs que concebi em 2009 — não vai sumir, pretendo retomá-lo um dia, quando a seção de blogs do D24AM estiver consolidada, o que vai facilitar a adesão de outras pessoas ao projeto O Avesso, um sonho pessoal.

Hoje enxergo um pouco de O Avesso no projeto D24AM, é inevitável. A diferença, aqui, é a responsabilidade e a visibilidade que as marcas Diário do Amazonas e Dez Minutos trazem, instantaneamente, a todos os blogs.

Aos leitores mais assíduos, peço que atualizem seus links e atalhos de favoritos. A transição traz transtorno, é claro, mas mudar é sempre necessário. Se for para melhor, para estar bem acompanhado, ótimo.

Agora é aguardar os resultados dos primeiros dias, talvez do primeiro mês. A ideia é que, depois disso, novos blogs sejam apresentados aos leitores do D24AM. Em breve, com alguns mecanismos básicos de avaliação, a intenção é abrigar os blogs de quem quiser participar do D24AM.

Dito isto, fica a previsão de que as atualizações voltam a seu ritmo normal.

Obrigado, moçada.

A paella do LULA

Clóvis Rossi, na seção PENSATA da Folha Online, no dia 19 de maio:

Jornalista da minha geração estranha quando vira notícia. Eu, a bem da verdade, estranho até quando vejo meu nome na capa da Folha, encimando um texto, como se o nome fosse a notícia, não o texto.

Por isso, fiquei chocado ao virar notícia por conta de uma queda na terça-feira à noite, aqui em Madri, que causou a fratura de duas costelas.

Passado o choque, lembrei-me da insistência de meu amigo Sérgio Leo (“Valor Econômico”), um desses jornalistas que dão orgulho da profissão, para que eu escreva um livro contando bastidores de coberturas jornalísticas.

Ainda não me convenceu, mas, já que a notícia está no ar, ouso contar detalhes da queda e dos desdobramentos posteriores porque imagino que há coisas de que o leitor nem desconfia.

O presidente Lula havia terminado de discursar, após receber prêmio. Sempre que isso acontece, os jornalistas (e muitos outros no auditório) tentam se aproximar do presidente, para arrancar uma frase ou, simplesmente, mostrar a cara.

Foi o que tentei fazer, mas pela via errada. Em vez de subir pela escadinha que levava ao palco, tentei escalar o degrauzão do meio. Escorreguei, cai de costas e fraturei as costelas.

Ainda assim, me levantei, usei a escadinha mas, ao chegar perto do bolo, estava como Jorge Araujo, um extraordinário fotógrafo da Folha, costuma brincar: “Já vi cadáveres mais corados que você”.

Descrição perfeita para meu estado naquele momento. Se não fosse Patrícia Chiarello, misto de diplomata (da assessoria de imprensa do Itamaraty) e anjo-da-guarda de jornalistas, me mandar sentar e tomar água, teria desmaiado no meio do palco.

O presidente Lula se aproximou e constatou o mesmo que o Jorge Araujo: “Você está branco e suando frio”.

Não me lembro se foi antes ou depois da frase de Lula que o coronel Cléber Ferreira, médico da Presidência, me examinou. No momento em que apalpou minhas costas, detectou a fratura e iniciou as providências para que eu fosse levado ao hospital.

Tentei resistir, dizendo que precisava terminar os textos do dia e enviá-los para a Folha. Aí, baixou o coronel no médico, e as ordens foram cumpridas.

Ele fez questão de me acompanhar na ambulância e no hospital, enquanto fazia as radiografias e um exame de urina para ver se a queda trouxera outras complicações.

Primeira observação que, imagino, o leitor não desconfia: é possível, sim, a um médico da Presidência abandonar o presidente para dar atenção a um jornalista. É verdade que, naquela altura, o jornalista precisava dele mais que o presidente, mas o gesto fica.

Como ele me contou no caminho, foi só o seu lado coronel que forçou Lula a não viajar para Davos, em janeiro, quando passou mal em Recife.

Segunda observação: Patrícia e também a Ana Maria, da Comunicação Social da Presidência, seguiram a ambulância até o hospital para, depois, me resgatar e levar para o hotel. Fizeram mais: reservaram um apartamento no hotel em que estava a delegação brasileira, o Intercontinental, para que eu ficasse próximo do médico, delas próprias e também da Janaína e da Sylvia, outras moças da assessoria.

É verdade que tenho, desde sempre, bom relacionamento com o pessoal do Itamaraty, mas, francamente, não esperava tanta atenção e cuidado.

Já no começo da madrugada, outra cena de que o leitor talvez tampouco desconfie: aparecem no hotel os companheiros Andrei Netto (“Estadão”), sua mulher, a Lu (“Portal Terra”), Assis Moreira (“Valor Econômico”) e Fernando Duarte (“O Globo”).

Todos eles haviam me amparado no local da queda e acompanhado meu percurso na cadeira de rodas até a ambulância. Ou seja, a competição no meio jornalístico pode ser intensa e às vezes selvagem, mas a solidariedade entre alguns também é formidável.

Na atitude dos três, nada que me tenha surpreendido. Embora Andrei e Fernando sejam de uma geração bem mais jovem, trabalhamos juntos em várias ocasiões, sempre competindo, mas lealmente, e sempre pondo o companheirismo acima da concorrência.

Nenhum de nós acha que é preciso dar uma facada nas costas do concorrente para fazer melhor o seu próprio trabalho, sem adversários.

Pouco antes da chegada deles, aparecera no meu quarto uma quentinha, enviada pelo presidente Lula.

Eu já havia jantado, no próprio quarto. Por isso, ofereci a paella (o conteúdo da quentinha) aos companheiros. Assis Moreira não se fez de rogado. Comeu toda a paella do presidente.

Aí, chegaram Lula e sua turma. O assessor diplomático Marco Aurélio Garcia, os ministros Nélson Jobim e Franklin Martins, Nelson Breve, também da SECOM, Carlos Villanova, diplomata que é o segundo de Franklin na Comunicação Social da Presidência, em geral encarregado com competência das viagens internacionais de Lula. Talvez houvesse mais alguém com eles, mas eu não tinha condições físicas de girar o corpo para ver quem se postou atrás de mim.

Lula chegou no exato momento em que eu havia iniciado assim o texto: “Sem se manifestar desde que deixou o Irã na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem tempo para “amadurecer as reações” em torno do acordo com os iranianos (e os turcos) antes de se pronunciar”.

Ordenei: “Senta aí e escreve o resto, vai. Você sabe melhor do que eu o que você pensa e diz”.

Observação final: minha relação com o presidente (e também com o seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso) sempre foi cordial, como pessoas físicas. Como pessoas jurídicas, critiquei um e critico o outro, às vezes impiedosamente, mas esse é o jogo certo (acho eu) entre jornalismo e política.

Com FHC, a relação era mais formal, pela idade de cada um. Com Lula, é mais relaxada, até porque o conheço desde o tempo em que eu é que podia mandar quentinhas para ele, não o contrário.

Tanto que me despedi brincando: “Você é um péssimo presidente, mas um notável ser humano”.

Agora, chega. Vou obedecer as ordens do doutor e coronel Cléber e me recolher ao repouso por tempo indeterminado mas que espero seja breve.

As evidências de um crime virtual

Por Brunno Batista.

Este é meu primeiro post em um blog e por um motivo bastante desagradável, mas tenho que fazê-lo para explicar os fatos ocorridos.

Todos vocês já conhecem a história de que circulou um e-mail difamando um grupo de pessoas, no qual estariam incluídos o meu nome e o de alguns amigos. O Não Senhor já provou que era tudo falso aqui e aqui.

No mesmo dia, resolvi fazer uma busca simples sobre o email e pedi uma cópia de um amigo que havia recebido a mensagem. Observei o HEADER (cabeçalho) do e-mail enviado e usei das evidências expostas em busca da origem deste e-mail.

Das Evidências

No HEADER do email, estava contida a seguinte autenticação:

//Received-SPF: pass (google.com: domain of news@mkvam.com.br designates 75.125.191.34 as permitted sender) client-ip=75.125.191.34;//

//Return-Path: //

//Received: from dedicado.icbeu.com (dedicado.icbeu.com [75.125.191.34])//

Ok, mas que porra é essa?

SPF ou “Sender Policy Framework”, é uma arma contra SPAMs desenvolvida com o objetivo de autenticar o email, não permitindo que outras “pessoas” utilizem o nome de um domínio para espalhar SPAMs na internet, gerando um endereço retorno válido para o devido email.

Mostrando como funciona: exemplo.com => SPF => “v=spf1 a mx ip4: 192.1.1.100/24 -all”. Isso significa que o domínio: exemplo.com só aceita o envio de emails do seguinte bloco de IPs: 192.1.1.100/24 e todos os outros serão negados/invalidados (-all).

Voltando para o email em questão, conclui-se que o domínio mkvam.com.br autoriza o envio de email usando seu nome pelo IP:75.125.191.34 e que a origem do email era o servidor icbeu.com.

De início achei que seria improvável alguém do ICBEU/MANAUS (INSTITUTO CULTURAL BRASIL-ESTADOS UNIDOS) estaria por trás desta manobra suja de difamação. Mas ainda havia muito o que se investigar.

Listas SPF

mkvam.com.br

SPF=> v=spf1 a mx ptr ip4:75.125.191.34 mx:mkvam.com.br ?all

icbeu.com

SPF=> v=spf1 a mx ip4:75.125.191.34 ?all

noticiasdoamazonas.com

SPF=> null

Análise dos Domínios

icbeu.com:

A pesquisa nos traz o seguinte:

Proprietário: INSTITUTO CULTURAL BRASIL – ESTADOS UNIDOS

Data Registro: 29/10/98

Servidor: ns1.icbeu.com (75.125.191.34) e ns2.icbeu.com(75.125.191.35)

Email: somente por contato via correio para os EUA.

mkvam.com.br:

Em uma busca básica temos as seguintes informações:

Proprietário: U R NEVES – ME, CNPJ: 06.164.678/0001-96, empresa aberta em 26/03/2004, de propriedade do Sr. Uily Roberto Neves Neto, economicamente ativa.

Data Registro: 21/05/2010

Servidor: ns1.icbeu.com e ns2.icbeu.com

Email: uilyneves@gmail.com

noticiasdoamazonas.com:

Proprietário: Paulo Massa Jr. (Provável que seja falso. Há um homônimo no site www.desaparecidos.org)

Data Registro: 12/05/2010

Servidor: ns1.hostnet.com.br e ns2.hostnet.com.br

Email: paulomassajr@globomail.com

Da Análise dos Fatos

O hotmail.com e gmail.com só aceitam o recebimento de e-mail se houver um certo tipo de registro TXT no DNS para identificar as permissões de envio de dados do domínio, e tais registros somente podem ser feitos no administrador do domínio.

Todas as empresas de hospedagem de domínio sabem do problema com invasões por hackers, e tomam as devidas providências para evitar mais de 2 erros ao logar, o que impediria um ataque do tipo “BRUTE FORCE” na tentativa de logar com sucesso.

Inclusive o próprio registro.br impediria esse tipo de acesso forçado para usar PROFILES de terceiros, bloqueando imediatamente ao segundo erro ou indefinidamente nos erros subsequentes. O mesmo acontece com os provedores de email, principalmente o GMAIL.com.

Conclusão

O domínio mkvam.com.br está hospedado no servidor icbeu.com. Um fato interessante é a data do registro deste domínio, 21/05/2010, exatamente a mesma em que a imagem do “contrato” e dos blogueiros “envolvidos” foi postada no twitpic e começou a circular nos e-mails.

O domínio mkvam.com.br foi realmente registrado por Uily Neves e ele cometeu o erro mais fundamental no envio de email nos dias atuais, o fator SPAM, que para ser aceito tem que ser autêntico e tem que ser feito manualmente por um sistema ADMINISTRATIVO de DNS. Mais um forte indício de que o domínio noticiasdoamazonas.com foi criado exclusivamente para abrigar o falso e-mail e o domínio mkvam.com.br foi registrado com o único objetivo de espalhar essa mala-direta. O ID do sr. Uily no site registro.br também foi modificado neste dia.

Telefonamos para o ICBEU e, para nossa surpresa, descobrimos que o sr. Uily Neves é funcionário de lá. Em conversas pelo Gtalk, ele confirmou que o domínio é dele e que está hospedado em um servidor do ICBEU, mas alegou que o mesmo sofreu uma invasão e que ele não tinha participação alguma no caso. Informou ainda que o problema seria solucionado e que isto não voltaria a acontecer.

O status inativo do domínio mkvam gerava um erro a quem tentasse acessá-lo. Curiosamente, depois do contato com o sr. Uily Neves, hoje o site encontra-se ativo e mostra o seguinte conteúdo.

Outra coincidência interessante é a data do primeiro tweet do sr. Uily Neves no twitter, 13 de abril, a mesma data em que vários perfis fakes foram criados para propagar a falsa denúncia contra nós.

Após contato telefônico, ele adicionou a foto no perfil.

Hoje o site do ICBEU apresentava erros em sua página inicial, o que levanta a suspeita de que sofria modificações, provavelmente alterações no banco de dados na tentativa de ocultar rastros.

Em busca de uma relação com o domínio de origem do e-mail (noticiasdoamazonas.com), acessei o globomail.com. E ao pedir o lembrete de senha do e-mail paulomassajr@globomail.com, que é o e-mail relacionado ao domínio noticiasdoamazonas.com no registro.br, retorna a mensagem do envio da senha para um e-mail secundário: “cristiano@salveoplaneta.com”.

O envolvimento de mais um nome, desta vez de alguém de fora do Estado levanta duas hipóteses: ou o tal Cristiano usou o servidor icbeu.com, através do domínio mkvam.com.br para enviar estes e-mails com o objetivo de não ser rastreado (chance remota, devido a dificuldade de invasão); ou atuou em parceria com o Uily (mais provável, até mesmo pelos indícios que envolvem a participação deste).

A responsabilidade do Cristiano no caso já está sendo investigada. Por enquanto pudemos perceber que ele é enrolado, cheio de sites, twitters e domínios registrados; e que ele é capaz de fazer esse tipo de trabalho. Resta saber se este ATO CRIMINOSO em específico foi realizado por ele e de quem partiu a ordem para seu cumprimento.

Brunno Batista
@brunnoihoax

OBS: Dados confirmados. Não faço esse tipo de investigação para terceiros.

PS: Alguém me informa o número da conta e o banco que está sendo depositado o meu salário, que eu não vi nada até agora.

Cinco dias depois, presepada rende demissão a funcionário do ICBEU

Recebi agora há pouco o seguinte email do Sr. Afonso Silva, Gerente de TI do ICBEU Manaus.

Boa Noite,

Segue algumas considerações

Tendo em vista os últimos acontecimentos envolvendo o ICBEU MANAUS, vimos esclarecer o que segue:

I – O ICBEU é uma Instituição que há 54 anos é a líder no ensino da língua Inglesa no Amazonas e é reconhecida pela Embaixada Americana, como uma escola de ensino de inglês, Classe A.

II – De acordo com os seus Estatutos, no art. 50, lê-se: “É VEDADO AO INSTITUTO DE PROMOVER OU PARTICIPAR DE QUALQUER ATIVIDADE POLÍTICO PARTIDÁRIA OU RELIGIOSA”. E, assim, vinha-se atuando, até que um funcionário de maneira irresponsável, pessoal, utilizou-se de sua ferramenta de trabalho, pois o mesmo exercia as suas funções laborais no CPD do IC BEU/ MANAUS, ao arrepio dos Estatutos, passou a denegrir a imagem de um pré candidato às eleições do pleito que se avizinha, e de outras tantas pessoas.

III – É necessário esclarecer ainda que o dito funcionário após a Diretoria, do ICBEU tomar conhecimento de tais fatos, imediatamente, afastou-o de suas funções laborais e demitiu-o, não mais pertencendo ao seu quadro funcional.

Essas eram as considerações que deveríamos fazer para o resguardo da integridade e da personalidade de uma Instituição que nunca se envolveu ou se envolverá com questões político partidárias de qualquer natureza.

Direito de resposta

Recebi, do radialista Jefferson Coronel, uma carta-resposta ao proprietário da rádio CBN Manaus, que no último sábado (22), o denunciou em seu blog, na página oficial da rádio. Coronel enviou a carta ao blog do referido senhor, que não a publicou. Jefferson então enviou sua carta a outros blogs que, talvez por não adotar o mesmo critério democrático da rede CBN, optaram por publicá-la. Este blog adotou como política, já há algum tempo, não se envolver com pessoas ou instituições incapazes de interagir oficialmente com seus consumidores. Em bom português: não falo mais de quem não assume oficialmente sua identidade, mas cumpro o dever democrático de publicar a carta. Convém informar: os posicionamentos expressos na carta não refletem, necessariamente, a opinião do autor deste blog.

Por Jefferson Coronel

Caro Ronaldo…

Esse seu “artigo” bem que não merecia resposta, tal o nível a que o amigo desceu. Mas essa de ameaçar descaradamente com estórias de amantes e prostitutas me parece ser o fim da linha no que poderia ainda ter algum tipo de debate. Não entre nisso. Você sabe que esse tipo de atitude é desprezível. Você representa em Manaus a bandeira CBN e, se depender de mim, não tem o direito de partir pra uma abordagem que desmoraliza e ridiculariza sua figura. Proteja esse patrimônio chamado CBN.

Pense que sempre lhe tratei com respeito e consideração. Quando critiquei, o fiz em termos íntegros, nunca pessoais. Não fiz insinuações contra o Omar (Omar Aziz, atual governador e candidato à “reeleição”). Se você acha que fiz, cite como e qual foi a insinuação. Agora, tenho liberdade sim pra me expressar, reclamar, criticar e debater. Você não tem? Tem e eu defendo que tenha a vida toda, plena, irrestrita. Só não pode é ficar nessa coisa de prostitutas e amantes. Isso é coisa que o dono de uma rádio bandeira CBN, advogado, jornalista, fique clamando e ameaçando?

Faça suas críticas ao Alfredo Nascimento (ex-ministro de Lula e candidato ao Governo do Amazonas). Tenha sua opinião. Diga o que quiser dele e de qualquer político. Opte pelo Omar nessa eleição. Tudo isso pode e vale numa democracia. Mas há leis, leis que você, como advogado, deve conhecer melhor que eu.

Tente se manter numa linha aceitável. Não fique querendo transformar em bandidos e perseguidos todos os que de alguma forma discordam do seu pensamento e das suas opções políticas, como é o caso da opção pelo Omar Aziz. Não tem mal nenhum nisso. E também não tem mal nenhum se outras pessoas optarem por B, C ou D nessas eleições. As eleições acabam em Outubro. Depois a vida continua, eu sustentando meus filhos, você sustentando os seus. E todo mundo trabalhando e sobrevivendo dignamente.

Temos, ambos, mais valores a defender que o clima tenso de uma eleição. Veja só, você não receberia em sua casa um cara que tivesse feito tudo o que me atribui. Não tomaríamos aqueles vinhos juntos se você soubesse que eu teria feito essas lambanças. Você teria, antes, denunciado, contado pra todo mundo. Sou amigo dos seus irmãos, trato sua família com o mesmo respeito que trato a minha. Conheço e me relaciono bem com seus filhos. E você com os meus.

Proponho defendermos esses valores juntos, preservarmos esses espaços pessoais que, confesso, foram até generosos de sua parte. Você não seria amigo de um cara que tivesse sido capaz de engendrar tudo o que, agora, só agora, por questões políticas, resolve colocar nas minhas costas.

E o faz de uma forma agressiva, infundada e, por si só, dúbia e sem argumentos. E aquele fraudulento contrato que você mostra? Uma arte tosca e mal acabada feita pra injustiçar pessoas. Aquilo é um tiro no pé de quem inventou, de tão mal feito. Tanto que foi desmontado tim-tim por tim-tim pelos que foram ali citados.

Eu não pretendia responder nada. Mas meu coração ficou aqui me cutucando e pedindo que tentasse e tentasse um caminho de paz, de tranquilidade e, muito muito, de amizade, de consideração.

Venha, pense, reflita e aceite, comigo essa proposta humilde e sincera. Insisto em continuar seu amigo. É mais que apelo, é um pedido do simples radialista Jefferson Coronel.

E assim caminha o Amazonas…

Hoje, depois de ver as fotos das crianças abandonadas no hospital, dividindo as manchetes com a farra eleitoral antecipada na Assembléia Legislativa, pensei em comentar o assunto aqui, mas desisti. Alguns amigos têm perguntado por que tenho escrito tão pouco. É por isso. Não há nada de novo que possa ser dito sobre o rame-rame político amazonense. E provo. Há quase-exatos dois anos, no dia 31 de maio de 2008 (hoje é 21 de maio de 2010), eu escrevi o post “O banzeiro eleitoral de Tão Tão Perto” (voltei ao assunto dias depois, aqui). Julgue você mesmo.


31 de maio de 2008

Um dos meus blogs preferidos, como os leitores mais antigos sabem, é o Blog do Belão. Preciso visitá-lo diariamente, saber das novidades, quem foi homenageado, que data comemorativa rendeu sessão especial, quem pretende me processar, além de outras variedades. No Blog do Belão eu acompanho todos os dramas, alegrias, emoções, desabafos e preocupações do seu autor.

Hoje, em minha visita diária, acessei o link A Voz do Parlamento. A Voz do Parlamento é a publicação oficial da ALE, impresso mensalmente para divulgar as atividades dos deputados. Como é a publicação oficial do poder legislativo amazonense, A Voz do Parlamento é paga por mim e por você, e está incluída no orçamento anual da ALE, de quase R$ 11 milhões. Fazem parte do orçamento da ALE também a remuneração extra de R$ 1.023,08, a cota-transporte de R$ 12.540, a cota de comunicação de R$ 3.200, a verba de gabinete de R$ 39 mil e o auxílio-paletó de R$ 12.284,06 para cada deputado.

Este dinheiro é repassado pelo Governo do Estado à ALE. E o Governo do Estado chama-se Eduardo Braga. E como anunciam os adesivos dos carros dos próprios servidores da ALE, “a união Braga e Omar faz a diferença”. Portanto, quem manda o nosso dinheiro para a ALE imprimir a Voz do Parlamento é Omar.

Pois bem, a capa dA Voz do Parlamento traz a seguinte manchete: “Belão declara apoio a Omar”. Tudo bem, a notícia já está publicada no Blog do Belão desde o dia 25 de março, e começa de forma direta e esclarecedora: “O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Belarmino Lins, deu partida no processo eleitoral para a Prefeitura de Manaus ao anunciar seu irrestrito apoio à candidatura do vice-governador Omar Aziz”. Mas pô, tudo bem, blog é blog, é uma coisa particular.

O que me surpreendeu — e achei que Belão não conseguia mais isso — foi ver o mesmo texto impresso na publicação oficial do Poder Legislativo do Amazonas, que é distribuída por todo o estado. A imagem abaixo mostra o flagrante. E adianto aos deputados que pensem em ocupar a tribuna para anunciar que me interpelarão: o material foi copiado diretamente do Blog do Belão.

Diz uma tal de Lei Eleitoral – L-009.504-1997, em seu artigo 36, que a propaganda eleitoral só é permitida a partir de 5 de julho. Belão, portanto, infringiu a lei a quatro meses das eleições, quando, segundo o redator do seu blog, “deu partida no processo eleitoral”. A mesma lei diz, mais adiante, que são vedadas (proibidas) aos agentes públicos (políticos e seus aspones) as seguintes condutas:

I – ceder ou usar, em benefício de candidato, partido político ou coligação, bens móveis ou imóveis pertencentes à administração direta ou indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, ressalvada a realização de convenção partidária;

II – usar materiais ou serviços, custeados pelos Governos ou Casas Legislativas, que excedam as prerrogativas consignadas nos regimentos e normas dos órgãos que integram;

Para garantir o cumprimento da tal Lei Eleitoral, cada estado dispõe de um tal de TRE. A tal lei é clara, a tal Voz do Parlamento mais clara ainda, bem como o tal Blog do Belão, nome fantasia para o instrumento oficial (e também bancado por Braga e Omar) chamado página oficial do Poder Legislativo do Amazonas.

Eu sei que me disseram por aí, e foi pessoa séria quem falou, que Omar pode perder seu posto de candidato à Prefeitura para Marco Antônio Chico Preto. Chico Preto, e isto é sabido por todos, reúne mais qualidades que Omar. Tem maior densidade eleitoral, tem mais carisma, mais traquejo político, tem menor histórico de acusações de irregularidades, goza de maior simpatia entre seus pares e tem olhos azuis — ou verdes, vá saber.

Omar, que perderia uma eleição até para Ari Moutinho, tem exatos 22.000 defeitos, mas nenhum deles é o de ser leso, e provou isso em 2006, quando usou o telefone de seu assessor pessoal, Manoel Paulino (preso na operação Saúva) para negociar com deputados uma aposentadoria “na surdina”. O deputado mais procurado e solícito para as aspirações previdenciárias de Omar era quem? Sim, este senhor da foto acima, o inigualável Belão.

Em 2006, quando trocou aqueles telefonemas com Belão, Omar estava preocupado com a possibilidade de não ser indicado a vice na chapa de Eduardo Braga, que concorria à reeleição. E dizia aos deputados, com uma desenvoltura que em nada lembra o Omar manso das propagandas políticas de hoje, que já tinha segurado muito pepino durante as viagens de Braga, quando precisava assumir o trono. Para Omar, era justíssimo levar R$ 22 mil mensais pra casa como pagamento por quatro anos no banco de reservas.

A situação parece caminhar para a mesma direção agora. Omar não convence nem os primos a apoiá-lo, mesmo com todo o esforço de Belão e dos contribuintes do Amazonas. E Chico vem aí.

Atenção, Polícia Federal. Lá vem banzeiro.

Atenção, TRE.

…TRE?

Ei, TRE!!!