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	<title>O Malfazejo &#187; Artigos</title>
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		<itunes:summary>por Ismael Benigno Neto</itunes:summary>
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		<title>Só falta o Curupira</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jul 2010 22:50:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos &#8216;emissários&#8217; do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.

Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos &#8216;emissários&#8217; do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/soraia-2004.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-341" title="soraia-2004" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/soraia-2004.jpg" alt="" width="480" height="345" /></a></p>
<p>Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que acusava Serafim Corrêa de ser pai do seu filho, desequilibrou a eleição a favor de Serafim. Soraia surgira da varinha de condão do então vereador Sabino Castelo Branco, que chegou a levá-la ao plenário da Câmara Municipal para um depoimento bombástico. Em 2005, em depoimento ao STJ, disse ter caído no &#8220;conto do vigário&#8221; de Sabino.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/renata-barros.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-340" title="renata-barros" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/renata-barros.jpg" alt="" width="481" height="323" /></a></p>
<p>Em 2008, Renata Barros, comadre do então governador, surgiu num vídeo o acusando de corrupção ao lado do marido. Renata recebera a proteção do senador Arthur Neto, e passado o calor eleitoral, repensou sua vida, voltou para a felicidade do lar e retirou o que disse &#8212; possivelmente alegando privação temporária dos sentidos.</p>
<p><img class="aligncenter" src="http://media.d24am.com/24am_web/391/noticias/images/thumbs/4768_460x270_0949455001279133687.jpg" alt="" width="460" height="270" /></p>
<p>O que ocorre hoje? Fernando Valente, tão desconhecido até anteontem quanto Soraia e Renata, aproveitou a mania de chegar atrasado do ex-governador e registrou sua candidatura antes, como se, numa brincadeira de criança, tivesse corrido mais rápido ao final da música e sentado na cadeirona reservada a Braga, causando um rebuliço tremendo no meio dos bajuladores, assessores, amigos, familiares, jornalistas e blogueiros ligados ao ex-governador.</p>
<p>Ontem (terça, 13) à noite os capítulos desse <em>Vale a Pena Ver de Novo</em> começaram a se denunciar. Três bem intencionados senhores, anunciando-se emissários do agora poderoso Valente, ofereciam a Braga um acordo, que aparentemente envolvia dinheiro. O governador (opa, ex-governador!) não pensou duas vezes e acionou a polícia, deve ter dito José Melo, que no momento da suposta extorsão servia cafezinho a todos.</p>
<p>Fernando Valente, até março passado subsecretário de Amazonino Mendes, denunciou a trama. Valente tem dado mais entrevistas coletivas do que o delegado do caso Bruno, e seus quinze minutos de fama começam a se tornar perigosamente trinta.</p>
<p>Hoje descobriu-se que Marcius Filard de Souza, um dos homens detidos e que se apresentava como advogado de Valente, na verdade era correligionário do extorquido, Eduardo Braga. Filard é filiado ao PMDB desde dezembro de 2005. Na coletiva desta quarta, Valente repetiu seu mantra: &#8220;Não vou recuar&#8221;.</p>
<p>Já comentei aqui antes, no Amazonas o escândalo depende mais do malandro do que da polícia ou da imprensa. Soraia protagonizou, ao lado de Sabino, um dos espetáculos mais deprimentes da política amazonense. Renata, do ciclo de amizades do ex-governador, nunca dirá o que a motivou a denunciar o amigo e compadre. Fernando Valente, que já trabalhou com Braga, era subsecretário de Amazonino.</p>
<p>Novela boa é novela previsível. Precisa ter um galã, um vilão, uma mocinha, uma história de amor não correspondido, um núcleo cômico, uma vizinha fofoqueira, um filho misterioso, uma causa social e uma penca de espectadores em casa, aguardando pela dose diária de entretenimento.</p>
<p>O lamentável, nessa novela que se repete a cada dois anos, é que acabamos rindo de um filme que não é comédia, e sim um drama. Um drama que conta a nossa própria desgraça.</p>
<p>Március, o suspeito de extorquir Braga é do partido de Braga. Renata e Ney voltaram a ser o casal feliz e bem sucedido que sempre foram.</p>
<p>Soraia também voltou ao ninho. É candidata a deputada estadual pelo PTB, o partido do prefeito Amazonino Mendes, que ajudou a derrotar em 2004. O mesmo PTB hoje presidido por Sabino Castelo Branco, que em 2004 lhe passou o &#8220;conto do vigário&#8221;.</p>
<p>O mundo dá voltas, mas acaba sempre no mesmo lugar.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/SORAIA-CANDIDATA.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-339" title="SORAIA-CANDIDATA" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/07/SORAIA-CANDIDATA.jpg" alt="" width="480" /></a></p>
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		<title>A batalha dos arautos</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 23:30:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<description><![CDATA[Acompanhei o desenrolar das duas convenções e o que vi foi uma cena de pré-guerra medieval. De cada lado das colinas, dois exércitos se amontoam com suas espadas, armaduras, lanças e arcos de guerra. À frente de cada exército, os generais consultam seus auxiliares, que se dedicam a olhar no horizonte e saber, de antemão, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_242" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/CONVENCAO-OMAR-RVALENTIM1.jpg"><img class="size-full wp-image-242" title="CONVENCAO-OMAR-RVALENTIM1" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/CONVENCAO-OMAR-RVALENTIM1.jpg" alt="" width="480" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Raimundo Valentim</p></div>
<p style="text-align: left">Acompanhei o desenrolar das duas convenções e o que vi foi uma cena de pré-guerra medieval. De cada lado das colinas, dois exércitos se amontoam com suas espadas, armaduras, lanças e arcos de guerra. À frente de cada exército, os generais consultam seus auxiliares, que se dedicam a olhar no horizonte e saber, de antemão, o tamanho do exército inimigo.</p>
<p>A tática, então, é a de amplificar o próprio poder. Para isso não faltam, de lado a lado, arautos, mensageiros e trombeteiros, além do maior número possível de soldados, de preferência aqueles que não sabem quem é seu líder, muito menos o inimigo &#8212; a maior parte quer apenas andar de ônibus de graça.</p>
<p>Nas guerras medievais, eram os arautos os encarregados de oferecer trégua, listar exigências e condições e dar a chance, ao inimigo em desvantagem, de se render. Hoje o que não falta é marqueteiro, mensageiro e trombeteiro. Na guerra moderna, um trombeteiro talentoso vale mais do que cem soldados. É dele a tarefa de espalhar o terror nas hostes inimigas, falando da morte sangrenta que terão, das poucas chances que têm, do tamanho da lança do patrão etc. O arauto era o famoso ficeleiro real, o animador de auditório da corte.</p>
<p>Em Henrique V, de Shakespeare, Montjoy, o arauto de Carlos VI, é enviado para dar aos ingleses a chance de rendição na guerra dos 100 anos. Para isso, os comunica que os franceses são 50 mil, contra os 10 mil ingleses. No dia seguinte, após a famosa batalha de Azincourt, 10 mil franceses estavam mortos, entre eles 126 príncipes. Os ingleses mortos eram vinte e cinco.</p>
<div id="attachment_241" class="wp-caption aligncenter" style="width: 490px"><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/CONVENCAO-OMAR-RVALENTIM.jpg"><img class="size-full wp-image-241" title="CONVENCAO-OMAR-RVALENTIM" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/CONVENCAO-OMAR-RVALENTIM.jpg" alt="" width="480" height="320" /></a><p class="wp-caption-text">Foto: Raimundo Valentim</p></div>
<p>Durante a convenção de Alfredo, a estimativa dos organizadores era de até 5 mil pessoas presentes, segundo os arautos de Alfredo. Na convenção de Braga (e Omar, claro), hoje, eram esperadas 3 mil, segundo os arautos de Braga (e Omar, não podemos esquecer do Omar).</p>
<p>Nesse ponto da campanha, é a única coisa que conta: mostrar poder ao adversário como nas guerras medievais, enviando arautos (com suas vuvuzelas douradas) para oferecer rendição ao inimigo em número inferior. Se for possível exibir aos soldados o último casal da espécie em extinção <em>inimicus communis</em>, devidamente empalhados como troféus de caça, tanto melhor.</p>
<p>Claro, contam também os prefeitos do interior, com a coleira dos convênios estaduais no pescoço, os professores da rede pública, os deputados e suas ONGs, os vereadores e os cargos de seus parentes, mas essa é a menor parte. Há também os empreendedores pastores evangélicos, provando o sucesso do <em>agrobusiness</em> amazonense: na ovinocultura amazonense, o rebanho da espécie IURD está sendo negociado por R$ 5 milhões neste momento.</p>
<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/CONVENCAO-OMAR.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-243" title="CONVENCAO-OMAR" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/CONVENCAO-OMAR.jpg" alt="" width="480" height="276" /></a></p>
<p>Pouco importa o tamanho de cada exército. Com 5 vezes menos soldados, Henrique V venceu os franceses com um discurso belíssimo e patriótico, incentivando seus homens a lutar por suas famílias, sua honra e sua nação.</p>
<p>Os exércitos de hoje são movidos apenas pelo vazio, talvez pela algazarra coletiva. Não carregam mais lanças nem escudos, apenas cartazes e faixas de gente que nunca viram.</p>
<p>É a repetição, e a repetição, e a repetição da mesma morte de sempre, a morte social. Henrique V ofereceu aos seus homens a possibilidade de escreverem seus nomes na história. Os trombeteiros de hoje precisam apenas oferecer uma carona. Se rolar um ovo coberto com refresco de caju geladinho, então, o exército se multiplica.</p>
<p>Hoje pouco importa se a carona é para uma morte certa num campo de batalha distante.</p>
<p>Para os soldados de hoje, o que vale é a carona.</p>
<p>E a merenda de graça, claro.</p>
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		<title>Como vencer o Brasil</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Jun 2010 23:28:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Daniel Alarcón, no The New Republic:
Você joga futebol. Você tem uma equipe, alguns jogadores razoáveis. Você é ambicioso. Bom para você. Agora, tente o seguinte: Depois do apito e do início da partida, corra em volta do campo lentamente, laconicamente, sorrindo o tempo todo. Sua linguagem corporal deve expressar uma indiferença para com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/DANIEL-ALARCON.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-232" title="DANIEL-ALARCON" src="http://blogs.d24am.com/omalfazejo/files/2010/06/DANIEL-ALARCON.jpg" alt="" width="230" height="240" /></a>Por Daniel Alarcón, no <a href="http://www.tnr.com/">The New Republic</a>:</p>
<p>Você joga futebol. Você tem uma equipe, alguns jogadores razoáveis. Você é ambicioso. Bom para você. Agora, tente o seguinte: Depois do apito e do início da partida, corra em volta do campo lentamente, laconicamente, sorrindo o tempo todo. Sua linguagem corporal deve expressar uma indiferença para com o próprio jogo. Deixe o seu oponente controlar o ritmo, deixar que eles tenham a posse, deixá-los pensar que estão no comando.</p>
<p>Quando você receber a bola, toque-a para os lados um pouco, só para ver como é a sensação. Não é bonito o estádio sob as luzes? Sorria. Principalmente, porém, espere. Seja paciente. Não corra muito, a menos que seja absolutamente necessário. Só por diversão, deixe o outro lado chutar algumas vezes a gol, pra que o sangue deles corra nas veias. Então, depois de vinte minutos sem uma única oportunidade de marcar, crie uma de surpresa &#8212; roubando a bola no meio-campo, com um contra-ataque ou batendo uma falta rapidamente &#8212; e, uma vez em frente ao gol adversário, não tenha piedade.</p>
<p>Jogar contra o Brasil é um pesadelo absoluto. Eu não consigo pensar em um placar em meu favor pra começar a relaxar: 5 a 0, 7 a 0? Vamos ser honestos, a maioria dos times, ao ver aquela camisa amarelo-canário, se caga silenciosamente. No ano passado na Copa das Confederações, os Estados Unidos estavam dois gols à frente no meio do jogo, e rapidamente entregaram a partida. Do outro lado, o Brasil não pareceu muito preocupado em nenhum momento, e o placar final dificilmente seria menos surpreendente.</p>
<p>Foi, de fato, nada menos que a velha história. A minha vida inteira, eu tenho visto o Brasil jogar mal e vencer. Eles são o tipo raro de time que nunca parece estar no controle do jogo, embora sempre esteja. A verdade é que eles não estão jogando o mesmo jogo que os seus adversários. Eles estão jogando alguma coisa, um esporte parecido com futebol, mas totalmente diferente. Na versão de futebol que o resto de nós conhece, se eles fizerem um gol em você, eles vão fazer outros três. Uma vez que você é obrigado a perseguir o jogo &#8212; como foi com o Chile hoje &#8211;, eles terão o maior prazer em despedaçar você.</p>
<p>Marcelo Bielsa, técnico do Chile, por seu mérito, não teve medo. Eles jogaram o mesmo futebol atraente, mostrando o mesmo futebol que mostraram durante todo o torneio, mas infelizmente para eles, também exibiram a mesma futilidade pra chegar ao gol que os desgraçaram no grupo. (Chile chegou onde chegou com a força de apenas dois gols.)</p>
<p>Você não pode vencer o Brasil desperdiçando oportunidades. Você tem que marcar logo, e muitas vezes. Você tem que fazê-los ir até você. Você tem que forçar os seus zagueiros a jogar o tempo todo na defesa, sem lhes dar a chance de fazer aquelas corridas letais. E o mais importante, você tem que vencê-los nos noventa minutos. Quantas vezes eu vi Brasil ser completamente dominado por 85 minutos e sair de campo sorrindo e vitorioso, como se tivessem achado o espetáculo inteiro divertido?</p>
<p>Dunga e seus jogadores estão ali para serem elogiados. Mesmo com Kaká jogando mais ou menos, são impressionantes. Esta equipe é mais forte na defesa do que qualquer zaga brasileira de que me lembro, e eles são notavelmente consistentes no ataque. Luis Fabiano é um assassino direto. Todo mundo está lamentando o fim do <em>jogo bonito</em>, mas os dois malditos últimos gols pareceram muito <em>jogo bonito</em> para mim. Aposto que os fãs no Rio de Janeiro também acharam isso. Juan e Lúcio parecem nunca se cansar (e esses dois não jogaram também, se esgotando nas ligas europeias que outros usaram como desculpa?) E no caso de eles cansarem, o banco brasileiro é muito forte.</p>
<p>Você sabe, talvez eu deixe alguém responder a pergunta no título deste post. Talvez os holandeses tenham a receita secreta. Se existe uma resposta, meu palpite é que ela envolve um pouco de sorte.</p>
<p style="padding-left: 180px"><em>Daniel Alarcón é editor da </em><a href="http://www.etiquetanegra.com.pe/" target="_blank"><em>Etiqueta Negra</em></a><em>, premiada revista publicada em sua cidade natal, Lima, no Peru, and professor visitante no Center for Latin American Studies da universidade de Berkeley, Califórnia. É autor de duas obras de ficção, War by Candlelight (finalista em 2006 do prêmio PEN/Hemingway) e Lost City Radio, romance publicado em dezenas de países. Alarcón ganhou diversos prêmios, incluindo um Whiting Award (2004), um Guggenheim e um Lannan Fellowships (2007), e um National Magazine Award (2008).</em></p>
<p style="padding-left: 30px"><em>A dica do artigo é do <a href="http://twitter.com/diegoescosteguy">jornalista Diego Escosteguy</a></em><em>, da revista Veja, no Twitter.</em></p>
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		<title>A paella do LULA</title>
		<link>http://oavesso.com.br/omalfazejo/2010/05/31/a-paella-do-lula/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 06:25:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Clóvis Rossi, na seção PENSATA da Folha Online, no dia 19 de maio:
Jornalista da minha geração estranha quando vira notícia. Eu, a bem da verdade, estranho até quando vejo meu nome na capa da Folha, encimando um texto, como se o nome fosse a notícia, não o texto.
Por isso, fiquei chocado ao virar notícia por [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center"><img class="aligncenter" src="http://novoemfolha.folha.blog.uol.com.br/images/rossi2.jpg" alt="" /></p>
<p><a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/clovisrossi/ult10116u737535.shtml">Clóvis Rossi, na seção PENSATA da Folha Online</a>, no dia 19 de maio:</p>
<p>Jornalista da minha geração estranha quando vira notícia. Eu, a bem da verdade, estranho até quando vejo meu nome na capa da Folha, encimando um texto, como se o nome fosse a notícia, não o texto.</p>
<p>Por isso, fiquei chocado ao virar notícia por conta de uma queda na terça-feira à noite, aqui em Madri, que causou a fratura de duas costelas.</p>
<p>Passado o choque, lembrei-me da insistência de meu amigo Sérgio Leo (&#8220;Valor Econômico&#8221;), um desses jornalistas que dão orgulho da profissão, para que eu escreva um livro contando bastidores de coberturas jornalísticas.</p>
<p>Ainda não me convenceu, mas, já que a notícia está no ar, ouso contar detalhes da queda e dos desdobramentos posteriores porque imagino que há coisas de que o leitor nem desconfia.</p>
<p>O presidente Lula havia terminado de discursar, após receber prêmio. Sempre que isso acontece, os jornalistas (e muitos outros no auditório) tentam se aproximar do presidente, para arrancar uma frase ou, simplesmente, mostrar a cara.</p>
<p>Foi o que tentei fazer, mas pela via errada. Em vez de subir pela escadinha que levava ao palco, tentei escalar o degrauzão do meio. Escorreguei, cai de costas e fraturei as costelas.</p>
<p>Ainda assim, me levantei, usei a escadinha mas, ao chegar perto do bolo, estava como Jorge Araujo, um extraordinário fotógrafo da Folha, costuma brincar: &#8220;Já vi cadáveres mais corados que você&#8221;.</p>
<p>Descrição perfeita para meu estado naquele momento. Se não fosse Patrícia Chiarello, misto de diplomata (da assessoria de imprensa do Itamaraty) e anjo-da-guarda de jornalistas, me mandar sentar e tomar água, teria desmaiado no meio do palco.</p>
<p>O presidente Lula se aproximou e constatou o mesmo que o Jorge Araujo: &#8220;Você está branco e suando frio&#8221;.</p>
<p>Não me lembro se foi antes ou depois da frase de Lula que o coronel Cléber Ferreira, médico da Presidência, me examinou. No momento em que apalpou minhas costas, detectou a fratura e iniciou as providências para que eu fosse levado ao hospital.</p>
<p>Tentei resistir, dizendo que precisava terminar os textos do dia e enviá-los para a Folha. Aí, baixou o coronel no médico, e as ordens foram cumpridas.</p>
<p>Ele fez questão de me acompanhar na ambulância e no hospital, enquanto fazia as radiografias e um exame de urina para ver se a queda trouxera outras complicações.</p>
<p>Primeira observação que, imagino, o leitor não desconfia: é possível, sim, a um médico da Presidência abandonar o presidente para dar atenção a um jornalista. É verdade que, naquela altura, o jornalista precisava dele mais que o presidente, mas o gesto fica.</p>
<p>Como ele me contou no caminho, foi só o seu lado coronel que forçou Lula a não viajar para Davos, em janeiro, quando passou mal em Recife.</p>
<p>Segunda observação: Patrícia e também a Ana Maria, da Comunicação Social da Presidência, seguiram a ambulância até o hospital para, depois, me resgatar e levar para o hotel. Fizeram mais: reservaram um apartamento no hotel em que estava a delegação brasileira, o Intercontinental, para que eu ficasse próximo do médico, delas próprias e também da Janaína e da Sylvia, outras moças da assessoria.</p>
<p>É verdade que tenho, desde sempre, bom relacionamento com o pessoal do Itamaraty, mas, francamente, não esperava tanta atenção e cuidado.</p>
<p>Já no começo da madrugada, outra cena de que o leitor talvez tampouco desconfie: aparecem no hotel os companheiros Andrei Netto (&#8220;Estadão&#8221;), sua mulher, a Lu (&#8220;Portal Terra&#8221;), Assis Moreira (&#8220;Valor Econômico&#8221;) e Fernando Duarte (&#8220;O Globo&#8221;).</p>
<p>Todos eles haviam me amparado no local da queda e acompanhado meu percurso na cadeira de rodas até a ambulância. Ou seja, a competição no meio jornalístico pode ser intensa e às vezes selvagem, mas a solidariedade entre alguns também é formidável.</p>
<p>Na atitude dos três, nada que me tenha surpreendido. Embora Andrei e Fernando sejam de uma geração bem mais jovem, trabalhamos juntos em várias ocasiões, sempre competindo, mas lealmente, e sempre pondo o companheirismo acima da concorrência.</p>
<p>Nenhum de nós acha que é preciso dar uma facada nas costas do concorrente para fazer melhor o seu próprio trabalho, sem adversários.</p>
<p>Pouco antes da chegada deles, aparecera no meu quarto uma quentinha, enviada pelo presidente Lula.</p>
<p>Eu já havia jantado, no próprio quarto. Por isso, ofereci a paella (o conteúdo da quentinha) aos companheiros. Assis Moreira não se fez de rogado. Comeu toda a paella do presidente.</p>
<p>Aí, chegaram Lula e sua turma. O assessor diplomático Marco Aurélio Garcia, os ministros Nélson Jobim e Franklin Martins, Nelson Breve, também da SECOM, Carlos Villanova, diplomata que é o segundo de Franklin na Comunicação Social da Presidência, em geral encarregado com competência das viagens internacionais de Lula. Talvez houvesse mais alguém com eles, mas eu não tinha condições físicas de girar o corpo para ver quem se postou atrás de mim.</p>
<p>Lula chegou no exato momento em que eu havia iniciado assim o texto: &#8220;Sem se manifestar desde que deixou o Irã na segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem tempo para &#8220;amadurecer as reações&#8221; em torno do acordo com os iranianos (e os turcos) antes de se pronunciar&#8221;.</p>
<p>Ordenei: &#8220;Senta aí e escreve o resto, vai. Você sabe melhor do que eu o que você pensa e diz&#8221;.</p>
<p>Observação final: minha relação com o presidente (e também com o seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso) sempre foi cordial, como pessoas físicas. Como pessoas jurídicas, critiquei um e critico o outro, às vezes impiedosamente, mas esse é o jogo certo (acho eu) entre jornalismo e política.</p>
<p>Com FHC, a relação era mais formal, pela idade de cada um. Com Lula, é mais relaxada, até porque o conheço desde o tempo em que eu é que podia mandar quentinhas para ele, não o contrário.</p>
<p>Tanto que me despedi brincando: &#8220;Você é um péssimo presidente, mas um notável ser humano&#8221;.</p>
<p>Agora, chega. Vou obedecer as ordens do doutor e coronel Cléber e me recolher ao repouso por tempo indeterminado mas que espero seja breve.</p>
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		<title>Apesar de você, [NOME DO TÉCNICO]</title>
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		<pubDate>Thu, 20 May 2010 13:19:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Esportes]]></category>
		<category><![CDATA[O Malfazejo]]></category>

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		<description><![CDATA[Com alguns dias de atraso, meu comentário sobre a escalação da Seleção 2010 é de 29 de junho de 2006.
Já em 1994, quando este mesmo Parreira comandava aquele timaço brasileiro formado por dois atacantes (Romário e Bebeto), um canal de televisão fez uma ótima e irritada edição de imagens do técnico brasileiro, acompanhada por “Apesar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Com alguns dias de atraso, meu comentário sobre a escalação da Seleção 2010 é de 29 de junho de 2006.</em></p>
<p>Já em 1994, quando este mesmo Parreira comandava aquele timaço brasileiro formado por dois atacantes (Romário e Bebeto), um canal de televisão fez uma ótima e irritada edição de imagens do técnico brasileiro, acompanhada por “Apesar de Você”, de Chico Buarque. O gosto da iniciativa foi duvidoso, mas certeiro.</p>
<p>Parreira conseguiu a proeza, impensável desde sempre, de ser criticado mesmo estando invicto. O brasileiro sempre foi mais dado a elogiar ou criticar de acordo com o placar final. Agora, não. Um contra os croatas, dois contra os australianos, três contra os ganenses e quatro contra os japoneses. Ainda assim, o Brasil não convence. Não vence por causa de Parreira, vence apesar dele. É tão superior individualmente que se dá o luxo de jogar dessa forma e ainda vencer.</p>
<p>Fica mais dolorido ainda lembrar de Telê Santana. Porque com Parreira a vitória perde o gosto, a cerveja entra quadrada &#8211; como um “quadrado mágico” -, o placar é injusto. Se eu já nutria a vontade enrustida de que o Brasil não levasse essa (pra que ficasse mais gostoso ganhar depois), meu dissabor piora agora. Para Parreira, “show é ganhar”, como se o gol ilegal de Adriano sobre a suicida zaga ganense fosse resultado direto do futebol feio da seleção. Parreira quer nos convencer de que goleamos exatamente porque jogamos mal. Para Parreira a surra da Copa das Confederações sobre a Argentina foi um acidente lamentável, uma ocasião bizarra e inexplicável, em que o Brasil fez quatro gols jogando bem.</p>
<p>Não suporto ver o Brasil jogar. É chato demais ver o Émerson tocando pra trás, o Ronaldo tocando pra trás, o Ronaldinho Gaúcho proibido, por Parreira, de ser o melhor jogador do mundo. Esse timeco não me convence com seus gols em impedimento ou puramente individuais.</p>
<p>Somos insuperáveis. Provamos ao mundo que, mesmo numa perna só, embriagados e com um venda nos olhos, vencemos. Somos insuperáveis.</p>
<p>Ainda assim, prefiro perder com o Carrossel Holandês de Rinus Mitchell do que ganhar com o Tabajara de Parreira.</p>
<p style="text-align: right"><strong><em>O Estado do Amazonas, 29 de junho de 2006</em></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Sobre o triunfo dos nerds!</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 07:48:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Neil Gaiman]]></category>

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		<description><![CDATA[por Michelle Portela
Nas escolas católicas, padres acumulam a função de professor de religião e supervisores pedagógicos. Quando fazia o segundo grau, atual Ensino Médio, no Colégio Dom Bosco, fui surpreendida lendo “Morte: o grande momento da vida” e ouvi um sonoro: “quem é este herege?”, para, em seguida, ser encaminhada para a psicóloga.
Fiquei chocada! Disse [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/05/michelle.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-6027" src="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/05/michelle.jpg" alt="michelle" width="227" height="240" /></a><strong><em>por Michelle Portela</em></strong></p>
<p>Nas escolas católicas, padres acumulam a função de professor de religião e supervisores pedagógicos. Quando fazia o segundo grau, atual Ensino Médio, no Colégio Dom Bosco, fui surpreendida lendo “Morte: o grande momento da vida” e ouvi um sonoro: “quem é este herege?”, para, em seguida, ser encaminhada para a psicóloga.</p>
<p>Fiquei chocada! Disse para a senhora que me avaliou que não entendia como não podia ler mais uma grande obra de Neil Gaiman, escritor e quadrinista britânico que usava sua literatura de forte apelo poético para tratar de temas clássicos, fazendo uso de mídias tradicionalmente discriminadas e levando-as a alcançar status de best-seler em países do “primeiro mundo”. Deu certo, a ponto do fato não constar em meus registros.</p>
<p>De certa forma, conhecer Neil Gaiman foi determinante em minha vida. A admiração faz com que obra e autor façam parte do meu cotidiano, seja em referências literárias ou em experiências de vida. Acesso o blog <a href="http://journal.neilgaiman.com/">journal.neilgaiman.com</a> diariamente, tenho a coleção completa da graphic novel Sandman, obra que o elevou de escritor de história em quadrinhos à posição de autor, e dos livros publicados no Brasil, e minha fantasia favorita é Stardust, que narra a queda e a luta pela sobrevivência de uma estrela para falar de humanidade. Ele me apresentou um novo mundo, no meu próprio tempo. Falando sobre ele, me aproximo de qualquer pessoa no planeta. Para mim, ele abriu portas.</p>
<p>Mais sobre ele? Ao receber homenagem no Scream Movie Awards de 2007, subiu ao palco, de calça e jaqueta de couro e um perceptível óculos de grau, para dizer que aquele “era o triunfo dos nerds”. Em Paraty, na Flip, deixou a sala vip e foi passear com a filha pela cidade. Tirou, inclusive, foto abraçado ao “curupira”. Concretizando as expectativas manifestadas na internet, tanto por fãs quanto pelo próprio Gaiman em seu blog, ele ficou por seis horas consecutivas autografando livros e quadrinhos de leitores emocionados, que superaram mais de um dia de espera na fila, como expuseram membros de comunidades virtuais que freqüento. “Se antes o amava, agora o amo mais ainda” se tornou um novo tópico após o episódio. É o maior recordista de autógrafos da Flip.</p>
<p><img src="http://www.sjsu.edu/cwmfa/Images/neil_gaiman.jpg" alt="" hspace="10" align="left" />A atitude chamou a atenção do escritor Tenório Teles, que esteve na Flip e hoje usou o exemplo “daquele autor” para falar do comprometimento que a categoria deve ter para com seus fãs, em reunião preparatória para o Festival Literário da Floresta (FliFloresta). “Esse rapaz deu um grande exemplo de humildade”, reconheceu Tenório.</p>
<p>A citação me fez retomar uma análise crescente. Não é nova a constatação, mas não custa lembrar. Há escritores muito simpáticos que escrevem mal. E há escritores antipáticos que escrevem bem. Agora, nada como encontrar escritores simpáticos e competentes no que fazem. Podiam ser antipáticos se quisessem. Porém, são simpatias pessoais que garantem a priori simpatias literárias. Vide Tenório, que sequer sabia o nome do cara.</p>
<p>Nesse caso, transfiro o julgamento do mérito literário aos leitores, mas garanto que é sempre mais agradável conversar com um autor simpático, aquele que talvez nem se atribui importância indevida, do que com coroas que se tem em alta conta e enfiaram a modéstia no canto da bolsa de marca.</p>
<p>Cees Nooteboom, um outro grande autor, nem sei se simpático ou antipático, traduz meus sentimentos assim em Paraíso Perdido:”Ele costumava não suportar a maioria dos escritores como pessoas, sobretudo se admirava o trabalho deles. Mais valia jamais encontrá-los. Melhor seria se fossem de papel e estivessem encadernados.”</p>
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		<title>Ao Ribamar Bessa e ao nosso amor em comum</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 07:37:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[Manaus]]></category>
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		<category><![CDATA[colaborações]]></category>

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		<description><![CDATA[por Astrid Lima
As ruas de pedra crua, o joelho sempre ferido, o primeiro beijo, o seu Ceguinho, a Carmem Doida, o padre Marcos, o português Fernando que nós tínhamos certeza não se afastava nunca do seu bar, o medo do Conêgo Azevedo antes da reforma onde, corria a voz, havia um esqueleto além dos seus [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/05/Astrid.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-6022" src="http://oavesso.com.br/omalfazejo/files/2010/05/Astrid.jpg" alt="Astrid" width="300" /></a><strong><em>por Astrid Lima</em></strong></p>
<p>As ruas de pedra crua, o joelho sempre ferido, o primeiro beijo, o seu Ceguinho, a Carmem Doida, o padre Marcos, o português Fernando que nós tínhamos certeza não se afastava nunca do seu bar, o medo do Conêgo Azevedo antes da reforma onde, corria a voz, havia um esqueleto além dos seus muros escuros (muralhas, para nós crianças), as corridas com os cachorros nos nossos calcanhares, os banhos de chuva embaixo das calhas, cachoeiras de detritos, o último andar do colégio Aparecida, onde se dizia era fechado desde que o elevador despencara matando dois estudantes (poucos ousaram ultrapassar as portas fechadas, desafiando as escadas em ruínas que davam na antiga biblioteca), os papagaios enrolados nos fios, a goiabeira de galhos lisos atrás de casa, a família Pacatuba na frente, os Paixões e as brigas memoráveis, os pequenos empurrões entre amigas, o rio, as corridas até a bóia no meio da água, os arraiais na Igreja, a primeira comunhão e o medo de cometer pecado entre a primeira confissão e a ostia sagrada no dia seguinte, a total, absoluta ausência de roubos, a quadra, as passagens secretas até a Luiz Antony, as velhas casas estreitas, minúsculas, da Bandeira Branca, as enchentes que lambiam as cozinhas com os quintais de rios na Gustavo Sampaio, o seu Aury, que consertava tudo, a dona Pequena fumando cachimbo na cadeira de balanço. As cadeiras de balanço! Todas as cores: amarelas, verdes, azuis, enfeitando as portas; o seu Osmar e a sua ternura africana.</p>
<p>Não sei o que existe naquele lugar que nos rende ligados a ele desse modo indissolúvel, não sei o que é capaz de marcar a memória com esse fogo perene, não tenho um nome para explicar o que, desse bairro — pedaço de terra, quase lama de rio — permanece em silêncio no lugar mais remoto da nossa alma e que retorna toda vez que perdemos a estrada, que erramos o caminho, que nos sentimos solitários e vencidos. Retorna, nos sussurra um nome, nos recorda um aniversário.</p>
<p>Aparecida. Aquele lugar nos forja em continuação. Vamos morrer pela mesma causa e, espero, com um meio sorriso nos lábios lembrando do Rubem nos dando uma piscadinha cúmplice.</p>
<p>A Aparecida não é uma doença, é a nossa loucura.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A infância acabou.</title>
		<link>http://oavesso.com.br/omalfazejo/2010/05/12/a-infancia-acabou/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 May 2010 04:51:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Receita de herói
Tome-se um homem feito de nada
Como nós em tamanho natural
Embeba-se-lhe a carne
Lentamente
De uma certeza aguda, irracional
Intensa como o ódio ou como a fome.
Depois perto do fim
Agite-se um pendão
E toque-se um clarim
Serve-se morto.
Reinaldo Ferreira em &#8220;Portos de Passagem&#8221;, 1991
Outro dia vi Wagner Love, do Flamengo, dizer que acabara de sofrer a derrota mais prazerosa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right"><strong><em>Receita de herói</em></strong></p>
<p style="text-align: right">Tome-se um homem feito de nada<br />
Como nós em tamanho natural<br />
Embeba-se-lhe a carne<br />
Lentamente<br />
De uma certeza aguda, irracional<br />
Intensa como o ódio ou como a fome.<br />
Depois perto do fim<br />
Agite-se um pendão<br />
E toque-se um clarim<br />
Serve-se morto.</p>
<p style="text-align: right"><strong><em>Reinaldo Ferreira em &#8220;Portos de Passagem&#8221;, 1991</em></strong></p>
<p>Outro dia vi Wagner Love, do Flamengo, dizer que acabara de sofrer a derrota mais prazerosa de sua carreira. O rubro-negro carioca perdera a segunda partida das oitavas de final da Copa Libertadores por 2 a 1, para o Corinthians. O resultado levava o Flamengo adiante no torneio e eliminava o time paulista.</p>
<p>Hoje, com a confirmação da chapa Alfredo Nascimento / Serafim Corrêa para concorrer ao governo do Amazonas, lembrei do Wagner Love e imaginei o que deverá ser, para o ex-prefeito, a vitória mais amarga de sua carreira. Não porque sua relação com o senador seja tumultuada ou de inimizade, mas pelo que Alfredo representa. Mais do que isso, pelo que Serafim representa.</p>
<p>Ao ver o PSB costurar sua chapa com o PR de Alfredo, sob as bênçãos do presidente Lula e diante de toda a minha torcida contrária, entendi o que separam socialistas de socialistas, ou oposicionistas de oposicionistas. Serafim escolheu ser coadjuvante de uma vitória, em vez de protagonista de uma derrota. Ainda vai precisar de algum tempo para saber se fez a escolha certa, mas terá pouco tempo para convencer seus eleitores disso.</p>
<p>Posso falar pessoalmente. Ao tomar conhecimento da notícia, vi ao meu redor o furor que aguarda Serafim e percebi como é reconfortante, mesmo contrariado com a notícia, ver provado que ainda há políticos capazes de decepcionar seu eleitorado. Isso não pode ser ignorado, porque essa é uma raça rara. Espero apenas que Serafim tenha tido a noção da quantidade dessas pessoas. O tal &#8220;exército invisível&#8221; de Jefferson Peres não pode ser desprezado &#8212; nem tornado sacrosanto, como se este mesmo exército não tivesse abandonado o então prefeito em favor de Amazonino, que hoje faz a Prefeitura que faz.</p>
<p>É um fato amargo, não tentemos esconder. O PSB escolheu seu projeto político, e projetos políticos só andam a base de vitórias. Com elas aumenta a representatividade do partido em todas as esferas, a nacional, as estaduais e municipais. Senadores, deputados e vereadores aumentam em número, o partido cresce, deixa de ser oposição por oposição, do tipo que morre de medo de ganhar, só quer marcar posição. Com seu PSB, contando dinheiro para viajar pelo interior, Serafim faria a minha alegria e a alegria de muitos dos que queriam vê-lo disputando o cargo maior do estado. Se deixasse exposta sua falta de dinheiro e estrutura, então, encheria ainda mais seu eleitorado de orgulho.</p>
<p>Mas ele não venceria.</p>
<p>Por isso, eu entendo o PSB. Mas ainda é muito cedo para saber se, depois desse adeus à infância, as vitórias e derrotas da vida adulta trarão a Serafim a redenção. A aliança com Alfredo, e mais do que isso, o resultado dessa aliança nas urnas, será o divisor de águas entre a política que se vê nas ruas e a política que se faz nas urnas. De uma forma ou de outra, a decisão de Serafim e do PSB vai tirar as dúvidas sobre quem estava certo: quem acreditou na vitória de um Davi contra dois Golias, ou quem acreditou em números que mostravam o tamanho da impossibilidade &#8212; logística e financeira, especialmente.</p>
<p>A olhos vistos, Serafim sofreu com o dilema. Entre seus eleitores, era flagrante a pressão pela candidatura insólita, abandonada pelos partidos que o apoiaram em 2008. Seus eleitores, onde eu me incluo, tocavam a vida enquanto Serafim ouvia, nos almoços e visitas que recebia, os porquês de quem lhe largava. Uns precisavam do apoio de deputados estaduais no interior. Deputados são governistas, não podiam apoiar alguém que caminhasse ao lado de Serafim. Outros alegavam que Serafim não tinha dinheiro, assim, com essa franqueza. E, no todo e nas partes, Serafim absorvia o ícone que criou, o do oposicionista que certa vez venceu a máquina. Perderia fragorosamente, esmagado na piçarra e no lixo espalhado nos 62 municípios do interior, por duas naves gigantescas.</p>
<p>Mas perderia bonito, diríamos todos nós.</p>
<p>Em política, assistindo as caminhadas dos Serafins, das Marinas, dos Gabeiras e dos Cristóvams, percebi que gente que não trai é que apanha. Gente que fala a verdade é que cria dívidas com os eleitores. É o preço justo pela escolha em se fazer na política o que poucos fazem na política. Pode parecer um contrasenso, mas me orgulho de fazer parte de um grupo de eleitores difícil de dobrar. Ver as pessoas que vi hoje criticando a decisão do PSB dá gosto, me fez lembrar de tantos políticos e partidos que até outro dia ainda suavam a camisa e gastavam seu latim &#8212; ou seu russo &#8212; para manter seu eleitorado. Caberá aos eleitores de Serafim, agora, continuar cobrando. Caberá a Serafim continuar respeitando a inteligência dessa gente.</p>
<p>Não cabe aqui condenar quem ajuda a fazer da nossa política o balaio de gatos que ela é. Ver um senhor de 63 anos angustiado com o convite para embarcar numa candidatura favorita me faz lembrar dos jovens, alguns com menos de 30 anos, que hoje já se renderam à ideologia do cinismo, ao empreguismo e à tentação de fazer parte do poder, seja o poder de quem for. A opção pelo cinismo é tentadora, porque é fácil. Qualquer jovem político sem muitas luzes pode ser cínico, e há exemplos aos montes. E porque são montes, acabam reescrevendo uma história que deveria ser outra, a dos homens e mulheres que, na política, mais choram do que riem. Desconfio de políticos risonhos e felizes, porque no mais das vezes são apenas vítimas da mosca azul, satélites de outros políticos ou apenas gente sem profissão definida que vive à procura de um galho pra sentar &#8212; e rir de quem passa.</p>
<p>Hoje, vendo a reação raivosa da platéia ao fim do dilema do PSB, exposto em praça pública durante dias e dias, lembrei de tantos finados heróis do nosso passado recente. Petistas e comunistas devem ter recebido o fim da candidatura Serafim com um misto de inveja e alívio. Inveja porque aceitariam, rápida e sorridentemente, fazer parte de uma chapa tão forte. Alívio porque, vendo Serafim apanhar em público, podem expiar seus pecados e repousar confortavelmente nos gabinetes que ocupam, sem eleitores na sua cola, sem ideologia pra defender, sem bandeiras pra empunhar.</p>
<p>O tempo dirá se Serafim acertou ao render-se aos números. Meu palpite é o de que apressou-se a se declarar candidato, contando com apoios que, se em nível local eram simples, em nível estadual se revelaram teoremas matemáticos. Eleições em Manaus são uma coisa, eleições estaduais são outra. Serafim escolheu seu projeto, o projeto de tonar seu partido visível em detrimento de seu próprio capital pessoal. Decepcionou os que amavam vê-lo a cada dois anos ali, no cantinho dos oposicionistas heróicos, vencendo debates, mostrando bons projetos, pregando a ética na política&#8230; e perdendo no fim. Não faz muito tempo, eu vi muita gente consagrando o demagogo experiente para punir o reto de primeira viagem. Com a licença de vocês, ouso lembrar que não caí nessa daquela vez. Não vou cair novamente.</p>
<p>Claro, é difícil digerir, como eleitor, o fato de que a infância acabou. Mas o fato é que ela acaba, a vida segue e o que sobra é a saudade dos tempos em que tudo era mais fácil, porque mudar o mundo era apenas uma brincadeira.</p>
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		<title>O &#8220;Fenômeno do Médico e do Monstro&#8221;</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 23:55:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Blogs]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Eleições]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[Nonsense]]></category>

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		<description><![CDATA[Outro dia citei aqui o que batizei de &#8220;Fenômeno do Médico e do Monstro&#8221;, me referindo a parte da imprensa, local e nacional, e sobre o comportamento editorial de cada um em épocas eleitorais. Fiquei de explicar melhor do que se tratava, e hoje, depois de ler alguns blogs e notícias na internet, me lembrei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Outro dia citei aqui o que batizei de &#8220;Fenômeno do Médico e do Monstro&#8221;, me referindo a parte da imprensa, local e nacional, e sobre o comportamento editorial de cada um em épocas eleitorais. Fiquei de explicar melhor do que se tratava, e hoje, depois de ler alguns blogs e notícias na internet, me lembrei da promessa.</p>
<p>O fenômeno do Médico e do Monstro &#8212; FMM &#8212; consiste num quadro psicótico que acomete os grandes veículos de imprensa no Brasil a cada dois anos. Se na lenda do lobisomem, por exemplo, o catalizador da transformação são as noites de lua cheia, no FMM o estopim para a transformação é o período eleitoral. A cada dois anos, com a chegada dessa época, a doença se espalha silenciosamente pelas redações, pela internet, pelas emissoras de tevê, rádio e pelas revistas de variedades, decoração e/ou moda.</p>
<p>A FMM é deflagrada por um vírus agressivo, que permanece incubado dentro do paciente por dois anos e que eclode da noite pro dia, levando a vítima a transtornos de comportamento e traços de psicopatia. Durante as crises, a vítima perde o senso de orientação e ignora a escala oficial do ridículo, transmutando-se numa figura monstruosa. Os sinais exteriores são a atrofia dos músculos inferiores, o crescimento de pelos no rosto, o gigantismo dos dentes caninos e a coloração avermelhada da íris dos olhos.</p>
<p>Assim, o paciente com quadro de FMM costuma andar arqueado, sem conseguir erguer a espinha dorsal, o que afeta seu ritmo respiratório, que fica acelerado. Com a protuberância dos caninos, fatalmente saliva em demasia. Combinando-se a vermelhidão dos olhos, a respiração acelerada e a salivação descontrolada, o aspecto final é o de uma criatura que em nada lembra a vítima antes do surto.</p>
<p>Mas é no comportamento que se notam os piores sintomas, pois a vítima apresenta níveis elevados de falsidade ideológica, completo desprezo pela apuração jornalística, nível zero de isenção e preocupação com o ridículo. Depois dos surtos, a vítima age como se nada tivesse acontecido, volta a falar em jornalismo ético, responsável, volta a falar manso e apresenta quadro grave de amnésia seletiva.</p>
<p>Os surtos de FMM somem tão rápido quanto surgem. Assim que as nuvens negras das eleições se dissipam os pêlos somem, a espinha volta a se esticar, os dentes voltam ao normal e os olhos retornam à sua coloração original. Relatos de leitores, espectadores e familiares desses veículos reforçam a tese de que, durante os surtos, a vítima assume outra personalidade, como se estivesse possuída. Tanto que, recuperada do transtorno, nunca se lembra do que fez durante o surto &#8212; lembrando novamente o Lobisomem, que costumava acordar nu e sujo com o sangue de suas vítimas, sem fazer ideia das atrocidades que tinha cometido na noite de lua cheia anterior.</p>
<p>Com a FMM é tudo muito parecido. Apesar de ainda não ter sido estudada pela medicina, já é possível notar uma mudança no comportamento das famílias. Pais e mães recomendam que seus filhos não leiam jornais, assistam noticiários e ou leiam blogs de veículos de imprensa. Entre os meses de janeiro e outubro dos anos pares, é recomendado aos mais jovens que não se aceitem carona de colunistas sociais nem bombons de radialistas, muito menos que andem sozinhos à noite nas proximidades dessas empresas.</p>
<p>O vírus da FMM não escolhe classe social, atinge grandes e pequenos veículos de imprensa, mas é particularmente agressiva com os maiores. Oficialmente, ninguém admite sua existência. Médicos suíços, porém, alegam já ter isolado o vírus e dizem que o quadro fica mais visível a partir do mês de junho, após as convenções partidárias. Extra-oficialmente, os suíços recomendam todo cuidado possível com grandes jornais e programas de tevê e rádio, e arriscam algumas dicas que &#8212; segundo eles &#8212; ajudam a reconhecer uma potencial vítima da FMM:</p>
<ul>
<li>Veículos que aumentam o tamanho da fonte de suas manchetes &#8212; Quando seu jornal preferido começar a estampar denúncias frequentes contra alguma personalidade política, em fundo preto e letras gigantes, não se engane, ele já está infectado pelo vírus da FMM.</li>
<li>Veículos que alegam serem perseguidos por forças ocultas &#8212; Assim que começam a atacar suas vítimas, os veículos infectados tendem a trocar de posição com elas, alegando serem eles as vítimas de censura, perseguição ou lorota equivalente.</li>
<li>Veículos que prometem Caixas Pretas, dossiês detalhados, reportagens históricas &#8212; Estes são traços decorrentes do isolamento do gene responsável pela noção de ridículo. Isolado este gene, o veículo engana seus consumidores vendendo denúncias falsas e praticando chantagem aberta.</li>
<li>Veículos que recebem visitas constantes de membros de governos e se reunem a portas fechadas com dirigentes partidários &#8212; Gabinetes de diretoria que passam a ficar movimentados e mal frequentados em época de eleição estão irremediavelmente infectados. Mantenha distância.</li>
<li>Veículos que incham em anos eleitorais, exibindo traços visíveis de enriquecimento ilícito &#8212; Quando vir aquele jornal, aquela rádio ou aquela emissora virando um império de comunicação sem explicação razoável, atravesse a rua imediatamente.</li>
<li>Veículos que criam blogs apócrifos e sites anônimos &#8212; Frequentemente, tais veículos lideram cruzadas contra esse tipo de crime na internet. No fundo, são os grandes utilizadores deste tipo de expediente.</li>
<li>Veículos que exibem a genitália de mulheres grávidas na primeira página &#8212; Deixe de assinar ou comprar veículos que atentem contra as regras mais elementares de tato social ou bom gosto com a notícia.</li>
<li>Veículos que começam a atacar &#8212; ou deixam de atacar &#8212; alguém subitamente, da noite pro dia &#8212; É um dos sintomas mais comuns e fáceis de detectar. Mas em alguns casos a patologia é tão grave que, depois de atacar a vítima publicamente, o veículo infectado liga para a vítima como se nada tivesse feito.</li>
<li>Veículos que passam a narrar os fatos políticos como personagens, e não como veículos de imprensa &#8212; Fuja de jornalistas que dizem &#8220;falei no fim de semana com o prefeito&#8221; ou &#8220;todos sabem que sou amigo do governador&#8221;. Jornalista não almoça com a notícia, apenas a assiste e a conta.</li>
</ul>
<p>A época do FMM é como a época das viroses respiratórias do inverno. Convém apenas aos leitores, ouvintes e espectadores lavar as mãos sempre que manipularem ou tiverem contato com os prováveis infectados. No caso de contato, recomenda-se muito líquido, repouso, canja de galinha e senso de humor.</p>
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		<title>Reflexos e fotografias</title>
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		<pubDate>Mon, 10 May 2010 22:15:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ismael Benigno Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Blogs]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoal]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando os risos abertos começaram a denunciar os repuxos e rugas nos cantos dos olhos, quando o pigarro começou a incomodar mais, quando os cabelos começaram a rarear e a barba agrisalhar, me perdi. A cintura alargou, o fôlego esmoreceu e sinais e mais sinais apareceram, aparentemente no espaço de uma noite. Espelhos são ótimos companheiros, sempre prontos a dizer o que precisamos ouvir. São diferentes, muito diferentes das fotos. As máquinas são os famosos amigos verdadeiros, esses chatos egoístas, mais preocupados em estar certos do que em agradar. Dizem, com requintes de crueldade, que os anos passaram, que a mistureba de álcool, salgadinhos, frituras e gordura já não são inofensivos como há 10 anos. Aos 18 todo fígado é total flex, tudo suporta, tudo supera.</p>
<p>Há semelhanças tênues entre esse terço de vida (se Deus quiser) e a crônica circular, diária dos escritos. Por vezes um céu nublado ou uma música mais triste nos pautam, nos abatem e nos deixam pensativos. Hoje peso e meço tudo o que ainda quero ser, viver, ouvir, ver e falar. Desonesto comigo mesmo, me apego às palavras falsas e amigas do meu espelho, que cinicamente me diz que estou mais charmoso com esta barba grisalha.</p>
<p>Sou pai e talvez já tenha o biótipo de pai, de “véio”, de coroa. Espero, do jeito que esperei aos 18 pela namorada, que esse menino venha me fazer sentir bonito novamente, aceso novamente, mais feliz do que já estou. Espero, ansioso como a menina na noite de Natal, pra poder chorar de felicidade, pra poder chorar de preocupação; pra que uma foto de família, enfim, me faça andar com minha carteira, orgulhoso, louco pra que perguntem se tenho filhos, no trabalho, na rua, na mesa do chope da sexta-feira.</p>
<p>Espero que este espelho pequenino me venha acordar dos dias nublados, do frio na barriga e do medo de errar. Que o choro macio e que o riso iluminado me venham rejuvenescer, acender.</p>
<p>Quando isto acontecer, o tempo correrá ao contrário pra mim.</p>
<p>Azar o de vocês, fotografias ranzinzas e sem graça.</p>
<p style="text-align: right"><em>O Estado do Amazonas, 4 de novembro de 2006</em></p>
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