A ascenção meteórica do micro-empresário Fernando Valente rumo ao Senado Federal começa a parecer reprise de novela. Com os novos desdobramentos da mais nova suspeita de extorsão contra Eduardo Braga (o caso da visita dos ‘emissários’ do PRB à sede do PMDB), fatalmente nos lembramos de outros carnavais.
Em 2004, por exemplo, a médica Soraia, que acusava Serafim Corrêa de ser pai do seu filho, desequilibrou a eleição a favor de Serafim. Soraia surgira da varinha de condão do então vereador Sabino Castelo Branco, que chegou a levá-la ao plenário da Câmara Municipal para um depoimento bombástico. Em 2005, em depoimento ao STJ, disse ter caído no “conto do vigário” de Sabino.
Em 2008, Renata Barros, comadre do então governador, surgiu num vídeo o acusando de corrupção ao lado do marido. Renata recebera a proteção do senador Arthur Neto, e passado o calor eleitoral, repensou sua vida, voltou para a felicidade do lar e retirou o que disse — possivelmente alegando privação temporária dos sentidos.
![]()
O que ocorre hoje? Fernando Valente, tão desconhecido até anteontem quanto Soraia e Renata, aproveitou a mania de chegar atrasado do ex-governador e registrou sua candidatura antes, como se, numa brincadeira de criança, tivesse corrido mais rápido ao final da música e sentado na cadeirona reservada a Braga, causando um rebuliço tremendo no meio dos bajuladores, assessores, amigos, familiares, jornalistas e blogueiros ligados ao ex-governador.
Ontem (terça, 13) à noite os capítulos desse Vale a Pena Ver de Novo começaram a se denunciar. Três bem intencionados senhores, anunciando-se emissários do agora poderoso Valente, ofereciam a Braga um acordo, que aparentemente envolvia dinheiro. O governador (opa, ex-governador!) não pensou duas vezes e acionou a polícia, deve ter dito José Melo, que no momento da suposta extorsão servia cafezinho a todos.
Fernando Valente, até março passado subsecretário de Amazonino Mendes, denunciou a trama. Valente tem dado mais entrevistas coletivas do que o delegado do caso Bruno, e seus quinze minutos de fama começam a se tornar perigosamente trinta.
Hoje descobriu-se que Marcius Filard de Souza, um dos homens detidos e que se apresentava como advogado de Valente, na verdade era correligionário do extorquido, Eduardo Braga. Filard é filiado ao PMDB desde dezembro de 2005. Na coletiva desta quarta, Valente repetiu seu mantra: “Não vou recuar”.
Já comentei aqui antes, no Amazonas o escândalo depende mais do malandro do que da polícia ou da imprensa. Soraia protagonizou, ao lado de Sabino, um dos espetáculos mais deprimentes da política amazonense. Renata, do ciclo de amizades do ex-governador, nunca dirá o que a motivou a denunciar o amigo e compadre. Fernando Valente, que já trabalhou com Braga, era subsecretário de Amazonino.
Novela boa é novela previsível. Precisa ter um galã, um vilão, uma mocinha, uma história de amor não correspondido, um núcleo cômico, uma vizinha fofoqueira, um filho misterioso, uma causa social e uma penca de espectadores em casa, aguardando pela dose diária de entretenimento.
O lamentável, nessa novela que se repete a cada dois anos, é que acabamos rindo de um filme que não é comédia, e sim um drama. Um drama que conta a nossa própria desgraça.
Március, o suspeito de extorquir Braga é do partido de Braga. Renata e Ney voltaram a ser o casal feliz e bem sucedido que sempre foram.
Soraia também voltou ao ninho. É candidata a deputada estadual pelo PTB, o partido do prefeito Amazonino Mendes, que ajudou a derrotar em 2004. O mesmo PTB hoje presidido por Sabino Castelo Branco, que em 2004 lhe passou o “conto do vigário”.
O mundo dá voltas, mas acaba sempre no mesmo lugar.









A atitude chamou a atenção do escritor Tenório Teles, que esteve na Flip e hoje usou o exemplo “daquele autor” para falar do comprometimento que a categoria deve ter para com seus fãs, em reunião preparatória para o Festival Literário da Floresta (FliFloresta). “Esse rapaz deu um grande exemplo de humildade”, reconheceu Tenório.