Diálogo ocorrido na semana passada, numa clínica veterinária da cidade, entre eu e um médico veterinário. Bardot, minha dogo argentino, estava doente e internada havia dois dias. Ela pesa cerca de 30kg, e o quadro era de apatia, falta de apetite e fraqueza muscular. Aos que acompanham este blog há mais tempo, é fácil reconhecer Bardot, conhecida antes como simplesmente Fezes.
– Bom dia, doutor.
– Bom dia.
– E então, como tá a minha cadela?
(Expressão de pesar) — Olhe, as notícias não são boas…
– Mas… como assim, doutor? O que ela tem?
– É a infecção mesmo… Os rins dela foram muito comprometidos… Mas sente aí, por favor.
(Sentei lentamente, digerindo a notícia)
– Olhe aqui os exames, a urina está completamente fora dos valores de referência. (fazendo círculos com a caneta no laudo do exame) Aqui o normal é de 200 a 1.100, e tá em 1.900. Aqui (outro círculo) era pra estar entre 2.000 e 3.000. e tá em 7.000. É uma situação complicada.
– Entendo…
– Pois é, e como ela uma cadela bem idosa, tudo complica mais.
– Hã?
– E com a retirada do útero, achei que fosse resolver, mas era complicado mesmo. Agora o que podemos fazer é o tratamento, que é longo e doloroso, e mesmo assim acho melhor o senhor estar preparado para o pior.
– Útero?
– Você deve lembrar, depois da cirurgia, os exames dela devem ter dado muito alterados também, por causa da infecção, que era a mesma. A gente podia tentar uma transfusão de sangue, mas ela podia entrar em choque e não resistir, porque ela tá muito magrinha.
(Me inclinei pra ver melhor o laudo sobre a mesa) — Posso dar uma olhada no exame?
– Claro, aqui, ó.
– Doutor, essa cadela não é a minha.
– Como?
– Não é. A minha cadela é aquele dogo argentino de 5 anos, e não esse poodle de 15.
– Hein?
– É! Esse poodle não é meu, e meu nome não é Ygor. A minha dogo se chama Bardot, e não Natasha.
(O médico ficou vermelho e suado em segundos, deu um sorriso envergonhado) — Eh… Me perdoe… (olha para a auxiliar) Pega o prontuário do dogo pra mim, por favor? O senhor me desculpe, eu lhe confundi com o outro rapaz…
– Avemaria, doutor… Que susto o senhor me deu.
(prontuário chega à mesa, auxiliar também ri constrangida) — Aqui está. Vejamos… Olha, a Bardot vai ficar boa.
– É ela mesmo?
– Agora é, juro. Olha aqui.
– Não retiraram o útero dela? Os rins estão funcionando? Não a operaram por engano?
– Não, não! Esse poodle aqui (a tal Natasha) é velhinho mesmo, uma história meio longa.
– Ah, bom. Então a Bardot vai se recuperar, né?
– Sim, ela já comeu bem hoje, tomou a medicação, tá respondendo bem. O tratamento em casa vai durar 20 dias, mas em 98% dos casos de esliquiose [uma doença transmitida por carrapatos] o animal se recupera. Claro que não posso garantir, mas uma coisa é certa, ela está bem melhor do que a Natasha.
– Ok, doutor. Que bom que o senhor estava enganado.
– Pois é… Mas me perdoe novamente, fiz uma confusão aqui… Agora, no seu lugar eu deixaria a Bardot mais uma noite aqui, pra ela tomar a medicação na veia, o efeito é mais rápido… Aí de manhã o senhor vem vê-la, acho que ela já vai estar “de alta”.
(Pensei seriamente se deixava Bardot mais uma noite ao lado de Natasha) — Ok, então amanhã eu venho vê-la. Mas por favor, doutor, não retire os órgãos dela…
– Não, não, ela vai ficar bem.
– E o poodle, tem pouca chance mesmo? — Eu tinha me afeiçoado a Natasha, coitada.
– Infelizmente não posso lhe passar dados de outro cliente.
brunno
March 10th, 2010
morrendo de rir! aconteceu comigo no santa julia, o problema era q eu tava ferrado! era um outro bruno, e so li qnd tava saindo, voltei ao medico e ele acabou me receitando remedios carissimos, me arrependi! hj tou pior! rs rs rs
Dani Azevedo
March 10th, 2010
Essa última frase foi ÓTIMA!!
Pequena Grande Mulher
March 10th, 2010
Muito boa! O bom é que o médico manteve a ética profissional de não te passar as informações de outro cliente, pena que foi um pouco tarde! hehehe…
Zona Morte
March 10th, 2010
Vixi! sou tratado como cachorro todas as vezes que procuro atendimento público!
Luciano
March 10th, 2010
É rapaz, já vi história parecida. Porém, aconteceu comigo mesmo em uma situação nada boa.
Estava eu internando há dias tentando resolver uma complicação de uma cirurgia de apendicite quando a enfermeira me entra no quarto e diz: O senhor é um grande fujão, dessa vez o senhor não escapa, vamos agora para o centro cirúrgico, sua cirurgia será agora!!! Eu fiquei completamente sem entender, pois não havia porque operar novamente.
Nesse instante ela dana a conversar com meu pai e eu já quase em desespero, bastante abatido, me bate um momento de lucidez e, quando a mulher já ia embora, eu clamo mais uma vez e pergunto: Qual é o número do prontuário que você tem na mão?
Ela imediatamente informa: É o número 19.
Eu quase caindo já com a pressão baixa, suspiro e digo: Graças a Deus, esse não é meu prontuário, o meu é 29!!!
A enfermeira me pediu milhões de desculpas e depois daí eu caí para o lado e dormi já sem forças!
Com tudo isso só posso dizer que, acontece!
Que sirva de dica para todos sempre confirmarem novo do paciente, enfermidade, prontuário e tudo mais.
Já vi casos em que os médicos chegaram ao finalmente, kkkkkkkkkkkk!
Rafaela Valerio
March 10th, 2010
Aflição só de ler.Aff!
Penélope é a riqueza da minha vida, se acontece do veterinário mandar uma conversa dessa pra cima de mim, eu não ouvia até o final.Desmaiava ali msm!
Se uma inflamação na vista me deixou abalada,imagina isso.
Melhoras pra Bardot e pra Natasha!
VÂNIA NOVOA TADROS
March 10th, 2010
QUE HORROR! NÃO MANDA MAIS A BARDOT PARA ESSA CLÍNICA.
Alessandro
March 12th, 2010
AHAHAHAHAHAHAHAH
Imaginei enquanto lia um caso parecido, mas diferente de gênero. O médico confundiu o meu Dashund macho com uma fêmea no cio.
- E então, doutor?
- Ah, não se preocupe, esse sangramento faz parte do cio. É normal.
- Mas ele é macho!
- Hum…
LÁ DO ALÉM
March 14th, 2010
Eu mandaria a SRa Vania Novoa Tadros.