De Tereza Teófilo, em A Crítica:

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), desembargador Ari Moutinho, assegurou ontem o retorno de Edson Bessa (PMDB) ao cargo de prefeito de Manacapuru (distante 85 quilômetros de Manaus). A decisão ocorreu 32 dias após o Pleno do Tribunal ter cassado o mandato de Bessa por compra de votos e prática de caixa dois nas eleições de 2008.

No voto de minerva, Moutinho considerou insuficientes as provas apresentadas pelos advogados de defesa do deputado estadual Angelus Figueira (PV). A diplomação e posse do parlamentar, que ficou em 2º lugar nas eleições passadas, estavam  marcadas para amanhã (9).

Moutinho sustentou ainda que o caminho para apurar a compra de votos e o abuso do poder econômico contra Edson Bessa não seria uma Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME) e sim uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE). O magistrado disse que o Embargo de Declaração (recurso) proposto por Bessa, cuja relatoria ficou a cargo da desembargadora Maria das Graças Figueiredo – a qual votou pela manutenção da decisão que cassou o prefeito -  apresentava uma contradição porque as contas de campanha de Bessa teriam sido aprovadas por unanimidade pelo TRE. “Todas as regras da contabilidade foram respeitadas pelo candidato”, disse Moutinho.

O peemedebista também foi absolvido pela Justiça Eleitoral do pagamento de multa. Moutinho fez questão de ressaltar que sua decisão “reacendeu as luzes da serenidade”.

Ao fim do julgamento, o candidato a vice-prefeito na chapa de Angelus, Messias Furtado (PSol), deixou as dependências do TRE e declarou: “Esse julgamento sim é uma peça de ficção. Nós já sabíamos que isso ia acontecer. Vamos conversar com os advogados para ver o recurso junto ao TSE”, disse Furtado, em uma referência ao voto da desembargadora Graça, que ao votar pela cassação de Bessa disse que as contas de campanha do prefeito eram “meras peças de ficção”.