No último dia 2 de setembro, quarta à noite, O Avesso e todos os seus blogs saíram do ar. Procuramos, eu e o Rommel, o suporte do nosso provedor, a JetNet Host, sediada nos Estados Unidos, para saber o que ocorrera. Como ocorreu há cerca de três semanas, o problema parecia ser de configuração ou atualização junto aos servidores. Naquele caso, O Avesso ficou intacto, os leitores apenas não conseguiam encontrá-lo.

Dessa vez foi diferente. O suporte da JetNet nos enviou um email, na manhã do dia 3, informando que os servidores tinham sido invadidos por um hacker, que acessou o banco de dados e o apagou por inteiro, deletando todos os sites hospedados no servidor 4. Mas o pior não era isso. Segundo o mesmo email, o hacker invadiu também o servidor remoto de backups da empresa e deletou também todas as cópias de segurança. Não havia absolutamente mais nada dos sites, nem como recuperá-los.

Já disse aqui, várias vezes, que não sou do tipo “Hollywood me achou”, e não caio facilmente em teorias conspiratórias contra os blogs de Manaus. Era, pra mim, o caso clássico de um erro da empresa, que seria reparado depois de algumas horas. Não custa lembrar, até o GMail, o planetário serviço de emails do Google, saiu do ar também esta semana, por um “erro de cálculo” dos engenheiros. Ora, se até o Google sai do ar por falha humana, por que O Avesso não poderia?

Mas todos os dados foram perdidos. Insistimos junto ao suporte que aquilo era surreal demais. Como pode uma empresa não manter cópias físicas de segurança dos arquivos dos seus clientes? Como pode a vida inteira de uma empresa ficar relegada a um banco de dados, guardado na memória de um disco rídigo, vulnerável e ao alcance de um invasor que pode, com linhas de comando, apagar tudo? No site da empresa, lê-se: “Customer data is backed up every night to a remote location. This ensures that we can restore files securely and efficiently. In the case of an unlikely data loss, your data will be restored to your website for no charge by a JetNet technician.” É um dos 10 motivos para escolher a JetNet Host.

Bom, O Avesso está voltando ao ar. O lado bom da tragédia foi a formação, quase instantânea, de uma “equipe” de leitores do site, profissionais da área de TI ou não, que têm ajudado a recuperar os arquivos de O Avesso via Google. É um trabalho grande e de paciência. Agradeço a todas as pessoas que nos procuraram para oferecer arquivos (feeds) armazenados em RSS, imagens, sugestões de como recuperar o máximo de informação possível, programas, sites, fóruns etc. À turma que acompanha O Avesso via Twitter, pelos blogs internos, assinando seus RSS, repassando artigos por email. Vocês sabem quem são, e ainda vou pensar numa forma de recompensá-los pelo esforço gratuito e por toda a ajuda.

Dito isto, e ainda que oito meses de trabalho tenham sido perdidos desta forma, é exatamente neste trabalho que reside o consolo: é um trabalho intelectual, não é apenas um patrimônio palpável, com valor financeiro. E trabalhos intelectuais não param. O Avesso foi feito assim, de ideias e mentes. As ideias continuam, as mentes se somam, e o resultado só pode ser este: estamos voltando ao ar nos próximos dias.

Pouco terá importado se o ataque tenha sido ao provedor JetNet como um todo, ou que tenha sido sobre O Avesso e seus blogs. Honestamente, não faz tanta diferença.

Por uma razão simples: a gente não vai sair daqui. Ainda há muito, muito o que contar.