Para lembrar Chaplin

April 19th, 2009 clayton nobre 2 comments

image Já faz três dias completou 120 anos o nascimento de Charles Chaplin. E já que não temos a boa televisão para fazer essa justa lembrança, a nós, amantes, resta-nos fazer por intermédio da Web.

Para Chaplin, “cada dia que se passa sem um riso é um dia perdido”. O Bufão espera contribuir com a assertiva do artista, postando uma cena de um de seus vídeos (e algumas frases que gosto) àqueles que estiverem em seus afazeres fatigados, sonolentos e retardados. Assim, animamos ao menos o resto de carcaça que sobrou desse legendário personagem.

P.S.: Havia postado que 120 anos era aniversário de morte de Chaplin. Besteira. Ele morreu em 1977. Já corrigi.

 

Nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade.

 

Há uma coisa tão inevitável quanto a morte: a vida.

 

 

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=79i84xYelZI&hl=pt-br&fs=1]

Entre sectos, barbies e vampiros, venceu a Márcia

April 15th, 2009 clayton nobre 2 comments

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Àqueles que ainda desconfiam que a universidade não é um mundo mitológico, de onde surgem as ideias complexas e metas de vida que nunca usaremos em nossa existência, peço para fazer uma rápida análise desse último processo eleitoral pelo qual passou a Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Mais de dez mil eleitores, em um universo de 28 mil pessoas aptas a votar, interromperam suas atividades ontem para exercer seu direito ao voto ante as urnas eletrônicas distribuídas na Ufam. Parte dessas pessoas deixou para mais tarde a tarefa tediosa e habitual de manter a máquina acadêmica. Os sectos aproveitaram suas últimas oportunidades de campanha para acicatar os calouros e os indecisos.

Os transeuntes, coitados desprovidos de partidarismos, observavam de longe a transformação do ambiente universitário numa Cidade de Deus às vésperas da eleição petista. Estes não conseguiam ao menos seu direito de desfilar pela instituição sem ter colado em suas roupas os adesivinhos de bárbie amazônica e sol de bundinha.

Uma professora ontem, ao meu lado, esforçava-se na tentativa de conceder uma entrevista à imprensa, desviando a atenção das vaias alienantes e gargalhadas debochadas. Mais cedo, a comissão eleitoral implorava aos desavisados nos mega-fones, o cumprimento do regimento.

Não adianta meus caros. Já suspeitava de que a democracia é uma construção mitológica de esquerdistas e neoliberais. Agora confirmo que também aquelas molduras douradas de missão/visão que vemos nas paredes da universidade não passam de cercaduras. Na comemoração de seus 100 anos, a Ufam prova que é lendária, e legendária.

Vivo na universidade o mesmo estorvo do meio artístico. Tudo o que aprendemos de ruim, nos debates nas salas jurássicas da universidade, sobre as corruptelas, sobre as pressões ideológicas de veículos, partidos e políticos, todos os reclamos que fazemos sobre as eleições municipais, estaduais, federais, vemos acontecer à nossa frente no ambiente acadêmico.

Não adiantam os argumentos, ou as aulas de filosofias e teorias sobre a reflexão crítica. Vence a eleição quem ganha no grito – e quem chama partidários para gritar mais alto. O problema é que até agora os acadêmicos não sabem como funciona uma gestão administrativa acadêmica. Pensam que elegem o novo reitor ou a reitora, como elegeram o Amazonino Mendes, o Serafim Corrêa, o Eduardo Braga.

Vi mais nessa eleição que na anterior. Houve cultos, vampirismos, apelos, PC do B x PSTU, dedo na cara e uma comissão eleitoral cuja comandante é vilã de novela mexicana: mesmo quando ausente deste mundo perespiritual, daria trabalho até a policiais, que, fatigados, teriam de enumerar uma lista interminável de suspeitos. (Rebusquei as palavras para não fazer apologia).

O grito mais alto desta última eleição foi o berro feminino. E por pouco. Menos de 1% do eleitorado universitário determinou a vitória para a candidata Márcia Perales. Vamos averiguar se o mesmo secto usará seu berrafones e adesivos para rezingar na sala de reitoria na busca de seus direitos e cargos. Esperamos que não seja necessário.

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Mostra de Videodança

April 12th, 2009 clayton nobre 1 comment

Sem tempo para postar, me resta fazer divulgações:

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Encontro com Renan Freitas Pinto

March 17th, 2009 clayton nobre No comments

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O Calouro Mariposa, e outras mensagens

March 5th, 2009 clayton nobre 1 comment

Graças ao Wordpress, é possível verificar que meu post sobre o salto de qualidade no curso de jornalismo na Ufam está com um acesso bem crescente e súbito nessa semana. Provavelmente, então, há calouros encontrando meu blog. Deixo a eles três mensagens.

Primeiro: sejam todos muito bem vindos. Se leram o post sobre as mudanças no curso de jornalismo da Ufam, já devem estar sabendo que são vocês, alunos do módulo 1, os primeiros a darem um passo muito importante para a qualidade do curso. Mas para isso, não basta esse projeto. É necessária a vigilância cotidiana desse aperfeiçoamento. Cada manhã perdida para uma viagem à universidade deve ser recompensada. Cobrem de si, da instituição e dos docentes essa recompensa. Não percam tempo. Quatro anos passa rápido. Sabemos disso, amigos.

É provável que o sistema modular aproxime o ensino de gradução no jornalismo daquilo que tivemos no Ensino Médio. Esqueçam. É uma vida nova daqui para diante. É o começo de um amadurecimento que não é somente profissional. Não estudem o jornalismo como se estuda a matemática. Fizemos a escolha por uma profissão com o intuito de vivermos prazerosamente e felizes.

Há muito ainda o que dizer. Outros poderão fazê-lo. Por isso, aproximem-se dos colegas veteranos, do Centro Acadêmico (Cucos) e não se inibam com a longa distância entre a sala de aula e o departamento. Termino aqui porque nunca fui de dar conselhos e acho que nunca escrevi um texto tão chato em toda a minha vida.

As outras duas mensagens estão abaixo. Uma dica do Cucos (o cartaz – participem), e um texto que escrevi há um tempo, pouco depois de ingressar na faculdade.

 

cucos

 

O CALOURO MARIPOSA

Renato estava dormindo antes de cair da árvore e ver-se transformado em uma horrenda mariposa. Seu corpo era tão belo quanto o de uma borboleta, só não havia apreciado suas asas velhas e enrugadas. E por uma lastimosa sorte, eram as asas que auferiam maior visibilidade.

Quando se encontrou com as outras mariposas, sentiu que deveria ter aproveitado mais a vida enquanto imaturo. Engraçado ele ter aquela visão pois, uma vez larva, ele invejava com intemperança o voar das aves e dos insetos. Renato parecia não ter noção de que aquele momento era o mais aguardado em toda a sua vida insignificante. Insignificante porque antes ele não tinha tanto a fazer sem as amplas possibilidades proporcionadas por aquelas asas.

Escolhi relatar a síntese da história de uma mariposa na falta de melhor inventividade para misturar temas como maturidade e ingresso à universidade. Quis fazê-lo em um único texto porque não há feitio que torne longa a distância entre calouro e maturidade. Usar o inseto como ilustração me surgiu por causa da leitura de A Metamorfose. Não sei ao certo qual era a intenção de Kafka ao escrever história tão bizarra, mas me imaginei quando calouro no momento em que Gregor Samsa acordou transformado em um gigantesco inseto.

Os hábitos alimentares mudaram, assim como as amizades, nossas trajetórias, entre outras coisas. Tudo isso após o ato de escolha da profissão, o primeiro da vida adulta. E como seria diferente se a escolha fosse outra – ou se permitisse que outros a fizessem. O vislumbre que ainda está guardado em minha memória emotiva desde o primeiro dia de calouro confunde-se com o medo de começar a tomar decisões. Nossas ações não são mais as mesmas quando compreendemos que, agora, somos os únicos responsáveis pelo nosso bem-estar.

O que nos diferencia de Renato – e nos aproxima de Gregor – é o fato de que muitos demoram a perceber a metamorfose – ou talvez ainda nem a tenham sofrido. Nas salas da universidade, ainda esperam a solução dos problemas acadêmicos surgir como um fruto na árvore.

Graças a essa discussão, entendi porque muitos não conseguem adaptar-se ao meio acadêmico: é imaturidade. Procurem essas pessoas e descubram como levam suas vidas e descobrirão que não estou mentindo. A universidade deve ser vista como exercício. O vislumbre dos calouros logo será aniquilado se a universidade for compreendida de forma inequívoca, em uma unidade academicista.

Se voltar a historieta da mariposa para explicar melhor minha tese, diria que Renato logo descobriria que o voar das aves e dos insetos é um trabalho monótono, árduo e enfadonho. Mas é somente por meio dele que Renato descobriria os caminhos adequados para o seu bem-estar. E no final, vai adorar ter a capacidade de voar e ser invejado pelos lagartos.

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A Cantora Careca

February 21st, 2009 clayton nobre No comments

Por conta da ausência de ares inspiradores, deixo aos leitores do blog um texto que não é meu. Há um outro motivo. Faço a tentativa, e espero não me frustrar, de intigá-los a ser amantes das artes cênicas. O texto que escolhi é um trecho de A Cantora Careca, de Eugene Ionesco. O autor faz parte da lista de dramaturgos europeus do teatro do absurdo (que por motivos óbvios, outros preferem chamar de anti-teatro). São peças que tratam da realidade de forma um tanto inusitada.

Às vezes nos faltam tempo, disposição, vontade (e coragem) para assistir aos nossos espetáculos. Para não perdemos o tino para apreciar essa arte, basta-nos uma breve leitura. Se acompanhada, melhor ainda.

 

CENA 4 – O casal Martin

 

(O Sr. e a Sra. Martin sentam-se um em frente ao outro, sem dizer uma palavra. Sorriem timidamente).

O MARTIN: Desculpe minha senhora, mas parece, se não estou enganado, que já a conheço de algum lugar.

A MARTIN: A mim também senhor, parece-me que já o conheço de algum lugar.

O MARTIN: Será que já não a vi em Manchester, por acaso, minha senhora?

A MARTIN: É bem possível. Eu nasci em Manchester! Mas eu não me lembro muito bem senhor; não poderia afirmar se já o conheço ou não.

O MARTIN: Meu Deus, como é engraçado! Eu também nasci na cidade de Manchester, Minha senhora!

A MARTIN: Como é engraçado!

O MARTIN: Que coisa engraçada! Só que eu, senhora, eu vim de Manchester faz mais ou menos cinco semanas!

A MARTIN: Que coisa engraçada! Que coincidência interessante! Eu também, senhor, eu vim de Manchester faz mais ou menos cinco semanas!

O MARTIN: Eu vim no trem das oito e meia da manhã, que chega a Londres às quinze para as cinco, minha senhora.

A MARTIN: Como é engraçado! Como é interessante! Que coincidência! Eu também tomei o mesmo trem, senhor, eu também.

O MARTIN: Meu Deus, como é engraçado! Pode bem ser então, minha senhora, que eu a tenha visto no trem!?

A MARTIN: É bem possível, não é incrível, é plausível, e depois por que não? Mas eu não lembro senhor.

O MARTIN: Vim de segunda classe, minha senhora. Não existe segunda classe na Inglaterra, mas assim mesmo eu vim de segunda classe.

A MARTIN: Como é interessante, como é engraçado e que coincidência! Também eu, senhor, vim de segunda classe.

O MARTIN: Como é engraçado! Talvez nos tenhamos encontrado na segunda classe, senhora minha.

A MARTIN: É bem possível, e pode muito bem ter acontecido, mas eu não me lembro direito caro senhor!

O MARTIN: Meu lugar era no vagão número oito, décimo sexto compartimento, cara senhora!

A MARTIN: Que coisa engraçada! Meu lugar também era no vagão número oito, décimo sexto compartimento, caro senhor!

O MARTIN: Eu tenho uma filhinha; minha filhinha mora comigo, minha cara senhora. Ela tem dois anos, é loira, tem um olho branco e um olho vermelho; é muito bonitinha e se chama Alice, minha senhora.

A MARTIN: Que coincidência esquisita! Eu também tenho uma filhinha de dois anos, é loira, com um olho branco e um olho vermelho; ela é muito bonitinha e também se chama Alice, meu caro senhor!

O MARTIN: Como é engraçado e que coincidência! É esquisito! Vai ver que é a mesma, senhora minha!

A MARTIN: Como é engraçado, é bem possível, senhor meu!

O MARTIN: Então, minha senhora, creio que não há mais dúvidas: Já nos vimos em outra ocasião e a senhora é minha própria esposa… Elizabeth, eu te encontrei finalmente!

A MARTIN: Donald – é você, darling!

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Rumo novo para o teatro no Amazonas

February 8th, 2009 clayton nobre 1 comment

http://susanacosta.files.wordpress.com/2008/03/teatro2.jpgOs artistas de teatro do Amazonas já têm novos representantes durante o biênio 2009-2010. A gestão do ator e diretor Sérgio Lima entregou as chaves da Federação de Teatro do Amazonas (Fetam) à chapa Ação Teatral no Amazonas, encabeçada pelo xará Sérgio Uchoa. A entrega ocorreu hoje, logo após a eleição, no encerramento do 8º Congresso de Teatro no Amazonas, no Ideal Clube. A chapa venceu a preferência dos artistas por uma diferença de três votos para o concorrente Nivaldo Motta, que obteve 29 votos. A chapa de Wagner Melo conseguiu apenas 9 votos.

Fazem parte da nova gestão os atores Douglas Rodrigues, na vice-presidência; Fabiene Priscila, na secretaria geral; Cleinaldo Marinho, na diretoria de administração financeira; Kid Mahal, na diretoria de marketing e relações institucionais; João Fernandes, na diretoria de formação técnica e pedagógica; Sílvio Romano, na diretoria de planejamento e projetos culturais e Koia Refkalefsky, na direção de ações para o interior.

Foi a primeira vez que a categoria optou pelo voto secreto. “É uma oportunidade para experimentar. Todos os congressos já fazem isso”, disse o diretor e dramaturgo Jorge Bandeira, membro da comissão eleitoral. Cada grupo de teatro sem débitos financeiros com a Fetam teve a oportunidade de escolher dois delegados para votar. Durante o congresso, que começou ontem, às 9h, também foi elaborado o novo estatuto da entidade.

Fazem parte das propostas da nova gestão para o primeiro semestre, a legalização da Fetam, a busca por apoios em entidades públicas e a organização de um evento para o dia do teatro, comemorado no dia 27 de março. Também é meta da gestão a inserção dos eventos da Fetam nos calendários das secretarias municipal e estadual de cultura. “Uma federação sem relação com o poder público não manda”, disse João Fernandes quando a chapa foi questionada, durante debate, sobre a independência da entidade perante os órgãos públicos.

Apesar de não conseguirem votos suficientes, as chapas concorrentes se dispuseram a entregar ao presidente recém-eleito suas propostas lançadas durante a campanha. “Não fomos uma chapa de cargos, mas de propostas. Então, vamos trabalhar todos juntos”, disse o diretor Wagner Melo. Nivaldo Mota partilha a mesma opinião. “Esperamos crescer e resolver nossos problemas na medida do possível”, disse.

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Encontro com Márcio Souza

February 2nd, 2009 clayton nobre 2 comments

marciosouza

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O cálculo da felicidade

January 29th, 2009 clayton nobre 1 comment

imageVocê vale cada centavo que recebe? O questionamento me chamou a atenção quando li matéria na Superinteressante, edição de fevereiro. Também pretendo usar a mesma linha de raciocínio para citar outro texto relevante da mesma edição da revista, sobre vocação e talento. Adianto logo que não é leitura para agradar gregos e troianos, judeus e palestinos. Ainda assim escrevo e já vou me habituando a feedbacks acalorados.

A IBM já está desenvolvendo na prática um projeto que visa catalogar 50 dos 300 mil funcionários da companhia. A meta é medir a produtividade de cada empregado. O serviço pode ser útil para promoções, seleções e, se perpetuarem os tempos de crise, demissões. Nunca fui fã de números, mas aviltou-se em mim um desejo insopitável de que essa não fosse somente mais uma ideia conspiratória e sem futuro divulgada pela Superinteressante. E começo a pensar que, neste caso, os números podem ser grandes amigos.

Você deve conhecer, leitor, mais de dezenas de pessoas que exercem alguma atividade sem talento para tal. Pior que a falta de talento, é a falta de interesse. Você conhece, leitor, e se a carapuça couber, não se sinta acuado de eu estar falando de você. Encontramos milhares de pessoas bem remuneradas e infelizes no serviço, isso não é balela. O escritor Márcio Souza escreveu em artigo no jornal A Crítica, condenando especificamente o corpo administrativo do município de Manaus:

“Estive na administração federal por 12 anos e vi muita excentricidade burocrática, mas nada parecido com as sandices da burocracia municipal desta sofrida capital: é assessor jurídico que não sabe nada de direito administrativo, é secretária que não sabe escrever, é um administrador que não sabe abrir um processo ou prestar contas. Tudo isso engessa e paralisa a administração da cidade, beneficiando os parasitas”.

Eu generalizaria o que o autor escreveu, sem pena. Os parasitas não estão apenas na administração municipal. Estão nas escolas, nas universidades, nas redações dos jornais, em qualquer departamento. Gosto muito de citar dados científicos para comprovar meus argumentos. Mas como não os tenho nas mãos por ora, e na tentativa de fugir um pouco da religião, publico o que prefiro chamar de teoria conspiratória da infelicidade.

funcionarioFelicidade é coisa que talvez se descubra no clímax da maturidade. (Sim, isso tem tudo a ver com o texto que você se propôs a ler). Felicidade é coisa que todos queremos, mas ninguém sabe direito o que é porque não podemos tocá-la. E os parasitas querem conquistá-la assim, no toque.

Digo por experiência pessoal que as escolas não preparam seus parasitinhas a conquistar a felicidade além do toque. Em muitos lares, até mesmo a educação doméstica segue o princípio inadequado. Crescemos com o objetivo do acúmulo, da sensação imediata. Daí os empregados que padecerão com a tal máquina da medição de produtividade. Porque milhares de pessoas se formam com o objetivo do acúmulo, e não valem o que produzem. Não consegue acompanhar minha viagem? Então responda: entre dois empregos, qual você escolheria? É o dilema que vejo todos os dias, e dou risadas com o critério das pessoas. E ainda sou julgado. Para muitos, felicidade é balela de gerações jurássicas.

Outra constatação, e afirmo que é opinião pessoal baseada numa observação muita imatura, é que os parasitas, esses que baseiam suas felicidades no acúmulo, são os que já têm bastante acumulado. Vejam os concursos públicos, é uma briga injusta. Entra quem não precisa. São pessoas que preferem viver sem riscos. Quem ganha o risco é a nação, que emprega uma série de talentos que vão trabalhar para operacionalizar a máquina estatal, que não avança, estagna, não promove o crescimento econômico. Por outro lado, vejo pessoas sem renda, que nasceram sem condições de avaliar o futuro, que passaram por outras escolas e batalhas, e resistem para fazer o que gostam, porque sabem que a recompensa será muito maior.

funcionario2Por isso, vou me travestir agora de conselheiro budista ou autor de livro de autoajuda, e propor a todos uma análise bem caprichada de seus verdadeiros talentos. A aptidão para determinadas atividades está em nosso DNA, diz a Superinteressante. O sucesso da vocação está na união da aptidão e do interesse. Faça logo sua autoavaliação antes que cheguem os tais numerati com suas máquinas. Exerça seu talento. Desenvolva sua aptidão porque ela tem uma data-limite.

Ao descobrir que está desempenhando uma atividade para o qual não tem talento, caia fora. Assim, você não atrasa o país, promove o avanço e no final das contas estará mais perto de ser feliz. Se tiver dificuldade para descobrir se aquilo faz parte ou não da sua vida, então falte um dia o trabalho e reflita em casa. Pior que levar sermão do chefe e dos demais funcionários, é descobrir que, afinal de contas, você não fez falta.

PS.: As imagens são de uma animação bem legal que encontrei na net: http://www.localhost.nl/stuff/flash/office.swf

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Os donos dos parágrafos

January 26th, 2009 clayton nobre 1 comment

Deu vontade de informar os autores dos primeiros parágrafos divulgados aqui, anteriormente, em O Bufão. Quero recomendar as histórias que ainda não leram, sobretudo os romances quase poéticos de Adriana Falcão e a dramaturgia maravilhosa de Ilo Krugli, autores que, possivelmente, não deu para identificar. Os livros são raros, mas eu empresto para quem se interessar.

 

Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

A Hora da Estrela, Clarice Lispector

 

Quando Gregor Samsa acordou, certa manhã, de sonhos perturbadores, ele se viu transformado, na sua cama, em um inseto gigantesco.

A Metamorfose, Kafka

 

Naquela sexta-feira dos ventos, 7 de julho, logo que a tarde caiu, os acontecimentos começaram a acontecer feito loucos na vida de Luna Clara, justo na vida dela, uma menina que tinha uma vida meio besta.

Luna Clara e Apolo Onze, Adriana Falcão

 

Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela,  por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

A Cartomante, Machado de Asis

 

- Lá vem a Compadecida! Mulher em tudo se mete!

O Auto da Compadecida, Ariano Suassuna

 

Eis aí vão algumas páginas escritas, às quais me atrevi a dar o nome de romance. Não foi ele movido por nenhuma dessas três poderosas inspirações que tantas vezes soem aparar as penas dos autores: glória, amor e interesse.

A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo

 

- Senhoras e senhores, vocês vão ver e ouvir a história do mistério do fundo do pote… Ou de como nasceu a fome… Já amanheceu? Falta pouco… Já é hora de contar a minha história… A minha história nasce… e morre como o sol… e se cala quando aparece a primeira estrela. Entrem, amigos… Eu conto esta história todos os dias… Ela é da época em que nem tudo o que existia precisava ser explicado. Existia o mistério, e nós, os cegos, é que cuidávamos dele. Hoje em dia, o mistério se acabou e perdemos o ofício. Eu sou o cego Setembrino.

O Mistério do Fundo do Pote, ou De Como Nasceu a Fome, Ilo Krugli

 

Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.

O Processo, Kafka

 

Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?

Senhora, José de Alencar

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