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A Cantora Careca
Por conta da ausência de ares inspiradores, deixo aos leitores do blog um texto que não é meu. Há um outro motivo. Faço a tentativa, e espero não me frustrar, de intigá-los a ser amantes das artes cênicas. O texto que escolhi é um trecho de A Cantora Careca, de Eugene Ionesco. O autor faz parte da lista de dramaturgos europeus do teatro do absurdo (que por motivos óbvios, outros preferem chamar de anti-teatro). São peças que tratam da realidade de forma um tanto inusitada.
Às vezes nos faltam tempo, disposição, vontade (e coragem) para assistir aos nossos espetáculos. Para não perdemos o tino para apreciar essa arte, basta-nos uma breve leitura. Se acompanhada, melhor ainda.
CENA 4 – O casal Martin
(O Sr. e a Sra. Martin sentam-se um em frente ao outro, sem dizer uma palavra. Sorriem timidamente).
O MARTIN: Desculpe minha senhora, mas parece, se não estou enganado, que já a conheço de algum lugar.
A MARTIN: A mim também senhor, parece-me que já o conheço de algum lugar.
O MARTIN: Será que já não a vi em Manchester, por acaso, minha senhora?
A MARTIN: É bem possível. Eu nasci em Manchester! Mas eu não me lembro muito bem senhor; não poderia afirmar se já o conheço ou não.
O MARTIN: Meu Deus, como é engraçado! Eu também nasci na cidade de Manchester, Minha senhora!
A MARTIN: Como é engraçado!
O MARTIN: Que coisa engraçada! Só que eu, senhora, eu vim de Manchester faz mais ou menos cinco semanas!
A MARTIN: Que coisa engraçada! Que coincidência interessante! Eu também, senhor, eu vim de Manchester faz mais ou menos cinco semanas!
O MARTIN: Eu vim no trem das oito e meia da manhã, que chega a Londres às quinze para as cinco, minha senhora.
A MARTIN: Como é engraçado! Como é interessante! Que coincidência! Eu também tomei o mesmo trem, senhor, eu também.
O MARTIN: Meu Deus, como é engraçado! Pode bem ser então, minha senhora, que eu a tenha visto no trem!?
A MARTIN: É bem possível, não é incrível, é plausível, e depois por que não? Mas eu não lembro senhor.
O MARTIN: Vim de segunda classe, minha senhora. Não existe segunda classe na Inglaterra, mas assim mesmo eu vim de segunda classe.
A MARTIN: Como é interessante, como é engraçado e que coincidência! Também eu, senhor, vim de segunda classe.
O MARTIN: Como é engraçado! Talvez nos tenhamos encontrado na segunda classe, senhora minha.
A MARTIN: É bem possível, e pode muito bem ter acontecido, mas eu não me lembro direito caro senhor!
O MARTIN: Meu lugar era no vagão número oito, décimo sexto compartimento, cara senhora!
A MARTIN: Que coisa engraçada! Meu lugar também era no vagão número oito, décimo sexto compartimento, caro senhor!
O MARTIN: Eu tenho uma filhinha; minha filhinha mora comigo, minha cara senhora. Ela tem dois anos, é loira, tem um olho branco e um olho vermelho; é muito bonitinha e se chama Alice, minha senhora.
A MARTIN: Que coincidência esquisita! Eu também tenho uma filhinha de dois anos, é loira, com um olho branco e um olho vermelho; ela é muito bonitinha e também se chama Alice, meu caro senhor!
O MARTIN: Como é engraçado e que coincidência! É esquisito! Vai ver que é a mesma, senhora minha!
A MARTIN: Como é engraçado, é bem possível, senhor meu!
O MARTIN: Então, minha senhora, creio que não há mais dúvidas: Já nos vimos em outra ocasião e a senhora é minha própria esposa… Elizabeth, eu te encontrei finalmente!
A MARTIN: Donald – é você, darling!
Os donos dos parágrafos
Deu vontade de informar os autores dos primeiros parágrafos divulgados aqui, anteriormente, em O Bufão. Quero recomendar as histórias que ainda não leram, sobretudo os romances quase poéticos de Adriana Falcão e a dramaturgia maravilhosa de Ilo Krugli, autores que, possivelmente, não deu para identificar. Os livros são raros, mas eu empresto para quem se interessar.
Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
A Hora da Estrela, Clarice Lispector
Quando Gregor Samsa acordou, certa manhã, de sonhos perturbadores, ele se viu transformado, na sua cama, em um inseto gigantesco.
A Metamorfose, Kafka
Naquela sexta-feira dos ventos, 7 de julho, logo que a tarde caiu, os acontecimentos começaram a acontecer feito loucos na vida de Luna Clara, justo na vida dela, uma menina que tinha uma vida meio besta.
Luna Clara e Apolo Onze, Adriana Falcão
Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.
A Cartomante, Machado de Asis
- Lá vem a Compadecida! Mulher em tudo se mete!
O Auto da Compadecida, Ariano Suassuna
Eis aí vão algumas páginas escritas, às quais me atrevi a dar o nome de romance. Não foi ele movido por nenhuma dessas três poderosas inspirações que tantas vezes soem aparar as penas dos autores: glória, amor e interesse.
A Moreninha, Joaquim Manuel de Macedo
- Senhoras e senhores, vocês vão ver e ouvir a história do mistério do fundo do pote… Ou de como nasceu a fome… Já amanheceu? Falta pouco… Já é hora de contar a minha história… A minha história nasce… e morre como o sol… e se cala quando aparece a primeira estrela. Entrem, amigos… Eu conto esta história todos os dias… Ela é da época em que nem tudo o que existia precisava ser explicado. Existia o mistério, e nós, os cegos, é que cuidávamos dele. Hoje em dia, o mistério se acabou e perdemos o ofício. Eu sou o cego Setembrino.
O Mistério do Fundo do Pote, ou De Como Nasceu a Fome, Ilo Krugli
Alguém devia ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.
O Processo, Kafka
Há anos raiou no céu fluminense uma nova estrela. Desde o momento de sua ascensão ninguém lhe disputou o cetro; foi proclamada a rainha dos salões. Tornou-se a deusa dos bailes; a musa dos poetas e o ídolo dos noivos em disponibilidade. Era rica e formosa. Duas opulências, que se realçam como a flor em vaso de alabastro; dois esplendores que se refletem, como o raio de sol no prisma do diamante. Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o firmamento da corte como brilhante meteoro, e apagou-se de repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor?
Senhora, José de Alencar
Adeus ao criador de Hair e Jesus Cristo Superstar
Inimigos, animem-se. Estou com uma conjuntivite braba. A epidemia me impede de escrever alguns artigos sobre assuntos que me incitaram essa semana. Mas um óculos escuros, uma compressa de água fria, uma leve distância do computador e algumas lágrimas ardentes me permitem lamentar rapidamente, aqui no blog, a morte de Tom O’Horgan.
Ele levou para o teatro o musical Hair – que depois tornou-se uma das melhores expressões sobre o movimento hippie no cinema, dirigido por Milos Forman. Para encerrar o blog com uma citação cantante, que não seja a óbvia Age of Aquarius, menciono outra criação mais ousada de O’Horgan no teatro: Jesus Cristo Superstar.
Tive curiosidades sobre o filme, da década de 70, desde o dia em que o famoso compositor Andrew Lloyd Webber (sim, de O Fantasma da Ópera) levara suas canções ao American Idol. Desde então, não saiu mais da minha cabeça a música Superstar, cantada pela australiana Carly Smithson.
A história de Cristo é contada sob a visão de Judas, com elementos da cultura pop anos 60. Uma versão para TV foi feita em 2000 com uma roupagem ainda mais rock’roll. Por conta da escassez de nossas locadoras, fui conhecendo o primeiro filme (e me apaixonando) aos poucos, assistindo a cenas pela Internet. O refrão da música é claro, mas foi somente depois, por curiosidade, que desvendei a insanidade da letra completa da canção que estava cantando. Ponto para Lloyd Webber e O’Horgan, que Jesus Cristo o tenha.
Abaixo está a canção de Jesus Christ Superstar (cantada por Judas), no trecho dos dois filmes e na letra. Para quem não é apegado demais ao Homem, vale a pena assistir.
P.S.: Que fique claro que não tenho inimigos (que eu saiba). Usei somente a força da expressão de uma frase de abertura, ok?
SUPERSTAR
Sempre que olho pra você não consigo entender
Porque deixou as coisas que fez sairem tanto de controle
Você teria gerenciado melhor se tivesse planejado
Por que escolheu um tempo tão atrasado
Em uma terra tão estranha?
Se tivesse vindo hoje
Teria atingido toda a nação.
Israel em 4 a.C não tinha comunicação em massa.Não me entenda mal. Não me entenda mal.
Eu só queria saber. Eu só queria saber.
Senhor, eu só queria saber, agora…Jesus Cristo, Jesus Cristo
Quem é você? O que foi que sacrificou?
Jesus Cristo, Superstar
Você acha que é quem eles dizem?Diga-me o que penas sobre seus amigos no topo.
Quem além de você seria a escolha da colheita?
Buda, seria ele o bicho? Estaria ele onde você está?
Pode Maomé mover uma montanha? Ou ele só um RP?Era sua intenção morrer assim?
Teria sido um engano? Ou,
Você já sabia que uma morte suja
Seria um quebrador de recordes?Jesus Cristo, Jesus Cristo
Quem é você? O que foi que sacrificou?
Jesus Cristo, Superstar
Você acha que é quem eles dizem?
Curta 12 Horas
ESTUDANTES DESAFIADOS APRESENTAM RESULTADO
Já está no YouTube o resultado da oficina Projeto Curta 12 Horas, da 18ª Semana de Comunicação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Os participantes que haviam se inscrito no projeto, durante o evento, foram desafiados a participar da produção de um curta-metragem em 12 horas. O nome do filme é Doze e está disponível abaixo.
O alicerce para a produção do curta foi um vídeo intitulado Imparcial, uma idéia de um grupo de cineastas de Porto Alegre (RS) que criaram o Cinema Soco. O nome causa inquietação. E essa é a idéia dos curtas Imparcial e Doze. Inspirado na técnica literária do escritor James Joyce de transcrever em suas obras monólogos interiores, o vídeo apresenta respostas breves a um questionário inusitado
O responsável pelo desafio foi o relações públicas Aldemar Matias, egresso do curso de Comunicação Social da Ufam. Ele é um destaques no meio audiovisual por conta do prêmio que ganhou no V Amazonas Film Festival. O filme “A Profecia de Elizon”, também disponível no YouTube, foi eleito pelo júri do festival o melhor curta-metragem digital inscrito no evento.
Para o Projeto Curta 12 Horas, a idéia de Aldemar foi fazer com que os participantes da oficina tivessem uma visão diferenciada do curta-metragem. “Espero que eles conheçam novas possibilidades de produzir uma obra consistente independente de orçamento”, disse, no primeiro dia de oficina.
Veja abaixo a primeira e a segunda parte do curta Doze e o curta original Imparcial.
Filmes Inéditos na Ufam
Filmes inéditos nos cinemas de Manaus sempre fizeram sucesso nas sessões do projeto Cine e Vídeo Tarumã, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Na próxima semana, a receita será repetida e o projeto exibirá uma mostra com filmes de diferentes nacionalidades. Os filmes são Caminho Para Guantánamo, Um Enigma no Divã e O Grande Chefe. Excepcionalmente nessa mostra, o filmes serão exibidos na segunda, quarta e quinta-feira, por conta do feriado local de sexta-feira, 24 de outubro. O horário é às 12h30, no Auditório Rio Negro, Instituto de Ciências Humanas e Letras, Setor Norte da Ufam. A entrada é gratuita.
O primeiro filme a ser exibido na mostra é o docudrama inglês “Caminho para Guantánamo”, na segunda-feira, 20. A história é de britânicos de origem paquistanesa que tiveram a infeliz idéia de ir para o Afeganistão após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Foram confundidos por militantes da Al-Qaeda e passaram a sofrer uma série de torturas, caracterizando o filme como “especialmente assustador e chocante” pelo site Criticos.com. A estrutura dramatúrgica da história contada pelo diretor Michael Winterbottom também foi destaque das críticas. O filme ganhou o Independent Spirit Awards de Melhor Documentário, o Urso de Prata de Melhor Diretor, no Festival de Berlim e recebeu duas indicações ao European Film Awards, nas categorias de Melhor Filme e Melhor Diretor.
Na quarta-feira, 22, será exibido o francês Um Enigma no Divã. O título se refere ao misterioso assassinato de uma cleptomaníaca e sadomasoquista na sala de seu psiquiatra Michel, durante uma sessão, no momento em que ele dormiu. Recheado com um delicioso humor negro, o filme marca a volta do inglês Jean-Jacques Beineix ao cinema após oito anos afastado.
O filme O Grande Chefe encerra a mostra excepcionalmente na quinta-feira, 23. Neste longa-metragem dinamarquês, o dono de uma empresa de tecnologia jogava a culpa pelas suas irresponsabilidades em um chefe fictício. Agora, ele precisa vender a empresa e contratar alguém para se passar pelo grande chefe. Lars Von Trier é o diretor reconhecido pelo movimento cinematográfico Dogma 95, que prioriza a atuação e não os efeitos. Filmes como Os Idiotas e o famoso Dogville, são característicos por instigar um distanciamento do envolvimento do espectador com a trama. O Grande Chefe não é diferente. O filme recebeu duas indicações ao prêmio Bodil, nas categorias de Melhor Ator Coadjuvante (Friörik Pór Friöriksson) e Melhor Atriz Coadjuvante (Mia Lyhne).
O Cine & Vídeo Tarumã é um projeto de extensão do curso de Comunicação da UFAM que promove sessões gratuitas todas as semanas, com temáticas variadas e de notável qualidade estética, contando com o apoio cultural da Take Vídeo Locadora. As sessões são realizadas sempre no Auditório Rio Negro, localizado no Instituto de Ciências Humanas e Letras – ICHL, Coroado I, Campus Universitário. Lembrando que a entrada é gratuita e aberta ao público em geral.
Coquetel Molière estréia com surpresa no V FTA
Uma surpresa está reservada pelo grupo de teatro Baião de Dois para quem conferir a peça de sábado à noite do V Festival de Teatro da Amazônia, às 20h, no Teatro Amazonas. Será a estréia oficial do espetáculo Coquetel Molière. Após as experiências que o grupo obteve com ensaio aberto no Colégio Brasileiro Pedro Silvestre e pré-estréia no teatro Luiz Cabral, no Shopping Grande Circular, na Zona Leste, o grupo estréia oficialmente o espetáculo. O preço da entrada é R$10 e meia R$5. Apesar de fazer parte da categoria adulta da mostra competitiva, o espetáculo é aberto para todos os públicos.
A peça é uma adaptação que o grupo fez do texto “O Improviso de Versalhes”, do dramaturgo francês Molière (1622-1673). Na trama, Molière se insere como personagem principal. Ele e sua trupe de teatro, após um ensaio de apenas oito dias, precisam encenar um espetáculo encomendado pelo Rei. Esse espetáculo é um “coquetel” de alguns trechos de peças famosas do dramaturgo, como Don Juan, O Doente Imaginário, O Avarento e Tartufo. O grupo Baião de Dois já tem preparados seis trechos de peças, mas somente alguns serão apresentados ao público em cada apresentação. O público terá papel fundamental no enredo que o grupo se arriscou a elaborar e a apresentação de sábado terá um toque especial de estréia.
O grupo Baião de Dois iniciou o processo de leitura das obras de Molière em novembro do ano passado. Foi nesse laboratório que surgiram as discussões sobre as peças que deveriam entrar no espetáculo. Em janeiro, o grupo teve contato com a teatróloga francesa Brigitte Bentolila. A atriz, que tem um vasto estudo sobre Molière, ajudou o grupo a entender o autor francês, sua trupe e o teor cômico de suas peças. Em fevereiro, houve seleção de atrizes para fechar o elenco da peça e desde lá os ensaios começaram. A idéia para adaptação partiu da necessidade de aplicar o espetáculo ao público amazonense, que não teve muitas oportunidades de conferir obras de Molière em nossos palcos. Um toque brasileiro pode ser observado na trilha sonora de Edgard Lippo e em propostas de encenação dadas pela diretora Selma Bustamante.
Coquetel Molière recebeu patrocínio do Governo Federal, por meio do Prêmio Myriam Muniz da Fundação Nacional das Artes (Funarte) e Petrobrás. Teve também o apoio cultural de Thèrése Aubreton, da Aliança Francesa no Amazonas. Abaixo, a ficha técnica da peça:
ELENCO: Clayton Nobre, Cristina Venâncio, Hely Pinto, Ive Rylo, Leana Rodrigues, Nei Szafir, Wallace Abreu, Tiago Adler e Branco.
DIREÇÃO: Selma Bustamante
TRILHA SONORA: Edgard Lippo
DRAMATURGIA: Clayton Nobre e Selma Bustamante
TEXTO: Moliére
ILUMINAÇÃO: Cleinaldo Marinho
APOIO TÉCNICO: Marília, Diego Monzaho
Conspirações do Festival de Teatro
Os artistas amazonenses vão ter que tomar banho de sal grosso para participar do V Festival de Teatro da Amazônia, que começa amanhã. A prevenção deve ser feita por conta de algumas notícias tristes que circulam essa edição do festival, a começar pelo trabalho da curadoria.
Foram mais de quarenta inscrições de peças teatrais para as mostras competitivas infantil e adulta de diversas companhias e grupos da região Norte. Destas, somente as inscrições dos grupos locais, de Manaus, foram selecionadas. Não perdem somente nossos teatreiros vizinhos, mas perde a categoria local. O grupo Baião de Dois tirou ótimos proveitos, esse ano, dos festivais no Acre e em Rondônia por conta da integração e bate-papo sobre nossas diversas linguagens, suas similaridades e diferenças, independente da excelência artística ou não dos espetáculos. Tudo era ponto de discussão em nossos debates.
Para muitos artistas – que ficaram de fora da seleção e para outros que nem mesmo se inscreveram – o resultado não surpreende. As discussões pela internet, por meio do grupo de discussão on-line Fórum Permanente de Teatro da Região Norte, estão acaloradas e muitos acreditam num complô organizado pela Federação de Teatro do Amazonas (Fetam) e Secretaria de Estado da Cultura (SEC). Como membro da Fetam – afastado da organização deste festival – e amante de estudos sobre comunicação, posso indagar que muitas teorias conspiratórias são criadas a partir dessas discussões pela internet. Essa rede começa a ficar especialista no assunto.
blog do artista Marcelo Perez, de Roraima. O diretor diz que de Amazônia, o festival não tem nada.
Artistas da região expressam suas opiniões pela Internet
Entretanto, não podemos negar que alguma coisa muito estranha ocorre nos bastidores da SEC e de outras secretarias do órgão público do Estado. Começo a imaginar uma teoria conspiratória que envolve Omar Aziz e campanha eleitoral – não posso passar disso, porque internet é fogo! A verdade é que o investimento para teatro esse ano foi pouco, sobretudo neste festival. A agenda cultural da cidade começou tardia, a mostra paralela do festival foi cancelada e o dinheiro para produção dos espetáculos concorrentes ainda não chegou aos bolsos dos grupos. O festival começa amanhã.
Mas, para quem não se interessa nas picuinhas, juntem-se aos bons e prestigiem o que só pode ser mesmo uma festa. A abertura do festival será amanhã, às 17h, no Teatro da Instalação, com a apresentação da peça vencedora da edição passada: O Que Era e o Que Não Deveria Ser, da Cia Vitória Régia. A mostra competitiva começa às 20h, no Teatro Amazonas. E segue todos os dias nesse horário com peças adultas, e às 10h da manhã com peças infantis. Tudo no Teatro Amazonas ao preço de R$10 e meia R$5.
Abaixo, a programação:
06.10 (Segunda)
20h – A SERPENTE, Cia de Teatro Apareceu a Margarida
07.10 (Terça)
10h – ANGATU – A ARVORÉ MILENAR, Grupo de Teatro e Dança Origem
20h – CARMEM DE LA ZONE – A LENDA URBANA, Grupo de Teatro Azuarte
08.10 (Quarta)
10h – AS DESVENTURAS DE DONA FURUSTRECA, Cia de Teatro ArtBrasil
20h – YEBÁ BURÔH – A INDIA VELHA DO UNIVERSO, Grupo de Repertório Arte & Fato
09.10 (Quinta)
10h – A HISTÓRIA DE TONY E CLÓVIS, Grupo de Teatro Gato Carcará
20h – AS MIL E UMA NOITES, Teatro Experimental do SESC
10.10 (Sexta)
10h – LE VAM VUM, Fundação Leon Dennis
20h – NÓS ATADOS – A Rã Qi Ri
11.10 (Sábado)
10h – O REIZINHO MANDÃO, Cia de Teatro Língua de Trapo
20h – COQUETEL MOLIERE, Grupo Baião de Dois
12.10 (Domingo)
10h – O PIERRÔ APAIXONADO, Cia de Teatro Metamorfose
20h – O AUTO DO REI LEAL, Cia das Idéias
13.10 (Segunda)
10h – O MENINO SONHADOR, Fabiane Moraes Araújo
20h – ANTÍGONA, Associação Amazônia Arte Mythos
14.10 (Terça)
10h – O LEITEIRO E A MENINA NOITE, Grupo de Repertório Art & Fato
20h – CERIMÔNIA DE PREMIAÇÃO

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