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Archive for May, 2009

As últimas da trupe da Samara

May 18th, 2009 clayton nobre 4 comments

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Sete dias depois e nada de profecia concretizada. Nenhum telefonema com chamados estranhos, água transbordando em televisão, escada, árvore, nada. Desculpem o post repetitivo, mas trabalhando na Associação dos Docentes da Ufam (Adua), e ainda que monografia, Baião de Dois e maratona Lost tenham preenchido o meu final de semana, é impossível me distanciar dos fatos relacionados à agressão em sala de aula – cometida já faz uma semana, tema do último post.

A alguns curiosos que me perguntam notícias que a Adua tem em relação ao caso, basta acessar a página da entidade na internet (merchan básico). Para resumir, vou relatar brevemente, com o tempo que as atribulações me permitem, um pouco dos desdobramentos e repercussões que todos estão aflitos para saber.

Verifiquei hoje cedo que o ator que interpretou a Samara Aziz (versão Amy Winehouse, conforme apontou meu amigo Fábio no Twitter), durante ato público de sexta-feira, passa bem e não sofreu atentados surpreendentes em suas caminhadas rotineiras nas noites do Centro de Manaus, e sim, está com os dentes mantidos no lugar.

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Os diretores da Adua, mais o estudante que vos fala, também gozam de perfeita saúde e o dia na universidade parece ter sido tão corriqueiro quanto sempre o foi, sem água, sem telefone. Mas não dá pra criar teorias conspiratórias relacionando isso ao caso Aziz. Só não posso passar notícias do anônimo internauta V de Vendeta por segurança e ignorância. Só sei que a comunidade no Orkut “Porrada na Samara“, criada pelo sujeito, não parece ter mobilizado rapidamemte a comunidade universitária, em suas manifestações politicamente corretas de paz e amor ao próximo.

O reitor da Ufam continua em Brasília e participou de uma grande condecoração, no Senado Federal, que homenageou a universidade pelo seu centenário entre outras flores. Qualquer encaminhamento em relação aos problemas e mazelas da instituição, ele manda dizer que passou o bastão para um de seus pró-reitores. Aqui na Ufam, o reitor em exercício Edmilson Bruno promete ligar para o reitor amigo a fim de saber se ele vai fazer, uma semana depois, uma bendita notinha pública contra o atentado na universidade.

Sobre a repentinamente mal-amada Samara, parece que esta se esvaneceu. Em reunião da reitoria com professores, foi acertado que uma Comissão de Inquérito da Ufam será convocada hoje, por meio de portaria prometida pelo reitor em exercício, para resolver o futuro da garota na instituição. Os alunos, entretanto, querem tomar para si essa decisão. Há quem diga que ela passou para a faculdade Martha Falcão (para graça do jornalismo local, ela vai pra outro curso: Direito). A próxima manifestação, se ainda sobrar o calor pela expressividade anti-Aziz, será nos corredores da faculdade particular.

E na imprensa local, destaco dois artigos. Um, de autoria do professor Aldisio Filgueiras, conseguiu de alguma forma passar pelo crivo dos olhos do Amazonas Em Tempo e será fixado nas paredes da universidade. A outra é do colega do primeiro, o escritor Márcio Souza. Ele compara Samara Aziz a qualquer outro deliquente, por compartilhar o mesmo cinismo, truculência e impunidade de um menino que brinca com metralhadoras. Ele pede para fechar as portas da Ufam caso o fato da agressão fique impune, uma vez que estará comprovada a ausência de liberdade de cátedra da instituição. Alguns alunos já pensaram em preparar, para qualquer dia desses, uma cruz enterrada em frente à Ufam, com o epitáfio: “Aqui jaz uma universidade”.

P.S.: De presente os cartazes que tanto pediram…

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Pancada em professor: uma “pauta de blog”

May 11th, 2009 clayton nobre 8 comments

violencia 

Começo a sentir uma ligeira vantagem na arte de comandar um blog. Como se não bastasse a visibilidade que ele vem me oferecendo como um finalista de jornalismo, me ligam com a oferta de uma “pauta de blog”:

- Já está sabendo?

- Oi. Alô, sabendo o quê?

- Tô ligando pra saber se tu já tá sabendo.

Me explicou rapidamente algo em relação à Ufam, estudantes, e já me veio uma resposta pronta sobre a manifestação. Respondi que não estive na última reunião, não estava sabendo.

- Mas põe no teu blog!

E então me explicou direito uma informação que, realmente, não poderia se adequar no molde de uma pauta comum em relação a alguns jornais que lemos. Não é à toa que o fato, ocorrido há pouco, já está em diversos blogs de jornalistas locais. Em época ainda de redemocratização, em que a censura toma formas diferenciadas, invisíveis a olhos ingênuos, crua e maldosa, a “pauta de blog” é um conceito que já deveria estar nos mais modernos livros de comunicação. E os alunos do primeiro período do referido curso, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), já estão cientes da demanda, e conferiram com os próprios olhos.

Em uma das primeiras aulas da disciplina Tópicos Especiais de Jornalismo, um dos assuntos do professor Gilson Monteiro era a censura, os desmandes dos coronéis ante aos meios de comunicação de nossa provinciana cidadezinha baré. Logo depois veio a abordagem prática, com direito a uma visita acadêmica à delegacia de polícia lá perto. Resumindo: o que me contaram as testemunhas do fato – fiz o exercício da apuração – a sobrinha do vice-governador Omar Aziz assim que escutou a crítica feita pelo professor ao tio durante a aula, demonstrou a quem quisesse conferir a sua insatisfação. Seja pelo sentimento de desrespeito, seja pelo faro jornalístico de foquinha recém-nascida, ou por orientações, ou pela vontade do desabafo, a aluna não receou sua futura imagem em sala de aula, nem o recado no Orkut: “o respeito põe os dentes no lugar”, e ligou para o pai, reclamando.

Um tempo depois estavam o pai e o tio Amin Aziz com o segurança, no auditório, para demonstrar a diferença do domínio entre professor e político na base da pancada. Socou o professor Gilson, sem poupar os alunos que estavam presentes, ou o ambiente universitário ou uma pequena leva de jornalistas com poderosos contatos. Inconformado com a notícia, me subiu aquele tino blogueiro, a mesma vontade que tiveram nossos colegas universitários da Uninorte, quando presenciaram fato similar com seus amigos em época de campanha eleitoral.

O tino já havia me contagiado quando perturbada, uma amiga veio me confidenciar dia desses a intimidação que recebeu do vereador Fausto Souza, por telefone, após ter publicado em jornal alguns fatos sobre o homem, colega dos oprimidos. Também há de se comentar aqui a possível intimidação feita a outro jornalista, Cristóvão Nonato, demitido da TV Cultura após denunciar as condições em que trabalhava para a empresa. Sim, amigos, em tempos de manifestações nas ruas, a impressão é que outra geração nos emprestou o prazer de viver a década de 1960.

- Tu vai publicar no teu blog?, me perguntaram ao telefone.

- Mas isso não é pauta pra blog… Manda isso já pra imprensa!

- Clayton, sabe como é a imprensa! Isso é pauta pra blog.

Sim, mas se não fosse a enxurrada de informações sobre o caso circulando via rede social nesta noite, a imprensa acabaria por se autoflagelar caso deixasse se furar pelo fato. Ainda bem.

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Os manifestantes e os capitães camuflados

May 8th, 2009 clayton nobre No comments

3631A tarde mal havia começado ontem, quarta-feira, 6 de maio. Três estudantes secundaristas, identificados facilmente pelo uniforme e materiais escolares, conversavam sob o sol quente habitual da rotatória do Coroado. Perto dali, começavam a estacionar alguns carros da Polícia Militar, preparados mais uma vez para o exercício do poder, com a ajuda certeira de armas, cassetetes, distintivos, sirenes e a poderosa farda cinzenta.

A caminho sabe-se lá de onde, os três estudantes tiveram os passos interrompidos. Um carro da polícia estaciona diante dos secundaristas e começa um diálogo e cavaqueira que já não foi possível escutar. Só era possível observar três pares de olhos assustados, palavras que pareciam descompassadas e nervosas e uma luz vermelha que piscava e piscava. Imagine você, parado em uma calçada de trânsito, fazendo sabe-se lá o quê, e começa a ser abordado por três policiais militares. O assunto pode ser a informação de algum itinerário, ou a gripe suína ou o vídeo da Susan Boyle, mas não neguemos que é fácil nos sentir em posição de um Raphael Souza diante da imprensa amazonense.

No dia anterior, o abuso de poder havia sido pior. O major PM Walter Cruz, conforme Jornal A Crítica, não abriu mão de sua força e domínio para agredir os estudantes em seu direito de expressão na frente da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em Porto Velho (RO), nossos colegas estudantes contam fatos ainda mais risíveis se não dramáticos. Além dos pontapés usados aqui, lá houve também spray de pimenta e bala de borracha. O motivo era a baderna que o coletivo estudantil fazia em prol da redução da tarifa e melhoria da oferta e qualidade do transporte coletivo rondoniense.

No final das contas, amigos, seja você contra ou a favor da redução do uso da meia-passagem, os protestos que fazem os alunos no meio das ruas de Manaus são uma manifestação contra o abuso de poder, no caso dos proprietários do sistema de transporte coletivo da cidade. É uma luta que não se começou a enfrentar no feriado de 1º de maio, mas todos os dias. Em sala de aula, a batalha contra o abuso de poder é constante e diário. Em todos os instantes temos a necessidade de colocar uma posição que não pode ser passiva diante de todos as ações que são voltadas contra nós, nossos direitos e nossa liberdade de pensamento.

Já são dez mil estudantes aderindo a manifestação e sentindo nas mãos o poder de provocar opinião, caos na cidade e manchete nos jornais. Isso é bom. Mas desculpem-me o pessimismo, a lógica neoliberal que nos circunda tem o poder que é maior e inimaginável. De alguma forma ou de outra, pagaremos o que queremos abrir mão, da forma totalitária e invisível com a qual os poderosos sempre agiram. E, concordo com Andrés, alguns desses poderosos estão por aí, parando o trânsito, camuflados como cobras e lagartas nos campus da Ufam, aqui ou em Brasília, levantando cartazes e batendo em nossos ombros.

ASSUNTOS PARA LEMBRAR

Na falta de tempo e disponibilidade para dissertar sobre outros assuntos, aqui vai um espaço bem pequeno para fazer algumas lembranças antes que elas caem no esquecimento.

Somos todos atores

O diretor brasileiro Augusto Boal tem mais para falar aos cidadãos que aos artistas das artes cênicas. Responsável pela “deselitização” do teatro, seria primoroso se alguns de nossos teatreiros se identificassem com um pontinho sequer do Teatro do Oprimido. Por enquanto, pensam já na próxima edição da nossa festividade anual, que premia os espetáculos mais apreciados entre os críticos e academicistas de arte. E o público que tínhamos aqui, digo sempre, se esvanece ante o poderio televisivo.

O Avesso

Já faz um tempinho, o Bufão está com outro endereço. Agora, ele também faz parte de O Avesso, uma revista eletrônica que merece ser apreciada pelos internautas amazonenses. A ideia e o convite foi de Ismael Benigno, que escreve para o blog O Malfazejo. Como já me habituei ao novo endereço, já começo a difundir: www.oavesso.com.br/obufao. Estou indeciso, confesso, se abro mão deste endereço. Por enquanto valem os dois.

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Conclamação aos discentes enfastiados

May 1st, 2009 clayton nobre 5 comments

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Padeci em uma tarde desta semana de uma de minhas últimas participações em reunião de departamento de curso como representante discente. Devo dizer que é uma excepcional experiência, daquelas que nos fazem ganhar o dia. Professores são testados no âmago de seu humor e vemos aflorar sentimentos ao extremo, seja de gargalhadas ou queixas, denúncias, gritarias, piadas divertidas ou inoportunas, sofrimentos, tormentos e uma procura incessante dos docentes, em seus largos bolsos, por uma incomensurável pílula de paciência.

Um parêntese para a falta de tempo para o blog. Abri esta página na intenção de prestar um depoimento acerca de algumas eventualidades pelas quais passei durante a última semana, incluindo a mostra e o festival de videodança. Mas por um pedido de uma docente com o comportamento meio esquizofrênico e por conta de algumas imagens que se firmam agora em minha cabeça, é impossível pensar em outro assunto se não este do qual trato agora. Fico devendo outros textos.

Por intermédio deste blog e com a segurança de que muitos docentes desconhecem tal ferramenta, faço um conclamação a todos os estudantes que estiverem encostados ao léu nas pilastras da academia, macambúzios pelo cancelamento da aula por conta da extraordinária reunião de departamento. Procurem vocês o local de tal reunião, chamem de lado os representante discentes, e entrem na sala, participem. A reunião é gratuita e aberta a qualquer viva alma. A única restrição é fingir ausência quando o chefe pedir a contagem de votos.

A convocação é a todos os estudantes universitários com a disposição de tempo e paciência, independente do curso, pois o modelo de reunião que explicitarei aqui foi atestado por professores de outros departamentos. A prova é que docente e discente são os mesmos em qualquer lugar sob quaisquer circunstâncias. Desconfiem da boa vontade. Alguns realmente o têm, os outros a usam como subterfúgios. Pontuações e grana estão a todo instante no subtexto das falas expressas nessas reuniões. Sim, lucro, colegas. Já me disseram que é impossível lutar contra a privatização da universidade, uma vez que os professores já a fizeram.

Cuidado, muito cuidado com as gargalhadas inoportunas, aquelas que surgem em nossas bocas de maneira espontânea e involuntária. Alguns professores não conseguem evitar, sequer alunos. A alternativa que uns amigos usam é desviar a atenção por uns instantes com palavras cruzadas, rabiscos na agenda, mensagem no celular para o colega a três carteiras de distância, bilhetinhos e conversa paralela. E como há conversa paralela! Você se sente emocionado e aliviado quando, numa aula comum, um professor desses lhe pede para fazer silêncio.

Vão me perguntar, provavelmente, o motivo pelo qual poderiam surgir essas gargalhadas debochadas e involuntárias durante uma reunião de departamento. Prefiro que vocês próprios se certifiquem na garantia que meu conclame não seja em vão. Uma dica: prepare os papeizinhos ou o Coquetel no momento da leitura dos planos de aula. Ou melhor, muito melhor, prepare sua voz, expresse, denuncie, reclame. Essa será a sua única oportunidade, colega, de fazer frente ao proveito de poder que muitos usam no atual modelo de ensino no país. Dessa vez o professor não estará em posição de comandante, assistindo à sua ineficaz vontade de se expressar. Lá estará em seu círculo, e será um reles como todos somos, e terá comportamento às vezes um tanto perturbante quanto o nosso quando em aula.

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