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Archive for January 22nd, 2009

O post dos posts

January 22nd, 2009 clayton nobre 5 comments

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Há alguma coisa podre na esteira do Google, e meu blog está ganhando com isso. Explico. Para muitos, a possibilidade proporcionada pela Web 2.0 provocou um boom na democratização da informação. Por conta dos blogs, nossos tempos nos permitem gostar mais de escrever, ler, portanto somos hoje mais aptos a opinar e democratizar nossos argumentos e pensamentos.

 Há pouco menos de um ano, por exemplo, assim que estreado o programa CQC na Band, brotou-me a tal vontade de expressão e saciei meu anseio com um post no Bufão. Precisava de uma fotografia e a dita democratização me facilitou copiar uma pequena imagem do programa de algum site ou de outro blog, não me lembro ao certo de onde.

Tempo vai, tempo vem. Começo a aprimorar os textos que aqui escrevo. Começo a receber respostas de pessoas nos corredores que jamais eu imaginaria estarem lendo um texto meu no Bufão. (Me lembrei rapidamente da Raquel sendo abordada na Ufam, em uma manhã qualquer, pela professora Ivânia: “Raquel, você está tão deprimida. Li umas coisas tão pesadas no seu blog”). Outro dia um desconhecido me liga do jornal a fim de divulgar meu blog, entre outras surpresas. É fácil notar que estamos mais expostos que antigamente.

O problema das múltiplas possibilidades de informações, percebo, é a iminência de uma propensão maior de tornarmo-nos seres ignorantes. Esse fenômeno tem até um nome: agnotologia. “Mais informação significa menos conhecimento”, saiu na revista Wired. Daí explico porque há algo podre na web, sobretudo na esteira do Google. Há meses fazendo pesquisas de filmes para o projeto Cine e Vídeo Tarumã, da Ufam, já me habituei a procurar as melhores críticas e informações corretas na página 5 da busca. E haja boa cabeça e dedução para escolher a informação certa como referência.

imagePasmem alguns, mais a referência que escolho quase sempre vem da Wikipédia. Sim, a tal enciclopédia que os academicistas odeiam. Qualquer um tem o poder para acrescentar dados nos verbetes da Wikipédia e a seleção desses não é lá tão rigorosa como alguns pensam. Quem disse foi o próprio Jimmy Wales, criador da enciclopédia, no último Roda Viva (reprisado), na TV Cultura. Wales também desconfia da esteira do Google e planeja criar um site de buscas em que nós teremos a liberdade para definir a prioridade dos dados.

Um dos tapurus eu já conheço. Graças à professora Aline. Com seu tino para a docência, ela me entregou, certo dia, alguns textos para eu ler – somente pelo ingênuo fato de eu expressar em meio minuto meu anseio pelo estudo dos blogs. A partir da breve leitura, descubro que algumas agências já se especializaram no search engine optimization (SEO). Em curtas palavras, é ato de empurrar as páginas de seus clientes para o topo da lista no Google. Tudo para defender a reputação das empresas contra a liberdade de nossos blogs.

Já dá para se ver que a jurássica guerra dos relações públicas com os jornalistas não passa de um conflito corriqueiro na Faixa de Gaza. E os jornalistas precisam rever suas funções pra não perder o posto de mediador e ser visto como uma simples testemunha dos fatos. Pouco vi discussão como essa na academia. (Aline, habitue-se a entregar esses textos).

Mas sabem por que meu blog está ganhando com essa história toda? Dia desses me petrifiquei com uma súbita subida no gráfico das estatísticas do blog. Com o rosto colorido de felicidade, o Wordpress me informou que era a página do CQC a causa do sucesso. E, verifiquem, mais de vinte pessoas pensam que é o Tas o dono deste blog. Logo descobri o motivo. Não sei por que bombas d’água a imagem furtada em O Bufão aparece entre os tops na busca de imagens da palavra CQC no Google. Juro que não contratei agência alguma.

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