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Archive for July, 2008

Eu quero é botar o meu bloco na rua

July 31st, 2008 clayton nobre 2 comments

torturas.

Quem precisou passar na Praça das Três Caixas D’Água, em Porto Velho, na semana passada, encontrou um furdunço. Era esse um dos objetivos do festival de teatro que acontecia lá: fazer um furdunço na capital rondoniense, divertindo as pessoas e propiciando momentos oportunos de fuga de rotina. A notar pela receptividade do público, o carinho, as risadas e o dinheiro depositado no chapéu no final dos espetáculos, é possível afirmar que os nortistas precisavam desse espaço dentro de seus afazeres.

A festividade fazia parte da programação do “Amazônia Encena na Rua”, a primeira edição do festival de teatro de rua organizado pelo grupo teatral O Imaginário, de Porto Velho, realizado entre os dias 23 e 27 de julho. Participaram cinco grupos de teatro, vindos do Amazonas, Roraima, Rondônia, Acre e Rio de Janeiro.

Havia um tempo, Manaus não precisava desse tipo de festividade para fazer teatro na rua. A necessidade de comunicar, desabafar, falar, essa angústia que todos temos para fazer alguma coisa, de difundir um pensamento, de mobilizar as pessoas, de conscientizar, essa necessidade o teatro cumpria aqui nas ruas de Manaus. Alguns fazem ainda, muito embora não chamemos de teatro. Mas é arte. A arte de reunir carteiros e fazer panelaço no meio da rua, de parar nos sinais de trânsito e chamar para o combate à violência, apitar os carros, lavar entrada de assembléia.

No encerramento do Amazônia Encena na Rua, a idéia era fazer uma invasão nas praças. Todos com roupas caracterizadas, gritando, apitando, incomodando de verdade, chamando atenção para algo que acontecia, para algo que acontece aí, na sua frente e você não vê. O teatro de rua é transgressor, não conhece as regras se não forem de pura cidadania. O teatro incomoda, cutuca. Assim era para ser em Porto Velho, e as pessoas sorriam e demonstravam que precisavam mesmo da gritaria.

A invasão precisava ser feita em outra praça, que esconde no meio do barro a trilha da Madeira Mamoré, entregue aos cachorros, coberta de lama e poeira. A ferrugem do trem tinha o mesmo aspecto da merdeira que cobria o chão de todo o local, caracterizando bem o modo de vida dos trabalhadores que morriam para que aquilo estivesse, hoje, funcionando. O mínimo de manifestação que havia sido feito pelos rondonienses foi Bailarinacalado, me falaram, por uma tropa militar armada na praça comandada pelos detentores do poder público de Porto Velho. Em regime autoritário, o teatro de rua resistia. É tempo de redemocratização e algo cala a boca dos artistas.

Agora, um parágrafo final dedicado à bailarina das praças de Rondônia, que só tem a boca calada pelos olhares ignorantes que passam pelas ruas de Porto Velho. Queiramos todos nós ter um pouquinho dessa loucura.

PS1.: Bethânia, valeu pela foto da peça…

PS2.: Sêo Eduardo, vai comer sabão!

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Uma cabeça aflita

July 20th, 2008 clayton nobre 2 comments

Uma manhã de domingo, uma máquina emprestada, quarto desarrumado, nariz de palhaço, óculos quebrado, uma cabeça aflita e a falta de palavras:

palhaco

oculos

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Amazônia Encena na Rua

July 17th, 2008 clayton nobre 2 comments

DSC07129

O grupo Baião de Dois estará em Porto Velho no festival de teatro de rua. Tô aqui sem tempo de descrever, então, leiam matéria no site do Ministério da Cultura AQUI e vejam a programação do festival AQUI.

 

Selma, melhoras para você. Estamos aflitos de saudades!

 

Abraço!

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As emboscadas entre a ciência e a notícia

July 9th, 2008 clayton nobre 1 comment

O texto abaixo foi escrito para o Jornal do Jornalista, do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas, onde exerço estágio desde janeiro. Foi-me solicitado escrever sobre o Seminário de Jornalismo Científico da Fapeam. A maioria dos textos que fiz para jornais e outros veículos são desse tipo, as chamadas matérias de auditório. Por um lado elas são chatíssimas, por outra nos instiga a criatividade.

Pensando na criatividade, apanhei na casa da Selma (minha diretora de teatro) o livro Galileu Galileu de Bretch, citado no seminário, e li de cabo a rabo para elaborar um bom nariz de cera – aquela introdução do texto que chama o leitor para a leitura. Vale abrir um parêntese para recomendar o livro, que é ótimo e prazeroso de ler.

Daí, caí em outra armadilha: escrevo demais, sobretudo com a empolgação da criatividade. Mesmo no blog procuro exercer a síntese – sem sucesso, confesso, até mesmo nesta introdução que faço. Bufão, me ensine a escrever menos. Você, leitor, aprenda a ler mais.

Sai amanhã o Jornal do Jornalista com o texto editado, sem o nariz. Mas aqui está na íntegra. Para isso servem os blogs.

telescopio

AS EMBOSCADAS ENTRE A CIÊNCIA E A NOTÍCIA

Em seminário de jornalismo científico, Fapeam possibilitou o debate sobre formas viáveis de difundir ciência e tecnologia sem cair nas armadilhas

Galileu acreditava que Copérnico poderia ter levado o crédito merecido à sua época se dispusesse de um instrumento para provar sua teoria: era o Sol o centro do universo, em torno do qual giravam a Terra e os demais planetas. Os avanços tecnológicos presentes àquela época possibilitaram que Galileu criasse o telescópio para provar aos religiosos e aos acadêmicos a assertiva copernicana. Hoje, a ciência e a tecnologia mantêm essa função: abrir os olhos e produzir conhecimento. Entretanto, ainda é possível encontrar no mundo moderno, o que o doutor em Ligüística Sírio Possenti chamou de “mentalidade pré-copernicana”.

Durante palestra de abertura do I Seminário de Jornalismo Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), realizado em 18 de abril, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, Possenti debateu sobre a primeira de muitas armadilhas encontradas no exercício da popularização da ciência e tecnologia. Para ilustrar sua teoria, ele citou um trecho da peça de teatro A Vida de Galileu (ou Galileu Galilei), de Bertolt Brecht, no momento em que Galileu convidava os professores da universidade a averiguarem a veracidade da teoria de Copérnico. O telescópio estava de frente para a janela e apontava para o sol no centro dos astros.

– ­­­­­Razões, Senhor Galileu, razões! – solicitou o Filósofo, um dos professores.

– Razões? Mas se os olhos mostram o fenômeno? – replicou Galileu.

– Nos apoiamos em nada menos que na autoridade do divino Aristóteles – disse o Filósofo, em um momento mais tarde.

– Meus senhores, a fé na autoridade de Aristóteles é uma coisa, e os fatos, que são tangíveis, são outra. Eu lhes peço com toda a humildade que acreditem nos seus olhos.

­– Meu caro Galileu, por mais antiquado que pareça ao senhor, eu ainda tenho o hábito de ler Aristóteles, e lhe garanto que acredito nos meus olhos quando leio.

Os professores saem decepcionados, não mais que Galileu, que ainda insiste:

– Mas bastava que os senhores olhassem pelo instrumento! – lamentou. O filho da governanta cochichou para a mãe: “eles são burros”.

A lembrança da dramaturgia de Brecht foi útil para que o público presente na palestra entendesse a quem Possenti se referia quando falava sobre os filósofos copernicanos – que olham os objetos como eles são – e os opositores. Esses últimos podem ser comparados, hoje, aos articulistas que ditam as regras da língua portuguesa nos jornais. Tais regras, tal qual a forma como elas são transmitidas, sinalizam um preconceito tão ruim quanto o de raça ou de gênero. Para Possenti, o preconceito lingüístico é da ordem dos preconceitos culturais. “Os brasileiros incultos foram convencidos de que não sabem falar. É a pior maneira de negar suas características humanas”, afirmou. Ele acrescenta dizendo que os ditames da língua provocam o mesmo poder coercitivo e discriminatório das regras de etiqueta ou de moda; e os gramáticos, hoje, estão mais para Ronaldo Ésper do que para professores de português.

No decorrer do seminário, foi possível notar que a história de Galileu remete tanto à questão da popularização e difusão da ciência e tecnologia quanto a preconceito lingüístico. O jornalista Antônio Ximenes, durante mesa-rendonda, disse que o desconhecimento é a maior arma do jornalismo científico. “Ser jornalista científico é admitir que somos ignorantes. Não são os doutores que vão dizer o que é a vida do ribeirinho”, falou. Seguindo esse ponto de vista, Ximenes disse que não seria errado afirmar que o jornalismo científico amazonense está no mesmo nível do jornalismo científico de São Paulo ou da França.

O segundo entrave tem relação a problemas próprios do exercício da profissão de jornalista. O jornal impresso, na tentativa de engajar-se em uma concorrência desleal com o jornalismo de rádio, televisão e internet, tem apresentado cada vez menos a prática da abordagem. A questão foi expressa por César Wanderley, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas. Ele complementou a esse problema o fato de que os jornalistas freqüentemente são repreendidos em suas atividades por causa de interesses de empresas de comunicação. “A informação é base para decisões. A informação omissa é pior que a mal-feita”, argumentou.

Discorreram-se sobre uma série de outras armadilhas, como a questão da segmentação do jornalismo, percebida com preocupação pelo jornalista Gerson Severo Dantas. Ainda assim, reconheceu-se que a pesquisa durante a atividade do jornalismo científico deve ser feita com um cuidado especial, uma vez que os fatos, nesse ramo da profissão, nem sempre são imutáveis. Por sua vez, Antônio Ximenes disse que a dialética é determinante durante a etapa da apuração e da pesquisa. “É preciso comprovar. Não bastam declarações”, disse.

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Emoção. O que é que te provoca?

July 3rd, 2008 clayton nobre 1 comment

sapato

Página, esse texto que escrevo é para falar de emoção. E tão difícil quanto comentar sobre esse sentimento é provocá-lo nas pessoas. Quem tem o hábito da escrita sempre é pressionado, por si mesmo inclusive, a exercer a atividade tendo em vista a percepção do que o outro terá no usufruto de seu trabalho. Fazer isso seria uma tortura se não fosse prazeroso. Lemos livros, assistimos a filmes, a peças de teatro e vemos pinturas e manobras artísticas. Não é difícil perceber as falhas que os humanos têm quando não conseguem fazer seu trabalho, provocar emoção. Talvez você nem saiba o que é isso.

Disciplina de redação para telejornalismo é um bom exemplo – os que transitam pela área sabem disso. Somos instigados a estabelecer uma parceria meio insana com um telespectador que não conhecemos. Mas é imprescindível escrever um texto (bom), casar a imagem oportuna e criar um caminho de comunicação com o seu receptor. Criar um caminho de comunicação. Coisa mais difícil que a metáfora. Criar um elo de ligação, provocar uma sensação. Às vezes a sutileza é fundamental. Uma passagem. Um personagem ideal. Aquela perguntinha. Pronto.

Os telejornalistas deveriam exercitar a dramaturgia de vez em quando. Daí descobririam outros obstáculos, maiores, para o exercício dessa maluquice. Provocar aquela emoção é mais complicado que fazer o lero-lero com a mãe, a fim de manipular suas opiniões – alguns conseguem. Na dramaturgia, um feeling muito aguçado é necessário. É preciso preparar o público para o momento em que se necessita provocar qualquer sentimento. Criar uma linha dramatúrgica com bastante cautela. E nunca esquecer que o seu receptor vai apreciar o seu trabalho convicto de que não passa de um mentira. Ilo Krugli, dramaturgo conceituado, diretor do grupo de teatro Vontoforte, de São Paulo, na ocasião em que esteve em Manaus, pediu para os alunos de uma oficina relatarem obras de arte que lhes tivessem provocado emoção. A arte que tivesse uma verdade suficiente para a pessoa acreditar na mentira e se emocionar com aquilo. Pergunta difícil. Eu não tinha resposta.

Escrevo tudo tudo isso sobre emoção, página, porque hoje já tenho a resposta a Ilo Kruli. Esperava há tempos assistir a alguma peça de teatro que pudesse acrescentar ao meu cabidal de referências, uma peça que me provocasse aquele momento de amnésia, de esquecimento, de verdade, de emoção. Algo que me provocasse emoção. Quem teve a proeza foi o pessoal da Bahia, a Cia. do meu Tio, que trouxe a Manaus, anteontem, um belíssimo espetáculo de clowns. Houve a tal linha dramatúrgica, houve preparo dos atores, houve boas produção e direção. Mas algo a mais talvez tenha instigado esse sentimento. Ficou agora um gostinho de querer ver mais teatro. Essas pessoas que por mim circulam, deveriam todas ser provocadas. Essas com problema na memória. Essas deveriam ir mais ao teatro.

PS.: o grupo de teatro tem um blog e uma comunidade no orkut.

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Brinquedo Assassino

July 1st, 2008 clayton nobre No comments

Pessoal, vejo nas estatísticas que os acessos ao meu blog vão aumentando por algum motivo insano e fico preocupado pois não encontro tempo para atualizá-lo.

 

Aproveito então que faço um trabalho sobre filmes de terror para a disciplina de radiojornalismo e deixo aqui um vídeo que encontrei. É o brinquedo assassino. Não adianta as animações infatilecas brigarem, são esses os filmes que ficam na memória. Grande clássico (os dois primeiros filmes, mesmo).

 

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=SrAxNAl5rUQ]

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