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Archive for June, 2008

Fatias finas de mim

June 9th, 2008 clayton nobre No comments

Para mostrar de onde tirei a inspiração para a citação de Kafka no texto do último post, está aqui. Veio do livro de ilustrações de Robert Crumb, que comprei em uma livraria ótima quando estive em Rio Branco. Em Manaus, não adianta procurar.

 

Não sei quantas vezes já citei Kafka nos meus textos, o certo é que nunca cansei. Já sou fã perpétuo desse autor. Kafka, com simplicidade, relata as angústias do homem moderno com muita simplicidade, e esquisitice. Paro aqui. O bom de Kafka são as sensações que provoca por meio da sua literatura. Procuro fugir das biografias explicativas que não permitem ler um livro sem sentir essas sensações, que são livres de ser diferentes das que qualquer outro pode ter.

 

Nesse livro de Crumb, as histórias das personagens de Kafka, inclusive ele mesmo, são contadas em forma de quadrinhos. Os textos são de David Zane Mairowitz. Mas é bom começar lendo o Kafka original. É esquisito, mas não é torturante. A Metamorfose dá pra ler numa leitura só – se sua sensação for a mesma que eu tive.

 

Está aí a dica!

 

Abraços.

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Querida página

June 3rd, 2008 clayton nobre 1 comment

Minha querida página,

 

Sei que te devo um milhão de desculpas e nenhuma justificativa será suficiente para eu ter seu perdão. Ainda assim, eu arrisco uma tentativa. Uma tentativa muito rápida, pois estou no horário de trabalho, que é sagrado e me garante uma bolsa de R$400,00.

 

Existe um poder coercitivo sobre esse glóbulo do qual fazemos parte que me obriga a abrir mão desse tempinho que dedico a você. Era esse o poder de coerção de que pretendia me livrar ao praticar o jornalismo. Se fosse de minha vontade, escrevia o que bem vinha em minha cabeça no tempo necessário que a inspiração pede, mas receio que já não seja possível.

 

Já há tempos penso em meu romance e nas linhas invisíveis da minha dramaturgia e lamento o peso na consciência por deixá-la assim, vazia, esburacada, sozinha e angustiada. Mas prometo, assim que possível, elaborarei um conto sobre uma mulher que atravessa uma rua. Já está tudo na cabeça. Tudinho. Surgiu logo agora, quando atravessei a Boulevard para ir ao banco depositar um cheque.

 

Por enquanto tenho essas matérias, esses serviços, alguns telefonemas, umas colagens aqui de jornal – que ainda não terminei, mas falta pouco –, e a leitura de um livro acadêmico (Kafka quer me matar, uma vez que havia reservado o mês de maio para releitura do Processo).

 

Assim como Kafka, sinto que a cada dia vou morrendo, e começo a me preocupar pois sou uma pessoa ainda muito jovem. Mas, retomando, assim como Kafka, já tenho pesadelos com um facão que arranca um pedaço de mim a cada dia da minha vida. Se quer um consolo, página, é você meu ócio – e o teatro enquanto for gostoso.

 

Mas necessito despedir-me apesar do serviço terminado, pois ainda faltam 5 minutos para as 18h. E preciso pensar nos exercícios da faculdade e nas tarefas do estágio a fim de aguçar minha inteligência, aumentar meu coeficiente e me preparar para o mercado de trabalho. Dizer que estou morrendo é um exagero, mas sinto que, a cada dia, estou ficando um pouco mais burro. Socorro, página!

 

Até mais ver,

 

Fui.

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