Mozart x Salieri
Durante uma conversa ao meio de garrafas de vinhos e churrasco (falo mais sobre, lá em baixo) com o amigo Ismael, este final de semana, em algum momento, conversando sobre toda a cobrança que costumamos fazer sob nós mesmos, falamos no quanto, não éramos brilhantes em determinadas tarefas do dia-dia e do trabalho, lembramos sobre a lenda inventada sobre Mozart e Salieri, na primeira metade do século 19, onde se dizia que Salieri, invejando todo o brilhantismo de Mozart, o invenenara.
Inverdade, desmentida pela própria história e retratada no filme Amadeus, de Milos Forman, que narra o final da vida de um dos maiores maestros e compositores de óperas de todos os tempos. O filme retrata a diferença entre duas pessoas muito competentes em suas profissões. Salieri também era maestro e compositor tão bom quanto o gênio, mas tem seu sucesso adquirido através de muito esforço e disciplina, coisas completamente ignoradas por Mozart, que era muito dado à putas e “cachaçadas” homéricas.
Antes que você se pergunte sobre o que tem a ver uma coisa com a outra, assim como as histórias de “O príncipe” de Nicolau Maquiável, esta lenda parece combinar muito bem com conflitos que enfrentamos, hoje, na vida pessoal e profissional. A consciência de que não basta só ser bom no que se faz, nos torna pessoas muito menos habilidosas com o fracasso no alcance de nossos objetivos que são cada vez mais ambiciosos. É claro que existem pessoas, assim como Mozart, naturalmente brilhante, poupando esforços e muitas vezes negligenciando tal genialidade para atingir seus objetivos, ao contrário dos medianos, que precisam se esforçar e ter disciplina para se destacar no meio da multidão.
Talvez o mundo não fosse o mesmo, sem a contribuição dos gênios que entram ou não, para a história, mas eu fico muito feliz em estar entre os que precisam se esforçar, e muito, para ter sucesso.
Os gênios que conheço e de que tenho notícias, não me parecem ser pessoas realmente felizes com suas genialidades. Tenho um amigo, programador, realmente brilhante que vai ser policial, Mozart morreu muito cedo deixando seus filhos receberem aulas de Salieri. Oppenheimer, o inventor da bomba atômica morreu, arrependido de ter sido o responsável pela morte de milhões de japoneses.
Talvez Salieri, não seja tão conhecido quanto Mozart, mas com certeza isso é uma casualidade, pois o mesmo foi professor de música de figuras como Bethoven, Schubert, Czerny, Liszt, Moscheles e Hummel, além de ter seu trabalho reconhecido por imperadores, na época.
O melhor vinho da tarde foi um Baron Nathaniel Pauillac safra 2000 (em outro post, falo mais sobre ele) que valeu cada centavo do seu alto preço, e para acompanhar, um Prime Rib preparado no bafo, cheio de sabor.